6 Øvrige økonomiske effekter og finansieringskilder
6.3 Engangskostnader i forbindelse med å ta i bruk nye bygg
O papel social de homens e mulheres tem raízes históricas, estando fortemente associado a questões culturais e biológicas. Em sua obra “O segundo Sexo”, Beauvoir (1970) faz uma análise de algumas dessas questões, demonstrando, desde a era primitiva, como o fator reprodutivo subordinou a mulher ao papel de “cuidadora” e responsável pela criação dos filhos. Ao homem, por sua vez, ficaram reservadas as atividades relacionadas ao esforço físico, como caçar e pescar, cabendo a ele o papel de agente provedor.
Na visão da autora, apesar das importantes conquistas do movimento feminista no decorrer da história, até 1949 essa situação pouco havia se alterado, subsistindo relações claras de poder dos homens sobre as mulheres e do papel a ser desempenhado por cada um. Essas relações são construídas desde o nascimento da menina, que deveria ser o espelho da mãe, devendo obediência cega a seu pai. A menina é condicionada, desde muito nova, a cuidar de sua aparência, a saber se comportar perante os mais velhos e a sempre agradar, tornando-se um objeto passivo tal e qual sua boneca.
A teoria dos papéis sociais, que tem por propósito explicar os padrões característicos de comportamento relacionados ao sexo nas sociedades humanas, ratifica a construção argumentativa de Beauvoir, evidenciando como a divisão do trabalho e a hierarquia de gênero, mais favorável aos homens, derivam das diferenças físicas entre os sexos, em especial da força masculina e da capacidade reprodutiva das mulheres. Estas, a quem cabe gestar, amamentar e cuidar dos bebês, acabam por desempenhar papéis semelhantes na sociedade, relacionados ao
cuidado infantil. Além de influenciar na sua atividade profissional, essas responsabilidades “maternas” limitam a capacidade feminina de realizar tarefas que exigem agilidade, períodos ininterruptos de dedicação ou viagens para longe de casa, como caçar animais de grande porte e conduzir guerras. Entretanto, com as sociedades pós-industriais e a consequente queda na taxa de natalidade em relação às sociedades agrícolas, o fator reprodutivo foi perdendo força, ampliando o leque profissional das mulheres (WOOD; EAGLY, 2002).
Independente da origem dessa distinção, as pesquisas sobre estereótipos de gênero apresentam constatações robustas de que os indivíduos possuem crenças diferentes sobre as características típicas de homens e mulheres, como os estudos de Diekman e Eagly (2000) e de Newport (2001). Essas características relacionam-se à dimensão física, emocional e cognitiva das pessoas. De acordo com Deaux e Lewis (1984), a maior parte das crenças sobre os distintos papéis dos sexos advém de atributos coletivos e individuais. Os atributos coletivos, mais latentes nas mulheres, traduzem-se em uma maior preocupação com o próximo, e envolvem empatia, gentileza, sensibilidade e nutrição. Os atributos individuais, por sua vez, típicos dos homens, envolvem autoafirmação, controle emocional e confiança.
Para Eagly e Steffen (1984), os papéis de gênero se reforçam porque a conduta das pessoas tende a refletir suas disposições internas. Esse processo cognitivo constitui um princípio básico da psicologia social, conhecido como inferência correspondente ou viés de correspondência (GILBERT, 1998).
Assim, as crenças sobre as características reais e ideais de ambos os sexos surgem porque o comportamento típico das pessoas guarda correspondência com seus atributos particulares. E a comunicação desses comportamentos, aprendidos por meio da observação individual, auxiliam na criação de um consenso sobre eles. Essas crenças estereotipadas, que se perpetuam nas sociedades, têm origem na divisão das tarefas domésticas e dos papéis familiares ocupados pelos sexos, bem como na hierarquia de gênero que reforça o estigma de maior propensão dos homens a exercer funções e ocupar cargos de maior poder e status.
Nesse raciocínio, as pessoas estão em conformidade com o comportamento adequado ao gênero em parte porque outros esperam que isso aconteça, premiando-se as atitudes congruentes com seus respectivos papéis sociais e penalizando-se os desvios de conduta. Os estudos a respeito das expectativas estereotipadas do sexo, como os de Deaux e Lafrance (1998) e de Geis (1993), produziram algumas das mais incontestáveis evidências de tal constatação
comportamental, embora o liame entre expectativas e comportamento seja contingente a diversas condições (OLSON et al., 1996).
As punições aplicadas ao comportamento inconsistente com o papel podem ser explícitas – demissão do emprego, por exemplo – ou sutis – ignorar a presença ou expressões faciais desaprovadoras, comunicando-se através de atitudes verbais e não verbais que podem se dar, inclusive, de maneira implícita ou automática pelas pessoas, que por vezes não têm domínio sobre esse processo de desaprovação (BLAIR, 2002; DIJKSTERHUIS; BARGH, 2001).
Independente disso, haverá ocasiões em que os benefícios da não-conformidade de gênero provavelmente superarão seus possíveis custos sociais, fazendo com que as pessoas ajam de modo contrário ao esperado para elas. Consciente disso e sabedora de que ainda havia muito a ser conquistado, Beauvoir (1970) apresenta uma série de “sugestões” para as mulheres do futuro, destacando-se, entre elas, a valorização do trabalho, a qual entendia como sendo o fator chave para a redução das fronteiras entre os sexos e como garantia real da liberdade feminina.
Para Egeland (2001), mulheres e homens são iguais em inteligência e capacidades, podendo desempenhar qualquer tipo de atividade profissional. Entretanto, os papéis de gênero enraizados na sociedade fazem com que a distribuição de homens e mulheres nas mais diversas ocupações permaneça estável ao longo do tempo, concentrando mulheres em áreas ligadas a pessoas e homens em áreas mais técnicas, desafiadoras. Não fossem essas influências culturais, a pesquisadora acredita que essa distribuição seria mais igualitária.
A visão de que os papéis de gênero estão enraizados na divisão do trabalho e na hierarquia entre os sexos implica dizer que, quando as características da estrutura social se alteram, as expectativas sobre homens e mulheres acompanham essa mudança.
De fato, conforme Bianchi et al. (2000), o emprego de mulheres aumentou rapidamente nos Estados Unidos e em outras nações nas últimas décadas, principalmente após a revolução industrial, que diminuiu a necessidade do uso da força em diversas ocupações, permitindo uma maior participação feminina no mercado de trabalho. O aumento da proporção de mulheres com nível superior também fez crescer o nível de qualificação para empregos com mais renda e status. Essa mudança na estrutura ocupacional se refletiu diretamente na taxa de natalidade desses países e na busca por uma maior compatibilização dos papéis profissionais e de família.
Embora a inclinação masculina em ajudar nas tarefas domésticas e de cuidado dos filhos seja discreta, essas alterações na divisão de trabalho auxiliam na mitigação dos papéis tradicionais de gênero e na redefinição dos estereótipos convencionais, ajustando-os para comportamentos mais adequados às necessidades sociais contemporâneas (BIANCHI et al., 2000).
Para Lippa (2009), entretanto, apesar de as mudanças nas características da estrutura social alterarem as expectativas sobre homens e mulheres, os componentes biológicos não podem ser desconsiderados na opção dos mesmos sobre sua ocupação profissional. Em pesquisa realizada em 53 países, incluindo o Brasil, o autor demonstrou que a grande maioria dos homens preferia trabalhar com coisas, ao passo que as mulheres preferiam trabalhar com pessoas. Essa proporção permaneceu estável entre os países analisados, independente de suas distintas características culturais, demonstrando que este não deve ser o único fator a ser considerado na opção profissional realizada pelas pessoas.
Apesar dos avanços tecnológicos terem minimizado a necessidade de utilização da força em várias situações, possibilitando às mulheres desenvolverem uma gama maior de trabalhos, as questões de gênero não foram eliminadas do ambiente profissional (HIRATA, 1998; NEVES, 2004). No futuro, a automatização pode, inclusive, contribuir para agravá-las, já que os homens ainda dominam a ciência da computação, matemática e engenharia, áreas-chaves na Quarta Revolução Industrial. Schwab (2016, p. 50) alerta para os riscos decorrentes:
[...] a quarta revolução industrial poderia acentuar a desigualdade de gênero a medida em que valorizasse mais os trabalhos atualmente desenvolvidos por homens, tornando mais difícil a alavancagem de talentos femininos no mercado de trabalho do futuro. Além disso colocaria em risco o valor criado pela maior diversidade e pelos conhecidos ganhos em criatividade e eficiência das empresas que possuem, em todos os níveis, equipes equilibradas em relação ao gênero.
Essa previsão é preocupante, já que a complementaridade entre os sexos tem uma resultante conhecidamente positiva na competitividade das organizações no mercado. A título de exemplo, Castells (1999) aponta uma maior flexibilidade e habilidade de relacionamento nas mulheres, que se refletem diretamente na capacidade de trabalhar em equipe e de dividir decisões.