PRODUTIVA DE CAMPINA GRANDE ± 1985/1994
Como já foi demonstrado, no Capítulo 1, a segunda metade dos anos 1980 foi marcada pela retomada do crescimento econômico no Brasil, que pode ser visto pelo incremento no número de estabelecimentos, produção e emprego, muito embora essa última variável tenha crescido a taxas declinantes no período em estudo52.
Em Campina Grande essa retomada de crescimento implicou em um processo de reconfiguração industrial, acentuado na primeira metade nos anos 1990, devido a reestruturação produtiva, que reforçou a hegemonia produtiva de determinados segmentos industriais, e que consolidou uma industrialização fundada nas micro e pequenas empresas, embora ainda persistam as médias e grandes empresas, similarmente à economia brasileira. Antes de mostrar-se a nova configuração, é importante demonstrar a evolução industrial do período.
O gráfico 4.7 mostra a evolução da economia através do crescimento do número de estabelecimentos. Comparando-o com o 4.1, tornam-se visíveis diferentes rotas de crescimento no número de estabelecimentos. No Brasil, ocorreu um crescimento lento na segunda metade da década de 1980, com arrefecimento do mesmo no início dos anos 1990, mas sem ocorrer declínio significativo na totalidade dos estabelecimentos. Em Campina Grande, o número de estabelecimentos entrou em declínio acentuado no período 1991-1994.
Os gráficos 4.7 e 4.8 visibilizam um ciclo, tomando por base os estabelecimentos e o emprego. O período constitui-se de duas fases, nas quais ocorre retomada do crescimento econômico (1985/1990), seguida de uma recessão (1990/1994) que atingiu tanto os estabelecimentos quanto o emprego formal em todos os setores da economia campinense.
0,0 20,0 40,0 60,0 80,0 100,0 120,0 140,0 160,0 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 PRIMÁRIO INDUSTRIA SERVIÇOS TOTAL
Fonte: Elaborado pelo Autor com base nos dados da RAIS/MTE.
GRÁFICO 4.7 - Evolução do número de estabelecimentos em Campina Grande ± 1985=100
Deve-se ignorar o setor primário, e a categoria dos outros/ignorados, devido a ínfima importância do primeiro e ao aumento da eficiência no registro do segundo, a partir do uso da internet para o fornecimento das informações à RAIS.53 Como o objeto em estudo é o espaço urbano-industrial, foi excluído o
setor primário. Assim, pode-se observar no gráfico 4.7 que o número de indústrias e de empresas de serviços cresceu a partir de 1985, apresentando inflexão nos anos 1991-1994, sendo isso reflexo da recessão e da reestruturação produtiva 53 Antes de 1994, as informações fornecidas pelo empresariado, que compõem os dados da RAIS, eram apresentadas em formulário escrito e enviado ao MTE, o que deixava grandes vácuos de informações devido a inúmeros fatores, dos quais se destacam: a falta de cuidado, o erro no registro das informações, o descaso etc. A partir de 1994, essas informações passaram a ser fornecidas on line, possibilitando uma maior eficiência na coleta dos dados. Não se nega a possibilidade de equívocos nos dados devido à auto classificação dos mesmos, mas entende-se que a distorção não invalida o uso das informações, além do que a contínua auto-classificação leva ao aprimoramento no fornecimento dos dados.
que afetaram grande diversidade de segmentos econômicos, repercutindo no número de estabelecimentos, principalmente na construção civil.
Entre 1991 e 1994 a queda no número de estabelecimentos de serviços e indústrias de Campina Grande foi abrupta. O declínio mostrado no gráfico 4.7 é visivelmente maior nos serviços devido ao fato de o mesmo apresentar elevado número de estabelecimentos de pequeno porte, mais suscetíveis às crises e recessões econômicas. No período em análise, a indústria perdeu 30% de seus
estabelecimentos, os serviços 37,8%, enquanto a economia em seu todo 33,9%.
0,0 50,0 100,0 150,0 200,0 250,0 300,0 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 IN D U S TR IA S ER V IÇ O S AG R O -P EC U Á R IA TO TA L G E R AL
Fonte: Elaborado pelo autor com base nos dados da RAIS/MTE.
GRÁFICO 4.8 ± Evolução Relativa do Emprego segundo grandes setores da economia 1985=100
No tocante aos dados do emprego, há maior similitude entre a evolução do emprego nacional e o municipal, ou seja, o emprego declinou na primeira metade dos anos 1990, tendo o setor primário apresentado as maiores inflexões, tanto para a redução (início dos anos 1990) quanto para o aumento do emprego (1994). O declínio no número de estabelecimentos implicou a diminuição do emprego formal nos mesmos. No gráfico 4.8, pode-se ver o declínio do número de trabalhadores formais nos setores da economia municipal. Entre 1985 e 1992, a indústria conservou um número superior a 10 mil trabalhadores empregados
formalmente, no entanto, a partir do ano seguinte, o contingente de empregados na indústria declina a nível inferior ao volume mantido nos anos citados.
Entre 1985 e 1994 o emprego e o número de estabelecimentos mantêm relação direta na indústria, ou seja, evoluem na mesma direção. Quanto aos serviços, essa relação apresenta-se ameaçada devido ao número de estabelecimentos crescer proporcionalmente mais que o volume de emprego. Um dado interessante dessa relação é, entre 1990 e 1991, o número de estabelecimentos de serviços continua crescendo enquanto o volume de emprego começa a diminuir. Nos anos seguintes, o declínio do número de estabelecimentos será proporcionalmente superior ao declínio do volume de emprego.
Nos quatros primeiros anos (1985/1989), o emprego formal apresentou significativo crescimento, tendo os serviços apresentado o maior crescimento no período. Esses dados confirmam a retomada do crescimento econômico do município, em que o emprego e o crescimento da produção guardam entre si relação diretamente proporcional. No entanto, no momento seguinte, o emprego formal, à exceção do setor primário, apresentou declínio, evidenciando a recessão do período. Nesse segundo momento, o declínio ocorrido anula praticamente o crescimento do período anterior, totalizando, no período em estudo (1985/1994), perdas significativas para o emprego. No total geral da economia, as perdas são de aproximadamente 3%, tendo a indústria reduzido em 10,7% os postos de trabalhos e os serviços 10,2%54.
Tabela 4.2 ± Crescimento anual do emprego formal em Campina Grande
SETORES 1986 1987 1988 1989 1985/1989 1990 1991 1992 1993 1994 1994/1990 1994/1985
PRIMARIO 21,3 13,5 -33,3 17,9 8,2 10,6 -20,5 -36,2 73,0 145,3 115,1 157,4
SECUNDARIO 13,0 -2,8 7,8 -3,9 13,8 3,4 -1,6 -10,9 -0,3 -13,2 -24,1 -10,7
SERVIÇOS 5,7 12,6 -1,8 0,6 17,6 2,4 -6,9 -4,4 -1,7 -14,7 -25,4 -10,2
TOTAL GERAL 8,2 9,8 4,1 -0,8 22,7 3,5 -3,1 -9,3 4,1 -16,9 -23,9 -3,3
Fonte: Elaborado com base nos dados da RAIS/MTE.
Os dados apresentados na tabela 4.2 indicam, pelo crescimento do emprego, tanto a retomada do crescimento econômico na segunda metade dos anos 1980, como também a recessão dos anos 1990, mostrando um ciclo no qual 54 Números absolutos se encontram na Tabela 3.E no apêndice.
o crescimento e o declínio do emprego se manifesta sucessivamente. A expansão do processo de reestruturação produtiva e a abertura comercial dos anos 1990 implicaram em transformações significativas para a economia em sua configuração produtiva, em especial a industrial, e, conseqüentemente, para o espaço urbano campinense.
Uma das implicações da reestruturação produtiva conjugada com a abertura comercial constituiu-se na rápida introdução de novas tecnologias já muito utilizadas fora do país. O uso e a produção dessas novas tecnologias, em especial, computadores e software foram, no Brasil, estimuladas via parques tecnológicos cuja institucionalização foi iniciada em 1984, consolidando-se a partir de 1987, quando foi criada a Associação Nacional das Entidades Promotoras de Empreendimentos de Tecnologias Avançadas (ANPROTEC), visando a estimular o desenvolvimento dos parques. Na segunda metade da década de 1980, o Brasil contava com 10 Parques Tecnológicos, dos quais apenas 1 situava-se no Nordeste ± o de Campina Grande ± os demais encontravam-se no Sudeste (6) e no Sul (3). Atualmente se destaca no Nordeste como principais produtores de tecnologia ligada à Informática ± os software ± Fortaleza, Recife e Campina Grande (CHAVES, 1997).
Campina Grande insere-se rapidamente neste contexto de avanço científico-tecnológico, através da criação de programas de incentivo ao desenvolvimento tecnológico pela Fundação Parque Tecnológico da Paraíba (PaqTc-Pb) que foi instituída em 1984, por iniciativa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), no âmbito do programa de apoio a pólos e parques tecnológicos, com o objetivo de criar condições favoráveis para a elevação do grau de interação entre o Sistema Nacional de Desenvolvimento Científico-Tecnológico e o setor produtivo regional.
Alguns fatores influenciaram significativamente na implantação de um Parque Tecnológico em Campina Grande. Destaca-se entre eles a existência de duas Universidades Públicas ± uma Federal e uma Estadual. O PaqTc-Pb procura promover o desenvolvimento tecnológico na Paraíba, através do incentivo à criação de empresas de base tecnológica e à difusão de informação tecnológica na região. Contando com o apoio de inúmeros Órgãos Governamentais55o PaqTc-
55...Ministério da Ciência e Tecnologia - MCT/CNPq/FINEP; Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República - SAE/PR; Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia - IBICT;
PB, além de gerenciar, abriga em sua estrutura, um dos núcleos do Programa Nacional de Software para Exportação - SOFTEX 2000,56 o Campina Grande
Software (CGSoft) que tem como objetivo apoiar as empresas de software que instalarem-se no Município. Criado em 1992, o CGSoft visa a incentivar no Município o desenvolvimento de empresas de base tecnológicas que possam produzir software para exportação. (CHAVES, 1997)
Desde sua fundação o PaqTc-Pb apóia a criação e consolidação de empresas. A partir de 1988, o PaqTc-Pb passou também a abrigar em sua sede pequenas empresas que se encontravam em estruturação. A atuação enquanto incubadora de empresas consolidou-se em 1988 e, em 1990, foi implantado o Sistema de Incubação de Empresas de Base Tecnológica, com capacidade para abrigar dez pequenas empresas, cujos atrativos consistiam em incentivos fiscais, construção de galpões empresarias, programas de bolsas tecnológicas, acesso a outros programas da Instituição, consultoria em gestão e mercado, entre outros. O desenvolvimento desse segmento impulsionou nas décadas seguintes o crescimento da indústria de informática, como também de serviços e atividades conexas gerando significativos volumes de tributação, aproximadamente 20% dos US$ 650 milhões da receita municipal.
4.3 - AS TRANSFORMAÇÕES RECENTES NA ECONOMIA CAMPINENSE ± 1994/2005
Entre 1994 e 2005, os efeitos da estabilização monetária, fruto do Plano Real, e os efeitos do processo de reestruturação produtiva já estavam consolidados. É nesse contexto que se materializou a nova configuração industrial campinense. A retomada do crescimento econômico, embora com baixas taxas, após a recessão dos anos 1990, implica significativo crescimento do número de
Centro de Ciências e Tecnologia da Universidade Federal da Paraíba - CCT/UFPB; Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste - SUDENE; Departamento de Ciência e Tecnologia - SICTCT/FUNCETI/FAPESQ; Secretaria Extraordinária do Desenvolvimento Econômico/PMCG; Serviço Brasileiro de Apoio a Pequena e Média Empresa - SEBRAE; Associação de Empresas de Base Tecnológica - AEBT; IBM do Brasil; Banco do Nordeste do Brasil S/A - BNB; Associação Brasileira das Instituições de Pesquisa Tecnológica Industrial - ABIPTI e o Núcleo do Programa Nacional de Desenvolvimento de Software para Exportação de Campina Grande - CGsoft/SOFTEX 2000
56...³O SOFTEX 2000 é um programa do Governo Federal coordenado pelo CNPq, que tem como objetivo transformar o Brasil num país produtor e distribuidor de software, com forte ênfase no setor exportador, atingindo 1% do mercado mundial até o ano 2000´(CHAVES, 1996)
estabelecimentos e do emprego, como também mudanças nos rendimentos pagos aos empregados. A indústria apresentou também significativo crescimento no número de estabelecimentos, embora não tanto quanto o setor de serviços. O setor agropecuário apresenta um crescimento sui generis devido muito mais a formalização e melhor captação das informações do que mesmo crescimento do setor. A melhor captação se deve a mudança metodológica ocorrida no levantamento dos dados pela RAIS/MTE. Quanto a construção civil, tanto a base sua evolução é caracterizada pelos pequenos empreendimentos, mas não se nega que o mesmo tenha crescido, mesmo que de forma atomizada.
0,0 100,0 200,0 300,0 400,0 500,0 600,0 700,0 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 Extrativa mineral Agro-pecuario Transformação Construçao civil Comércio Serviços Administraçao pública Total
Fonte: Elaborado com base nos dados da RAIS/MTE. Obs. Ano base 1985=100
GRÁFICO 4.9 - Evolução do Número de Estabelecimentos em Campina Grande, Segundo Grandes Setores 1994/2004
O gráfico 4.9 mostra a evolução do número de estabelecimentos dos setores produtivos em Campina Grande. O crescimento do segmento da construção civil evidencia um significativo crescimento das estruturas físicas da cidade. Com relação a 1985, o crescimento da construção civil supera relativamente os demais setores e apresenta-se em sexto lugar no número de estabelecimentos (tabela 4.3) e em décimo lugar na participação do emprego formal (tabela 4.4) na economia municipal. Esse fato deve-se em razão do setor ser hegemonicamente constituído por micro e pequenas empresas.
Quanto ao emprego, a indústria e os serviços apresentaram crescimento significativo, embora o crescimento do emprego na indústria (59,2%) tenha superado percentualmente o crescimento do emprego nos serviços (43%). O emprego total cresceu 44,3%.
0,0 50,0 100,0 150,0 200,0 250,0 300,0 350,0 400,0 450,0 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 Extrativa mineral Transformação Construçao civil Comércio Serviços Adm. pública Agropecuária TOTAL
Fonte: Elaborado com base nos dados da RAIS/MTE. Obs. Ano base 1985=100
Gráfico 4.10 - Evolução do Emprego Formal Segundo Segmentos Econômicos em Campina Grande 1994/200457
Nos últimos vinte anos, a configuração econômica campinense se alterou significativamente. A tabela 4.3 expressa as transformações no número de estabelecimentos, na configuração da economia. O comércio varejista apresenta- se como segmento hegemônico, responsável por quase 40% do número de estabelecimentos no município. Esse segmento absorve mais de 16% do emprego formal no município, ficando atrás apenas do segmento de administração pública direta e autarquias (18,8% em 2004)58. O comércio varejista campinense é reflexo histórico-econômico do desenvolvimento das atividades 57 Os dados dos setores agropecuário e extrativo mineral não significativos devido ao pequeno volume dos mesmos, implicando em alteração relativa significativa a pequenas mudanças no número absoluto.
58 O comércio varejista apresenta uma participação no número de estabelecimentos muito superior a sua participação no emprego devido ao fato desse segmento apresentar uma relação emprego-estabelecimento muito baixa. Em outras palavras, um estabelecimento no comércio varejista pode funcionar com poucos empregos formais, na prática, um único empregado, que pode ser o proprietário.
comerciais desse município no século XX, que declinaram em importância devido a inúmeros fatores exógenos (PEREIRA, 1998).
Tabela 4.3
PARTICIPAÇÃO DOS ESTABELECIMENTOS POR SUB-SETOR NA ECONOMIA CAMPINENSE (%)
SUB-SETORES 1985 1990 1994 1995 2000 2004
Extrativa mineral 0,3 0,3 0,4 0,3 0,3 0,1
Indústria de produtos minerais não metálicos 1,1 1,3 1,2 0,9 0,8 0,7
Indústria metalúrgica 1,2 1,5 1,1 1,1 1,0 1,0
Indústria mecânica 0,8 0,7 0,3 0,3 0,4 0,5
Indústria do material elétrico e de comunicações 0,4 0,4 0,4 0,4 0,4 0,3 Indústria do material de transporte 0,0 0,1 0,1 0,1 0,1 0,2 Indústria da madeira e do mobiliário 2,0 1,7 1,3 1,1 1,3 1,0 Indústria do papel, papelão, editorial e gráfica 1,1 1,0 1,0 0,8 0,9 0,8 Ind. da borracha, fumo, couros, peles, similares, ind. diversas 1,2 1,0 0,9 0,9 0,8 0,7 Ind. química de prod. farmacêuticos, vet., perfumaria, ... 0,9 0,8 1,3 1,1 1,3 1,5 Indústria têxtil do vestuário e artefatos de tecidos 2,2 2,8 3,2 4,5 3,2 2,5
Indústria de calçados 0,7 0,8 0,9 0,9 1,0 1,1
Indústria de produtos alimentícios, bebidas e álcool etílico 5,1 4,0 3,7 3,1 3,7 3,8 Serviços industriais de utilidade pública 0,2 0,2 0,4 0,2 0,2 0,1
Construção civil 2,3 5,8 4,4 6,1 5,6 4,4
Comércio varejista 37,7 34,8 37,3 37,7 38,4 39,0
Comércio atacadista 9,8 7,4 7,3 6,5 4,8 5,2
Instituições de crédito, seguros e capitalização 1,5 1,3 2,7 1,0 1,2 1,1 Com. e adm. de imóveis, valores mobiliários, serv. técnico... 7,4 6,4 5,0 5,3 8,1 8,5
Transportes e comunicações 4,9 3,2 4,7 3,0 2,9 2,8
Serv. de aloj., alim., reparação, manutenção, redação, etc.. 11,1 9,9 7,5 7,9 10,5 11,3
Serviços médicos, odontológicos e veterinários 4,3 3,3 6,5 7,3 8,5 8,2
Ensino 2,1 1,8 2,7 2,9 3,3 3,7
Administração pública direta e autárquica 0,6 0,3 0,8 0,2 0,3 0,3 Agricultura, silv., criação de animais, extrativismo vegetal... 0,8 0,8 0,7 0,9 1,3 1,2
Outros / ignorado 0,4 8,5 4,1 5,7 0,0 0,0
Total 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0
Fonte: Elaborado com base nos dados da RAIS/MTE.
Obs: Números na cor azul mostram os principais sub-setores da economia de Campina Grande, referente ao número de estabelecimentos.
Os segmentos em ascensão, frente aos que declinam, demonstram uma transformação produtiva e espacial59 no município. Nesses últimos anos, os segmentos de construção civil; de serviços médicos, odontológicos e veterinários; e, de ensino; praticamente duplicaram sua participação no número de estabelecimentos. Enquanto, sub-setores, como os de Madeira e mobiliário; 59 A dimensão espacial será estudada no capítulo seguinte.
comércio atacadista60; transporte e comunicações perderam grande parte de sua participação nos quantum de estabelecimentos.
Tabela 4.4
PARTICIPAÇÃO DO EMPREGO FORMAL POR SUB-SETOR NA ECONOMIA CAMPINENSE (%)
sub-setores da economia 1985 1990 1995 2000 2004
Extrativa mineral 0,5 0,4 0,5 0,7 0,3
Indústria de produtos minerais não metálicos 2,7 1,6 1,5 1,2 0,9
Indústria metalúrgica 1,7 2,1 1,2 1,1 1,2
Indústria mecânica 1,0 0,3 0,3 0,3 0,3
Indústria do material elétrico e de comunicações 1,1 0,9 0,9 0,6 0,6
Indústria do material de transporte 0,0 0,0 0,1 0,1 0,1
Indústria da madeira e do mobiliário 0,6 0,4 0,4 0,7 0,7
Indústria do papel, papelão, editorial e gráfica 1,6 1,3 1,1 1,3 1,7 Ind. da borracha, fumo, couros, peles, similares, ind. diversas 3,8 4,5 0,7 1,0 0,9 Ind. química de produtos farmacêuticos, veterinários, perfumaria, ... 2,2 1,6 1,8 1,9 2,0 Indústria têxtil do vestuário e artefatos de tecidos 3,8 3,6 5,8 6,3 4,7
Indústria de calçados 1,3 2,2 2,2 5,6 7,3
Indústria de produtos alimentícios, bebidas e álcool etílico 6,0 5,3 3,9 3,7 3,3 Serviços industriais de utilidade pública 3,4 2,0 2,9 1,8 1,6
Construção civil 4,0 5,0 3,2 5,1 3,5
Comércio varejista 15,2 13,5 16,1 16,6 16,7
Comércio atacadista 4,0 3,2 3,3 3,4 3,5
Instituições de crédito, seguros e capitalização 4,2 2,9 2,3 1,3 1,0 Com. e administração de imóveis, valores mob., serv. técnico... 2,7 3,1 3,1 5,0 5,4
Transportes e comunicações 5,3 4,7 5,8 5,3 4,0
Serv. de alojamento, alimentação, reparação, manut., redação, r... 12,6 9,2 5,6 8,0 7,1
Serviços médicos, odontológicos e veterinários 4,0 5,6 7,0 6,3 5,7
Ensino 2,2 2,1 8,2 7,5 8,3
Administração pública direta e autárquica 15,5 17,9 19,7 15,0 18,8
Agricultura, silvicultura, criação de animais, extrativismo vegetal... 0,2 0,2 0,4 0,5 0,5
Outros / ignorado 0,5 6,4 2,1 0,0 0,0
TOTAL GERAL 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0
Fonte: Elaborado com base nos dados da RAIS/MTE.
Obs: Números na cor azul mostram os principais sub-setores da economia de Campina Grande, referente ao número de empregos.
Do ponto de vista do emprego, alguns dados reforçam o papel de determinados segmentos econômicos. Por exemplo, o do comércio varejista emprega mais de 16% dos trabalhadores no município. O segmento que mais emprega, como já foi informado, é o de administração pública e autarquias, com 60 Sobre o declínio do comércio atacadista de Campina Grande, ver: PEREIRA (1998).
mais de 18% do emprego formal municipal, seguido pelo varejo, pelo ensino, pela indústria calçadista e pelo segmento de alojamento, alimentação, reparação, manutenção etc.
As especificidades dos segmentos industriais serão discutidas na seção seguinte, no entanto, deve-se destacar a evolução da indústria têxtil, que vinha apresentando crescimento significativo na configuração produtiva campinense, desde os anos 1980. A configuração produtiva de Campina Grande concentra a maior parte do emprego nos segmentos anteriormente mencionados.
Tabela 4.5
Participação dos estabelecimentos de Campina Grande no número de estabelecimentos da Paraíba e no Nordeste (%) ± 1985/2004
CG/PB CG/NE
SUB-SETORES DA ECONOMIA 1985 2004 1985 2004
Extrativa mineral 17,9 6,3 1,3 0,6
Indústria de produtos minerais não metálicos 20,2 15,5 1,6 1,1
Indústria metalúrgica 47,7 28,7 2,9 2,1
Indústria mecânica 68,4 46,0 4,2 3,6
Indústria do material elétrico e de comunicações 75,0 65,2 3,9 5,1
Indústria do material de transporte 0,0 35,0 0,0 1,9
Indústria da madeira e do mobiliário 34,0 34,8 2,1 1,8
Indústria do papel, papelão, editorial e gráfica 26,9 20,8 1,9 1,5
Ind. da borracha, fumo, couros, peles, similares, ind. diversas 42,9 33,0 3,2 2,5
Ind. química de produtos farmacêuticos, veterinários, perfumaria, ... 25,0 39,9 1,7 3,0
Indústria têxtil do vestuário e artefatos de tecidos 32,5 32,1 2,6 1,8
Indústria de calçados 44,4 46,6 6,0 9,5
Indústria de produtos alimentícios, bebidas e álcool etílico 23,8 19,6 2,4 1,8
Serviços industriais de utilidade pública 3,6 4,4 0,5 0,4
Construção civil 17,5 13,3 1,3 1,3
Comércio varejista 24,2 18,0 1,5 1,2
Comércio atacadista 41,0 28,3 2,8 1,6
Instituições de crédito, seguros e capitalização 6,5 14,8 0,6 1,0
Com. e administração de imóveis, valores mobiliários, serv. técnico... 23,1 13,0 1,2 1,0
Transportes e comunicações 21,3 17,8 1,8 1,1
Serv. de alojamento, alimentação, reparação, manutenção, redação, r... 20,0 19,5 1,4 1,3
Serviços médicos, odontológicos e veterinários 24,2 25,1 2,2 2,1
Ensino 24,7 23,9 1,9 1,9
Administração pública direta e autárquica 3,4 2,6 0,4 0,3
Agricultura, silvicultura, criação de animais, extrativismo vegetal... 13,3 5,4 0,7 0,2
Outros / ignorado 19,4 0,0 0,9 0,0
Total 22,7 18,1 1,6 1,3
Fonte: Elaborado com base nos dados da RAIS/MTE.
Obs: Números na cor azul mostram os sub-setores da economia que ampliaram e em vermelho os que diminuíram suas respectivas participações no numero de estabelecimentos em Campina Grande.
Esses cinco segmentos concentram quase 60% de todo o emprego formal do município em 2004. O emprego mostra-se importante devido ao fato de que o mesmo está diretamente ligado ao nível de renda e de produção no município. O segmento de administração pública cresce em participação, principalmente em anos de crise econômica, como evidenciam os dados apresentados pelos anos de recessão na década de 1990.
Quando se observa a evolução da participação dos estabelecimentos campinenses frente ao estado e a região, em geral ocorre declínio da participação municipal. Esse fato deve-se ao crescimento mais rápido de outros municípios nordestinos em relação ao de Campina Grande, resultado do maior investimento público e privado nesses municípios. No entanto, quatro segmentos, sendo três industriais e um de serviços61, apresentam crescimento de sua participação tanto no estado como na região. Desses segmentos, a indústria calçadista campinense apresenta maior importância por possuir, em 2004, 9,5% de todos os estabelecimentos do Nordeste e 46,6% dos da Paraíba. Essa participação mostra-se crescente desde a segunda metade dos anos 1980, acentuando-se na segunda metade dos anos 1990, quando o processo de re-localização da indústria calçadista, reflexo da reestruturação produtiva, favoreceu a implantação e o crescimento dos estabelecimentos no município. O crescimento desse segmento vem consolidar a função do município como um dos grandes provedores nacionais desse produto.
A indústria química de produtos farmacêuticos, veterinários e perfumaria apresentou significativo crescimento, tanto frente ao estado quanto à região,