FORTELLINGEN OM BUDDHA
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A extensão da obra de Borsoi nos conduziu, desde os primeiro contatos com a produção do autor, a uma necessidade de classificação. Num primeiro olhar sobre as obras e projetos residenciais de Borsoi, era possível identificar três grupos diferentes, separando o total de obras em três conjuntos, a partir das suas semelhanças e dessemelhanças. Este foi o primeiro passo no processo classificatório do trabalho, ao qual se seguiu uma reflexão mais aprofundada, para encontrar correlações entre os grupos de obras e a trajetória profissional do arquiteto.
As classificações são comuns no estudo da arquitetura e, como aponta Grassi, podem levantar reflexões sobre os princípios da arquitetura, buscando uma generalidade propriamente formal, um processo de identificação de elementos gerais e que refletem a constância dos próprios princípios da arquitetura. Logo:
La clasificación, la característica convencional del parámetro funcional de la arquitectura son medios concretos para la construcción de un sistema de normas: en todo caso, ponen en evidencia los principios mismos de la arquitectura, sus leyes inmutables. En una relación de este tipo la cuestión del significado de la arquitectura se vuelve a plantear en el proyecto como una relación a conocer siempre más al fondo, de manera que tal conocimiento llega a ser el propio fin de la arquitectura. (GRASSI, 1984)
Assim como a necessidade de classificação da obra de Borsoi se fez presente já no primeiro olhar sobre o conjunto, neste mesmo momento, ficou também em evidência a importância da residência Lisanel de Melo Motta, a primeira obra do arquiteto em Recife. Esta mereceu um destaque analítico à parte e terminou por constituir um capítulo exclusivo no trabalho.
A separação das obras de Borsoi em três grupos distintos, foi uma estratégia analítica levantada inicialmente nas discussões com Amaral e Naslavsky31, uma proposta de reflexão sobre a obra do arquiteto, que buscava compreender sua trajetória projetual, bem como buscar referências arquitetônicas externas à obra de Borsoi para contextualizá-la a nível nacional e internacional. Assim, o trabalho em conjunto das duas autoras levantou correlações entre cada grupo de obras, e exemplares nacionais e internacionais da arquitetura moderna, sustentando, assim, a divisão proposta.
30 Neste ponto nos aproximamos da discussão sobre a construção do conhecimento em arquitetura, como as formas
arquitetônicas se configuram no raciocínio do projeto, o que levanta ainda a questão da mímese e do tipo.
31 Esta divisão das obras em três grupos resultou de uma série de discussões entre as duas autoras, e foi sugerida pela primeira vez no artigo NASLAVSKY, Guilah, AMARAL, Izabel . Identidade nacional ou regional: a obra de Acácio Gil Borsoi . V SEMINÁRIO DOCOMOMO-BRASIL, São Carlos, 27 a 30 de outubro de 2003.
Este artigo apresenta as obras de Borsoi em três momentos distintos, abordando o assunto do ponto de vista histórico, ainda sem o aprofundamento da noção de análise de arquitetura e projeto como proposto aqui.
Acredito que o considerável número de projetos elaborados por Borsoi nas décadas de 1950 e 60 permite identificar com certa facilidade as aproximações entre os exemplares a partir das suas semelhanças formais, espaciais e aproximação cronológica. A separação do conjunto total em subconjuntos menores facilita uma melhor apreciação de cada uma das obras, permitindo a apreciação de sua relação com o conjunto total, como também permite uma melhor compreensão da obra residencial do arquiteto.
O processo classificatório foi se definindo aos poucos, o agrupamento das obras foi discutido, e pré-categorias foram levantadas, antes de assumir uma forma final. Algumas obras serviram de guia para a classificação, enquanto outras foram se adicionando a estas, até que todas estavam distribuídas nos conjuntos. Em especial as obras menos expressivas foram mais difíceis de classificar.
Como resultado da classificação, foi desenvolvido um quadro hipotético preliminar (Quadro 2) com a distribuição dos três conjuntos de obras e projetos de Borsoi ao longo do tempo. Inicialmente levantamos a suspeita que cada conjunto poderia corresponder a uma fase da produção do arquiteto, um momento onde ele seguia uma determinada tendência, como freqüentemente aparece na tradição historiográfica das artes e da arquitetura. Entretanto, esta hipótese foi logo descartada, pois os conjuntos propostos não poderiam se referir a fases ou momentos distintos na produção do arquiteto, uma vez que os três conjuntos se interpolavam no tempo. Como vemos:
1953 1960 1970
CONJUNTO 1
CONJUNTO 2
CONJUNTO 3
Quadro 2 – Hipótese preliminar de análise: obras e projetos de Acácio Gil Borsoi divididos em três conjuntos ao longo do tempo
De certo modo, o processo classificatório induzia à separação das obras em três conjuntos, devido às semelhanças e dessemelhanças entre elas, mas não respondia a várias perguntas: qual o princípio desta construção intelectual com fins de análise? Por que as obras são diferentes de um conjunto para o outro? O que faz um conjunto? O que são estas categorias que criamos? Quais são os componentes que aproximaram as obras umas das outras? Existem leis internas a cada conjunto? Quais?
Será que cada conjunto representa um tipo de linguagem arquitetônica que foi praticado por Borsoi? Ou será que cada conjunto representa um estilo arquitetônico? Ou ainda, será que estes conjuntos estão de alguma forma relacionados com diferentes tipos arquitetônicos, os quais o arquiteto utilizou com algumas variações?
Na tentativa de responder algumas destas perguntas, a analogia entre a arquitetura e a linguagem veio como suporte.