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Emprego e Rendimento

In document CMI REPORT (sider 22-28)

4. RELAÇÕES SOCIAIS DA POBREZA

4.3 Emprego e Rendimento

Durante o primeiro turno das eleições presidenciais de 2006, as pesquisas de intenção de voto, veiculadas antes mesmo da definição assertiva dos candidatos que concorriam ao pleito, já apontavam a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Mesmo com o início da campanha eleitoral, Lula (PT) permaneceu à frente na corrida presidencial.

O cenário de estabilidade que percorreu o primeiro turno eleitoral tornou, na visão do pesquisador Marcos Coimbra (2006, p. 188), a eleição monótona, já que muito pouco aconteceu em tantos meses. Para o autor, o desânimo eleitoral devia-se ao equilíbrio que Lula mantinha nas pesquisas, com vantagens sempre próximas a 20 pontos percentuais em relação aos seus adversários.

A pesquisa de intenção de votos, realizada pelo Instituto de Pesquisa Datafolha, nos dias 28 e 29 de junho de 2006, antes do início do horário gratuito de propaganda eleitoral (HGPE), mostrava a vantagem de Lula (PT) sobre Alckmin (PSDB) e Heloísa Helena (PSOL), conforme aponta o Gráfico 3.1 a seguir.

Gráfico 3.1 – Evolução da intenção estimulada de voto na corrida presidencial – primeiro turno37

Na pesquisa, fica visível o crescimento do candidato Lula (PT), que passou de 44% para 47% das intenções de voto, entre 18 de julho e 8 de agosto, ou seja, em 21 dias, o candidato atingiu uma sensível diferença em relação ao segundo colocado na disputa, o candidato Alckmin (PSDB), que caiu 4 pontos percentuais, passando de 28% para 24% das intenções de voto. Já a candidata do PSOL, Heloísa Helena, apresentou um crescimento de 2 pontos percentuais, roubando intenções de voto do candidato Lula (PT) e, no período posterior, do candidato Alckmin (PSDB). Vale destacar que o candidato Cristovam Buarque (PDT) manteve os mesmo índices em todas as pesquisas de intenção de voto, oscilando entre 1 e 2 pontos percentuais.

Com o horário gratuito de propaganda eleitoral (HGPE), que teve início em 15 de agosto de 2006, o candidato à reeleição Lula (PT) sofreu inúmeros ataques de seus adversários, que lançaram críticas severas à sua gestão, associando a imagem do presidente e do Partido dos Trabalhadores a esquemas de corrupção e à falta de ética governamental. Mesmo com as acusações, após duas semanas do HGPE, em 29 de agosto de 2006, a pesquisa do Instituto Datafolha mostrava que o favoritismo de Lula (PT) mantinha-se

37 Evolução da intenção estimulada de voto na corrida presidencial. Disponível em:

estável, com crescimento de 2 pontos percentuais em relação à pesquisa de 8 de agosto do mesmo ano, alcançando 50% das intenções de voto.

Já o candidato Alckmin (PSDB) também oscilava positivamente desde o início da propaganda eleitoral e a pesquisa de intenção de votos marcava seu crescimento em 2 pontos percentuais, conquistando 27% das intenções de voto, no dia 29 de agosto de 2006. A candidata do PSOL, Heloísa Helena, que havia apresentado sensível crescimento entre os meses de junho e agosto de 2006, decaía na disputa e perdia 2 pontos.

A mudança no tom de campanha da coligação (PSDB-PFL) “Por um Brasil Decente”, no horário gratuito de propaganda eleitoral (HGPE), que no final de agosto passou a intensificar os ataques ao candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), não surtiu o efeito desejado e o favoritismo do candidato petista continuou inabalável. A pesquisa realizada entre 4 e 5 de setembro de 2006 mostrou que o candidato petista, Lula, oscilou um ponto para cima, em comparação ao resultado anterior, e passou de 50% para 51% das intenções de voto, enquanto o candidato tucano, Alckmin, manteve-se estável, com 27% das preferências. Já candidata do PSOL, Heloísa Helena, oscilou novamente nas pesquisas e perdeu mais um ponto percentual, marcando 9% das intenções de voto. Vale ressaltar que as pesquisas de intenção de votos apontavam até 29 de agosto de 2006 a vitória de Lula (PT) no primeiro turno, mesmo considerando a margem de erro de 2 pontos percentuais para cima e para baixo.

Um momento de impacto na candidatura de Lula (PT) aconteceu após as denúncias de corrupção, envolvendo membros e assessores de sua campanha na compra de um dossiê encomendado para comprometer a imagem do candidato à disputa do governo do estado de São Paulo, José Serra (PSDB). No dia 15 de setembro de 2006, a Polícia Federal prendeu dois petistas em um quarto de hotel próximo ao aeroporto de Congonhas, em São Paulo, com US$ 248,8 mil dólares, que seriam supostamente usados para pagamento de um dossiê que associava o candidato José Serra (PSDB) à máfia dos sanguessugas. O evento foi amplamente divulgado pelos órgãos de comunicação do país e sobretudo pelos adversários de Lula (PT) na disputa eleitoral, em especial, o candidato tucano Alckmin, que usou o tempo do horário gratuito de propaganda eleitoral (HGPE) para explorar o tema.

Conforme aponta a Gráfico 3.1 de intenção de votos, o candidato à reeleição, Lula (PT), perdeu, após o escândalo do dossiê, 2 pontos percentuais nas pesquisas, que marcavam 50% das intenções de votos nos dias 11 e 12 de setembro e passou para 49%

nos dias 22 e 27 de setembro de 2006. Em contrapartida, o candidato Alckmin (PSDB) cresceu 5 pontos percentuais e passou de 29% das intenções de voto, na pesquisa realizada entre os dias 11 e 12 setembro, para 33% em 27 de setembro de 2006. Já a candidata do PSOL, Heloísa Helena manteve a curva de declínio e obteve 8% das intenções de voto na pesquisa de 27 de setembro do mesmo ano.

A candidatura do Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sofreu o maior declínio às vésperas do primeiro turno eleitoral, quando o candidato petista apresentou uma queda de 3 pontos percentuais, alcançando 46% das intenções de voto, na pesquisa realizada entre os dias 29 e 30 de setembro. Coimbra (2006, p. 197) atribuiu o declínio de Lula à ausência do candidato petista no último debate da Rede Globo, realizado no dia 28 de setembro de 2006. A queda de Lula (PT), atrelada ao crescimento do candidato Geraldo Alckmin (PSDB), que nas pesquisas alcançava 35% das intenções de voto, já indicava que a disputa iria para o segundo turno.

Nem mesmo a vantagem eleitoral que o candidato petista Lula obtinha nas regiões Nordeste e Norte do país seria suficiente para permitir sua vitória no primeiro turno. O Gráfico 3.2, de intenção de votos por região, realizado pelo Instituto de Pesquisa Datafolha apontava as posições de Lula (PT), Alckmin (PSDB) e Heloísa Helena (PSOL) na corrida presidencial.

Gráfico 3.2 – Intenção de voto por região38

Fica visível no Gráfico 3.2 que, na região Sul, o candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva, (PT) tinha o pior desempenho, já que, na média das pesquisas realizadas entre 29 de agosto e 27 de setembro, obteve 34% pontos percentuais, ao passo que seu adversário Geraldo Alckmin (PSDB) somou 42% das intenções de voto. As pesquisas de intenção de voto mostravam ainda que, na região Nordeste, o candidato Lula (PT) obtinha significativa vantagem eleitoral sobre seu adversário Alckmin (PSDB), conquistando uma média de 70% das intenções de voto, contra 17% do segundo colocado na disputa.

Na região Norte, Lula (PT) também obtinha vantagem sobre seu adversário Alckmin (PSDB), mas o inverso acontecia no Centro-Oeste do Brasil. A junção das duas regiões, exposta nas pesquisas do Instituto Datafolha, sugere um empate entre Lula e Alckmin, com pequena margem de vantagem para o candidato petista, que somava uma média de 46% das intenções de voto, contra 40% do candidato do PSDB. O Sudeste também indicava uma pequena vantagem para o candidato Lula (PT), que obtinha a média de 42% das intenções de voto, enquanto Alckmin (PSDB) contava com 37%.

A candidata do PSOL, Heloísa Helena, que se mantinha em terceiro lugar na disputa, apresentava melhor desempenho na região Sudeste do país, onde alcançava a

38 Intenção de voto por região. Disponível em:

média de 10 pontos percentuais, ao lado do baixo índice no Nordeste, onde obtinha apenas 6% das intenções de voto. Nas regiões Norte e Centro-Oeste, a pesquisa apontava a média de 7% das intenções de voto para a candidata e, no Sul do país, o percentual alcançava 9 pontos.

O baixo desempenho do candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na região Sul, ao lado da preferência dos eleitores nas regiões Norte e Nordeste, também aparecia em pesquisas realizadas por outros órgãos especializados. Como exemplo, tome- se a pesquisa realizada pelo CNI/Ibope,39 entre os dias 5 e 7 de junho de 2006, com a amostra de 2002 sulistas, que apontava que os eleitores da região atribuíam as piores avaliações ao governo Lula (PT), com índice de reprovação de 51%, contra 42% de aprovação. A mesma pesquisa cita que, na região Nordeste, o candidato Lula obtinha o maior índice de aprovação, com 53% da população considerando seu governo entre “ótimo e bom”.

Durante todo o período eleitoral, o bom desempenho do candidato à reeleição Lula (PT), principalmente nas regiões Norte e Nordeste, era relacionado aos projetos sociais criados durante sua gestão, sendo também influenciado pela divulgação de uma imagem de estabilidade econômica do país, naquilo que compunha o cenário político e social da época.

In document CMI REPORT (sider 22-28)