11. Embedding Theorems
11.5. Embedding AF-groupoids
Analisaremos o questionário final66 aplicado ao término do Projeto de Tradução que investigou os efeitos das aulas do projeto relativos aos temas apresentados, textos selecionados, tarefas de tradução, uso de LM e aspectos da tradução. Informamos que catorze alunos da T1 e vinte alunos da T2 responderam ao questionário, totalizando 34 respondentes.
Em resposta à questão 1, os alunos da T1 classificaram os temas como interessantes (13), motivadores (11) e relevantes (6), enquanto os alunos da T2 apresentaram a seguinte ordem: motivadores (18), interessantes (17) e relevantes (10). Todos concordaram que os temas não foram irrelevantes (0), nem entediantes (0).
Os textos selecionados (questão 2) foram classificados como adequados ao nível lingüístico dos alunos (28). Dentre os seis itens relacionados às tarefas de tradução (questão 3), os alunos perceberam que elas: a) foram integradas às demais habilidades lingüísticas (31), b) permitiram perceber semelhanças e diferenças entre a LM e a LE (31), c) permitiram trabalhar o aspecto comunicativo da língua (22), e, d) permitiram negociar diferentes soluções em sala de aula (20). Os dois itens menos significativos apontados pelos alunos corresponderam a minha expectativa, de atrelar a tradução à correção gramatical (5) e de gastar um tempo significativo em detrimento de outras habilidades (0).
Quando perguntados a respeito dos benefícios da tradução (questão 4), os alunos reconheceram que ela: a) ajudou a adquirir novos conhecimentos (29), b) ajudou a melhorar o vocabulário (29), c) ajudou a perceber diferenças e semelhanças entre a LM e a LE (27), d) ajudou a perceber diferenças culturais (25), e) promoveu atividades comunicativas em sala de aula (24), f) ajudou a aperfeiçoar a competência lingüística na LE (23), g) ajudou a melhorar a redação (12), e, h) ajudou a aperfeiçoar a competência lingüística na LM (5).
Os alunos reconheceram também o uso de LM (questão 5) como benéfico (18), enquanto outros afirmaram que seu uso não alterou sua motivação para utilizar a LE (14), argumento frequentemente utilizado por quem se posicionou contra o uso de
que dificultam a compreensão dos textos (31), b) entender o texto, mas não conseguir uma expressão adequada na LM67(28), e, c) adequar o vocabulário ao tipo de texto (15). Quando detectaram problemas na tradução (questão 7), os alunos identificaram três soluções principais: a) pensar em substituir a palavra ou expressão por não ter conseguido encontrar uma boa opção na língua de chegada (28), b) recorrer a dicionários para encontrar uma possível sugestão (27) e, c) consultar a professora- pesquisadora (21).
Os alunos indicaram que o processo usado para interpretar e traduzir os textos (questão 8) incluiu na T1 ler por partes e traduzi-lo literalmente (8), e na T2 ler antes todo o texto para saber de que se trata para depois traduzi-lo (13). O resultado da T1 me surpreendeu, pois discutíamos muito essa questão de fragmentação do texto e literalidade em nossas aulas. Talvez, por isso, os produtos das traduções da T2 apresentavam-se melhor elaborados.
As crenças dos alunos, ao término do projeto, indicaram que traduzir (questão 9):
01. ajuda a resolver bloqueios 02. é divertido
03. compensa o esforço exigido 04. gera segurança 05. ameniza a ansiedade (26) (23) (22) (18) (12) 06. dá medo 07. é chato 08. é perda de tempo 09. gera bloqueios
10. outros: amplia vocabulário, melhora a LE e a LM e auxilia no dia-a-dia (1) (1) (0) (0) (3)
Tabela 4 – Crenças acerca da tradução
O resultado acima confronta claramente muitas crenças errôneas e arraigadas de muitos professores difundidas como empecilho à aprendizagem da LE e discutidas em todo o trabalho até então. Vejamos a opinião dos alunos sobre o Projeto de Tradução (questão 11), conforme tabela a seguir:
01. foi um curso diferente que atendeu minhas expectativas 02. foi um meio interessante de praticar meu inglês
03. mostrou-se uma ferramenta68 importante no ensino-aprendizagem de LE (inglês)
04. ajudou a compreender um pouco o processo tradutório
05. valorizou meus conhecimentos e experiências na LE (29) (28) (27) (20) (19)
06. ajudou a sanar a deficiência do curso regular
07. esclareceu as dificuldades em traduzir textos
08. valorizou meus conhecimentos e experiências na LM
09. ajudou a compreender bem o processo tradutório
10. foi um curso que não atendeu minhas expectativas
11. outros: gostei demais!
(16) (15) (10) (09) (0) (1)
Tabela 5 – Resultado das opiniões acerca do Projeto de Tradução
67 Retificamos a expressão ‘língua-alvo’ por língua materna no primeiro item da questão 06 do questionário final.
Minha grande expectativa ao término do Projeto era o de poder averiguar sua relevância na aprendizagem de LE, determinada pelos comportamentos e práticas reais que indicariam uma modificação nas crenças dos alunos acerca da tradução, principalmente aquela aplicada como forma de punição. Podemos reconhecer ganhos decorrentes de seu uso nos níveis afetivo e lingüístico, o que sugere seu uso como ato de comunicação, quebradas as barreiras psicológicas, com o aprimoramento dos conhecimentos dos aprendizes.
Perguntados sobre que tipo de tradução os alunos gostaram mais, oral ou escrita, (questão 12), obtivemos como resposta:
T1 Oral Escrita
Os motivos para a tradução oral incluem: rapidez, possibilita discussão, favorece participação e interação. Os motivos para a tradução escrita incluem: favorece o aprendizado, aprimora a compreensão de textos, favorece a assimilação do conhecimento, gera segurança, maior identificação, maior dificuldade, mais tempo.
(04) (10)
T2 Oral Escrita
Os motivos para a tradução oral incluem: favorece participação e interação, mais dinâmica, aprimora o vocabulário, oportunidade de trocas de experiências e conhecimentos, rapidez, maior identificação.
Os motivos para tradução escrita incluem: gera segurança, facilita a compreensão, favorece escolhas, mais tempo, é um desafio.
(10) (10)
Tabela 6 – Tipo de tradução mais apreciada no Projeto
Os resultados apresentados confirmaram minhas expectativas a partir das preferências relatadas pelos alunos durante as aulas e pelo desempenho diferenciado das duas turmas. A T1 afirmava que a tradução oral era mais difícil, por exigir mais rapidez e melhor fluência na LE. A T2 declarava achar a tradução oral um desafio que exigia maior rapidez, mas era mais informal que a escrita, mais complexa. A T2 também se destacava pela participação, melhor escolha na condução das traduções.
O domínio da professora-pesquisadora na aplicação das tarefas de tradução (questão 10) foi considerado muito bom (31) e bom (03), sendo, portanto, satisfatório do ponto de vista dos aprendizes. Passaremos agora à análise das entrevistas em que procuramos corroborar as idéias, impressões e crenças discutidas até aqui.