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Ensjøhøyden, Neptune Properties

4.4 Området

5.1.3 Ensjøhøyden, Neptune Properties

NORTE Paróquia de Pedra Lavrada

SUL Paróquia de Cabaceiras, Alagoa do Monteiro e Taquaretinga, sendo esta última da diocese de Olinda.

LESTE Paróquia de Campina Grande

OESTE Paróquia de Batalhão

Quadro elaborado pelo autor com base nas informações contidas em SEVERIANO (1906, p.43-44).

É possível observar que primeiro foi criado a Freguesia de Nossa Senhora dos Milagres (1750) e logo em seguida a paróquia (1768).

No século XIX, a Vila Real de São João do Cariri se destacava pela vasta extensão territorial. De acordo com Medeiros108, durante o período colonial, a Vila abrangia cerca de 1/3 do território da Paraíba, tendo diminuído consideravelmente depois da criação da Freguesia de Nossa Senhora da Conceição de Campina Grande109. Reduzindo-se, na segunda metade do século XIX, à área do então sertão do cariri, formada pela junção dos Rios Serra do Meio, Sucuru e Paraíba.

Muitas das fazendas que compunham a Freguesia de Nossa Senhora dos Milagres durante o período colonial e imperial recebiam o nome de acidentes geográficos (Boqueirão, Capoeira, Detrás da Serra, Pedra, Pico, Serra), riachos (Cachoeira, Cacimbas, Lagoa, Açude, Lagoa dos Anjicos, Poço Cumprido, Poço Grande e Riacho Fundo), animais (Carneiro, Pombas, Sapo e Siriema), e vegetais (Algodões, Bananeiras, Carnaúba, Cajazeiras, Carrapateira, Feijão, Ingá, Geramataia e Paus Branco.), abundantes na região, como identificamos nos livros de batismo da Freguesia de 1850 a 1872. Conforme se observa no fragmento do mapa III.

108

MEDEIROS, Tarcízio Dinoá. Freguesia do Cariri de Fora. São Paulo: Editora Camargo Soares, 1990, p.37.

109Apenas em 1769, 19 anos depois da criação da Freguesia de Nossa Senhora dos Milagres, foi que

Campina Grande se tornou também Freguesia. No dia 6 de abril e 1790, Campina Grande passou a ser chamada oficialmente de Vila Nova da Rainha, em homenagem à Rainha D. Maria I.

Mapa III: Fragmento do mapa da Província da Paraíba do Norte – século XIX, 1868110 .

Fonte: Atlas do Império do Brasil, Cândido Mendes, 1868. Acervo: Biblioteca Nacional

As áreas circuladas em vermelho representa as diversas fazendas e povoados que compunham a Freguesia de Nossa Senhora dos Milagres e que receberam nomes de animais e acidentes geográficos.

No que diz respeito à população da Freguesia NSM, de acordo com os livros de batismo, de 1850 a 1872, podemos destacar a presença de brancos, pretos/africanos, índios, pardos, cabras, mestiços, mamelucos, semibrancos111, crioulos e negros. Tal diversidade populacional foi fruto do processo de ocupação territorial pelos portugueses, seguida da chegada dos africanos ao Brasil e do processo de miscigenação entre brancos, pretos, índios e mestiços.

Essa diversidade populacional abrangia o campo e a cidade. No entanto, Medeiros112

coloca que a maioria da população da Freguesia no século XVIII e XIX residia na zona rural; poucas pessoas se fixavam nas cidades e a maioria das casas era de fazendeiros que durante os feriados religiosos e outras festas (penitencias

110

Para a elaboração deste mapa, fizemos um recorte do mapa da Província da Paraíba do Norte – século XIX, 1868, destacando apenas as áreas de algumas fazendas e povoados da Freguesia de Nossa Senhora dos Milagres.

111 Nos livros de batismo referentes ao período de 1850 a 1872, não foi identificado nenhum caso de

pessoas semibranca registrada como escravizada na Freguesia de Nossa Senhora dos Milagres, sendo observado tal cor apenas para pessoas livres. Porém, foram encontrados alguns casos na Cidade da Parahyba de escravizados identificados com a cor semibranca, conforme os trabalhos de: Monteito (2011), Alves (2011) e Guimarães (2013).

112

MEDEIROS, Tarcízio Dinoá. Freguesia do Cariri de Fora. São Paulo: Editora Camargo Soares, 1990, p.16.

quaresmais, semana santa, missas, batizado e casamento de filhos e parentes) iam para a Vila e lá permaneciam temporariamente com suas famílias.

A cultura da Freguesia de Nossa Senhora dos Milagres era, portanto, voltada, principalmente, para o lado religioso e por ser uma província distante da capital não contava com teatros, espaços de diversão e lazer. Esses se restringiam aos dias de domingo e as festividades religiosas. A festa da padroeira Nossa Senhora dos Milagres, ocorrida em setembro, atraia e ainda atrai centenas de pessoas, tanto do lado profano como do religioso.

Infelizmente em nossas pesquisas não foi possível identificar as festas negras, muitas delas não oficiais, por isso silenciada ao longo do tempo, no entanto, acreditamos que elas existiram, não só em São João do Cariri, mas também em outros lugares da Província da Paraíba, assim como destaca Vitória Lima.

Ao analisar o censo de 1872, percebemos que a população da freguesia possuía 15.032 habitantes, sendo que, desses, apenas dois não eram católicos e possuíam nacionalidade alemã. Sabe-se que estes dados não revelam as práticas religiosas diferentes da católica, uma vez que se reconheciam apenas o catolicismo, excluindo assim as religiões de origem africana e indígena.

Por ser uma freguesia distante da capital, não contava com investimentos constantes por parte do governo, fazendo com que o presidente da província, B. Roan113

,

a caracterizasse como uma das mais “medíocres” das freguesias. Os edifícios públicos

eram resumidos a matriz e a cadeia, ambos muito arruinados, um cemitério114 em construção, a Câmara Municipal, que funcionava em uma casa alugada. No que diz respeito à educação, em 1859 a Freguesia continha apenas uma cadeira de instrução para o sexo masculino.

Em nossas pesquisas nos Relatórios de Presidente de Província, identificamos que a Freguesia de Nossa Senhora dos Milagres, em 1850, dispunha de um termo judiciário, com juiz municipal e de órfãos, dois distritos de paz, uma delegacia de polícia e três subdelegacias, um colégio eleitoral, pertencente ao segundo distrito, com 44 eleitores, um batalhão da guarda nacional e uma companhia de reservas, ambas da infantaria. Observamos, assim, que a Freguesia estava muito bem aparelhada com os

113 B. Rohan foi Presidente da Província da Parahyba durante os anos de 1857 e 1859, op.cit, 346. 114 A construção de um cemitério em uma localidade nos anos iniciais da segunda metade do século XIX

representava um avanço para a época, se caracterizando como fruto de um processo higienista e modernizador, assim como discutiremos no 3º capítulo.

órgãos públicos administrativos, destoando, portanto, das considerações de B. Rohan115 quando ele a caracteriza como uma das freguesias “mais medíocres” da província.

Apesar de todas as dificuldades, a Freguesia de Nossa Senhora dos Milagres foi um dos principais centros econômicos de todo o interior116. Sua economia era baseada na criação, no comércio de gado cavalar e vacum, e na agricultura de feijão, milho, arroz, mandioca e algodão. Essas fontes econômicas estavam na base da economia, desde o período colonial até o imperial. Sendo assim, verificamos que a economia da região era bastante diversificada, como podemos observar no trecho seguinte: “O seu

comercio é de gado vacum, e cavallar; tem cura amavivel, e pelo rol de desobriga de 1774 tem duas Capelas filiais; oitenta e sete fazendas; 410 fogos; e 1799 pessoas de

desobriga”117 .

A criação do gado cavalar e vacum já aparecia como sendo a base do comércio da região desde 1774 (conforme citação anterior), pouco tempo depois da data da criação da Freguesia (1750), caracterizando-se, já no período colonial, como sendo uma das principais fontes econômicas da região, o que vem permanecer ao longo do século XIX, como relata o Monsenhor Pizarro em Memórias Históricas118

:

Sobre uma colina rodeada de outras semelhantes e pedregosas, cujo território árido e seco, e muito ventoso, ficando sobranceiro na margem esquerda do rio São João, uma das cabeceiras do rio Paraíba, oferece soberba vista do anfiteatro, pelas diversas colinas e as serras que se seguem; e pois o território desta Villa quase todo montanhoso e as serras que circundam são fraldas do grande Borborema ... Todo este país é conhecido por muito mimoso e próprio para criar gado, o que consiste o seu principal negocio119. (grifos nossos).

Baseando-se no trecho mencionado, percebemos que, nas primeiras décadas do século XIX, a criação de gado consistia no principal negócio da região. No entanto, esse relato trata muito mais do que apenas a base da economia, ele oferece detalhes sobre a

115 ROHAN, Henrique B. Chrographia da província da Parahyba do Norte. Revista do IHGP, n° 3, 1911,

p. 346-348.

116 MEDEIROS, Tarcízio Dinoá. Freguesia do Cariri de Fora. São Paulo: Editora Camargo Soares,

1990, p.15.

117Annaes da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, volume XL/1918, 1923 p.17. Grifos nossos.

118O livro memórias históricas de Pizarro é um livro do século XIX (1820) composto por 10 tomos, cuja

elaboração durou cerca de 40 anos para ficar pronto, inicialmente ele pretendia escrever uma história religiosa sobre o Bispado do Rio de Janeiro, por não conseguir separar o público do privado reuniu informações não só do Rio de Janeiro, mas de diversas capitanias brasileiras, esta disponível na Biblioteca Nacional.

geografia da região, enfocando o território montanhoso, o que poderia dificultar a implantação de grandes latifúndios de monocultura, como tinha no litoral canavieiro do Brasil. As secas constantes também era um fator que dificultaria a agricultura. Dessa forma, a atividade pecuarista se adaptou melhor a essa localidade, por ser uma atividade que não necessita de chuvas regulares.

De acordo com Galliza120, São João do Cariri era uma região pastoril, mas de terrenos tão secos que a água só era obtida durante o verão, através de cacimbas abertas nas margens dos rios, o que possibilitava a criação dos animais, por isso, a atividade pecuarista sobressaia acima da agricultura.

Mesmo iniciada no período colonial ainda era predominante, na segunda metade do século XIX, a criação de gado e a agricultura como fonte de economia da vila, assim como destaca B. Rohan quando faz o mapeamento das cidades da Paraíba, chamando a atenção para a economia da Freguesia de Nossa Senhora dos Milagres: Sua indústria consiste em gado cavallar vacum, cabrum e ovelhum. A lavoura é neste município, mui limitada: planta-se, entretanto, algodão e mandioca, legumes e cereais para o

consumo121 .

Ao analisar o inventario de Amaro da Costa Romeu (1766-1858)122 conseguimos identificar que ele recebeu os títulos de Sargento-mor das Ordenanças Montadas do Cariri de Fora123 e depois de Capitão-mor124, era um importante fazendeiro da localidade, residia na Fazenda Velozo, porém possuía grande quantidade de terras, com a predominância do gado cavalar e vacum em sua propriedade, abaixo o quadro III demonstrará a quantidade de cabeças de gado presentes no inventário e o seu valor:

QUADRO III: QUANTIDADE DE GADO VACUN PRESENTE NO