6. Results and discussions
6.1. Energy supply determination
6.1.1. Process description and results
No intuito de investigar as percepções, ideias e imagens de profissionais das ESF de uma regional de Belo Horizonte com relação à temática em investigação, o presente estudo foi desenvolvido no âmbito das Ciências Sociais. Para tal, torna-se necessário a utilização de ferramentas qualitativas para coleta e análise de informações.
No âmbito da discussão sobre algumas propriedades dos campos, Bourdieu (1983) afirma que os mesmos são espaços estruturados de posições (ou de opostos) que tem suas propriedades dependentes das posições nestes espaços. Estas propriedades podem, assim, ser analisadas independentemente das características de seus ocupantes. Os campos possuem leis gerais de funcionamento invariantes e cada vez que se estuda um novo campo segundo Bourdieu
(1983, p. 89) “descobre-se propriedades
específicas, próprias a um campo particular, ao mesmo tempo em que se faz avançar o conhecimento dos mecanismos universais dos campos que se especificam em função de
variáveis secundárias”, como por exemplo, as
variáveis de uma determinada nação. Ele ainda sinaliza que em cada um dos campos existe uma luta, da qual se devem buscar as formas específicas, entre novos elementos que buscam entrar neste campo, forçando o direito de entrada e o dominante que tenta defender seu monopólio. Ainda pontua que um campo se configura através da definição dos objetos de disputas e dos interesses específicos. Assim, para que funcione é preciso que haja objetos de disputas e pessoas preparadas para entrarem no jogo, dotadas de habitus específicos. Considera
também que a estrutura do campo “é um estado
de relação de força entre os agentes ou as instituições engajadas na luta ou, se preferirmos, da distribuição do capital específico que, acumulado no curso das lutas anteriores, orienta
as estratégias ulteriores” (BOURDIEU, 1983, p.
90).
No campo das ciências sociais Minayo (2007) afirma que, diferentemente das ciências naturais, o objeto de estudos desta área de
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conhecimento é histórico. Assim toda pesquisasocial deve registrar a historicidade humana, considerando as especificidades das culturas e a simultaneidade das mesmas. Neste sentido, pode- se afirmar que a sociedade e os indivíduos possuem consciência histórica. Isso significa que não é somente o pesquisador que confere sentido à produção científica, os indivíduos e grupos também o fazem.
Outra característica das Ciências Sociais é que elas trabalham no nível da identidade entre o observador e o objeto de observação, já que a pesquisa nesta área lida com seres humanos. Para
Triviños (2009, p. 121), “o pesquisador não fica
fora da realidade que estuda, à margem dela, dos fenômenos aos quais procura captar seus
significados e compreender.”
Minayo (2007, p. 47) afirma que a
pesquisa social se configura como “os vários
tipos de investigação que tratam do ser humano em sociedade, de suas relações e instituições, de
sua história e de sua produção simbólica”. A
pesquisa social em saúde seria aquela
relacionada às investigações sobre o processo de saúde ou doença e sua representação pelos vários atores que atuam no campo.
Citando Weber (1970), Minayo e
Sanches (1993, p. 243), afirmam que “cabe às
Ciências Sociais a compreensão do significado da ação humana, e não apenas a descrição dos
comportamentos.” No início de desenvolvimento
das Ciências Sociais, o positivismo teve representatividade nesta área de conhecimento devido à força e hegemonia científica que abarcava e ainda abarca este enfoque, através do positivismo sociológico. Entretanto, de acordo com Triviños (2009), o positivismo perdeu importância nas pesquisas sociais porque a prática da investigação se transformou numa atividade mecânica e que muitas vezes desconsiderava as necessidades dos países.
Segundo Minayo e Sanches (1993), a abordagem positivista está limitada à observação dos fenômenos e ao estabelecimento de ligações de regularidade que possam existir entre eles, fixando as leis que os regem. Dessa maneira, se abstêm de descobrir as causas dos mesmos. Esta abordagem não nega os significados, mas se recusa a trabalhar com eles por considerá-los
uma realidade incapaz se ser abordada
cientificamente.
A visão positivista, que apenas
reconhece a atividade “objetiva” como ciência e
menospreza os aspectos “subjetivos”
desconsidera que a objetividade no aspecto amplo do termo não pode ser alcançada. O simples fato da realização de uma análise de dados estatísticos confere ao estudo uma carga considerável de subjetividade relativa ao olhar do sujeito/pesquisador. Desta maneira, com relação
ao processo social denominado “investigação qualitativa”, a autora pontua que a própria expressão “Metodologias Qualitativas” revela
uma dificuldade histórica das teorias em se posicionarem ante a especificidade do social. Supõe uma afirmação de qualidade contra a quantidade, o que reflete um debate teórico entre o positivismo e as correntes compreensivas em
relação às formas de valorização dos
significados. Além disso, nega a “subjetividade”
e interesses diversos presente na construção e desenvolvimento de qualquer tipo de estudo investigativo (MINAYO, 2007).
A autora ainda relata que, em oposição ao positivismo sociológico, que se caracteriza pela busca de leis de funcionamento atribuídas às comunidades ou grupos, as perguntas sobre valores, crenças e relações são respondidas de forma melhor pela Sociologia Compreensiva. Esta corrente de pensamento considera como tarefa das Ciências Sociais, de acordo com
(MINAYO, 2007, p. 24), “a compreensão da
realidade humana vivida socialmente e de forma
diferente do universo das ciências naturais”, que
em suas múltiplas manifestações tem o significado como conceito central para a análise sociológica. Esta ciência propõe a subjetividade como fundante de sentido.
É preciso, no entanto, evitar análises atomizadas da realidade e dos grupos sociais, através da aplicação de teorias compreensivas, considerando que esses fenômenos constituam realidades reduzidas a si mesmas. Isso ocorre
quando os estudos qualitativos não
contextualizam problemas históricos, culturais e estruturais aos eventos (MINAYO, 2007).
Segundo a mesma autora,
diferentemente do positivismo e das análises compreensivistas, a dialética considera os significados como parte da totalidade, assumindo a qualidade dos fatos e das relações sociais como sua propriedade. Contudo, torna-se necessária a inclusão de significados na totalidade histórico- estrutural.
Com relação aos modelos complexos de investigação, que têm sua origem nas abordagens sistêmicas, a autora considera o pensamento sistêmico como uma forma de ver e articular a
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realidade. Esta corrente de pensamento requerum olhar e abordagem diferentes, nega a visão unidimensional dos fenômenos, valoriza as diversas interações, desvaloriza regularidades e normas, desconsidera a compartimentalização dos saberes e busca a comunicação entre as diferenças e as oposições.
O objeto de estudos das Ciências Sociais é essencialmente qualitativo, assim as
“Metodologias de Pesquisa Qualitativa”,
utilizadas nesse campo do conhecimento são entendidas como aquelas capazes de incorporar a questão do significado e da intencionalidade como inerentes às estruturas sociais, aos atos, e às relações. As consequências teóricas e práticas da abordagem social referem-se à interrogação sobre a possibilidade de conferir cientificidade a um trabalho de investigação que, ao considerar os níveis mais complexos das relações sociais, não pode quantificá-los (MINAYO, 2007).
A pesquisa qualitativa aborda questões muito particulares e, nas Ciências Sociais, ocupa- se de um universo de significados, motivos, valores, aspirações, crenças e atitudes que correspondem a um espaço mais profundo das relações, processos e fenômenos que não podem ser reduzidos à operacionalização de variáveis (MINAYO, 2001).
Muitas pesquisas de caráter qualitativo não precisam se apoiar em informações estatísticas. Entretanto, isso não significa que
sejam estudos especulativos, pois têm um “tipo
de objetividade e validade conceitual que
contribuem decisivamente para o
desenvolvimento do pensamento científico”
Triviños (2009, p. 118). Além disso, este autor sinaliza que este tipo de pesquisa tem o ambiente natural como fonte direta de dados e o pesquisador como instrumento-chave. Este ambiente é pensado como uma realidade muito ampla e complexa, vinculada a realidades sociais maiores e o pesquisador tem sua grande importância associada ao fato de não deixa de considerar essa visão ampliada da realidade social.
Com apoio teórico na fenomenologia a
pesquisa qualitativa é essencialmente embasada na descrição dos fenômenos. Esta descrição se encontra repleta de significados provenientes do ambiente, os quais são produtos de uma visão subjetiva da realidade. Neste sentido, a pesquisa do tipo histórico-estrutural, dialética, adotada neste estudo, parte da descrição aparente do fenômeno e da sua essência. Busca as causas da
sua existência e a explicação da sua origem, relações e mudanças e tenta intuir as consequências que terão para a vida humana (TRIVIÑOS, 2009).
Segundo o mesmo autor, neste tipo de pesquisa o processo se torna objeto de preocupação e não somente os resultados e o produto. No contexto histórico cultural, este tipo de investigação considera o desenvolvimento do fenômeno na sua visão atual, que marca o início da análise, e na sua estrutura interna, que pode não ser visível à simples observação. Direciona- se, desta maneira, no caminho de descobrir as forças responsáveis pelo seu desenvolvimento e avançar no entendimento de seus aspectos evolutivos.
Triviños (2009) ainda sinaliza que para esta prática de pesquisa, com base na dialética, o fenômeno tem sua própria realidade fora da consciência, e como tal é estudado. Desta maneira é enfocado indutivamente, mas ao descobrir a sua essência e aparência avalia-se um suporte teórico que atua dedutivamente. Assim, o fenômeno social é explicado em um processo dialético indutivo-dedutivo. Pontua ainda, que neste fazer investigativo existe uma atenção especial ao estudo do que pensam os sujeitos sobre suas experiências, vida e projetos,
principalmente através da observação
participante e entrevista semi-estruturada. Nesta busca os pesquisadores procuram detectar os significados dados aos fenômenos, pelas pessoas.
Nesta mesma linha de pensamento Conde e Andrés (1995) afirmam que na metodologia qualitativa de pesquisa tem como elementos de estudo os discursos e como ferramenta a análise e interpretação da linguagem. Neste contexto, o sentido deste tipo de investigação se volta para a recuperação do campo da palavra e da linguagem, da consciência e da vontade, silenciadas em outras abordagens.