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Empirical methods and findings of the papers

4. Summary of empirical findings and concluding implications

4.1 Empirical methods and findings of the papers

A palavra biblioteca, a partir das raízes latina biblíon e théke, remete à interpretação de uma coleção de livros (FONSECA, 2007). A história das bibliotecas mostra a sua criação vinculada à proteção e ao colecionismo, como um invólucro protetor de acervos e de coleções simples e complexas.

Com o passar dos anos, a função social das bibliotecas foi se edificando na prática e na teoria. Autores clássicos da área, como James Thompson (1977), Pandey Sharma (1987) e Shiyali Ramarita Ranganathan (2009), afirmam que as bibliotecas são criadas e conservadas para o uso da sociedade e são veículos para a educação, a informação, o registro histórico e a construção da cidadania. Logo, as bibliotecas, enquadradas em seu tempo e espaço, são elementos universais da cultura humana e, por meio delas, e de sua presença em diferentes classes sociais, culturas e instituições, preservam uma tradição, antecipam inovações e contribuem para mudanças sociais (MENESES-TELLO, 2005).

Tais valores são também evidenciados pelo Manifesto da International Federation of

Library Associations and Institutions (IFLA) e da Organização das Nações Unidas para a

educação, a ciência e a cultura (UNESCO) sobre bibliotecas públicas, de 1994. Nesse documento, apesar de direcionado para bibliotecas públicas, é possível encontrar considerações a respeito de os valores humanos, como a liberdade, a prosperidade, a ética e o desenvolvimento social e individual. De acordo com o Manifesto , os valores elencados só são realmente atingidos por cidadãos, se eles estiverem na posse de informações que lhes permitam exercer os seus direitos e ter um papel efetivo na sociedade. Com o intuito de

alcançar os valores descritos, a IFLA/UNESCO (1994) destacam o papel da educação, do acesso livre ao conhecimento, ao pensamento, à cultura e à informação. No documento, a biblioteca pública é chamada para liderar esse movimento. Todavia, é possível estender essa função a outros tipos de unidades de informação, por exemplo, às bibliotecas universitárias, as quais são um veículo para a efetivação dos direitos e funções descritos também.

A dimensão educativa dentro das bibliotecas começou a ser destacada quando seu trabalho principal, o de conservação, passou da conservação para a difusão de informações que essas unidades de informação possuíam sob suas tutelas. Por sua vez, a difusão motivou o aperfeiçoamento dos mecanismos que facilitariam o acesso a informações, tais como o aspecto de busca das informações.

A necessidade de compreender mecanismos e de captar a lógica de organização e funcionamento das bibliotecas e de outras instituições informacionais contribuiu para a instrução do usuário. A meta das bibliotecas consistia em propiciar um maior sucesso no processo de busca e de uso da informação logo nas primeiras práticas de formação de usuários (MARTÍ-LAHERA, 2007). Esse compromisso impresso fez-se mais forte nas bibliotecas públicas e, posteriormente, nas bibliotecas escolares e universitárias. As diferentes correntes pedagógicas e reformas educativas acabaram por integrar a biblioteca em seu contexto, tanto no sentido de conhecê-la e saber utilizá-la adequadamente quanto no sentido de contribuir para a formação básica do usuário (MARZAL, 2008).

Considerando os aspectos ressaltados, é possível observar a formação de usuários sob duas matizes. A primeira circunscreve sua formação a um processo técnico, no qual se faz a transmissão linear de conhecimentos de um especialista (profissional da informação) a um indivíduo, tendo como objetivo instruí-lo a usar determinada fonte ou serviço informativo, sem conhecer a real necessidade ou expectativa desse usuário. A segunda opção observa a formação como um processo didático, no qual se destaca os processos de ensino e aprendizagem e se consideram as necessidades expostas pelo usuário (HERNÁNDEZ SALAZAR, 2007).

Observamos que, sob a nomenclatura formação de usuários, agregam-se termos vinculados a diferentes ações e abrangência. Em uma revisão conceitual, Cordóba Gonzalez (1998) pontua que a prática apontou pelo menos três tendências aos conceitos de formação de usuário: o primeiro, e mais comum, é o que engloba o conceito instrução, também como descrito por Beluzzo (1989), de uma formação mais técnica, focada no manejo das fontes de

informação e das ferramentas. O segundo conceito mescla a instrução técnica, descrita anteriormente, com a divulgação mais detalhada e produtos e serviços, destacando a oferta, o conhecer, para posteriormente fazer uso dos serviços e produtos oferecidos. Já o terceiro conceito abrange exatamente a educação de usuários. Nessa perspectiva, o objetivo é atingir os potenciais usuários da informação e elaborar políticas que incentivem o seu desenvolvimento no trato informacional. Desse modo, o usuário poderá ser cada vez mais capaz de saber reconhecer o valor da informação e adotar atitudes proativas a respeito da sua necessidade informacional.

A revisão conceitual é apresentada conforme a organização expressa no Quadro 1:

Quadro 1 - Conceituação para termos vinculados a formação de usuários Termos Conceituação aplicável em Educação de usuários/Receptores em Serviços de

Informação e Comunicação

Educação

Processo pelo [qual] o usuário/receptor interioriza comportamentos adequados em relação à competência de acesso e ao uso da informação, desenvolvendo

habilidades de interação permanentes com os sistemas de informação e comunicação.

Formação Aquisição de conhecimentos e desenvolvimento de atitudes e de habilidades, conforme o tipo de usuário/receptor e suas necessidades de informação. Treinamento

Ações e/ou estratégias para desenvolver determinadas habilidades do usuário/receptor por desconhecer situações específicas de acesso e de uso da informação. Envolve-se, especificamente, o conhecimento de um conjunto de

meios necessários para tal. Instrução

Descrição rigorosa de procedimentos, acompanhada de pormenores, para o usuário/receptor manejar efetivamente os recursos informacionais existentes nos

mais variados suportes e formatos. Orientação

Ação de esclarecer ao usuário/receptor sobre a missão, valores, visão, layout, produtos e serviços oferecidos pelos serviços de informação e de comunicação,

sendo mais abrangente que a instrução.

Fonte: Beluzzo (2007, p.18). Atualização da publicação de 1989 da mesma autora.

As práticas de formação de usuários, notadamente aplicadas de 1850 a 1920, foram marcadas por iniciativas dispostas a conduzi-lo, ou seja, tratavam-no como seres passivos que deveriam ser orientados sobre o que fazer e como se comportar e sem influência para a geração de produtos e serviços de instituições informacionais. Nesse período, a maioria das ações centrava-se em palestras nas quais se destacavam os recursos que a biblioteca possuía. No entanto, cabe um destaque especial para as primeiras bibliotecas públicas americanas. Essas, ao planejarem e aplicarem suas atividades de leitura, tiveram a cautela de se acercarem de temas que já pontuavam aos usuários o valor da informação para o seu

desenvolvimento pessoal, cultural e econômico e social (NARANJO-VELEZ, 2005; CÁRDENAS CRISTIÁ; JIMÉNEZ HERNÁNDEZ, 2007).

Entre 1920 e 1970, as linhas de trabalho focadas no usuário se desenvolveram cada vez mais. No pós-guerra, destaca-se ainda mais o papel educativo e social das bibliotecas, como uma das fontes para se sobrepujar os problemas da sociedade à época. O desenvolvimento científico e o caráter de centro de aprendizagem designado às bibliotecas, após a década de 1960, elevaram o status da formação de usuários como uma matéria chave na formação do bibliotecário (NARANJO-VELEZ, 2005; CÁRDENAS CRISTIÁ; JIMÉNEZ HERNÁNDEZ, 2007).

A partir da década de 1970, a discussão sobre a importância da formação de usuários se multiplicou com a sua inclusão nos importantes eventos e fóruns de discussão da área. Nesta mesma década, países da América do Sul, como o caso do Brasil, adentraram na discussão e na incorporam em seu cenário educativo com mais força. Uma importante publicação, em 1974, foi o relatório The information service environment relationships and

priorities, de Paul Zurkowski, que mencionou, pela primeira vez, o termo Information Literacy nos Estados Unidos (BELUZZO; MACEDO, 1990; CAREGNATO, 2000; NARANJO-

VELEZ, 2005; CÁRDENAS CRISTIÁ; JIMÉNEZ HERNÁNDEZ, 2007).

A década de 1980 foi um momento transitório de grande importância para os estudos a respeito de formação de usuários. Nesse período, a importância da temática se consolidou e os termos chave foram sobre, em um primeiro momento, a instrução bibliográfica e, posteriormente, sobre a própria conotação de formação de usuário, já presente na maioria das bibliotecas. Ainda na década de 1980, a American Library Association (ALA) destacou a importância da formação como um serviço primordial para as bibliotecas universitárias. Os conhecimentos construídos até o momento e o pungente desenvolvimento das tecnologias de informação e comunicação (TIC) imprimiram a necessidade de ser rever o conceito/atividade. Era necessário, portanto, reavaliá-los, também, de acordo com os novos modelos pedagógicos, bem como os novos perfis e necessidades das comunidades usuárias. Essa necessidade leva a ALA a publicar, em 1989, novos documentos e apresentar a sua definição de Information Literacy, termo em língua inglesa para Competência Informacional (NARANJO-VELEZ, 2005).

Uma série de fatores contribuiu para a mudança da formação de usuários para Competência Informacional, como destacam as autoras Cárdenas Cristiá e Jiménez Hernández (2007) e Carvalho (2008):

 A explosão informacional e o valor agregado e estratégico atribuído à informação;

 O exponencial crescimento das TIC´s;

 O fim da Era Industrial e o surgimento da Era da Informação ou do conhecimento, com suas respectivas Sociedade da Informação ou Sociedade do Conhecimento;

 A consolidação dos estudos da área de Ciência da Informação;

 A importância do papel dos usuários para as instituições, sendo considerado agora o centro das atividades;

 O surgimento da Internet, as novas configurações das bibliotecas e seus novos serviços digitais;

 O rápido crescimento de um mundo próprio na web, com novas necessidades informacionais e novas formas de tratamento e acesso a informação

 O novo papel do profissional da informação.

Em suma, é possível observar que a preocupação com o desenvolvimento de habilidades, com as atitudes e com os conhecimentos no usuário vem de longa data. Também, podemos observar que, conforme a inquietação em relação ao usuário foi se ampliando, o seu conceito ficou mais abrangente, aderindo à questão do ensino e da aprendizagem, ou seja, passando de formação de usuário à educação de usuários. Essa mudança envolve a interiorização de novas habilidades e atitudes e o desenvolvimento de novos conhecimentos com relação ao trato informacional, enfatizando a importância da ação cognitiva e comportamental do usuário e não mais apenas da técnica.

Além disso, devem ser pontuadas a influência do meio e a ação transformadora no indivíduo e na sociedade com o intuito de demonstrar a importância da educação de usuários de uma maneira holística na vida do mesmo. É preciso ressaltar que se entende, como importância, o papel social da educação de usuários, auxiliando na criação de uma postura mais crítica, criativa e proativa com relação à informação - seja individual ou

coletivamente, no momento e, em especial, ao longo de sua vida, sob aspectos que incluam o conhecer, o acessar, o avaliar, o usar e o agir eticamente no contexto informacional. Alcançada plenamente, chegamos ao ponto que a educação de usuários se configura em Competência Informacional.