6. The dengue control programme as implemented in Morelos
6.3. Entomological surveillance and vector control in Morelos
Lucien é iniciado no domínio jornalístico através de Lousteau, jornalista que o apresenta primeiramente às querelas da esfera jornalística e, em seguida, ao dono e redator chefe do jornal onde ele trabalha e a vários jornalistas. Lousteau age como um preceptor que ''desempenhava às maravilhas seu papel de guia''113 e conduz Lucien, que é apresentado como seu ''protegido''114, neste meio sujo e perverso do jornalismo, à Galeria de Madeira do Palais Royal. O discurso de Lousteau é construído com a utilização de um vocabulário infernal como: inferno emaldito. É ele quem dita a Lucien a realidade do jornalismo e da literatura naquela época: ''Você encontrará alguma inveja secreta, algum interesse pessoal nesses conselhos amargos; mas eles são ditados pelo desespero do maldito que não pode mais deixar o inferno.''115 O substantivo que traduzimos como maldito, é em francês, damné, que significa aquele ou aquela que é ou será condenado às penas do inferno, e tem ou terá como punição o castigo eterno.116
112 Cf. Trésor de la langue française. Disponível em http://atilf.atilf.fr/tlf.htm. Consultado em 10/06/2012. 113 CH, t. V, p. 363.
114 CH, t. V, p. 363.
115 ''Vous croirez à quelque jalousie secrète, à quelque intérêt personnel dans ces conseils amers, mais ils
sont dictés par le désespoir du damné qui ne peut plus quitter l'enfer.'' CH, t. V. p. 343.
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Temos aqui uma comparação entre o jornalismo e o jornalista com o inferno e o maldito.
A chegada de Lucien ao mundo dojornalismo nos remete à chegada de Dante ao inferno, na Divina Comédia. E Lousteau atua como Virgílio. Um exemplo desta fala preceptora de Lousteau está na seguinte afirmação que faz a Lucien:
Sachez-le donc! reprit Lousteau, cette lutte sera sans trêve si vous avez du talent, car votre meilleure chance serait de n'en pas avoir. L'austérité de votre conscience aujourd'hui pure fléchira devant ceux à qui vous verrez votre succès entre les mains, qui d'un mot, peuvent vous donner la vie et qui ne voudront pas le dire: car, croyez-moi, l'écrivain à la mode est plus insolent, plus dur envers les nouveaux venus que ne l'est le plus brutal libraire.117
Em um duplo movimento, a perda das ilusões de Lucien cresce, à medida que ele se insere no jornalismo. A Divina comédia de Dante, dividida em três grandes livros (O Inferno, o Purgatório, o Paraíso), tem, em sua epígrafe a seguinte frase: ''Deixai todas as esperanças ó vós que entrais!''118 Esta perda de esperança, que cresce à medida que o personagem se insere na sociedade parisiense, à medida que ele conhece e compreende a realidade, ou que adquire conhecimento. Este movimento, além de aparecer em Ilusões perdidas, está presente em outro romance de Balzac intitulado Le père Goriot (O pai Goriot– 1835) onde o autor sinaliza ao leitor, e sobretudo à leitora,
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''Saiba-o então! - retomou Lousteau. - Esta luta será sem tréguas se o senhor tiver talento, porque sua melhor sorte seria de não possuí-lo. A austeridade da consciência do senhor, hoje pura, cederá diante daqueles a quem o senhor verá que detêm nas mãos seu sucesso, que com uma única palavra, poderão dar-lhe vida e que não desejaram dizê-lo a tencionarão pronunciar: pois, acredite em mim, o escritor da moda é mais insolente, mais duro em relação aos recém-chegados que o mais brutal editor.'' CH, t. V, p. 347.
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o que ele irá encontrar lendo o livro, no que se refere ao gênero romanesco tal como é visto por Balzac:
Vous qui tenez ce livre d'une main blanche, vous qui vous enfoncez dans un moelleux fauteuil en vous disant: Peut-être ceci va-t-il m'amuser... Ah! sachez-le: ce drame n'est ni une fiction, ni un roman. All is true, il est si véritable que chacun peut en reconnaître les éléments chez soi, dans son coeur peut-être.119
E também, no início do romance, o narrador leva o leitor a mergulhar em um microcosmo infernal, a Pensão Vauquer, anunciada pela atmosfera macabra de catucambas, do bairro em que se situa a pensão:
Là, les pavés sont secs, les ruisseaux n'ont ni boue ni eau, l'herbe croit le long des murs. L'homme le plus insouciant s'y attriste comme tous les passants, le bruit d'une voiture y devient un événement, les maisons y sont mornes, les murailles y sentent la prison. Un Parisien égaré ne verrait là que des pensions bourgeoises ou des institutions, de la misère ou de l'ennui, de la vieillesse qui meurt, de la joyeuse jeunesse contrainte à travailler. Nul quartier de Paris n'est plus horrible, ni, disons-le, plus inconnu. La rue Neuve-Sainte-Geneviève surtout est comme un cadre de bronze (...) de marche en marche, le jour diminue et le chant du conducteur se creuse, alors que le voyageur descend aux Catacombes. Comparaison vraie! Qui décidera de ce qui est plus horrible à voir, ou des coeurs desséchés, ou des crânes vides.120
119 ''A senhora que segura esse livro por vossa própria vontade, o senhor que mergulha em uma poltrona
confortável dizendo: Talvez este aqui vai me divertir! Ah! Saiba-o: que este drama não é nem uma ficção, nem um romance. All is true, ele é tão verdadeiro que cada um pode reconhecer os elementos em si mesmo, em seu coração talvez.'' BALZAC, Honoré de. Le père Goriot. Paris, Hatier, 1983. p. 7.
120 ''Aqui os calçamentos são secos, os córregos são desprovidos de lama ou água, a hera cresce pelo
muro. O homem mais tranquilo se entristece assim como todos os transeuntes, o barulho de carro se transforma, neste lugar, num evento, as casas são mornas, as muralhas fazem parecer uma prisão. Um parisiense perdido veria ali somente pensões burguesas ou Instituições, miséria ou tédio, da velhice que morre, da juventude obrigada a trabalhar. Nenhum bairro de Paris é mais horrível, nem, diremos, mais desconhecido. A rua Neuve-Sainte-Geneviève, sobretudo, é como uma moldura de bronze (...) de calçada em calçada, o dia diminui e o canto do condutor se esvazia, enquanto os viajantes descem para as
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Ao longo das viagens e das experiências dos personagens de Balzac e de Dante, estes conhecem personagens históricos e contemporâneos que personificam o vício ou a virtude, tanto no âmbito político ou religioso, na Divina comédia, quanto no âmbito literário, jornalístico e editorial, em Ilusões perdidas. E, quanto mais se inserem nos campos social, político, literário, mais perdem as ilusões.
Na esfera literária, quem introduz Lucien é d'Arthez, homem de letras, digno, belo, trabalhador, representante do grupo dos artistas/autores, do Cenáculo. Ele ensina a Lucien as maneiras de alcançar o talento, ter gosto. É através de d'Arthez, que Ilusões perdidas ganha o status de romance sobre a literatura. O Cenáculo representa um ideal literário, em que os artistas e escritores estariam livres das coerções sociais, poderiam fazer sua obra sem depender dos meios de legitimação ou divulgação da sociedade. O Cenáculo do romance de Balzac faz alusão ao Cenáculo de Victor Hugo ou ao Pequeno cenáculo, que tinha como líder Petrus Borel.121O Pequeno cenáculo era umavanguarda que retomava as reivindicações do Cenáculo, tais como a fraternidade da arte. Estes grupos só poderiam ser compostos por representantes de diversos campos artísticos. O pequeno cenáculo, por exemplo, era composto pelos escritores Gérard de Nerval, Théophile Gautier, Philotée O'Neddy, Alphonse Brot, Auguste Mac-Keat, pelos arquitetos Jules Vabres e Léon Clopet, e pelos pintores e vinhetistas Célestin Nanteuil, Napoléon Thomas e Joseph Bouchardy Os componentes de ambos os grupos reuniam-se para por em prática seu objetivo: promover a troca de conhecimentos especializados
Catatumbas. Comparação verdadeira! Quem decidirá aquilo que é mais horrível de ver, ou corações indiferentes ou crânios vazios? BALZAC, Honoré de. Le père Goriot. Paris, Hatier, 1983. p. 7.
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entre os escritores e artistas. O movimento mais marcante do grupo do Cenáculo foi a peça Hernani (1830) que tinha como tema o confronto entre românticos e clássicos.
O Cenáculo, no romance, tem uma áurea angelical, como se fosse um culto aos Cenáculos de Hugo e Borel, e todos os seus componentes são homens com ideologias opostas àquelas do jornalismo e a favor do autor. Como em todas as descrições de personagem em Ilusões perdidas, há uma preocupação por parte do autor em descrever sua aparência física, pois essa é, para Balzac, responsável pela formação da identidade do personagem e indica seu valor social.
As dimensões da descrição de d'Arthez, relativamente curta se comparada às outras descrições, revelam a simplicidade desse personagem. Nesta descrição, percebe- se a negação da ideia romântica de que o artista recebe inspirações divinas. Pelo contrário, percebe-se a multiplicação do vocabulário referente ao trabalho, ao esforço de um escritor que tenta viver das suas próprias penas, e que é comparado a um operário, mostrando que uma atividade intelectual tem o valor social e econômico de uma atividade manual. O escritor é mostrado em seu ato de escrita: ''Jovem homem de aproximadamente vinte e cinco anos que trabalhava com essa aplicação constante (...) verdadeiros operários da literatura (...) este trabalhador escondia um bela testa (...) jovem trabalhador.''122 Um traço indicativo da inteligência do personagem é a sua ''bela testa''. A fisiognomonia, que estudava a personalidade do indivíduo através dos traços físicos do rosto, postula que possuir uma bela testa era indicativo de grande firmeza no caráter.
122 ''jeune homme d'environ vingt-cinq ans qui travaillait avec cette aplication soutenue. (...) véritables
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O tipo do editor, do homem que dava a ler aos franceses, é exibido através do personagem Doguereau. Na ''certeza de uma luta''123 Lucien entra na editora de Doguereau e revela o perfil do editor daquela época que seria, ao mesmo tempo, comerciante e o que hoje chamamos deintelectual: ''O pai Doguereau, como o apelidara Porchon, parecia em virtude de sua casaca, das calças e dos sapatos, um professor de letras, e, em virtude do colete, do relógio e das meias, um comerciante.''124
As esferas jornalística e literária atuam em contraste, como sendo uma o oposto da outra. Percebemos tal dualidade sendo representada pelo Cenáculo e pelo jornalismo. A fim de exemplificar esta afirmação, analisaremos duas descrições topográficas, sendo a primeira aquela do quarto de Lousteau, representante do jornalismo; e a segunda aquela do quarto de d'Arthez, poeta representante do Cenáculo. Em seguida, analisaremos a descrição de um outro espaço ligado ao jornalismo e à imprensa: o Palais Royal. Quanto às descrições das características físicas e morais, analisaremos as de dois personagens centrais: Doguereau e d'Arthez.