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1. Introduction

1.3 End functionalisation of polysaccharides and block coupling strategies

Como Vygotsky (1991) postula, "a exploração dos saberes culturais é impossível sem a liberdade que possibilita a criança de explorar o mundo através do jogo e do imaginário". O autor entende que nos jogos, a criança constrói as representações do mundo ao mesmo tempo em que, estabelece relações entre os símbolos e seus referentes e os saberes relativos ao mundo social, suas ações e objetos. Através do brinquedo, a criança realiza seus desejos depositando sua atividade num mundo imaginário e ilusório.

Segundo Postic (1993), imaginar é evocar seres, situá-los em determinado contexto e fazê-lo viver conforme nossos desejos. Para o autor, imaginar é uma atividade paralela à ação que exercemos, ligada a realidade. A imaginação é o processo e o imaginário o seu produto.

Imaginar é uma atividade de transformação do real, seja de reconstrução em função dos significados dados, seja das repercussões interiores que vivenciamos. O desencadeamento da atividade imaginária é provocado por encontros emocionais entre o "real" e mim. A criança se descobre ao mesmo tempo em que age num processo de

descoberta que não é racional, é mais vivida do que percebida. Assim, o imaginário está povoado de representações simbólicas do real e encontra seu centro, não na busca de um significado no plano racional, mas no despertar de imagens que ressoam e incorporam um sentido.

Como sugere Postic (1993), pela atividade imaginária a criança se confronta com os outros e com o real. Toma consciência de suas possibilidades de ação e de seus limites. Pela ação, ela pode buscar formas de modelar o seu próprio real e dominar sua emoção.

Na perspectiva psicanalista, o imaginário implica-se com os acontecimentos que ocorrem na vida afetiva do sujeito e nos efeitos que estes acontecimentos provocam em seu inconsciente. Estes compensam os aspectos da realidade que o decepcionam e que não correspondem à sua expectativa, realizando atividades no qual o imaginário predomina com o objetivo de ter seu desejo satisfeito.

Segundo Winnicott (1975) existe uma área "intermediária de experimentação", para a qual contribuem tanto a realidade interna quanto a externa na vida do ser humano. É a área da ilusão, da imaginação, espaço do brincar, da criatividade e da arte.

Davis e Wallbridge (1982) comentam as qualidades primordiais do brincar, apontadas por Winnicott.

* O importante para as crianças pequenas não é o conteúdo do jogo, mas o estado de quase afastamento que se cria, similar a uma concentração.

* No brincar, a criança pode manipular os fenômenos externos de acordo com suas fantasias e investe em fenômenos externos escolhidos com significados e sentimentos oníricos.

* Há uma evolução direta dos fenômenos transicionais para o brincar, do brincar para o brincar compartilhado e daí para as experiências culturais.

* Brincar implica em ter confiança no ambiente, na capacidade de ficar só na presença de alguém.

* Implica em manipulação de objetos, o que envolve o corpo e, portanto pode estar associado a certos tipos de excitação somática.

* A criança precisa sentir satisfação no jogo.

* O brincar atinge seu ponto de saturação ou auge, por assim dizer, quando se refere à capacidade de conter a experiência.

* Apresenta um aspecto precário e excitante dada à inter-relação da mente da criança entre o subjetivo e o percebido objetivamente.

Para Winnicott (1975), o brincar é considerado como qualquer atividade que envolve criatividade do indivíduo e seu sentimento de estar presente. É no brincar que a criança é capaz de ser criativa, de usar sua personalidade e descobrir assim o seu "eu". O espaço da brincadeira, ou seja, o espaço onde o brincar se desenrola é chamado de espaço potencial e é neste que ocorre a comunicação significativa. A comunicação advém da mutualidade na experiência, da superposição de espaços potenciais que as relações interpessoais podem tornar-se fáceis e férteis no sentido de enriquecimento. Disso, decorre a importância do espaço potencial de cada indivíduo, pois, seja na sociedade, seja no ensino, ou na cultura, é quando cada um contribui com sua criatividade pessoal.

Como lembra Verba (1990), nos jogos de ficção, a criança pode criar de acordo com sua fantasia, mas seu pensamento mesmo estando livre da dificuldade do real, permanece assujeitado na presença do parceiro. Ela pode fazer novas ligações arbitrárias e subjetivas entre os elementos do jogo, modificar regras estabelecidas, pode explorar novas regras e liberar seu pensamento do real, porém de uma forma que se ajuste com o parceiro para que o jogo possa se realizar.

Como já dissemos, Verba (1999) discrimina dois aspectos importantes entre as atividades mentais envolvidas que dão suporte às atividades lúdicas: o aspecto cognitivo e o aspecto imaginário. Assim, verificamos que o primeiro está ligado à manipulação dos blocos e montagem de objetos e personagens, e o segundo, à criação, ou seja, no imaginar situações que constituem o jogo. Como lembra Verba (op.cit), a imaginação nos jogos de ficção é que articula a criação de idéias, as transformações simbólicas dos objetos, personagens, cenários e os encadeamentos das ações. Geralmente a imaginação da criança é alimentada, no jogo de ficção, por intermediários, ou seja, pelo adulto ou por outra criança.

Nas construções simbólicas ou transformações simbólicas dos objetos e nas idéias apresentadas a criança emprega elementos da sua experiência pessoal associados á elementos de sua imaginação. Ao fazer suas construções com o “Lego”, ela toma como referente os objetos, cenários, personagens que têm relação com sua experiência de vida e associa elementos que a sua imaginação permite explorar. A atividade imaginária consiste em associar, dissociar, combinar, deslocar e etc. elementos da experiência pessoal, modificando-as de acordo com o interesse no jogo.

Nos jogos de faz-de-conta, as crianças tornam-se capazes de imaginar, ou seja, ir além da habilidade de pensar sobre sua experiência de mundo e ainda, elaborar sobre o que foi imaginado. Ao fazer de conta, ela faz representações mentais da realidade. É sobre esta capacidade de representar que pretendemos discorrer a seguir.