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Neste item detalharemos as capas das revistas apresentadas. O objetivo é comparar as edições de cada revista, buscando compreender as ideias dos textos, fotografias e os símbolos que elas transmitem.

Para SCALZO (2003), não existe uma fórmula adequada para uma boa capa, mas pode se afirmar que uma reportagem do tipo “bombástica”, o “furo de reportagem”, aliada a uma fotografia que impressiona ajuda muito a revista a seduzir o leitor. Contudo, Scalzo chama a atenção para outros elementos, como o logotipo da revista, que é fundamental para uma revista ser conhecida.

ROLLO (2008) realizou pesquisa sobre as capas da revista Época. Seu objetivo foi analisar os principais critérios na escolha das notícias que deverão ser expostas na capa da revista. A revista Época é uma das mais recentes no mercado editorial brasileiro, criada em 1998, e possui algumas inovações em padrões de capa, mais próximas aos modelos internacionais, e que tem se tornado referência neste assunto para outras revistas. O estilo da revista se caracteriza pela valorização padronizada de imagem e gráficos das apresentações nas reportagens.

Para analisar a revista Época, Rollo buscou o conceito de noticiabilidade, aquelas informações selecionadas, dos muitos acontecimentos produzidos no cotidiano na sociedade, e que acabam virando notícia de destaque para os veículos de comunicação. Isto é, diante de uma variedade de fatos, alguns eventos são

selecionados pelas revistas para serem publicados. Além de serem geralmente os fatos mais relevantes, existem alguns critérios para sua escolha. Segundo Rollo, os critérios de seleção dos acontecimentos mudam com o tempo e são construídos socialmente e pela comunidade de jornalistas. Um dos principais critérios é a atualidade do acontecimento, um fator forte na escolha daqueles eventos que vão se transformar em notícia e que estarão nas capas das revistas. Existem também os critérios de relevância, notoriedade, conflito, curiosidade, proximidade, interesse humano, dramaticidade, emoção, suspense, tragédia, consequências, importância científica, dentre outros. Além disso, há fatores de interesse tecnológico, ideológico, histórico, cultural e ético-filosóficos que influenciam na escolha das notícias.

Iremos começar analisando as capas da Revista Brasil Sustentável:

Figura 7 – Capas das edições 25 e 26 da Revista Brasil Sustentável Fonte: Revista Brasil Sustentável (edições 25 e 26, 2009)

A imagem da esquerda corresponde à edição nº 25 e a imagem da direta à edição nº 26. Ao colocarmos as capas lado a lado, percebemos que existe uma padronização da diagramação. A logomarca da Revista Brasil Sustentável localiza- se no cabeçalho das capas. O formato é padrão, envolto por contorno retangular como uma caixa de texto, possui letras em caixa alta, em que a palavra SUSTENTÁVEL, cor branca, é a base para a palavra BRASIL, cor preta. As cores

das letras são padrão, mas o fundo da logomarca muda conforme a edição, verde no nº 25 e laranja no nº 26. No canto superior esquerdo das capas, ao lado de fora do contorno, é informado o número da edição, os meses do bimestre da tiragem e o preço (R$ 10,00), com um destaque bem pequeno. No canto superior direito das capas, no lado de dentro do contorno, aparece o logotipo que representa o símbolo internacional da reciclagem. Abaixo do símbolo, uma caixa de texto para os correios, com as informações do código de identificação do impresso e a sigla CEDBS. Abaixo da logomarca, as capas trazem o texto: “uma publicação do conselho empresarial brasileiro para o desenvolvimento sustentável”. As edições sempre possuem fotografias de capa diferentes. A revista destaca a chamada do título da reportagem principal com letras grandes e no formato negrito. As chamadas vêm com poucas palavras, coloridas, em letras formatadas em caixa alta e acompanhadas de um subtítulo complementar (um pequeno resumo da matéria em letras formatadas em caixa baixa). O subtítulo também enfatiza a foto. Existe também a legenda, resumo dos principais assuntos do conteúdo da revista, na edição nº 25 está no localizada no rodapé da capa e na edição nº 26 esta dentro de uma caixa de texto. As letras nas duas edições são pequenas.

A capa da edição nº 25 leva a fotografia de Ricardo Corrêa, um registro do evento que reuniu principalmente empresários e lideranças para prévia de preparação ao encontro que se daria em Copenhagem. A fotografia de plano geral (SOUSA, 2004), situa o observador numa dimensão aberta, onde é possível ver a aglomeração de pessoas. A fotografia também pode ser classificada em estilo general news (SOUSA, 2004), ou seja, registra uma situação de euforia social: podemos observar uma platéia animada com um tipo de globo que aparenta ser o mapa geográfico do planeta.

Na fotografia, o seguinte título de chamada, “Inovar ou falir”, frase de oposição que emite a ideia de situação de mudança, e o subtítulo “3º Congresso internacional para o desenvolvimento sustentável prega inovação para mudar a sociedade”. A composição entre fotografia e textos nos dá a ideia “sagrada”, de um tipo de ritual religioso que discutir o caminho do bem e do mal. Inovar é o caminho divino, a passagem para o “paraíso”, em relação à palavra falir, ou seja, uma condição quase que certa para aquele que não se converterem às mudanças. Essas são as “boas novas para os fiéis” mudarem toda a sociedade.

Destacar o evento que reuniu principalmente empresários e lideranças é uma forma de dar à reportagem de capa a devida relevância, naquele momento, com a prévia para preparação ao encontro que se daria em Copenhagem. O critério de noticiabilidade cria uma conexão e uma proximidade subjetiva à reunião de COP-15. Na 26ª edição da capa da Revista Brasil Sustentável, a fotografia de Bruno Domingos registra o episódio de queimada da floresta. O enquadramento da fotografia é geral, em ângulo normal, com a sensação de profundidade vasta, o que representa uma grande área da paisagem sendo devastada. Na fotografia podemos observar uma nuvem de fumaça que encobre toda a floresta. Que nos traz a sensação de mal-estar e desconforto, realmente é uma imagem chocante que denuncia as irresponsabilidades sobre a natureza (SOUSA, 2004). Na fotografia o seguinte título, “Sinais de Fumaça”, e o subtítulo “A responsabilidade brasileira na conferência do clima em Copenhagem”. A composição entre fotografia e textos nos dá a ideia “situação que pode pegar fogo”, ou seja, a participação do governo brasileiro na COP-15 pode resultar em desastre, principalmente das discussões sobre a redução das emissões de CO2.

A reportagem de capa, como na edição anterior, novamente ressalta a importância da conferência de Copenhagem. Mas o critério de noticiabilidade escolhido visa a discutir a posição do governo brasileiro no encontro.

As próximas capas que serão analisadas fazem parte das edições 17 e 18 da Revista Ideia Socioambiental:

Figura 8 – Capas das edições 17 e 18 da Revista Idea Socioambiental Fonte: Revista Ideia Socioambiental (edições 17 e 18, 2009)

A imagem acima apresenta no canto esquerda a edição nº 17 e a imagem da direta edição nº 18 da Revista Ideia Socioambiental. Comparando uma edição com a outra, as capas são padronizadas. A logomarca da Revista Idea Socioambiental localiza-se na parte superior das capas. O formato é padrão, em que a palavra “ideia” está no topo, na cor verde, formatado em letras grande e em caixa baixa. Embaixo da palavra “ideia” vem escrito SOCIOAMBIENTAL, na cor preta, formatado em letras pequenas e em caixa alta. Destaque para os pingos das letras “i”, da palavra “ideia”, em que há preenchimento do círculo. No canto superior esquerdo das capas são informados o número da edição, o trimestre com os meses e o preço (R$ 16,00), com letras bem pequenas. Logo abaixo o logotipo referente aos cinco anos da revista, o logotipo da marca e o logotipo da editora (só aparece na edição nº 17). No canto superior direito das capas, aparece uma “orelha” informando o título da matéria da seção especial. As chamadas das reportagens principais aparecem ao lado esquerdo das fotomontagens. As chamadas vêm com poucas palavras, coloridas, em letras grandes e acompanhadas de um subtítulo complementar, com letras menores. O subtítulo também enfatiza a foto. As legendas, nas duas edições, estão localizadas no rodapé da capa, em letras pequenas. Pelo menos nas duas edições, as capas não levaram fotografias, mas sim fotomontagem.

A capa da edição nº 17 leva uma fotomontagem elaborada por Bunsen Bookwom. Uma ilustração gráfica que tem a estética semelhante à pintura. O foco da capa é o conjunto formado pela composição da substância verde derramada no objeto lâmpada, que representa energia. A ideia é que lâmpada, no futuro, estará totalmente encoberta pela substância verde, uma sintaxe. Imagem em posição equilibrada, sem assimetrias, e com efeito dinâmico. No fundo, um plano que se relaciona com o objeto, ou seja, o contraste da iluminação que projeta luz a partir do canto inferior esquerdo, diminuído a luminosidade em direção ao canto superior esquerdo da capa e formando uma sombra (SOUSA, 2004). A capa traz o seguinte título: “Mais energia menos carbono”, e o subtítulo “Assim caminha (ou deveria caminhar) a humanidade”. A composição entre fotografia e textos nos dá a ideia da ideologia/utopia. A noticiabilidade é o assunto sobre as tecnologias de energias renováveis. No canto superior direito da capa, aparece uma “orelha na cor vermelha” informando o título da matéria da seção especial, “O futuro das energias renováveis”.

A legenda do rodapé trás os seguintes títulos das reportagens: a) “Mercado: empregos verdes em alta”; b) “José Goldemberg: ‘Brasil pode ser autossuficiente em energia’”; c) “Liderança: onde estudar sustentabilidade fora do Brasil”.

Da mesma forma que a capa apresentada acima, a edição nº 18 da Revista Ideia Socioambiental traz uma fotomontagem, elaborada também por Bunsen Bookwom. A ilustração gráfica tem o foco no conjunto formado pela composição de objetos, latas estruturadas na forma de pirâmide. No topo está a lata verde e abaixo as latas de cor cinza. O sentido desta fotomontagem reforça a superioridade de quem adota a “sustentabilidade”. No fundo, a cor branca, realçando a imagem estática (SOUSA, 2004). Na fotomontagem a seguinte chamada, “Ser ou não ser verde?”, as palavras em azul, mas a palavra verde destacada em cor verde, e o subtítulo “Quem produz e quem consome produtos sustentáveis no Brasil”. A composição entre a questão da chamada e a resposta com a fotomontagem. No canto superior direito da capa aparece uma “orelha na cor azul” informando o título da matéria da seção Dossiê, “O futuro dos relatórios de sustentabilidade”. A legenda do rodapé traz os seguintes títulos das reportagens: a) “Paul Simpson: gestão das emissões de carbono”; b) “Mudanças climáticas: a urgência da adaptação”; c) “Tendência: novos modelos de negócios sustentáveis”.

As próximas capas que serão analisadas fazem parte das edições nº 14 e nº 15 da Revista Primeiro Plano:

Figura 9 – Capas das Edições 14 e 15 da Revista Primeiro Plano Fonte: Revista Primeiro Plano (edições 14 e 15, 2009)

Da esquerda para a direita, primeiro a imagem da edição nº 14 e segundo a imagem da direta edição nº 15 da Revista Primeiro Plano. Na comparação, verificamos que existe a mesma padronização das revistas acima, ou seja, a logomarca localiza-se no topo da revista. O formato da logomarca é padrão, envolto por contorno retangular em tom transparente em relação à imagem de fundo, com letras formatadas em caixa alta. A palavra REVISTA, cor vermelha, está na parte superior, logo abaixo a palavra PRIMEIRO e, após, mais abaixo, a palavra PLANO, as duas em cor preta. Embaixo das palavras, em letras menores, está escrito “responsabilidade & sustentabilidade” No canto superior direito das capas, no lado de fora do contorno, aparece o código de barras, a informação sobre o número da edição, o mês e o preço (R$ 10,00), tudo em letras pequenas. A revista não fixa a chamada do título da reportagem principal, pode ser em qualquer canto, pelo menos nas duas edições analisadas. As chamadas vêm com poucas palavras coloridas em letras pequenas e acompanhadas de um subtítulo complementar em caixa alta, que também enfatiza a foto. A legenda também não é fixada.

A capa da edição nº 14 da Revista Primeiro Plano traz desenho artístico, como se fosse feito por uma criança. A ilustração foi elaborada pelas editoras de arte, Maria José H. Coelho e Cristiane Cardoso. O desenho é uma paisagem que contém uma casa pouco diferente dos padrões atuais. A diferença está nos aparelhos utilizados. O primeiro é um equipamento que liga por tubulação a calha do telhado com o poço de água que está enterrado na frente da casa. O segundo se localiza no telhado, uma placa que capta energia solar, que funciona por célula fotovoltaica. Além disso, o desenho fornece subjetivamente a bicicleta no lugar do automóvel, já que ela está na frente da garagem.

Na edição nº 14 há no rodapé a entrevista de destaque. E há algumas diferenças visíveis no tipo de fotografia. A capa traz a seguinte chamada: “Habitação e meio ambiente?” e o subtítulo “A CASA DOS SONHOS”. A capa também traz títulos das reportagens “ENERGIAS RENOVÁVEIS”, subtítulo “O potencial dos oceanos”, e a “EVOLUÇÃO”, subtítulo “A importância dos relatórios de sustentabilidade”. No rodapé, destaque para a entrevista de Jacques pena e as ações da fundação Banco do Brasil.

A capa da edição nº 15, da Revista Primeiro Plano, é uma fotomontagem, elaborada pela edição de arte, Maria José H. Coelho e Cristiane Cardoso. A ilustração fotográfica pode ser classificada como picture stories, a imagem compõe

um desfecho como se fosse uma história (SOUSA, 2004). Na capa, as mãos de uma criança abrindo um embrulho cheio de símbolos das principais marcas de multinacionais, como se fosse um presente, dentro o globo terrestre. A principal mensagem desta fotografia é a metáfora do “o futuro do planeta está nas mãos da próxima geração, com menos atuação no mundo pelas empresas”. A melhor interpretação para a fotografia é a metáfora: “descascando o abacaxi”.

A cor rosa, que passa a ideia de fragilidade, realça a imagem dinâmica. Na fotografia a seguinte chamada, “Consumo X Infância” e o subtítulo “SUSTENTÁVEL NOVO MUNDO”. Ainda na capa a legenda com os seguintes títulos de reportagem: 1) “ENERGIAS RENOVÁVEIS”, subtítulo “Seminário discute alternativas para Santa Catarina e Brasil”; 2) “QUILOMBOLAS”, subtítulo “A infância retratada no mês da consciência negra”; 3) “MAURÍCIO DE SOUSA”, subtítulo “50 anos de turminha mais brasileira dos gibis”.

As análises das revistas nos indicam algumas pistas que ajudarão na interpretação dos conteúdos. Já os próximos itens que veremos abaixo se referem às temáticas que foram possíveis agrupar após analisar as diversas reportagens. São temas que frequentemente se repetiam nas diferentes matérias.