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En tilnærming til begrepet i offentlige dokumenter

Os estudos sobre Novos Letramentos ou New Literacy Studies, de acordo com Gee (1990), começaram a surgir no início de 1990, com a realização de pesquisas em diferentes áreas do conhecimento. Dessa forma, os estudos sobre novos letramentos surgiram em oposição à visão tradicional (dominante naquele momento), na qual o letramento era um conjunto de habilidades cognitivas ou psicológicas que as pessoas possuíam, e que poderiam ser ensinadas de maneira neutra em contextos formais ou informais de ensino.

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Segundo Street (1984), havia várias perspectivas a partir das quais se definia o letramento, inclusive havia contextos em que o termo assumia um papel equivocado por acreditar-se que este era um modelo “autônomo” com atividades voltadas apenas para textos escritos. A esse modelo, Street contrapôs o modelo “ideológico”, em cujo letramento, como prática plural, portanto letramentos, depende do contexto e da instituição onde foi adquirido.

Para mencionar algumas incompatibilidades acerca da definição de letramento, podemos fazer referência a definições elaboradas por pesquisadores que assumem certas posições teóricas, como é o caso dos estudiosos que consideram o letramento como uma questão social e política e, portanto, ideológica (Barton, 1994; Barton e Hamilton, 2000; Barton e Lee, 2015; Gee, 1990; Kleiman, 1995, 1998; Marcuschi, 2001; Rojo, 1998, 2009; Street, 1984, 1988, 2003, 2004; Soares, 1998, 2002, 2004, 2010; Tfouni, 1999, para citar alguns), enquanto outros, como Hasan (1996) e Halliday (1996), mesmo admitindo a existência de aspectos políticos, sociais e cognitivos envolvidos no letramento, consideram-no um fenômeno linguístico.

De acordo com os Novos Estudos de Letramento, existem princípios e propósitos teóricos importantes para a compreensão deste fenômeno, dos quais se destacam, por exemplo, dois pares de conceitos: 1. a díade modelo autônomo e modelo ideológico de letramento (Street, 1984, 1988, 2003, 2004); e 2. os eventos e as práticas de letramento (Barton, 1994; Soares, 1998, 2002, 2004, 2010).

Os estudos dos novos letramentos caracterizam o letramento como uma prática social complexa e crítica, construída a partir de interações sociais diárias em contextos específicos. Tradicionalmente, o letramento foi pormenorizado como uma habilidade individual, e o desenvolvimento escolar avaliado através de um percurso sequencial metodicamente planejado. Larson e Marsh (2005) alertaram para os equívocos cometidos à época, que configuravam o ensino do letramento como a aquisição de um conjunto de habilidades que podiam ser ensinadas isoladamente, e que a prática individual e repetida dessas habilidades era suficiente para seu aprendizado.

Para Street (2003), os novos letramentos podem ser compreendidos como novas práticas sociais não privilegiadas pela escola, que correspondem aos usos culturais da leitura e da escrita, independentemente de qualquer conhecimento autorizado por relação de poder; logo, grupos desprivilegiados socialmente não são submissos nem

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passivos diante da possibilidade de gozar dos mesmos direitos de interação de grupos socialmente privilegiados. Para que essas novas práticas de letramento ganhem fluidez e circulem socialmente sem prender-se a contextos ou circunstâncias limitadas, determinadas por aspectos como poder aquisitivo, é necessário que haja uma hibridação16

de práticas culturais e que estas atendam às necessidades de todas as camadas sociais. Segundo Maia (2013), a hibridação é um elemento fundamental para a disseminação dessas novas práticas de letramento por três razões: 1. pela desterritorialização, representada pelo fim da ligação natural e direta entre espaço geográfico e prática cultural; 2. pela descoleção/recoleção, que parte e mistura coleções tradicionalmente organizadas pelas práticas constantes dos sistemas de cultura e 3. pela expansão das práticas impuras, que são os híbridos resultantes dessas duas ações anteriormente mencionadas. Esses fenômenos são importantes porque a qualquer hora, em qualquer lugar, sob qualquer circunstância é permitido a qualquer indivíduo a apropriação das TDIC como mecanismo para trilhar caminhos abrangentes para sua inserção em meios sociais diversificados. Nessa perspectiva, o espaço virtual oportuniza a cooperação de qualquer pessoa e não censura sua participação nos grupos organizados dentro do ambiente on-line, desde que o use de forma consciente e coerente.

Com o advento das TDIC, as pessoas têm possibilidades variadas de conhecer e utilizar o meio digital, mesmo pertencendo a classes sociais de baixo poder aquisitivo. O acesso à Internet, por sua vez, tem sido uma ação que só tende a crescer, seja por meio do computador, do tablet ou do celular. Seu acesso tem ampliado o uso de mídias on-line e gerado muito interesse multidisciplinar nos últimos anos. Isso revela que mesmo as classes sociais menos favorecidas ou pessoas com algum tipo de deficiência podem fazer parte dessa gigantesca comunidade que, a cada dia, ganha mais adeptos.

Se letramento corresponde a práticas e eventos relacionados ao uso, função e impacto social da leitura e escrita (KLEIMAN, 1998), os novos letramentos garantem essa apropriação e, somados ao uso de tecnologia, a partir da utilização de recursos e estratégias que garantem a hibridação entre novos e diferentes letramentos, que

16 O híbrido está relacionado à convivência e interpenetração entre diferentes culturas – oral, escrita, impressa, massiva, midiática, ciber – que, misturadas, constituem um complexo cultural amplo, polimorfo e intrincado (MAIA, 2013, p. 41).

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ultrapassam os limites do letramento dominante (escolar) e são agenciados por instituições e grupos diversificados, mais espontâneos e menos formais que a escola.

As novas práticas de letramento estão intimamente relacionadas às práticas sociais de comunicação digital, especialmente, por causa da constante evolução tecnológica, que dá oportunidade para as pessoas aprenderem, de forma contínua e fluida, a lidar com esse contexto diversificado de leitura e escrita, no qual as formas se aglomeram e se configuram numa materialidade marcada pela mobilidade e hibridização. (BARTON E LEE, 2015).

Os novos letramentos compreendem uma noção de linguagem como prática social e a percepção de que é primordial possibilitar a otimização do senso crítico dos cidadãos, oportunizando o questionamento, a análise e a contestação das relações de poder existentes, com vistas a provocar mudança social.

3.9 O letramento digital no contexto da deficiência intelectual

No atual momento, em que muito se luta para garantir a inclusão de pessoas com deficiência na escola comum, interagindo e aprendendo no mesmo contexto de ensino-aprendizagem oferecido aos alunos sem deficiência intelectual, entendemos que este processo deve ocorrer em todos os sentidos, inclusive permitindo que alunos com deficiência realizem todas as atividades propostas aos alunos sem deficiência. Para tanto, deve-se criar condições de acessibilidade, o que minimiza limitações impostas pela deficiência. Nessa perspectiva inclusiva e considerando a proposta do letramento digital, torna-se necessário garantir que todos os sujeitos com deficiência realizem atividades em computadores e passem a protagonizar ações que os incluam no universo das pessoas contabilizadas nos levantamentos estatísticos sobre inclusão, interação e letramento digitais.

De acordo com Street (1984, 1988); Barton (1994); Barton; Hamilton; Ivanic (1994, 2000), assimilar aspectos da leitura e da escrita no contexto digital constitui um dos tipos de novos letramentos. Asseguramos que esse processo, como qualquer outro processo de aprendizagem, é espacial e historicamente situado; portanto, se estamos vivendo o advento da comunicação digital e reconhecemos que a inclusão é um direito de todos, consideramos que o letramento digital de pessoas com deficiência intelectual é uma atividade igualmente espacial e historicamente situada.

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Vygotsky (1994), a seu tempo, aplicou a perspectiva do letramento digital para explicar a transformação dos processos psicológicos elementares em processos psicológicos complexos. Seguindo este viés, o curso do desenvolvimento intelectual do sujeito dá origem a manifestações exclusivamente humanas de inteligência, então, se ao longo do processo de desenvolvimento do pensamento ocorre uma transformação, especialmente na adolescência, quando lembrar significa pensar, inversamente equivalente ao que acontece na infância, quando pensar significa lembrar, pode-se deduzir que o processo de lembrança, tanto nos sujeitos com deficiência intelectual quanto em qualquer pessoa, inclui estabelecer e encontrar relações lógicas enquanto se tenta reconhecer o elemento necessário para que a tarefa seja realizada. A logicidade indica como as relações entre as funções cognitivas mudam no curso do desenvolvimento.

Se esse é um processo histórico de transformação e diferenciação no uso de instrumentos mediadores, essa visão é adequada à nossa proposta porque representa a elaboração de formas mais sofisticadas do pensamento humano, conhecidas como processos mentais superiores, tais como: raciocínio abstrato, memória ativa, resolução de problemas, formação de conceitos. Estes componentes se formam primeiro no grupo social para depois serem internalizados (VYGOTSKY, 1997). Optamos por este viés porque os sujeitos de nossa pesquisa, inevitavelmente, são estimulados, por meio da mediação, a expandirem suas possibilidades de participação social no meio digital a partir da ampliação de suas possibilidades de aprendizagem. Se as tecnologias promovem um novo paradigma de sociedade, no qual informação e conhecimento são considerados bens necessários, então essa condição de sujeito digitalmente letrado deve ser uma proposta para todos.

Segundo Figueiredo (2012), crianças e jovens com deficiência intelectual desenvolvem processos cognitivos semelhantes àqueles construídos por crianças e jovens sem deficiência durante a aquisição da língua escrita. Sendo assim, o letramento deve estar presente no cotidiano daqueles sujeitos de forma similar ao letramento apresentado a estes.

No contexto da inclusão digital e à medida que os estudos avançam, percebemos que ainda há questões a serem resolvidas; uma delas corresponde ao espaço conquistado por crianças e jovens com deficiência intelectual nos ambientes virtuais. Ainda não é possível precisar em que medida a influência desses mecanismos altera ou

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estimula o desenvolvimento cognitivo dessa população. É necessário que se façam, ainda, investigações mais longas e com maior profundidade (no tempo e na complexidade).

Em contrapartida, já se vive uma época em que se comemora o fortalecimento das práticas educativas no contexto das diferenças. Mesmo que esses avanços no enfrentamento do preconceito caminhem a passos lentos, atualmente há uma preocupação maior de pessoas e entidades educacionais em garantir que os sujeitos com deficiência não sejam discriminados nem excluídos de atividades que potencializam o processo de aprendizagem e a autorregulação da aprendizagem.

O desenvolvimento de práticas inclusivas gera resultados positivos no que se refere ao tipo de interação social e ao relacionamento entre os pares (BRODIN e LINDSTRAND, 2004). Ainda, segundo Harter (1999) e Scott e Larche (2002), há uma visível melhoria da autoestima e, para Palmer et al. (2012), há efeitos positivos na autodeterminação17. Por essas razões, as práticas de letramento digital de jovens com

deficiência intelectual tornam-se um recurso atrativo e viável para explorar a interação nas ações sociais.

As práticas de letramento por meio das TDIC devem proporcionar ao usuário do computador a combinação de várias experiências de forma integrada, a saber, o desenvolvimento de práticas de leitura e escrita, de reflexões, de transformação do pensamento, de formação de opinião, todas mediadas pelo contexto da web. Dessa forma, oportuniza-se uma crescente apropriação dos variados recursos midiáticos pelos sujeitos que passam a fazer uso de diferentes tecnologias para analisar o mundo, acessar informação, interpretar e organizar seu conhecimento pessoal e representar o que sabem para outras pessoas.

Dentro do contexto da escola inclusiva, é necessário oferecer aos jovens com deficiência intelectual a oportunidade de criar novas formas de aprendizagem nas quais a cultura das múltiplas formas de comunicação inclua os processos de interação e comunicação digital, visto que estes processos criam oportunidade de se adquirir modos

17 De acordo com Wehmeyer, um comportamento autodeterminado é caraterizado por conter quatro características principais: 1. o sujeito age de forma autônoma; 2. os comportamentos sãoautorregulados (a pessoa é quem pode produzir e controlar seu próprio aprendizado); 3. o sujeito inicia e responde aos eventos com empowerment psicológico (processo pelo qual o indivíduo pode alcançar o controle para conduzirsua própria vida); 4. o sujeito age com percepção de si (WEHMEYER & FIELD, 2007).

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mais colaborativos de comunicação, em um meio mais dinâmico, onde se compartilham ações e se adéquam as possibilidades às necessidades reais. Ao desenvolver estas ações, estreitam-se as relações entre os sujeitos e garante-se um espaço para o desenvolvimento de sua autonomia durante o processo educacional.

Se pensarmos o letramento digital como uma nova cultura na qual jovens com deficiência intelectual poderão desenvolver algumas representações sociais por meio da comunicação escrita e pelo uso de inúmeros recursos sensoriais, apoiando-se na aprendizagem mediada, estar-se-á iniciando uma experiência cultural que inova em pelo menos cinco aspectos: 1) a inclusão de novas ferramentas para o desenvolvimento de práticas sociais de jovens com deficiência intelectual; 2) inserção e letramento desses jovens no ambiente hipermidiático; 3) socialização dentro do contexto digital; 4) a inclusão desses sujeitos em uma cultura alicerçada por experiências curiosas, dinâmicas e inovadoras e 5) estímulo para o desenvolvimento de competência leitora e de produção de texto estimulados pela necessidade de interagir.

Santarosa (2000) utilizou os termos “prótese física” e “prótese mental” para explicar a importância da utilização de tecnologias digitais de informação e comunicação na educação de jovens com deficiência. Compactuamos com a autora a ideia de que a “prótese física” refere-se ao uso de acionadores, simuladores, sensores e recursos afins que ajudam o sujeito a desempenhar funções que o corpo não consegue realizar ou realiza com dificuldade devido à deficiência. Já a “prótese mental” é a resposta à interação, que ocorre positivamente e aspira o desenvolvimento cognitivo e interacional, ampliando as possibilidades de comunicação dos alunos com necessidades educacionais especiais.

No contexto do letramento digital, a “prótese mental” refere-se às possibilidades de ampliar habilidades e competências vinculadas ao desenvolvimento de processos cognitivos para interagir por meio digital. Espera-se que este processo coopere na ampliação do fluxo natural do pensamento e da linguagem (VYGOTSKY, 2000a) e, consequentemente, promova novos processos cognitivos, novas formas de conhecimento, novas maneiras de ler e de escrever, enfim, “um novo estado ou condição para aqueles que exercem práticas de escrita e de leitura na tela” (Soares, 2002, p. 152), tenha ele deficiência ou não.

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