• No results found

Enterprise Architect

In document 07-01958 (sider 26-29)

8 Metamodeller og profiler

9.1 Enterprise Architect

Durante as entrevistas, a questão recorrente e assustadora disse respeito às condições de apoio e atendimento aos trabalhadores afastados.

No Brasil, está previsto pela Constituição de 1988, no título VIII, art. 193 o conceito de seguridade social, que tem como objetivo o reconhecimento do valor do trabalho, o bem-estar e a justiça social. É através do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), pela Unidade Técnica de Reabilitação Profissional (UTRP) que se presta o Serviço de Reabilitação Profissional (ROSSI, 2011).

“Mediante publicação do Decreto nº 2.172/ 97 e da Resolução/INSS/PR nº 424/97, foram definidas as funções básicas da reabilitação profissional: avaliação e definição da capacidade laborativa residual; orientação e acompanhamento da programação profissional; articulação com a comunidade com vistas ao reingresso no mercado de trabalho; acompanhamento e pesquisa da fixação no mercado de trabalho” (ROSSI, 2011: 269).

No entanto, para se participar do processo de reabilitação é necessário comprovar o nexo causal da doença com o trabalho, ou seja, que a doença se desenvolveu decorrente das condições do trabalho. Mas, nem todo adoecimento tem uma única causa e uma relação direta de adoecimento, o que dificulta na comprovação do nexo.

Nas doenças que mais atingem a categoria bancária, como LER/Dort, depressão, síndrome do pânico, estresse, etc. elas são patologias “multicausais”, o que torna difícil o diagnóstico de acordo com os procedimentos e normas médicas. Pois há alguns procedimentos técnicos necessários que se priorizam para avaliar o nexo: a análise do posto de trabalho para verificar se há sobrecarga que atinja física e biologicamente o trabalhador; no aspecto epidemiológico, as condições de risco, as rotinas de trabalho, as análises dos exames clínicos e a anamnese ocupacional. (ROSSI, 2011)

Após seguir estes procedimentos, o nexo será estabelecido pela Perícia Médica das Agências da Previdência Social, Seção de Benefício de Auxílio- doença, que deverá ser emitido através da Comunicação de Acidente de Trabalho, ou pela instituição que o trabalhador é ligado, ou por agentes competentes (Lei 8.212/91). É após esta Comunicação que o trabalhador será encaminhado pela Agência de Perícia Médica do INSS para a UTRP.

Neste momento, é quando se inicia o atendimento que o trabalhador será submetido ao processo de avaliação para comprovar se ele deverá permanecer em benefício ou voltar ao posto de trabalho. Neste momento, também, é quando muito dos trabalhadores passam por experiências desagradáveis, constrangedoras, que ao invés de ser um ambiente onde eles se sintam seguros e confiantes para enfrentar a situação que se encontram, sentem-se assustados e ameaçados, como verificamos na fala seguinte:

“primeira vez que eu fui no INSS foi uma coisa assustadora, eu nunca tinha ficado de licença depois de 20 e poucos anos de banco, a funcionária do INSS uma grossa, ela trata que nem um cachorro, nem com cachorro se faz isso, porque eu estava muito mal, não queria sair de casa por nada, não conseguia dirigir, não conseguia fazer nada, era lá no fim do mundo, quase na Imigrantes, a gente chegou lá, eu fiquei esperando para ser atendida, daí estava com minha mãe porque eu não conseguia fazer nada, aí quando ela (a médica) foi me atender minha mãe estava junto, ela bateu a porta na cara da minha mãe, minha mãe não podia entrar, aí ela começou a falar, eu comecei a mostrar os laudos dos psiquiatras, tudo, ela disse, não me interessa esses

laudos, que quero que você me fale como está se sentindo, aí contei tudo, e lá me cortava o tempo inteiro, ai ela falou assim, aí você vai melhorar, seu médico passou os remédios, esse é o 10 que eu pego do Z, essa fusão do X foi péssima, né? “

Quando esses trabalhadores comprovam o nexo causal do adoecimento, e entram em benefício pela Previdência Social, após o 15º dia de licença médica, eles iniciam uma “luta” para conseguir seus direitos, como o Auxílio- doença e melhores condições de trabalho ao retornar aos seus postos, além de aspectos já tratados em outros núcleos (metas, relações com os colegas e gestores, estabilidade profissional).

A seguir, conseguimos compreender algumas dificuldades sofridas pelos trabalhadores:

“o RH não ajudava em nada, nada, tive problema de tudo, do ticket alimentação que eu não recebia convênio, ponto eletrônico, tudo, eu e a outra gerente tivemos que resolver, não fizeram nada por a gente”.

“eu tive a sensação que eu era pessoa non grata no RH”

“desde quando eu saí do banco não teve nada que não deu errado, a homologação deu errado, exame médico, eu estava tão transtornada, aí o médico falou assim: você não pode ser mandada embora, mas eu não posso falar que você não esta apta”.

“o seguro-desemprego deu errado, os informes de rendimento deu errado, o plano médico, eu perdi o plano dental”.

Além do atendimento pelo INSS, pelo setor de Recursos Humanos das instituições que os trabalhadores estão vinculados, eles ainda enfrentam a volta ao ambiente de trabalho, onde tem que conviver com as limitações físicas e emocionais que a doença deixa, tem que conviver com a mesma realidade que causou o adoecimento, como nos mostra a seguinte transcrição:

“o médico do trabalho mandou um e-mail falando que eu devia fazer 50% da meta, disse que uma psicóloga do banco me procuraria, na sequência, para conversar comigo, lá mesmo, na área e me integrar nessa reabilitação e

acompanhar as minhas necessidades. Aí passou um tempo, na segunda consulta com o médico, a psicóloga ainda não tinha ido lá. Ele perguntou se ela tinha passado lá, e eu disse que não, até agora não. Aí quando ele entrou no sistema está confirmado que ela já tinha me visitado, aí eu falei: Dr. Y, ela não me visitou. Mas é impossível, está marcado aqui! Aí eu disse: foi, posso afirmar que ela não foi. Ele disse que ia passar um e-mail para ela, aí passou uns dias e chegou essa moça lá, psicóloga, para conversar comigo. E ela começou a me falar como eu tinha que fazer, como eu tinha que carregar minha bolsa e eu disse: olha, essas adaptações eu já fiz... o que eu mais preciso mesmo aqui dentro do banco é a questão das metas mesmo, o médico já mandou um e-mail para minha supervisora falando que eu vou poder fazer só 50% da meta. Aí ela olhou bem para mim e falou assim: mas ele não tem autoridade para isso, para dizer que você vai fazer só 50% da meta. Eu falei: ah não, ela falou: não, você tem que fazer normal, porque quem vai fazer sua meta? Eu falei: Doutora X, eu não sei quem vai fazer minha meta, o que posso dizer para a senhora é o seguinte, eu fiquei doente aqui dentro. Eu fiz uma cirurgia por rompimento de tendão, e esse tendão foi rompido por uma tendinite que eu tive... Dr. X eu não sei quem vai fazer a minha meta, eu posso garantir para você que eu não consigo fazer 100%. E outra coisa, se eu forçar a produção para 100%, eu vou estourar meu braço novamente e não terá mais recurso, eu não tenho como fazer essa cirurgia de novo. Aí ela falou: você vai continuar na reabilitação e nós vamos acompanhar isso. Não é que você vai fazer só 50%, você precisa bater sua meta.”

In document 07-01958 (sider 26-29)