3. Conceptual Framework
3.2 Entry mode
As diversas opções e oportunidades de eventos esportivos atraíram a atenção dos fãs levando-os a investir seu tempo e dinheiro em outros esportes. As estratégias na busca por torcedores tornaram-se essenciais para a própria sobrevivência.
O críquete pode ser considerado como um bom exemplo, pois sempre foi considerado um esporte elitista e de difícil compreensão, veio ao longo do tempo perdendo espaço para o futebol. No entanto, algumas ações como transmissão pela TV via satélite e algumas mudanças no jogo visando atrair o interesse do público jovem foram tomadas, conseguindo reter e aumentar a audiência dos telespectadores. Pode-se afirmar que sem a transformação implementada, o críquete seria reconhecido, nos dias atuais,
um esporte obscuro e sem interesse de mídias e público, sendo essas ações definidas como a sua refundação (REIN ET AL., 2008).
Eventos como a copa mundial de Rugby renderam US$90 milhões em 2003, gerando uma receita maior do que se esperava para a Austrália e obteve grande apelo turístico (MORGAN e SUMMERS, 2008). É considerado o terceiro maior evento esportivo, ficando atrás apenas dos Jogos Olímpicos e Mundial FIFA. Instalações esportivas foram construídas em um conceito multiuso propiciando aos consumidores variadas opções de serviços e produtos (REIN ET AL., 2008).
Já no Brasil, o rugby foi trazido por Charles Miller, o mesmo que trouxe o futebol para o país. Essa modalidade é a segunda mais praticada no planeta, segundo a International Rugby Board (IRB) – Instituição máxima que administra todos os interesses da modalidade - entretanto aqui teve um rumo bem mais modesto. Não obstante a isso, na última década, apresentou um crescimento exponencial nos números de clubes, praticantes e simpatizantes. Outro ponto importante foi que a IRB, colocou o Brasil como prioridade, muito em função desse expressivo crescimento. Tais fatos nos remete a inúmeros aspectos do marketing esportivo, muito em função da construção de um novo produto esportivo. A partir de 2010, a modalidade passou a ser patrocinada pelo TOPPER (Empresa privada que comercializa produtos esportivos de consumo, como vestuário e equipamentos específicos para praticantes de diversas modalidades esportivas), tornando o esporte mais difundido após uma campanha vinculada na televisão, onde despertou a curiosidade em muitas pessoas. Então, naquele momento, o rugby rompeu com o passado e passou a buscar um espaço definitivo entre os esportes praticados pela sociedade brasileira (FRANCESCHI NETO, 2012).
O Cleveland Cavaliers, uma das equipes da associação nacional de basquete, aumentou seu orçamento de marketing entre 15% e 20% e o Arizona Diamondbacks, equipe de beisebol, investiu 60% a mais em publicidade da equipe para, entre outros, aumentar sua base de
aficionados. Já em outro estado dos Estados Unidos, a equipe masculina de basquete da University of New Mexico (UNM) conhecida como lobos, constituiu o maior orgulho da cidade de Albuquerque, no entanto expectativas frustradas com o desempenho esportivo, escândalos com seus atletas e estrutura ultrapassada para atender aos desejos de seus aficionados, levaram a instituição a um declínio importante na temporada 2004-05, tendo a menor média de público em sua história. Diante do cenário supracitado, mudanças no corpo técnico da equipe e atletas, oferta de uma estrutura mais moderna e acomodação de forma mais adequada para sua base de torcedores que atravessa gerações, os Lobos vem se reerguendo ano após ano (REIN ET AL., 2008).
No Brasil, existem diversas estratégias relacionadas ao mercado no ambiente esportivo, como a SKY – empresa do ramo de TV a cabo – que investe em patrocínio no automobilismo, basquete e vôlei principalmente. Como o principal negócio da empresa é o entretenimento e filmes, o esporte estaria naturalmente vinculado a ela, tendo em suas programações eventos relacionados com essas modalidades. Segue outra série de patrocínios com estratégias variadas na busca pelo consumo dos produtos vinculados à marca. Há empresas estatais e privadas que acreditam no vínculo de marca com o esporte como é o caso do Banco do Brasil com o vôlei, os Correios com a natação, a Caixa com o atletismo e recentemente com o futebol, a MIZZUNO – empresa do segmento de calçados – nas corridas de rua, A UNIMED – empresa que comercializa planos de saúde – enfim, poderia citar outras mais, decerto que cada uma opte por diferentes estratégias, todavia todas sempre buscam maior visibilidade e associação com o esporte, afinal os seus valores intangíveis, dependendo como sejam trabalhados, potencializarão o consumo de produtos ou serviços vinculados a essas empresas (FRAGATA, 2012).
A tecnologia já faz parte do cotidiano de todos que labutam com o esporte. Tornou-se uma ótima ferramenta de solução de problemas para os clubes, no que se refere, por exemplo, aos relacionamentos com o torcedor e comercialização de produtos e serviços. O Manchester United – um dos
clubes que mais faturam no mundo e famoso pelo sua forma de gestão – conta bastante com seu acordo com a Vodafone – empresa do segmento de telecomunicações com participação em mais de 25 países – para fornecer aos torcedores uma ampla gama de serviços móveis, incluindo resultados, notícias, imagens e vídeos, toques de chamada e até jogos de computador da equipe (MORGAN e SUMMERS, 2008 p. 399).
Alguns clubes do futebol brasileiro também procuram viabilizar recursos para a contratação de ídolos, de maneira a alavancar o consumo de seus produtos oficiais que estejam vinculados a algum ídolo da equipe. Por exemplo, após a queda para a segunda divisão e seu retorno a primeira divisão no ano seguinte, o Sport Clube Corinthians contratou o Ronaldo Fenômeno e o tornou um parceiro, onde atuava como garoto propaganda das empresas que patrocinavam o clube e desejavam vincular sua marca a imagem do ídolo (DIAS e CANÔNICO, 2008). Dessa forma, somado a implantação de uma gestão mais profissional, a referida equipe passou a ser a que mais arrecada no país, possuindo a maior receita do futebol brasileiro, chegando, inclusive, a patamares europeus.