Chapter 2. Civil War in Nepal (1996-2006)
2.5 Peace Efforts
2.5.3 Empowerment Efforts
A combinação do conhecimento envolve a integração de conjuntos diferentes de conhecimento explícito. Corresponde à criação de ambientes nos quais as pessoas possam trocar e combinar conhecimentos através de vários canais46 (NONAKA; TAKEUCHI, 1997).
Esse foi o modo predominante na experiência reflexiva, em torno da atividade escolhida pelo consultor Gauss – formação para organização de apresentações em encontros técnicos –, tendo como público profissionais que atuam no campo de produção na UN-RNCE. O consultor nos traz informações interessantes sobre a vivência para a sua formação e para a dos profissionais, conforme Quadro 16.
Quadro 16
A sessão reflexiva e a combinação do conhecimento
EXTRATO DA SESSÃO COM O SENTIDO DA COMBINAÇÃO Consultor Gauss
O consultor Gauss tinha como objetivo na prática escolhida dar uma formação para os colegas do campo sobre como apresentar trabalhos em eventos técnicos. Por isso, escolheu a atividade: orientação para organização de apresentações em encontros técnicos.
Durante a sessão de videogravação, organizou o ambiente, deixando as cadeiras em formato de U para facilitar o contato entre os participantes. Buscou também disponibilizar os recursos audiovisuais para as aprensentações.
Na sessão reflexiva, retomou o contato com o roteiro para reflexão distribuído anteriormente, passando a fazer os comentários conforme a sequência desse roteiro.
Falando sobre o que fez na prática, ele comenta: “[...] instrui os profissionais na preparação das apresentações de encontros técnicos. Ajudei a se organizarem para transformar o conhecimento de suas práticas no conhecimento explicito”.
Sobre o modo de conversão durante a prática, fez a observação de que ocorreu a combinação entre os participantes quando compartilhavam as experiências quanto à organização das apresentações de cada um. Destaca que houve a externalização da parte dele expondo para os colegas a sua experiência como palestrante.
Comentando sobre o significado dessa prática para ele, relata: “[...] senti que despertei o interesse em participar de eventos técnicos para combinação do conhecimento no ambito da Companhia”.
“[...] a falta de envolvimento deles nesses eventos era um problema para mim”. “[...] foi uma iniciativa que deu resultado”.
Refletindo sobre as causas de atuação nessa prática, o consultor reporta-se: “[...] a base do
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EXTRATO DA SESSÃO COM O SENTIDO DA COMBINAÇÃO Consultor Gauss
conhecimento como palestrante e as vivências sobre a estrutura da organização, a didática sobre apresentações”. Observa as dificuldades no sentido de ajudá-los a enfrentar o medo do público, realçando as facilidades em função do potencial de conhecimento desses profissionais nas suas práticas de campo.
Explicando sobre as mudanças que faria nessa prática para torná-la melhor, relata:
“[...] teria feito o planjamento da apresentação e apresentado antes para controlar melhor o tempo [...]”. “[...] teria mais foco [...]”. “[...] daria mais dicas”. “[...] teria trabalhado mais a coragem deles para interagir com uma platéia. [...] dado mais suporte didático e ânimo emocional”.
O consultor Gauss, vendo-se nas imagens, faz alguns comentários ressaltando inicialmente o duplo modo de conversão presente na prática, embora, depois, enfatize que a
combinação é o modo predominante. Esse consultor nos passa a percepção que teve na prática
sobre o poder da reflexão, falando sobre os motivos que originaram “uma relativa omissão em outras oportunidades”, associados ao potencial que os profissionais têm e às oportunidades para combinação com outros profissionais da Companhia por meio de eventos técnicos internos.
A combinação do conhecimento, como modo preponderante na prática escolhida pelo consultor Gauss, envolve a mediação dele na combinação de diferentes conhecimentos que são explicitados pelos profissionais em formação, por meio da explicitação de cada um sobre a apresentação que estão organizando para participar nos eventos técnicos, ensejando as várias oportunidades de combinação do conhecimento.
A interpretação dos sentidos dos discursos durante as entrevistas nos trouxeram claras evidências quanto à sólida experiência dos consultores, com a acumulação dos saberes nas ações ao longo do tempo na Petrobras. Tal fato possibilita para eles uma infinidade de experiências de combinação de saberes, não só no âmbito da unidade em que atuam, mas também no âmbito da Companhia. Falando sobre suas experiências quanto à troca de conhecimentos através das comunidades de práticas, a consultora Renata nos relata: “[…] você já tentou o procedimento Y? Tente. Tive um problema semelhante e comigo deu certo”.
Essas “comunidades de práticas” integram um conjunto de medidas que a Petrobras vem adotando no sentido de viabilizar a troca e a retenção do conhecimento. Essas comunidades estão incorporadas às ações cotidianas dos consultores na combinação do conhecimento e são evidenciadas no discurso do consultor Vivo:
[…] a empresa está tomando algumas ações: criando as comunidades práticas para reter o conhecimento que está na cabeça dos funcionários através dos registros das melhores práticas para acesso pela intranet. Tem criado também eventos internos: seminários, congressos, fóruns técnicos para difundir as melhores práticas […].
O sentido que essa fala nos traz é de que a Companhia atua no sentido de dar suporte estrutural e técnico, facilitando as experiências de combinação do conhecimento. O registro das melhores práticas para consulta por meio da intranet, se elaborado mediante a prática reflexiva, compreende, a nosso ver, um espaço apropriado para a “reflexão-sobre-a-ação”, constituindo-se como uma experiência epistêmica. É uma prática, também, que possibilita a “reflexão-na-ação” de quem consulta, conduzindo à geração do “conhecimento-na-ação”.
Pensamos, portanto, que considerar essas questões na formação, mediante a prática reflexiva, possibilitaria uma outra relação e um outro olhar desses profissionais para as suas práticas e, entre elas, para as melhorias nas suas ações enquanto formadores, ao encará-las como um recurso para trazer à superfície das teorias (dos saberes) da prática para análise crítica e discussão. Integrar a prática reflexiva na combinação como um modo de conversão do conhecimento conduziria a experiências sistematizadas de exposição e exame das suas teorias (saberes) práticas, para si próprio e para os seus colaboradores, tendo assim mais possibilidades de perceberem suas falhas enquanto formadores no percurso das práticas (ZEICHNER, 1993).
As comunidades práticas na Petrobras possibilitam a troca de conhecimento entre os profissionais que atuam tanto na mesma Unidade, como aqueles que agem em áreas de negócios diferentes na Companhia, envolvendo uma diversidade de experiências formativas mediante a combinação do conhecimento. Essas comunidades são formadas por técnicos de diversos órgãos, transpassando a estrutura hierárquica da Companhia e localizados em diferentes regiões do país. As comunicações geralmente são feitas mediante o uso da intranet e constituem-se, portanto, como um recurso para combinação de conhecimento nas mais diversas áreas e dimensões.
A participação nessas comunidades representa um espaço para a formação das pessoas ao buscarem, entre elas, o conhecimento de que necessitam para resolver problemas nas práticas cotidianas do trabalho. Stewart (1998) considera as comunidades de prática como “oficina do capital humano”, devido à sua capacidade para transferência do conhecimento e inovação.
Relatando uma de suas experiências na combinação do conhecimento, o consultor Charles Albert nos relata: “os consultores foram os primeiros profissionais da Companhia a serem convidados para integrarem as páginas amarelas e as comunidades práticas47 para
repassar o conhecimento. […] nós consultores participamos de fóruns para validação das melhores práticas […] acessadas pela intranet”. Nesse discurso, o consultor reforça o nosso entendimento sobre a implicação de suas práticas na combinação de várias formas de conversão do conhecimento e o prazer de ser reconhecido e de participar da política da empresa.
Constatamos na interpretação dos sentidos das falas durante as entrevistas que, pelo porte da empresa em estudo, são estruturados vários mecanismos instrumentais, no sentido de viabilizar a combinação como modo de conversão do conhecimento, por meio de estratégias subjetivas, adotadas para facilitar a combinação do conhecimento, presente ou virtual.
Contudo, apesar da disponibilização dos recursos instrumentais pela Companhia para geração do conhecimento, uma das situações dilemáticas dos consultores é não saber como fazer para viabilizar a socialização e a externalização do conhecimento. Essas situações são relatadas em um dos discursos do consultor Rengaw: “[…] a gente não tem uma formação para saber ensinar coisas às pessoas, para saber como se relacionar com elas quando estamos ensinando. A gente se comporta em relação a isso de acordo com o que vamos aprendendo no dia-a-dia”.
Encontramos, ainda, um espaço para a formação nas práticas cotidianas, mediante a
combinação do conhecimento, na interpretação dos sentidos do discurso do consultor Alberto,
ao afirmar: “[…] o ensinamento é feito enquanto a atividade está acontecendo. Criamos um ambiente para resolução de problemas. Trocando ideias. Escutando uns aos outros. Com isso, a solução flui. Temos que resolver o problema na hora”.
Os sentidos que decorrem da interpretação dessa fala, nos induzem a visualizar vários pontos de formação através da combinação, como modo de conversão do conhecimento. Isso nos traz muita segurança para a nossa compreensão quanto aos ganhos que a adoção da prática reflexiva pode acarretar para a formação dos consultores enquanto formadores ativos nas práticas do trabalho ao considerarem na prática reflexiva as dimensões formativas mencionadas.
47
As páginas amarelas e as comunidades práticas foram instituídas pela Petrobras como elementos instrumentais na Gestação do Conhecimento para facilitar as trocas de conhecimento entre diferentes Unidades da Empresa.
Vislumbramos que, ao atuarem de forma reflexiva e consciente, juntamente com os seus colaboradores, esses consultores, para além da sólida experiência acumulada ao longo do tempo na Companhia, somariam a ela os saberes que emergiram da reflexão sobre suas práticas. Como afirma Zeichner (1993, p. 21), “umas das maneiras de pensar o ensino reflexivo é tornar mais consciente os saberes tácitos adquiridos nas práticas cotidianas”.