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3.2 Høringsforslaget

3.2.1 Endring i reguleringen av NOKUTs oppgaver

Na seção sobre música, gosto, comportamento e juventude encontram-se numerosos trabalhos. Em O qGe faz Gma música “boa” oG “rGim”: critérios de legitimidade e consGmos mGsicais entre estGdantes do ensino médio, Silva (2012) discorre sobre consumo musical, identidade de gênero e como jovens narram suas formas de consumir músicas (shows musicais, aquisição de CDs, de DVDs, artefatos de bandas, cantores/as, execuções instrumentais, bate-papos na internet, aprendizado de instrumentos). Ele também registra o que os jovens dizem a respeito de música “boa” ou “ruim” nesses contextos em que lidam com música. Esse autor pesquisa o cotidiano escolar e aborda a questão da legitimidade musical e cultural a partir de conceitos da sociologia do gosto de Bourdieu e dos Estudos Culturais. Ele também identifica a relação entre consumos musicais e pertencimento identitário, e entre consumos musicais e identidade de gênero. Meus sujeitos de pesquisa também narraram de maneiras interessantes suas formas de consumir músicas, e muitos deles revelaram capacidade crítica desenvolvida para comentar a respeito do que ouvem pelas mídias. Na análise de dados, também utilizo Boudieu e os Estudos Culturais, que são referenciais teóricos da tese. Bourdieu é especialmente relevante quando analiso gosto musical em jovens, e os Estudos Culturais serviram bastante para tratar de identidade e consumo.

Em Concepções de jovens de 8ª série sobre música: possíveis implicações para a implementação das práticas mGsicais na escola, Sebben e Subtil (2010) pesquisam o consumo musical de alunos por meio de suas concepções de música obtidas por questionário, e o papel da escola na Educação Musical. Nesse levantamento e discussão, eles procuram aproximar essas questões da educação musical escolar. Para isso, abordam aspectos referentes ao consumo, às características individuais e sociais da prática musical e seus usos e funções. “Os fundamentos metodológicos embasam-se no materialismo histórico e dialético, considerando que os sujeitos e espaços da pesquisa inserem-se na realidade econômica, política, social e cultural mais ampla” (SEBBEN; SUBTIL, 2010, p. 48). Os autores verificam “que as concepções dos alunos sobre música decorrem de práticas objetivas, calcadas em elementos individuais e sociais e que se evidenciam nos usos e funções a ela atribuídos” (SEBBEN; SUBTIL, 2010, p. 48). A partir disso, propõem que a escola, como espaço fundamental de socialização, pode apropriar-se dos conhecimentos dos alunos para começar uma implementação da educação musical nas escolas de educação básica. Essa ideia vem ao

encontro de uma pesquisa citada acima, sobre a qual comentei ter afinidade com uma proposta do meu trabalho: contribuir para a educação musical na escola, mostrando que é possível incluir no ensino de música as práticas e gostos musicais trazidos por alunos de ambientes não escolares.

Arroyo (2009) discute sobre estudos a respeito de juventudes, músicas e escola, para contribuir com a educação musical escolar.

Sua pesquisa visou mapear, analisar e discutir dez dissertações e uma tese que trazem a articulação entre juventudes, músicas e escolas, produzidas no Brasil entre 2000 e 2007. Esses trabalhos são oriundos de um banco de 101 teses e dissertações defendidas entre 1996 e 2007 que apresentam a interação entre juventudes e músicas em diversos campos do conhecimento (ARROYO, 2009, p.53).

O trabalho documental de Arroyo é muito relevante devido ao grande volume de trabalhos levantados na área, denotando preocupação de educadores musicais com essas relações entre juventude, músicas e escola. Dentro disso, a autora se aproxima da pesquisa anterior.

Durante a coleta de dados e a análise, sobretudo no que diz respeito a questões de gosto musical, esse aspecto me fazia refletir muito no quanto é complexo o tema: De onde vem o gosto? A que influências está sujeito? Ele é passível de alterações durante a trajetória de um indivíduo? Deve-se, no contexto educacional, interferir nos processos de escolha musical de alunos? Como? O trabalho de Hennion (2009) debate a formação do gosto musical, e o que parece diferi-lo de outros trabalhos é que o gosto musical é visto nele como uma conquista significativa e uma atividade situada, em vez de algo reduzido a um jogo de identidades e diferenças sociais. Para o autor, o gosto “é uma modalidade problemática de vinculação ao mundo. [...] Explicar o gosto exige que o sociólogo se concentre nos gestos, objetos, corpos, meios, dispositivos e as relações envolvidas. O gosto é um comportamento” (HENNION, 2009, p. 25). O que ele afirma é que, nessa visão pragmática, tudo isso produz as competências de um amante de música, e que reproduzir, escutar, gravar e fazer que outros escutem música é muito mais do que a realização de um gosto que já existia. Sua visão é de que as formas de fazer essas coisas se combinam, formam subjetividades e não se pode reduzir isso às obras musicais apenas. Para ele, o gosto do aficcionado em música não é uma escolha arbitrária explicada por razões sociais ocultas. O autor defende vinculações próprias

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como base para essa reflexão, mas também como técnica coletiva de se entender os caminhos da sensibilidade de cada um e como isso pode ser compartilhado com outros.

A pesquisa de Silva (2004) trata de música na construção da identidade de gênero entre jovens no espaço escolar. Foram usadas entrevistas e observações. O trabalho usou como referencial teórico autores que trabalham no campo de gênero, escola e educação musical numa perspectiva relacional – como Louro (1995, 1997, 1999 e Scott (1995) –, identificando as concepções de gênero dos jovens pelos usos simbólicos que fazem da mídia (GREEN, 1997; VALDIVIA; BETTIVIA, 1999).

Os resultados obtidos apontam que as preferências musicais dos jovens são ativas e dinâmicas e estão relacionadas com as diferenças de gênero socialmente construídas. As identidades de gênero são construídas através da música veiculada pela mídia reproduzindo as relações sociais existentes na sociedade (SILVA, 2004, p. 75).

Verificou-se que, embora a identidade de gênero não seja fixa, imutável, a escola procura reforçar no seu papel de produtora de sujeitos as concepções de meninos e meninas em torno do tema. Nesse ponto, a pesquisa referida se aproxima de questões colocadas por mim logo acima, quanto ao papel de atuação da escola nas concepções existentes em cada sujeito a respeito de música e gosto musical.

Nos depoimentos da minha pesquisa, houve poucas referências ao rádio, prevalecendo comentários sobre outras mídias, como o celular e os dispositivos citados no trabalho de Cuesta e Julián. Quanto à interação, os jovens utilizam muito as mídias sociais diferentes do rádio, para trocar ideias sobre música, divulgar lançamentos e seus grupos musicais favoritos. Em busca de conhecer melhor o rádio como mídia de divulgação musical, o estudo de Cuesta e Julián (2012) discute estratégias de emissoras de rádio para captar ouvintes no marco das novas lógicas de consumo musical em dispositivos de áudio portáteis. Por meio de entrevistas a diretores de rádios de Bogotá, levantaram-se estratégias que eles utilizam. Foram feitos grupos focais com jovens de 14 a 17 anos e de 21 a 25 anos para entender o que os leva a sintonizar estações de rádio, se têm outros dispositivos como MP3 o iPod. Descobriu-se, assim, que a inovação de conteúdos e a interação pelas redes sociais é o maior atrativo aos ouvintes – isso tudo gera sensação de proximidade e afinidade entre locutor e ouvinte.

Buscando conhecer consumos e narrativas sobre legitimidade em músicas de estudantes do Ensino Médio, Silva (2008) discute os conceitos de “música boa” e “música ruim”, e a música formando identidades. Seu objetivo central é

[...] investigar discursos de jovens sobre seus consumos musicais (shows musicais, aquisição de CDs, de DVDs, execuções instrumentais, bate-papos na internet, aquisição de artefatos de bandas, cantores/as, aprendizado de instrumentos, escutas musicais, etc.) e como estes operam na distinção entre o que comumente se denomina ‘música boa’ e ‘música ruim’ em seu cotidiano escolar (SILVA, 2008, p. 5).

Foram feitasentrevistas semiestruturadas e observações entre jovens estudantes do Colégio de Aplicação da UFRGS, para buscar critérios de legitimidade musical a partir de suas falas. Para compreender tudo isso, o pesquisador procurou entender o termo “bala”, que se refere a tudo que é chato, desinteressante e “mal-feito” e o termo “frau”, que faz referência a tudo que é legal, bacana, interessante e “bem-feito”. A pesquisa busca fazer o professor perceber e compreender distintas formas de se relacionar com a música e com a cultura juvenil, e a atribuir legitimidade a fenômenos musicais que ocorrem entre os jovens. Tudo isso foi feito por meio de conceitos-chave, questões, eixos de análise levantados pela pesquisa. Sua base teórica é Stuart Hall (Estudos Culturais) e Bourdieu, principalmente.

O estudo traz uma definição de consumos musicais baseado no conceito de consumo de Grant McCracken e no conceito de consumos culturais empregado por Germán Muñoz Gonzáles e Elisabete Maria Garbin e faz apontamentos para uma história dos consumos musicais no Ocidente para melhor definir o que entendemos por consumos musicais (SILVA, 2008, p. 5).

O autor preocupa-se com consumos musicais e processos de pertencimento identitário e consumos musicais e identidade de gênero. Consumos musicais e identidades também são conceitos abordados na minha investigação, durante a qual, muitas vezes, surgiram colocações sobre legitimidade musical em falas de jovens. Alguns deles criticam e questionam certos gêneros musicais midiáticos como não sendo válidos como expressão musical, e até mesmo, como não sendo música. Isso aponta para a capacidade de discernimento presente entre eles, contrariando o que às vezes se pensa da postura de jovens diante do que consomem pelas mídias.

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histórico sobre o movimento Hip Hop em Porto Alegre, numa comunidade de “jovens protagonistas das primeiras manifestações individuais e coletivas que deram origem às redes de relações interpessoais e significados ligados à cultura negra em Porto Alegre” (MAFIOLETTI, 2010, p. 5). Seu objetivo era conhecer lideranças de jovens de periferia, suas redes de relações, resgatando trajetórias de vida e o modo como formulam, implementam e conduzem projetos. Foi feita observação participante e ouvidos relatos de três interlocutores entrevistados (modalidade individual e em grupo). Chegou-se a conhecer o papel significativo do Hip Hop, que acolhe e promove identidades sociais, crenças e valores dos jovens da periferia.

Silva e Silva (2008) jádiscutem o hip hop e a noção identitária. Esse artigo faz uma revisão das pesquisas acadêmicas sobre o hip hop, apontando a preponderância do conceito de identidade nos referidos estudos:

trata-se de entender a fabricação do subúrbio e da juventude como problema social, analisando, assim, as concepções que dão sustentação aos ideais corretivos e moralizantes que as abordagens sobre o Hip Hop expressam através de uma ênfase nos seus benefícios identitários (SILVA; SILVA, 2008, p. 1).

Os autores pretendem contextualizar a ascensão do conceito de identidade nas visões sobre o hip hop, em direção a sua conjugação com o conceito de cidadania. Os dois trabalhos acima se encontram na temática do hip hop e na preocupação em descrever tal movimento cultural como elemento formador de identidades e protagonismo juvenis. Em referências feitas por sujeitos da minha pesquisa a grupos musicais e seus líderes, especialmente dentro dos gêneros rap e fGnk, percebe-se com clareza a força com que certas personalidades musicais atuam sobre seu público, gerando influências tantas vezes declaradas pelos jovens, e demonstrando o protagonismo referido pelos pesquisadores acima.

Rosa et al. (2007) narram sobre tempo livre do jovem e uso da música: “A organização de jovens em torno de expressões relacionadas ao universo musical vem configurando-se como um dos principais componentes dentro do contexto cultural do tempo livre dos/as jovens” (ROSA et al., 2007, p. 3). O trabalho investigou a relação entre horas de lazer juvenil e preferência musical relacionada e formação de identidades. Tem como objetivo identificar o papel do gênero e da etnia e faixas etárias jovens dentro disso. Realizado na cidade de Canoas (RS), foi feito por meio de um sGrvey com alunos do Ensino Fundamental e Médio de escolas

privadas e públicas. Foram levantados os estilos musicais preferidos por alunos entre 10 e 24 anos, e o resultado foi: música gaúcha, pagode, rap, fGnk, heavy metal/pGnk, pop rock, sertaneja, evangélica, reggae, rock, black mGsic, dance, gospel, MPB, axé e todas. Para verificar as frequências predominantes, utilizou-se a análise estatística percentual: “O estudo apresentou a impossibilidade de estabelecer relações causais entre identidade e gênero, raça/etnia e faixas etárias, uma vez que, essas relações se dão num processo contínuo de construções culturais” (ROSA et al., 2007, p. 1). Meu estudo não tem a preocupação de relacionar etnias a consumo musical, mas reflete em dado momento sobre relações entre, por exemplo, idade/gênero e preferência por determinados gêneros musicais ou grupos/bandas/cantores. Seu intento foi também levantar os principais gêneros escolhidos e consumidos pelos sujeitos, assim como as maneiras pelas quais estes os apreciam e transitam nas práticas de apreciação.

No meu trabalho, procuro perceber a importância das trocas fora da sala de aula, feitas em torno da música, protagonizada pelos jovens, que conversam, discutem, cantam e até mesmo tocam instrumentos, e se informam nessa interação com seus pares. Assim, busco considerar que esses espaços são locais de construção de identidades, saber e aprendizagem musical e cultural. Santos (2006) discute música produzindo identidades, formas de ser, de se vestir e de comportar-se. Seu objetivo é analisar como certas práticas ligadas à música podem constituir identidades juvenis de alunos do Ensino Médio noturno do Instituto de Educação, escola pública de Porto Alegre, a partir de um projeto denominado Projeto das Tribos. A autora utilizou a sociologia das juventudes, os Estudos Culturais e, como procedimentos, a observação participante, entrevistas semiestruturadas, análise de documentos e registros fotográficos:

Evidenciou-se que os saberes e experimentações desses alunos, dentro do espaço escolar, são mais amplos e complexos do que as relações estabelecidas nos processos de ensino-aprendizagem restritos às salas de aula [...] Observou-se que a música assume papel importante nos processos de identificação dos jovens, nas diferentes maneiras pelas quais criam e recriam seus grupos de pertencimento/amizade – as Tribos – e nas formas através da quais incorporam características específicas, determinadas preferências musicais, modos de vestir, maneiras de agir e de marcar o próprio corpo. (SANTOS, 2006, p. 4)

Doebber et al. (2005) falam de corpos marcados pelos gostos e escolhas musicais de jovens. O projeto estuda jovens, música e processos identitários, e “tem como objetivo analisar como

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identidades juvenis” (DOEBBER et al., 2005, p. 2). É investigada a produção de estilos juvenis, especialmente as suas vestimentas, músicas e outros artefatos. Tem a fundamentação teórica no campo dos Estudos Culturais em Educação e os procedimentos metodológicos são entrevistas, observações e diários de campo. Conclui-se que “muitos jovens além de usarem da vestimenta para comunicar sua maneira de ser e seus gostos musicais vão além e passam a portar símbolos e mensagens expressos no corpo, nos adereços e até mesmo na forma de tatuagens e piercings” (DOEBBER et al., 2005, p. 2) e que os jovens podem valorizar esses elementos como suporte de comunicação com seus pares.

Rosa (2004) tem por objetivo produzir uma possibilidade de análise cultural, considerando os depoimentos de doze jovens estudantes, com idades entre 13 a 18 anos, estudantes de 8ª série de uma Escola da Rede Pública de Ensino da Grande Porto Alegre. A autora utiliza o campo dos Estudos Culturais e de Gênero e o grupo focal como procedimento metodológico.

Um dos principais propósitos dessa investigação foi observar os modos como jovens, por meio de seus depoimentos, se utilizavam de seus corpos “fazendo arte”, produzindo suas aparências e estilos com enfeites e indumentárias, “inscrevendo marcas” e diferenças como possíveis recursos de resistência aos rigores, vigilâncias, controles e “homogeneização” escolares. (ROSA, 2004, p. 5)

Observou-se que jovens fazem esse tipo de inscrição em seus corpos para sentirem-se incluídos em grupos sociais que os utilizam, a fim de estabelecerem aproximações e convivências.

Os dois trabalhos acima giram em torno da corporeidade juvenil, embora o segundo não se refira à relação da música com isso. No contato com os colaboradores da minha investigação, pude encontrar diversos exemplos da forte relação que os jovens têm com seus corpos, e no significado que há em adorná-los dessa ou daquela maneira, muitas das quais relacionadas ao consumo musical exercido por eles. Foi assim que encontrei, na escola particular, uma jovem de cabelos longos e azuis, com tatuagens e piercings, e que se dizia musicista, roqueira, e nos contou, no grupo focal, sua experiência de tocar e cantar na rua com seu grupo. Conheci também uma banda de rock de meninos na escola pública, que usam roupas e adereços típicos de músicos de grandes bandas, e que me explicaram a importância de usar aquele visual e de como se produzir daquele jeito. Para eles, suas identidades musicais estão intrinsecamente vinculadas à aparência que apresentam. Os dois casos são contados em pormenores no

capítulo adiante e podem ser vistos também nos anexos (Grupos Focais EP2 e Observações EP1) da tese.

Em seu trabalho Voz, expressão e canção: A jGventGde Grbana e o rock nacional dos anos 1980, Rochedo analisa as bandas de rock nacionais dos anos de 1980, formadas por jovens que, em suas canções, “imprimiram parte da memória musical da geração diretamente afetada pelo período de ditadura” (ROCHEDO, 2011, p. 27). De acordo com a pesquisadora,

as composições destes grupos registram o retrato social de uma época e o perfil sócio cultural do país que voltava a viver uma democracia. Nas letras são identificadas vivencias de um processo de transição, tanto na esfera política, quanto na vida pessoal. O resultado desta movimentação pode ser visto como uma redefinição da música brasileira: expressão e voz do jovem através das canções do rock (ROCHEDO, 2011, p. 27).

Esse estudo contribui como exemplo de um movimento musical de juventude altamente divulgado pelas mídias da referida época e que teve sucesso muito expressivo em nosso país, seus significados e resultados na construção da identidade jovem de um determinado período. Ele aborda o perfil comum das letras entre bandas, a transição da censura do regime militar para a não censura, os temas polêmicos das letras (sexo, drogas, violência), e a preocupação da juventude com a liberdade de expressão. Alguns desses aspectos encontram-se bastante relacionados à minha pesquisa, tais como a relevância das letras das canções, a construção das identidades de jovens e as disposições da juventude a partir da sua relação com o que ouvem pelas mídias. Alunos das duas escolas pesquisadas foram enfáticos em citar seus gostos musicais herdados de avós e pais para o rock nacional dos anos 1980. Isso me impressionou bastante, uma vez que essas canções que povoaram minha adolescência já ficaram há muito tempo perdidas, não tocam mais nas rádios e estão predominantemente gravadas em vinil. No entanto, meninos e meninas falam delas com tal familiaridade que me causa surpresa, e me chama a atenção também o fato de demonstrarem entender os contextos sociais em que elas foram compostas e gravadas, segundo narrativas de alguns deles.

Os trabalhos mencionados acima sobre música, gosto, comportamento e juventude identificam-se de forma importante com a minha pesquisa, uma vez que ela investiga comportamentos de jovens por meio de seus hábitos de consumo musical, o que naturalmente passa pelo gosto musical desses sujeitos.

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Os autores mencionados estão interessados em estudar a música dentro da escola (SILVA, 2004; ARROYO, 2009; SEBBEN; SUBTIL, 2010), seja na formação de conceitos de gênero em jovens, seja com levantamento de estudos a respeito de música, escola e juventude, ou na pesquisa sobre consumo musical de alunos por meio de suas concepções de música e o papel da escola na Educação Musical.

Silva (2012) discorre sobre consumo musical, e também identidade de gênero, e como jovens narram suas formas de consumir músicas, tudo isso ligado à questão do gosto, tão discutida por Boudieu, que é um dos referenciais teóricos da minha pesquisa. Hennion (2009) debate a formação do gosto musical, e baseia-se em Bourdieu e Lahire. Ao ver o gosto musical como uma atividade situada, em vez de apenas um jogo de identidades e diferenças sociais, aproxima-se de Lahire, ultrapassando Bourdieu ao não atribuir o gosto apenas à questão de classes sociais. Também se fundamenta em Bourdieu o trabalho de Silva (2008) sobre “música boa e música ruim”, no qual a discussão em torno do gosto musical de jovens interfere na formação de suas identidades. A discussão sobre gosto musical é, em geral, comum nos meios sociais, e se acirra em ambientes onde se pesquisa e trabalha com música.