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4.4 En case i Vardeteatret

Há uma resistência quando se trata de relacionar e exibir essas criações ao público, que muitas vezes congela as artes populares como pertencentes ao passado, enquanto qualifica a arte alta das elites como contemporânea e/ou projetada para o futuro.

(...) Já as culturas do povo são historicamente desconhecidas. Muitas de suas criações são até denominadas por nós de “primitivas” , como se fossem de grupos tribais distantes no espaço e no tempo das sociedades complexas, urbanas. Precisamos, portanto, estudar com mais regularidade e tornar conhecido um corpus de informações sobre as criações do povo. (FROTA, 2oo5)

A cultura popular, segundo Chauí (1986), caracteriza-se por

"(...) um conjunto disperso de práticas, representações e formas de consciência que possuem lógica própria (o jogo interno do conformismo, do inconformismo e da resistência) distinguindo-se da cultura dominante exatamente por essa lógica de práticas, representações e formas de consciência".

Para Teixeira Coelho (2004) o conceito de cultura popular é, hoje, extremamente controvertido. As concepções do dedutivismo e do indutivismo sumarizam, em grande parte, as diversas correntes que discutem o tema:

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Para os dedutivistas, não há propriamente uma autonomia da cultura popular, subordinada que está à cultura da classe dominante, cujas linhas de força regem a recepção e a criação populares. Para os indutivistas, pelo contrário, a cultura popular é um corpo com características próprias, inerentes às classes subalternas, com uma criatividade específica e um poder de impugnação dos modos culturais prevalentes sobre o qual se fundaria sua resistência específica. (grifamos)

Se para os dedutivistas só se pode conhecer aquilo que é chamado de cultura popular a partir das lentes da cultura dominante, para os indutivistas somente é possível apreender a natureza dessa cultura mediante seus próprios depoimentos diretos, expressos em suas obras ou em declarações explícitas de seus produtores.

Entendimentos intermediários buscam apresentar a cultura popular como um conjunto heterogêneo de práticas que se dão no interior de um sistema cultural maior e que se revelam como expressão dos dominados, sob diferentes formas evidenciadoras dos processos pelos quais a cultura dominante é vivida, interiorizada, reproduzida e eventualmente transformada ou simplesmente negada.

Nesta concepção, a cultura popular não se apresenta como uma cultura à parte da cultura erudita ou dominante mas como um modo no interior de outro, com o qual dialoga (ou não) em diferentes comprimentos de onda. Sob este aspecto, a cultura popular não é apenas tradição e folclore—i.e., aqueles modos e formas culturais congelados, que se reproduzem a si mesmos sem variação ou que se mostram como resíduos históricos, como ocasionais monumentos (embora monumentos preservados sejam quase sempre apenas aqueles da cultura dominante ou erudita) — mas uma constelação, se não um sistema, de diferentes perspectivas e produtos culturais cujos traços específicos, se existentes, devem ser procurados caso a caso e não definidos a priorí. Coelho (2004) ainda esclarece que estas diversas concepções da questão manifestam-se nas diferentes políticas culturais.Assim algumas verão a cultura popular como um gueto a ser resguardado contra a cultura

dominante (e, por vezes, contra si mesmo), enquanto outras deixarão livre

o caminho para os modos da indústria cultural eliminarem os bolsões de cultura popular e outras ainda procurarão, pelo contrário, considerar a dinâmica cultural em sua totalidade fenomenológica e incentivar a popularização ou

objetos culturais em toda sua multiplicidade.

Também pesquisamos acerca da Arte Popular no intuito de verificar as suas eventuais conexões com a arte naïf.

7.4 ARTESANATO

Apenas para esclarecimento abordamos, a seguir, também o conceito de artesanato19 o qual é:

(...) tradicionalmente a produção de caráter familiar, na qual o produtor (artesão) possui os meios de produção (sendo o proprietário da oficina e das ferramentas) e trabalha com a família em sua própria casa, realizando todas as etapas da produção, desde o preparo da matéria-prima, até o acabamento final; ou seja não havendo divisão do trabalho ou especialização para a confecção de algum produto. Em algumas situações o artesão tinha junto a si um ajudante ou aprendiz.

Já o denominado artesanato de tradição é uma habilidade compartilhada por grupos sociais específicos, geralmente de baixo poder econômico, que transmitem, de geração a geração, uma técnica, e um repertório determinados. Alguns artesãos são chamados de mestres, e são estes que repassam o seu saber aos mais jovens, os aprendizes.

Quando o trabalho de um mestre atinge uma identidade própria, autoral, ele pode ser considerado um artista popular.

Parte substancial desta cultura está representada pelas artes e técnicas. A tecnologia rudimentar procede. Tanto em seu ritmo peculiar de fazer, organizado em trabalho, como na expressão de símbolos. Indicativos de valores estéticos ou significados específicos no contexto cultural, dessas vertentes, cujas matrizes étnicas eram igualmente portadoras de complexa cultura e apreciáveis habilidades motoras. Lidar com a matéria. para transformá-la em utilidades, constitui a essência do artesanato, fenômeno que se estende no tempo e no espaço marcando a vida dos seres humanos em todas as sociedades(ZANINI,1983).

19 ZANINI,Walter,org. História Geral da Arte no Brasil, São Paulo, Instituto Walter Moreira Salles,1983, VOL.II Págs. 1037-1039

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7.5 ARTES LIMINARES

Lelia Frota (1978) adota a expressão ‘liminar’ para o que anteriormente classificou de ínsita, isto porque a liminaridade dos artistas

(...) patenteia-se nos dados oferecidos pela sua própria história de vida.Todos provêm de culturas populares, exibindo uma produção artística altamente individualizada, diversas dos padrões de gosto regional em que transcorreu a sua infância, e adolescência. (...) A sua produção artística é adquirida pelas pessoas da norma culta com razoável poder aquisitivo dos grandes centros urbanos. Liminares entre a cultura onde se formaram, e a que consomem a sua arte, num processo de transição enfatizado ainda pelas migrações internas que quase todos realizaram, estes indivíduos permanecem efetivamente marginais, ou periféricos, tanto à norma popular quanta à erudita. Suas produções, altamente individualizadas, de autoria reconhecível à primeira vista, são olhadas com estranheza pela comunidade vicinal a que pertencem. Por outro lado, eles não se ajustam social e culturalmente às elites que apreciam

o seu trabalho. Assim, preferimos chamar de liminar,

marginal, periférica, àquela produção autodidata que em 1975 denominamos de ínsita (do latim insitus, inato) embora continuemos a reconhecer-lhe uma espontaneidade criadora só remissível a raízes arquetípicas, que referem, por sua vez, à discutida questão dos universais.

7.6 ARTE NAÏF

Tentaram-se várias outras denominações para os artistas naifs: pintores de domingo, pintores do coração sagrado, ingênuos, primitivos modernos, autodidatas, primitivos de hoje, instintivos, espontâneos, ínsitas, etc.

Mas o primeiro adjetivo, o ambíguo naïf, lançado há uma centena de anos, ficou em definitivo, foi adotado e consagrado internacionalmente. A mim, a poética palavra