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5.4 Perspektivet på livet

5.4.4 Endret perspektiv med alderen: «Jeg er blitt mildere»

Os primeiros estudos sobre os processos produtivos da notícia privilegiam abordagens centradas nas práticas e preferências individuais, subjetivas dos profissionais de redação e depois, em aspectos organizacionais como determinantes do trabalho jornalístico, tal como se apresentavam as redações em meados do século XX. Os estudos seminais de David White (1950) e de Warren Breed (1955) contribuíram para fundar um campo de pesquisas sobre o jornalismo, abrindo caminhos para uma fase de significativos questionamentos sobre os processos verdadeiramente constituintes da produção noticiosa, inspirando posteriormente formulações teóricas mais abrangentes quanto aos contextos e aspectos importantes nesses processos. Em seus trabalhos publicados The 'gatekeeper': a case study in the selection of news (White) e Social control in the newsroom: a functional analysis (Breed), os dois autores inauguraram a apresentação e discussão de aspectos e fatores capazes de influenciar processos envoltos na produção da informação jornalística.

30 A teoria do Gatekeeping3 pressupõe que as notícias são o que são porque assim as

determinam os jornalistas, considerado como os responsáveis por sua livre passagem ou impedimento através de portões existentes no processo de seleção de notícias. Utilizando a metáfora do gatekeeper criada originalmente por Kurt Lewin, David White (1950) explorou esse conceito, a fim de estudar como se desenvolvem as decisões editoriais dentro de um jornal, especificamente na tarefa de seleção de notícias pelo editor ou repórter (como representante de uma classe profissional), e quais as razões apresentadas por esse profissional para justificar suas decisões de “escolha” e “rejeição” de notícias.

O paradigma do gatekeeping inaugurou os estudos sobre critérios ou valores de notícia no campo do jornalismo da época, sob a perspectiva de que o processo de produção noticiosa equivale a um caminho de escolhas e rejeições que atravessa diversos portões (gates), entre os quais o jornalista como gatekeeper principal toma suas decisões do que será publicado. Ao observar como o editor de um jornal (que o autor considera como um referente, mas também como um representante de sua classe profissional) age em sua prática rotineira, White explica o funcionamento do trabalho operacional desse profissional, à frente do percurso da notícia na redação, identificando as razões ou os fatores que afetam, no funcionamento dos portões (gates), a decisão de entrada ou de impedimento de acontecimentos como notícias.

Em sua teoria, argumenta que a seleção feita pelo editor se efetua, de modo consciente ou não, a partir de decisões que estão baseadas em suas próprias experiências, atitudes e expectativas (White, 1950: 142, 143). As razões dadas pelo editor de jornal para a escolha ou rejeição de notícias, segundo o autor, baseiam-se em juízos de valor bastante subjetivos quanto às questões com que ele se depara durante suas atividades

3 Conceito aplicado por White em seus estudos do jornalismo, inspirado no termo gatekeeper, criado pelo cientista social Kurt Lewin em 1947 ao referir-se a escolhas domésticas na aquisição de alimentos. O conceito de White visa compreender o processo de seleção da informação, ao longo de um determinado fluxo de notícias, que passa por portões (gates) que regem escolhas e rejeições de notícia. Considerada profícua na pesquisa sobre a notícia, a teoria tem sido revista, discutida e ampliada por diversos autores.

31 diárias, revelando sobretudo um forte caráter pessoal nas suas decisões, como decisões ajustáveis conforme suas convicções.

Quando da análise dessas razões apontadas pelo editor, White classifica-as como: (1) rejeição do incidente devido à sua pouca importância, e (2) seleção a partir de muitos relatos sobre o mesmo acontecimento. Entre as razões listadas na seleção de notícias durante o trabalho do editor ao longo de uma semana, segundo White (p. 144, 145), figuram na lista de escolhas, a existência de um grande número de relatos sobre um mesmo acontecimento (frequência) e na lista de rejeição, ocorrências que foram consideradas na definição do editor como triviais, desatualizadas, desinteressantes, demasiadamente sugestivas, de mau gosto, impróprias, pouco quentes, repetitivas, com teor de propaganda, demasiadamente regionais ou muito distantes do âmbito geográfico, por falta de espaço na edição e por pouca informação sobre o assunto.

Essa teoria inaugura de modo pioneiro a ideia de gates ou de zonas de filtro controladas por sistemas de regras ou pela ação do gatekeeper, tendo um indivíduo ou um grupo o poder de decidir se deixa passar ou se bloqueia determinada informação. O conceito abriu portas para outros estudos sobre como se processa o desenvolvimento do fluxo de notícias e operam os processos de seleção noticiosa, alargando o campo de referências de agentes influentes nessas decisões.

A Teoria do Gatekeeping foi amplamente revista em teorias e revisões críticas posteriores. Breed (1955) alarga esse campo de estudo, pois sublinha a grande influência que exercem os constrangimentos organizacionais sobre a atividade profissional do jornalista, quando em geral esse profissional tende a estar “socializado” à política editorial e às normas da redação. Estudos posteriores feitos por Gieber, em 1956 e 1964; McCombs & Shaw, em 1976; Hirsch, em 1977 também refutaram as conclusões de White, alargando a perspectiva teórica sob a mesma análise funcional de Breed, com o argumento de que em geral as decisões de notícia são, na verdade, determinadas por normas profissionais, forças sociais e não somente,

32 por razões subjetivas, isoladas.

O profissional observado no estudo de caso de White acaba por revelar que não decidia inteiramente sozinho, sendo submetido ou influenciado por fatores profissionais para além das razões subjetivas e do caráter de liberdade individual do jornalista nas decisões de notícia que chegavam das agências noticiosas. Essa constatação feita por Hirsch, em 1977, deriva da observação de uma equivalência entre as proporções de notícias em categorias utilizadas pelo serviço das agências e de notícias selecionadas pelo editor, identificada como um indício de que o jornalista exerce sua liberdade de escolha dentro de uma latitude limitada e que a maioria das razões apresentadas por ele reflete o peso de normas próprias da profissão (Traquina, 2007: 79).

Embora reconheça as limitações desta teoria, quando toma como base central a ação pessoal do jornalista, não explorando outras dimensões importantes do processo de produção das notícias, o pesquisador português Nelson Traquina (2007: 77,79) vê a teoria do Gatekeeping como uma “das tradições mais persistentes e prolíferas na pesquisa sobre as notícias” por promover no campo da pesquisa a abertura a novas proposições acerca dos fatores que determinavam as notícias (p. 77-79). Pamela Shoemaker (1991) e Shoemaker e Vos (2009) também a descreveram como “um poderoso processo” através do qual os eventos são cobertos pelos jornalistas nos meios de comunicação de massa, capaz de oferecer novas explicações sobre como e porque certas informações passam por portões ou são fechadas pela atenção da mídia. Segundo os autores, é possível, a partir de um novo olhar sobre esta teoria, entender como até mesmo as decisões individuais e aparentemente triviais nos processos de seleção podem se unir a outras para moldar a visão de um público sobre os acontecimentos no mundo, podendo ainda revelar tudo o que está em jogo nesses processos.

33 Shoemaker (1991) identifica diversos fatores que influenciam a seleção noticiosa. Esses fatores são agregados pela autora em quatro níveis de influência: individual, da rotina produtiva, de contextos social e extra-organizacional, este último, abrangendo fontes, audiências, mercados, marcas publicitárias, poderes políticos e judiciais, relações públicas. Shoemaker lança fundamentos para uma teoria unificada capaz de explicar o processo jornalístico de produção de informação pública, com base na interação de diferentes forças. Posteriormente, Shoemaker e Reese voltam a aprofundar a temática, em 1996, com o livro Mediating the Message - Theories of

Influences on Mass Media Content, quando propõem uma teoria da notícia sob vários níveis de influência: dos trabalhadores dos media, das rotinas produtivas, das tecnologias, das influências organizacionais, de fora das organizações noticiosas e ideológicas.