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Els instruments del darrer terç del segle XIV fins a finals del segle XV

4. El context

4.3. Els instruments del darrer terç del segle XIV fins a finals del segle XV

Para se compreender melhor no que consiste o letramento literário, faz-se importante, primeiramente, se entender o que significa letramento.

9 PAULINO, Graça. Leitura literária. Glossário Ceale. Disponível em:

Magda Soares (2014) esclarece que o termo letramento tem sua origem na palavra inglesa literacy, originada do latim litera (letra) com o sufixo -cy (que denota qualidade, condição, estado, fato de ser). Assim, o termo letramento, traduzido ao pé da letra para o português, configura-se como letra do latim litera mais o sufixo -mento que denota o resultado de uma ação (em depoimento, tem-se a ação de depor) e significa, assim, o resultado da ação de ensinar ou aprender a ler e a escrever.

Contudo, não se pode confundir, como orienta a autora, letramento com alfabetismo, já que há diferenças significativas entre eles. Alfabetismo é o estado ou qualidade daquele que é alfabetizado, isto é, daquele que aprendeu a ler e a escrever, que se apropriou da “tecnologia” do código escrito. Entenda-se “tecnologia” como o código linguístico escrito que permite o envolvimento nas práticas sociais que demandam o uso de tal código.

Já letramento é o estado ou a condição que adquire um indivíduo ou um grupo social como consequência da apropriação da tecnologia do ler e escrever. Dito de outra forma: é a utilização social da competência alfabética, incorporando-a as práticas sociais que a demandam, envolvendo-se em tais práticas. Sendo assim, ser letrado (no sentido ligado a letramento) tem abrangência superior ao conceito de alfabetismo e implica que nem sempre alguém precisa dominar o código escrito para dele fazer uso social conforme suas conveniências.

Exemplos simples dessa relação de não apropriação da tecnologia da escrita e de seu uso social em nosso dia a dia são citados por Soares (2014, p. 24), quando afirma que um adulto pode ser analfabeto sem, necessariamente, deixar de participar de práticas de uso da escrita, tais como: “se se interessa em ouvir a leitura de jornais feita por um alfabetizado, se recebe cartas que outros leem para ele, se dita cartas para que um alfabetizado as escreva [...], se pede a alguém que lhes leia avisos ou indicações afixados em algum lugar, esse analfabeto é, de certa forma, letrado [...]”. [grifo da autora]

O contrário também ocorre com aqueles que dominam o código escrito, logo os alfabetizados, mas que não sabem ou não conseguem fazer uso dele, no que tange a responder às muitas exigências contínuas de leitura e escrita postas pela sociedade. Esse fenômeno se evidenciou à medida em que o analfabetismo foi sendo superado no Brasil. São muitos os que, nesse sentido, “não leem livros, jornais, revistas, não sabem redigir um ofício, um requerimento, uma declaração [...], não conseguem encontrar informações num catálogo telefônico, num contrato de trabalho, numa conta de luz, numa bula de remédio...” (SOARES, 2014, p. 46)

É interessante insistir na distinção entre esses dois termos, pois, de acordo com Roxane Rojo (2009), em textos e pesquisas da década de 1980, eles foram, por vezes usados como sinônimos, pela proximidade de suas significações. Entretanto, alfabetismo, tem uma perspectiva psicológica e um foco individual bastante ditado pelas capacidades e competências (cognitivas e linguísticas) escolares e valorizadas de leitura e escrita (letramentos escolares e acadêmicos). Por outro lado, letramento é um termo que procura abranger os usos e práticas sociais de linguagem que, de uma maneira ou de outra, tem a escrita como base. Tais usos e práticas podem ser aqueles tidos como valorizados ou não, locais ou globais, e que englobam contextos sociais diversos (dentre os quais família, igreja, trabalho, mídias, escola etc.) sob um viés sociológico, antropológico e sociocultural.

No entendimento de Soares (2014), ler e escrever envolvem um conjunto de habilidades, comportamentos, conhecimentos que compõe um longo e complexo continuum, que vai desde o domínio da decodificação e do escrever o próprio nome até ler clássicos como Grandes Sertões Veredas, de Guimarães Rosa, e escrever uma tese de doutorado. A partir de que ponto desse continuun uma pessoa pode ser considerada alfabetizada e/ou letrada em leitura e escrita? Eis uma questão que conduz a conclusão de que há diferentes níveis de letramento, em função das necessidades, das demandas do indivíduo e de seu meio, do contexto social e cultural.

Também se fala atualmente em diferentes enfoques de letramento, como resultados de novos estudos nessa área. Brian Vincent Street (1993 apud ROJO, 2009, p. 99) propunha uma divisão entre dois enfoques: o autônomo e o ideológico. Soares (1998 apud ROJO 2009, p. 99) por sua vez, ligada à reflexão de Street, propõe as versões fraca e forte do conceito de letramento. A versão fraca está relacionada ao enfoque autônomo, o qual considera o letramento como processo que independe do contexto social e que por si só (por sua natureza autônoma), desenvolve, gradualmente, habilidades que garantiriam o alcance de níveis universais de desenvolvimento.

Por essa perspectiva de letramento, a escola e os alunos, então, são os responsáveis pelo não desenvolvimento das competências requeridas referentes à aprendizagem da escrita e de seu domínio enquanto prática social. Rojo (2009), baseada em Soares (1998), esclarece que tal versão é (neo)liberal e consiste em mecanismos de adaptação da população às necessidades e exigências sociais do uso da leitura e da escrita, para funcionar em sociedade.

A versão forte está ligada ao enfoque ideológico, o qual concebe “as práticas de letramento como indissoluvelmente ligadas às estruturas culturais e de poder da sociedade e reconhece a variedade de práticas culturais associadas à leitura e à escrita em diferentes

contextos (STREET apud ROJO, 2009, p. 99). Tal versão, também muito próxima à visão paulo-freiriana de alfabetização, tem viés revolucionário e crítico uma vez que colaboraria para o resgate da autoestima, para a formação de identidades fortes, para o empoderamento dos agentes sociais, no que concerne à cultura de massa, popular, local, assim como à cultura dominante, valorizada, canônica (SOARES apud ROJO, 2009, p. 100). Nesse sentido, é preciso se considerar, então, as concepções de múltiplos letramentos, apontando para um conceito de letramento, agora, no plural.

A pluralização do conceito de letramento, como explica Rojo (2009), é proveniente dos novos estudos nessa área, cujas abordagens mais recentes apontam para a heterogeneidade das práticas sociais de leitura, escrita e uso da língua/linguagem geralmente em sociedades letradas e insistem no caráter sociocultural e situado nas práticas de letramento.

E se variam os contextos socioculturais e as comunidades neles inseridas, diversificam-se também as práticas sociais que requerem usos da escrita, permitindo, com isso, que se fale não mais em letramento, mas letramentos. O avanço da tecnologia, principalmente, o ligado ao uso da internet trouxe consigo novas exigências que bem exemplificam essa diversificação e variação de contextos que implicam em novas formas de letramentos.

E é como uma configuração peculiar de utilização social da escrita, que o letramento literário se coloca como uma necessidade nas práticas escolares de Língua Portuguesa no Ensino Fundamental. Cosson (2014) destaca que o processo de letramento que se realiza por meio de textos literários, pela própria condição de existência da escrita literária, está muito além de ser somente uma dimensão diferenciada do uso social da escrita, haja vista que compreende, também, e, principalmente, uma forma de assegurar seu efetivo domínio.

Na visão do autor, promover o letramento literário significa desenvolver nos alunos competências de leitura dentro do campo literário, com fins de levá-los ao aprimoramento da capacidade de interpretar e a sensibilidade de ler em um texto a tecedura da leitura, a qual deve ser realizada sempre como parte de um processo de aprendizagem – jamais aleatoriamente – que é dever da escola proporcionar.

Cosson (2014) entende que o letramento literário se constitui das três etapas do processo de leitura, sobre as quais já discorremos em tópico anterior (antecipação, decifração e interpretação) e do saber literário, que envolve três diferentes tipos de aprendizagem da literatura enquanto uma linguagem10: a aprendizagem da própria literatura, a qual consiste em

experienciar o mundo por meio da palavra – experiência do literário como centro; a aprendizagem sobre a literatura, em que se incluem os conhecimentos históricos, teóricos e críticos; e, por fim, a aprendizagem por meio da literatura, cuja prática proporciona saberes e habilidades aos seus usuários.

Ademais, a natureza imanente do letramento literário se dá em função de diferentes aspectos. Primeiro, o caráter estético da palavra que atribui à literatura uma posição ímpar com relação à linguagem, diferenciando-a dos outros modos de letramento; um outro aspecto é o domínio da palavra pela própria palavra por meio da inserção no mundo da escrita que se dá especialmente a partir de textos literários; por fim, como processo educativo, é indispensável a intermediação escolar na promoção dessa forma de letramento (COSSON 2014 apud FREITAS 2015, p. 64).

Quanto a este último aspecto, sendo o professor um desses intermediadores, ainda conforme Cosson (2014), compete-lhe encontrar o equilíbrio delicado entre as necessidades da escolarização do literário e os interesses da fruição pessoal, equilíbrio o qual, em proporcionando a experiência de leitura do texto literário, possibilita ao leitor o saber e o sabor da literatura. Diante disso, a escola como um ambiente promovedor de tal experiência torna-se um parâmetro e um forte agente estimulador das leituras literárias que os alunos poderão realizar fora dela, pois é fato que “nossa leitura fora da escola está fortemente condicionada pela maneira como ela nos ensinou a ler” (COSSON, 2014, p. 26).

O simples contato com textos literários, contudo, mesmo que de maneira habitual e prazerosa não garante a habilidade de leitura reflexiva e formativa. Segundo Cosson (2014, p. 130), “a simples imersão nos textos literários, ainda que de alta qualidade estética, não garante a formação do leitor, que é função primeira da escola”. Faz-se necessária uma abordagem metodológica que permita ao aluno identificar, reconhecer e percorrer os caminhos de acesso ao(s) sentido(s) do texto, para que dele(s) possa se apropriar e reagir, e “ao professor cabe criar as condições para que o encontro do aluno com a literatura seja uma busca plena de sentido para o texto literário, para o próprio aluno e para a sociedade em que estão inseridos” (COSSON, 2014, p. 29). Continuando suas reflexões sobre o letramento literário, Cosson afirma que:

Letramento literário é o processo de apropriação da literatura enquanto linguagem. Para entendermos melhor essa definição sintética, é preciso que tenhamos bem claros os seus termos. Primeiro, o processo, que é a ideia de ato contínuo, de algo que está em movimento, que não se fecha. Com isso, precisamos entender que o letramento literário começa com as cantigas de ninar e continua por toda nossa vida a cada romance lido, a cada novela ou

filme assistido. Depois, que é um processo de apropriação, ou seja, refere-se ao ato de tomar algo para si, de fazer alguma coisa se tornar própria, de fazê- la pertencer à pessoa, de internalizar ao ponto daquela coisa ser sua. É isso que sentimos quando lemos um poema e ele nos dá palavras para dizer o que não conseguíamos expressar antes11.

Assim, há quatro características que são fundamentais ao letramento literário12: (i) é preciso que o leitor tenha contato direto com a obra, com vistas a oportunizar aos alunos a interação com as obras literárias; (ii) a necessidade de formação de uma comunidade de leitores que não devem ser meros consumidores da cultura, seja como tradição ou como contemporaneidade, mas membros de uma comunidade que se apropria de sua herança cultural, que com esta dialoga e que compartilha suas leituras e dificuldades de leitura com os outros membros daquela comunidade; (iii) também precisa objetivar a ampliação do repertório literário para o qual se consideram as mais diversas manifestações culturais em que a literatura se faz presente, e não somente nos textos escritos, mas também nos outros diversos suportes e meios; e, (iv) para que tal objetivo seja atingido, a escola necessita cumprir seu papel de formadora do leitor literário, oferecendo aos alunos atividades sistematizadas e contínuas direcionadas para o desenvolvimento da competência literária. Por fim,

Ser leitor de literatura na escola é mais do que fruir um livro de ficção ou se deliciar com as palavras exatas da poesia. É também posicionar-se diante da obra literária, identificando e questionando protocolos de leitura, afirmando ou retificando valores culturais, elaborando ou expandindo sentido. Esse APRENDIZADO CRÍTICO da leitura literária, que não se faz sem o encontro pessoal com o texto enquanto princípio de toda experiência estética, é o que temos denominado aqui de letramento literário. (COSSON, 2014, p. 120) [Grifo nosso]

Embasados por todo este aporte teórico aqui discorrido e discutido no âmbito da leitura (literária) e letramento (literário), nos deteremos na seção a seguir, sobre aspectos relacionados ao contexto em que nossa pesquisa foi desenvolvida e à metodologia que a fundamentou.

11 COSSON, Rildo. Letramento literário. Glossário CEALE. Disponível em:

<http://ceale.fae.ufmg.br/app/webroot/glossarioceale/verbetes/letramento-literario>. Acesso em: 07 dez. 2015.

3 O AMBIENTE DE PESQUISA. A METODOLOGIA ADOTADA. A TEORIA DO