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A termografia por infravermelhos tem as mais variadas aplicações em edifícios. Pode ser utilizada para detecção de causas de patologias verificadas visualmente, tal como pode ser empregue como instrumento de engenharia preventiva, revelando patologias ainda não aparentes, mas já embrionárias.

1.3.1. Termografia em Edifícios

Numa inspecção termográfica são produzidas imagens, os termogramas, e registadas as respectivas temperaturas ao longo da superfície. Após análise dos dados recolhidos, através de software apropriado, torna-se possível tirar conclusões precisas e indicar as medidas preventivas ou correctivas adequadas.

As aplicações da Termografia em edifícios são muitas. Refiram-se algumas, a título de exemplo:

 detecção de infiltrações ou fugas de água;

 detecção de fendas estruturais;

 detecção de vazios no interior de materiais;

 detecção de defeitos em materiais;

 localização de redes interiores;

 análise térmica dos edifícios.

Infiltrações são frequentes nas construções (Figura 1.10) causando enormes transtornos aos proprietários dos edifícios.

A Figura 1.11 é uma termografia/fotografia onde se pode observar, uma situação de uma infiltração de água.

A Figura 1.12 é um termograma/fotografia onde se observa, entre outras, uma situação bastante comum que é a perda de calor pelas fendas estruturais do edifício. Com recurso à imagem termográfica é facilmente descortinável a perda de calor e os pontos por onde ela se dá.

Figura 1.10 - Detecção de uma infiltração não visível; fonte: Spybuilding (2008)

Na Figura 1.13 observa-se uma uniformidade da distribuição do ar, com excepção do local onde se encontra instalado um sistema de ventilação mecânico. Pela análise do termograma conclui-se que a zona onde o sistema se encontra instalado tem uma temperatura inferior quando comparada com o restante espaço.

De seguida é apresentado um exemplo de localização de uma rede interior (Figura 1.14), sendo impossível a sua identificação visual sem utilização de equipamento termográfico.

Figura 1.12 - Perdas de calor vindas do interior do edifício; fonte: Inframation (2004)

Em suma, esta técnica permite a detecção de alguns problemas não identificados pela visão humana mas facilmente detectados através de imagens termográficas.

Na Figura 1.15 vê-se uma fotografia termográfica de elementos da envolvente opaca, onde se verificam as situações legendadas de A, B e C. Após uma análise cuidada da imagem conclui-se que a legenda A corresponde à ponte térmica que ocorre na junção de duas paredes verticais; a legenda B diz respeito à pontetérmica que ocorre na ligação entre parede e a laje de pavimento, sendo o ponto C o que corresponde à identificação de detalhes construtivos da superfície corrente em análise. No canto direito da fotografia pode-se visualizar a relação entre a cor e a temperatura.

O exemplo apresentado de seguida através da Figura 1.16 mostra a termografia de dois edifícios de carácter habitacional, na qual se pode verificar que ambos os edifícios apresentam isolamentos térmicos distintos,ou seja,o edifício B revela um revestimento térmico executado pelo exterior, do tipo “ETICS”, ao contrário do edifício A que não possui isolamento térmico (as fachadas são construídas com paredes duplas e com caixa de ar mas sem isolamento).

A comparação entre os dois espelha-se na forma em que é possível distinguir o grau de capacidade de absorção de energia térmica dos edifícios, designadamente, o edifício mais à esquerda na imagem detém uma coloração mais amarela, correspondendo a uma temperatura que andará próxima dos 21ºC.Isto deve-se ao facto de absorver mais carga térmica pela inexistência de isolamento pelo exterior, podendo-se ainda observar neste

mesmo edifício, a delimitação de pontes térmicas planas com ausência de tratamento térmico, como é o caso dos pilares e topos de lajes.

O edifício B mostra-se com uma tonalidade mais azulada, logo, mais fria, demonstrando claramente a vantagem que se pode obter com a aplicação de revestimento térmico contínuo pelo exterior, complementando-se ainda pelo facto de não se detectarem pontes térmicas planas produzidas pelos elementos estruturais, face ao referido revestimento.

Na Figura 1.17 pode-se observar uma fotografia termográfica tirada a um alçado lateral de um edifício. Estão presentes dois tipos de coloração distinta, nomeadamente uma mais clara, relativa aos elementos da envolvente opaca, e outra mais avermelhada, que mostra a estrutura resistente do edifício.

O motivo para a coloração se apresentar desta forma está relacionada com a carga térmica que o elemento consegue absorver,face às diferenças de massas entre ambos os elementos(maior no betão comparativamente com o elemento de alvenaria de tijolo da envolvente opaca, logo, com uma capacidade mais elevada de carga térmica).

Assim, os elementos na vertical, correspondentes aos pilares, e os elementos na horizontal correspondente às vigas, consistem tanto em pontes térmicas planas (ex:

pilares) como pontes térmicas lineares (ex: ligação de laje de piso intermédia com fachada).

Com base nestes exemplos, pode-se concluir que a utilização deste recurso é uma mais- valia na inspecção que o perito irá efectuar no âmbito do processo de certificação de edifícios existentes, uma vez que traz a possibilidade de identificar vários detalhes directamente relacionados com as características térmicas do edifício e dos seus elementos, sendo ainda útil também na detecção de várias patologias, tudo pela identificação da radiação emitida pelo elemento e consequente associação à temperatura. O único entrave à proliferação desta ferramenta poderá ser o seu elevado custo (Costa, 2008).