Kapittel 4 – Analyse: konvensjoner og representasjon
4.3 Juno
4.3.6 En annerledes coming of age-historie
Passemos à ideia de revitalização linguística. Esta ideia torna-se clara nas páginas do The Green Book of Language Revitalization in Practice (2001), o qual, como ressalta Leanne Hinton, uma das organizadoras, esse livro surgiu como resposta ao Red Book of Endangered Languages (1993). O Green Book reúne várias experiências de pessoas que estão trabalhando para manter suas línguas vivas ou trazê-las de volta ao uso. Os trabalhos apresentados no livro apresentam objetivos e métodos de revitalização linguística, e ajudam a entender as questões de perda e revitalização linguística, servindo de referência para pessoas ou comunidades que querem revitalizar ou ativar as línguas ameaçadas. Cada capítulo trata de um aspecto da Revitalização Linguística (RL), apresentado pelo estudioso diretamente envolvido ao programa específico.
Hinton (2001a, p. 3-18) trata dos princípios gerais da revitalização linguística, utilizando o termo Language Revitalization ―Revitalização Linguística‖ em sentido amplo; referindo-se ao desenvolvimento de programas que buscam retomar o uso pleno de uma língua, a qual deixou de ser a língua de comunicação de uma comunidade de fala, como no caso do Hebraico. Todavia, a RL pode acontecer também em estados menos extremos de perda, como nos casos do Navajo e do Irlandes, os quais eram L1 de muitas crianças e falados em muitas casas, embora as duas línguas estivessem perdendo campo de uso.
Segundo Hinton (2001a, p.4), o que ocorre é uma catástrofe linguística, e da mesma forma, um tempo de esforços inéditos por parte das minorias para manterem suas línguas vivas e expandirem seu uso. Atualmente há um movimento mundial dos indígenas procurando direitos para as decisões feitas sobre seu próprio futuro e o mais importante, buscando salvar suas línguas do esquecimento. Estão pesquisando e inventando maneiras de ―Reverter a substituição de língua‖ (Reverse language shift (RLS)) nos termos sociolinguísticos (FISHMAN, 1991, apud HINTON, 2001a, p.4).
Na tentativa de RLS, conforme a autora, faz-se um trabalho pioneiro, realizado por uma equipe multidisciplinar que colabora para o trabalho na comunidade. Para Hinton (2001a, p. 4) não há uma receita de método de RLS que funcione igualmente para todas as comunidades, não há materiais pedagógicos, nem professores de língua treinados para ensinar as línguas ameaçadas e não existe uma tradição de programas de RLS que sejam testados o suficiente para servirem de modelo a outros. Então, ressalta Hinton, nos casos em que o RLS foi bem sucedido, tem-se muito mais uma influência do ambiente que corroborou para isso, do que aspectos simplesmente metodológicos ou políticos (Ex.: Hebraico em Israel). No entanto, enfoca que para grupos pequenos em que a língua jamais servirá para ampla
comunicação fora da pequena comunidade de falantes, muito investimento, dedicação e energia são necessários para conseguir RLS. É, pois, uma habilidade super-humana, mas para a qual vem aumentando o número de pessoas apaixonadamente dedicadas.
A autora coloca a questão: Why does it matter that the linguistic diversity of the world is diminishing? ―Por que importa o fato de a diversidade linguística no mundo estar diminuindo?‖ (HINTON, 2001a, p.4), descrevendo diversos motivos para esclarecer essa questão. Para Hinton (2001a, p. 5), quando uma língua deixa de ser falada, o mundo perde em soma de conhecimento humano. Sistemas culturais, filosóficos, ambientais, médicos, literatura oral, tradições musicais, habilidades artísticas, ou seja, os detalhes de todo esse conhecimento é perdido. Considera que, assim como a espécie humana se coloca em risco por meio da destruição da diversidade das espécies, nós poderemos estar em risco pela destruição da diversidade dos sistemas de conhecimento.
Outro motivo relacionado a essa questão é que a perda de uma língua é parte da opressão e privação aos povos indígenas, os quais estão perdendo suas terras e modos tradicionais de vida. Os esforços indígenas para manter ou revitalizar as línguas são geralmente parte de um esforço maior que se faz para reter e recuperar sua autonomia política, suas terras de base, ou ao menos seu próprio senso de identidade. Assim, ademais de todos esses esforços o que realmente importa é a autodeterminação: os direitos dos povos indígenas em determinarem seu próprio futuro, no qual eles vêem ou não a língua como uma parte importante desse futuro. Isso somente será dessa maneira, caso o discurso da comunidade indígena por si só deseje e inicie esforços para reavivar a língua que certos programas poderiam ter alguma chance de sucesso em tentar fazê-lo.
Assim, conforme Hinton (2001a), os objetivos dos programas de revitalização linguística variam de acordo com as necessidades da comunidade de fala e da situação em que a língua se encontra. É preciso considerar os seguintes fatores (Quadro 2) na elaboração desses programas:
Quadro 2 - Necessidades da comunidade e situação da língua (HINTON, 2001a) Necessidades da comunidade e situação da língua
Qual o tamanho da comunidade de fala, se os falantes ou potenciais aprendizes estão juntos ou geograficamente separados.
Qual o grau de poder/entrosamento político a comunidade possui. Que tipos de recursos existem.
Há ainda falantes nativos.
Qual a idade dos falantes mais novos. A língua está bem documentada.
Tem uma longa história de cultura escrita?
Há escolas ou universidades em que a língua possa ser aprendida? Há professores treinados para ensinar esta língua?
Quais os recursos monetários disponíveis?
Qual o grau de desejo por parte da comunidade para que a língua seja revitalizada? Fonte: Hinton (2001a, p. 5-6, tradução nossa).
Feitas essas considerações, Hinton (2001a, p.7) propõe, posteriormente, cinco meios para a revitalização linguística: