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Nosso propósito com as perguntas desta parte do questionário foi levantar questões acerca da prática do professor de Língua Portuguesa do Ensino Fundamental de escola pública no trabalho com a leitura de textos na internet.

Para tanto, descreveremos os dados obtidos em cada pergunta.

Gráfico 10 – Leituras de textos da internet em sala de aula.

Fonte: Questionário elaborado pela pesquisadora.

Nosso objetivo com a pergunta 6 “Em suas aulas, você promove a leitura de textos na internet?” foi identificar se o professor de Língua Portuguesa participante da pesquisa desenvolve atividades de leitura de textos digitais em sala de aula. Observamos, por meio das respostas, que cinco professores assinalaram a opção “sim”; um professor escreveu “às vezes”, embora essa opção não estivesse presente no questionário; e três professores responderam que “não promovem a leitura de textos na internet”.

Os professores que marcaram a opção “sim” teriam que descrever de que maneira isso ocorre, e os professores que marcaram a opção “não” teriam que justificar. Transcrevemos as respostas abaixo, nomeando os participantes de P1 a P9. Primeiramente apresentaremos as descrições feitas pelos professores que marcaram a opção “sim”:

P1 Seleciono textos de acordo com o assunto trabalhado na atualidade que são importantes para os alunos obterem informações e dependendo do gênero textual fazer com que eles sejam mais críticos ao ler e discutir textos da internet.

P2 Sempre promovo leituras de diferentes textos: poemas, letras de músicas, narrativos, etc. Mas o nosso trabalho renderia muito mais se tivéssemos um professor de apoio.

P3 A aula é preparada bem antes de acontecer, pois não temos uma sala exclusiva para as aulas de português e temos que verificar se tudo está funcionando bem. Os alunos têm uma prévia do assunto, fazemos um debate inicial para a motivação. Realizamos uma leitura individual e coletiva. Caso surjam duvidas e comentários sobre o assunto do texto, aproveitamos para pesquisar em sites especializados. Por fim, registramos os pontos importantes do texto e fazemos uma interpretação do mesmo. A correção é feita da maneira em que todos apresentam suas respostas e seus pontos de vista. Os alunos são avaliados a todo momento durante a aula.

P4 Com o desenvolvimento de projetos em sala, de acordo com os conteúdos estudados os alunos pesquisam o tema.

P5 Através de pesquisas por parte dos alunos.

O professor P6 escreveu “às vezes”– Em pesquisa e produção de e-mail, embora este ano não foi possível, uma vez que os computadores e a internet não se encontraram em condições de uso (com problemas).

A seguir apresentaremos as justificativas dos professores que assinalaram a opção “não”:

P7 A sala de informática é bem concorrida. Difícil encontrar vaga para utilizá-la. Além disso, esse semestre ou os computadores não funcionavam ou estava sem internet.

P8 Não. Pois a sala de informática é pequena, é concorrida e durante o 1º semestre apresentou problemas técnicos.

P9 Uma vez que são poucos computadores e, por isso, os alunos ficam dispersos. A última parte do questionário teve como objetivo levantar facilidades e dificuldades que o professor de Língua Portuguesa do Ensino Fundamental de escola pública encontra no ensino de leitura de textos da internet.

Oito professores apontaram as facilidades encontradas no ensino de leitura de textos da internet. As respostas foram:

P1 Ampla diversidade de tipos de textos encontrados na internet que facilita o trabalho do professor na sala de aula.

P2 Nossa escola possui um laboratório de informática muito bom.

P3 Textos atuais, fácil acesso a diversos tipos de textos, textos mais atrativos e interesse dos alunos.

P4 São textos de acordo com a realidade do aluno e os alunos já os utilizam no seu dia a dia (aqueles que têm acesso).

P5 A maioria dos alunos já vivem no mundo da tecnologia, fazendo disso uma ferramenta no seu cotidiano.

P7 Contato com a diversidade de gêneros textuais.

P8 Acesso a diferentes formas de conhecimento. Contato com diversos gêneros textuais.

Nove professores apontaram as dificuldades encontradas no ensino de leitura de textos da internet. As respostas foram:

P1 Muitos alunos não têm interesse em ler, têm preguiça e preferem assistir ao filme a ler livros e textos.

P2 Como já citei, seria bom se tivéssemos mais ajuda; um professor de apoio.

P3 Alunos que não sabem manejar um computador, tempo insuficiente da aula, nº de alunos elevado em sala de aula para poucos computadores, falta de um funcionário que tome conta da sala de informática e que nos ajude no decorrer da aula, alunos dispersos e desinteressados, além de desobedientes.

P4 Controlar 30 alunos numa sala pequena; a maioria dos alunos não se interessam por pesquisa ou leituras, querem jogar ou entrar nas salas de bate-papo; além de nem todos os computadores estarem em condições de uso.

P5 Utilização da sala de internet da escola pelos motivos já citados. Alunos de zona rural não possuem internet em casa.

P6 A sala de informática da escola é muito concorrida, alguns alunos da zona rural não tem acesso a computadores.

P7 Computadores para todos os alunos, muitas vezes tenho que coloca-los em grupos de 3 ou 4 para ler o texto, o que ocasiona problemas de indisciplina entre outros.

P8 Deve-se ficar atento à confiança de certos conteúdos pesquisados.

P9 Às vezes o trabalho fica prejudicado quando o laboratório de informática está com problemas.

Os professores relataram que fazem uso da internet no seu dia a dia com objetivos distintos; como por exemplo, assinalaram as opções "manter-se informados" e "preparar aulas", seguidos das opções "participar das redes sociais" e "selecionar textos para aulas".

Observamos que os professores investigados estão inseridos no contexto digital, como sujeitos ativos, atentos às novas possibilidades de interação, de pesquisa, de leitura e de escrita, bem como usufruindo da internet como meio de contribuição pedagógica em sua prática educativa em prol da aquisição do saber.

Os dados indicam que as escolas oferecem acesso à internet aos professores e alunos. Destacamos que essas informações são relevantes, uma vez que os recursos tecnológicos disponibilizados na escola auxiliam no trabalho pedagógico do professor em sala de aula, possibilitando a inclusão dos alunos menos favorecidos, com menor acesso aos recursos tecnológicos e à internet.

Ao responderem a pergunta “Em suas aulas, você promove a leitura de textos na internet?”, três professores assinalaram a opção “não” e um professor “às vezes”, e cinco deles disseram que promovem a leitura de textos na internet em suas aulas. Ao justificarem a opção assinalada, constatamos que os professores que assinalaram a opção “não” alegaram que não promoveram a leitura de textos na internet devido a problemas com a sala de informática, tais como: é pequena, é bem concorrida entre os professores, tem poucos computadores e estes não funcionam direito e, muitas vezes, estão sem acesso à internet. A mesma justificativa foi apontada, também, pela professora que assinalou a opção “às vezes”.

Já os professores que assinalaram a opção “sim” descreveram que promovem a leitura de textos da internet em suas aulas quando:

[...] selecionam textos de acordo com o assunto trabalhado na atualidade; [...] Promovem [...] leituras de diferentes textos: poemas, letras de músicas, narrativo, etc. [...];

[...] pesquisam em sites especializados. [...]; [...] os alunos pesquisam o tema [...]; [...] pesquisas por parte dos alunos [...].

3.3 Limites e perspectivas

Sobre as respostas dos participantes da pesquisa, constatamos que os professores entrevistados não realizam em sala de aula a leitura de textos digitais, visando à possibilidade de o aluno explorar a internet como um espaço de produção de linguagem, muitas vezes impedidos pela falta de condições dos laboratórios de informática da escola, ou mesmo pelo próprio despreparo em relação a como utilizar novos suportes e como trabalhar os textos neles produzidos.

Isso nos remete à discussão já elencada no capítulo 1, segundo a qual os PCN (BRASIL, 1998) apontam para a necessidade da formação de um leitor ativo que manipula, interfere, modifica e reinventa a linguagem graças ao uso das inovações tecnológicas. Nesse caso, a escola deve se preparar para abarcar outras formas de leitura e escrita amplamente disseminadas pelo avanço tecnológico.

Os professores, portanto, têm grandes desafios a enfrentar no sentido de contribuir para a incorporação da tecnologia no cotidiano da escola e para o letramento digital dos alunos, visto que uma abordagem eficiente e eficaz do tema exige a compreensão das diferentes possibilidades de interação que o contexto digital oferece. Por isso, é preciso compreender que a utilização dessas tecnologias na sala de aula implica modificação da prática pedagógica do professor, pois o suporte e modo de constituição do texto digital impõem mudanças e alterações profundas na relação autor e leitor e no processo de leitura e escrita.

Em face dessa realidade, os professores têm a necessidade de buscar um novo caminho, capacitando-se de modo a adquirir habilidades necessárias para acompanhar as inovações tecnológicas, que devem ser utilizadas como recursos importantes em sala de aula, valorizando a autonomia do aluno frente às possibilidades de explorar a internet como espaço de produção de linguagem.

Essa reflexão, a nosso ver, sinaliza para a não utilização da atual tecnologia como resultado de uma adesão a modismos, mas para a importância desses recursos tecnológicos, sem, contudo, isso significar um deslumbramento que tende a levar ao uso indiscriminado da tecnologia. Portanto, faz-se necessário um trabalho da prática docente organizado, planejado, visando às práticas textuais no universo da rede, em diferentes suportes, com as características que lhes são peculiares.

Certos de que mais do que do potencial tecnológico existente (ou que possa existir), a construção de uma proposta teórico-metodológica depende da capacidade das

escolas refletirem sobre como são, por um lado, e de como poderiam ser, por outro, apresentaremos uma proposta para o ensino de leitura do hipertexto de modo a considerar o novo perfil de leitor, decorrentes da nova situação de ensino-aprendizagem propiciado pela rede.