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Enzymatic conversion of lignocellulose

1 INTRODUCTION

1.3 Enzymatic conversion of lignocellulose

A principal característica sentida quando nos deparamos com a obra digital

Oraculum é que seu aspecto visual toma como referência as forma e imagética totem

(clã ancestral) e aos rolos de orações que existem nos templos tibetanos, o que se confirma com o som de fundo (sample de um mantra recitado por monges tibetanos)10

que se apresenta quando passamos o mouse sobre os rolos.

Já marcados por esta sonoridade, passamos nossos olhos ao redor da tela e observamos três imagens digitais representando totens dispostos lado a lado, em tamanhos ligeiramente diferentes, como se fossem três conjuntos de rolos, um acima do outro, nos quais estariam as palavras que compõem o poema. O totem/conjunto de versos/poema da esquerda tem nove rolos; o do meio, treze; e o da direita, dez.

A tela tem a predominância do preto, que perde cor apenas para os limites de cada rolo que são cinzas (as palavras se destacam dentro de cada cubo rolante através de um cinza mais claro), e dos nomes dos poetas que vêm abaixo de cada conjunto de versos (Joesér assina o da esquerda, Binho, o do meio e Carlos Moreira, o da direita). _____________________________

Apenas o conjunto de versos do meio tem seus rolos em movimento, possibilitando ao leitor fazer a leitura de cada conjunto de versos na sequência de cima para baixo, ou aleatoriamente, para que se possa ter a ideia do todo. Com os das pontas isso não é possível já que necessitam da atuação do leitor para que passe o mouse em cima das palavras para que cada rolo gire e possibilite a leitura da palavra.

Estes elementos (movimento, som, cores, imagem e palavras) devem ser relacionados para que se dê dinamismo e geração de significados ao modo composicional de Oraculum. Tal estrutura desta mensagem poética digital apresenta um alto nível de informação estética (BENSE, 2009), o que a torna uma estrutura da qual se pode extrair variadas possibilidades interpretativas, já que as redundâncias de informação contida no objeto funcionam como produtoras de novos sentidos correlacionais.

Sendo assim, apresenta uma mensagem que se coloca num nível de grau zero da linguística global, como dizem os semioticistas de Tártu-Moscou, geradora, portanto, de um alto nível de semioticidade enquanto texto.

Em torno desses relacionamentos dinâmicos dos signos, que interagem para se conseguir o efeito estético, vejamos o que Iuri Tinianov nos diz:

A unidade da obra não é um todo simétrico e fechado, mas sim uma integridade dinâmica, com um desenvolvimento próprio, entre seus elementos se coloca não o signo estático da audição e da igualdade, mas sempre o signo dinâmico da correlação e da integração (TINIANOV, 1983, p. 452).

A obra digital Oraculum, como já visto no depoimento do próprio autor, é resultada de um processo que parte de poemas já existentes que são incorporado a uma arte plástica (totens em isopor), e que ganham movimento e “vida” virtual nas telas dos computadores.

Uma série de traduções intersemióticas, portanto. Códigos verbais passaram a ser dialogados com imagens e objetos, através de interação e movimento.

Com o uso do programa Flash 5, Joesér Alvarez cria uma obra em que os poemas já existentes passam a incorporar elementos verbais indissociáveis dos signos

sonoros, imagéticos e de movimento, além da hipertextualidade que possibilita. Torna- se, portanto, um novo poema hipertextual e hipermidiático onde tradição literária e efeitos semióticos computacionais se configuram em meio à sua mensagem estética.

Esta mensagem estética, objeto singularizado e com grau zero de informação pragmática, realiza-se apenas quando se percebe as orientações textuais sugeridas pelos signos verbais.

Neste sentido, após uma primeira abordagem do signo em si mesmo11, vejamos

como os signos referencializam a mensagem a partir do aspecto verbal de sua estrutura para, em seguida, nos determos no campo das interpretações advindas das negociações semióticas realizadas.

A análise que se seguirá será através da leitura das palavras de forma linear, de cima para baixo. Veremos também que esta leitura linear não é definitiva, mas apenas uma leitura em meio a outras que se realizarão de acordo com a vontade do leitor que fará girar os rolos escolhidos, com suas respectivas paralvras, gerando, assim, novas combinações e significações, o que caracteriza Oraculum como uma poesia digital interativa.

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11 A teoria triádica dos signos de Charles Sanders Peirce será utilizada apenas de forma

tangencial, sem nenhuma pretensão de aprofundá-la na abordagem. Importante é saber que o método pragmático peirceano – método científico para Filosofia – é realizado apenas em termos de signos e estes, por sua vez, são estruturados numa relação triádica: o signo significa alguma coisa para alguém de alguma maneira. Neste sentido, tal método procura estabelecer a natureza dessa relação, isto é, determinar o significado dos signos. Segundo Peirce: “Um signo, ou representamen, é algo que, sob certo aspecto ou de algum modo, representa alguma coisa para alguém. Dirige-se a alguém, isto é, cria na mente dessa pessoa um signo equivalente, ou talvez um signo melhor desenvolvido” (PEIRCE, 1975, p. 94). Grosso modo, vejamos quais são os tipos de signos, de acordo com Peirce. Basicamente, eles se diferenciam dependendo da relação entre os elementos que o compõem e de sua ação específica (ou semiose): Analisar o signo em relação a ele próprio (a Primeiridade) é encará-lo como um quali-signo, sinsigno ou legi-signo; Analisar o signo em relação ao que ele representa (seu objeto dinâmico) é encará-lo como num nível de Secundidade, em que se tem o ícone, o índice e o símbolo; Analisar o signo em sua

Tereceiridade é relacioná-lo com o interpretante, sendo então considerado como rema, discente