2. Teoretisk rammeverk
2.4. Lærernes læring
2.4.3. Elevsentrert ledelse
3.3 A expansão do turismo no litoral do Maranhão
A partir da intenção de expandir o uso turístico do território do Maranhão para além do eixo São Luís/Alcântara, o governo estadual propõe, nas duas versões do Plano Maior, polos compostos por municípios litorâneos em pontos distintos da costa. Esses espaços passam a ser considerados como áreas de expansão para a atividade turística, embora tratados de modo hierarquicamente desigual, sendo priorizado o polo que contempla a exploração do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, no Litoral Oriental.
Nesse sentido, temos ao longo do litoral do Maranhão três tipos de polos que caracterizam momentos distintos da exploração turística induzida pelos instrumentos de planejamento estatal: os polos indutores, onde se situam os municípios nos quais o turismo está presente de modo mais intenso, com maiores fluxos e maior importância na economia local, reunindo as melhores infraestruturas e apresentando práticas de planejamento mais sistematizadas; os polos estratégicos, cujos municípios figuram para o governo do estado como espaços capazes de ampliar o tempo médio de permanência do turista no Maranhão, por sua relativa proximidade em relação aos polos indutores e por já reunirem certa infraestrutura, embora requisitem maiores investimentos; e por último os polos de desenvolvimento, áreas consideradas importantes para a expansão da atividade, mas que demandam maiores investimentos em infraestrutura pelas deficiências existentes nos municípios que os compõem. Diante desse quadro destacamos os municípios de Barreirinhas, no polo Parque dos Lençóis Maranhenses (Indutor), Guimarães, no polo Floresta dos Guarás (Estratégico), e Carutapera, no polo Amazônia Maranhense (de Desenvolvimento) como representativos desse processo de indução da expansão do turismo no litoral do Maranhão.
3.3.1 Barreirinhas e a expansão do turismo nos Lençóis Maranhenses
Situada na região dos Lençóis Maranhenses (Cf. Mapa 08), Barreirinhas passa a ocupar de modo mais explícito as intenções de expansão do turismo do governo do estado desde o Plano Maior. O município de Barreirinhas compõe com os municípios de
Santo Amaro do Maranhão, Primeira Cruz e Humberto de Campos, a partir da proposta de regionalização instituída no Plano Maior 2020, o polo Parque dos Lençóis Maranhenses. Abrigando mais de 40% da área do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses – PNLM98, Barreirinhas torna-se a porta de acesso ao parque a partir de sua promoção enquanto destino turístico prioritário para o estado.
Como destaca Câmara (2013), a emergência dos Lençóis como destino turístico se dá a partir da conjunção de meios de comunicação e uma trama de poderes que se encarregam da divulgação do lugar. No início dos anos 2000 essa divulgação ganha maior impacto, sobretudo quando os Lençóis Maranhenses são utilizados como locação para as gravações das telenovelas O Clone e Da Cor do Pecado, exibidas pela Rede Globo de outubro de 2001 a junho de 2002 e de janeiro a agosto de 2004, respectivamente. As novelas e seus personagens que transitavam pelos Lençóis Maranhenses colocaram em evidência nacional a paisagem que os instrumentos estatais de planejamento do turismo propunham como uma grande descoberta.
Os fluxos turísticos que já se acentuavam lentamente desde a última metade da década de 1990 se intensificam ainda mais quando em 2002 é concluída a obra da rodovia estadual MA-405, ligando a BR-135, a partir do município de Rosário, a cidade de Barreirinhas, reduzindo aproximadamente em cinco horas o tempo de deslocamento da capital aos Lençóis Maranhenses.99
A partir daí, Barreirinhas passa a sediar um número crescente de agências de turismo e meios de hospedagem com vistas a exploração dos Lençóis Maranhenses. As agências passam a ofertar pacotes com visitação às diversas lagoas existentes no Parque Nacional, além de formatar, com o passar do tempo, outros produtos turísticos como a praia de Caburé, às margens do Rio Preguiças, que logo se torna parte dos passeios ofertados e tidos como a experiência básica a ser vivida na ida aos Lençóis – como os itinerários codificados do Grand Tour.
98 O PNLM foi criado em junho de 1981 e ocupa uma área de 155.000 hectares, estendendo-se em um
perímetro que abrange, além de Barreirinhas, os municípios de Santo Amaro, e Primeira Cruz (BRASIL, 2003c, p. 1-2).
99 A MA-405, também conhecida como rodovia Translitorânea, estende-se por 242 km e tornou possível o
trajeto São Luís-Barreirinhas em aproximadamente três horas de viagem. Até sua conclusão esse percurso levava em média oito horas. A continuação da rodovia até Araioses, na divisa com o Piauí, entretanto, ainda continua no papel.
Os fluxos de turistas e as transformações na materialidade da cidade e dos povoados se dão em uma velocidade inesperada e os impactos sobre o município, que passa dos 39.669 habitantes em 2000 para 54.930 em 2010 (IBGE, 2000, 2010) se avolumam. Como relata o atual Secretário Adjunto de Turismo do município:
[...] desde aí, tanto a iniciativa privada quanto o poder público, não estavam preparados e nem a comunidade, nem a população barreirinhense estavam preparados para esse boom, que a gente costuma dizer, que foi o... essa estrada e essa relação direta com o turismo. Então muitos empresários fizeram seus investimentos né, mas eu digo que com uma preocupação primeira de se maximizar o lucro em um curto espaço de tempo. Não se teve preocupação ambiental, social né, só mesmo a preocupação econômica de auferir lucro, receita... e o poder público municipal também não estava preparado [...] (Entrevista 01)100
Ao longo da primeira década do século XXI o turismo segue em expansão em Barreirinhas, intensificando-se a instalação de meios de hospedagem, agências de turismo e outros serviços ligados ao desenvolvimento da atividade, como bares, restaurantes, lanchonetes e serviços de restauração em geral, além do fluxo de turistas. Embora não haja dados sistematizados referentes a tais fluxos de turistas em Barreirinhas que nos permitam apresentar uma série histórica consistente (com exceção de alguns registros efetuados em relação à visitação ao PNLM pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBio), pode se apontar, por exemplo, com base em Silva, Costa e Nascimento (2009, p. 09), que em 2006 o PNLM recebeu mais de 50.000 visitantes em apenas um de seus trechos (Lagoa Azul e Lagoa do Peixe). A ausência desses dados se estende aos empreendimentos, havendo divergência quanto aos números disponibilizados.
Segundo Silva (2004, p. 52), até o ano 2000 havia no município de Barreirinhas dez pousadas, chegando ao ano de 2004 com 47 pousadas, cinco hotéis e um albergue, registrando-se aí um aumento de mais de 400% no número de meios de hospedagem. Atualmente, conforme informação do Secretário Adjunto de Turismo do município, esse número é alcançado contabilizando-se apenas aqueles meios de hospedagem formalmente registrados, excetuando um vasto número existente em situação de informalidade e cujo registro junto ao Cadastur101 e mesmo à Secretaria Municipal de
100 Entrevista realizada com Régis Reis Júnior, Secretário Adjunto de Turismo do município de
Barreirinhas, no dia 18 de fevereiro de 2014, na sede da Secretaria Municipal de Turismo de Barreirinhas.
101 O Cadastur é um sistema executado pelo Ministério do Turismo em parceria com órgãos oficiais de
Turismo não foi realizado ou não se encontra atualizado102. O número de agências também experimentou expressivo aumento na última década, passando de catorze agências nos anos de 2007-2008 para quarenta formalmente registradas em 2014.
Os agentes do trade passam então, ao longo desse período, a explorar o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, com visitação às lagoas e aos campos de dunas, estruturando produtos turísticos complementares, com vistas a ampliar o tempo médio de permanência do turista no município, oferecendo pacotes que incluem a praia de Caburé, com acesso pelo Rio Preguiças e a possibilidade de exploração de comunidades como Mandacarú e Atins (Mapa 09). Sistematiza-se assim um lazer normatizado, cujos passos do descobridor são pré-estabelecidos e guiados, apresentando dessa forma uma
representação da cidade, das comunidades, do lugar. Um morador de Barreirinhas
entrevistado na sede do município, sobre isso, expõe:
O turista... ele não anda aqui em Barreirinha, aqui na cidade, que nem eu ando de pé no chão, você anda, ele não anda. Ele não chega aqui no meu carro de merenda pra tomar um copo de suco, ou dois copos, comprar dois bolos pra comer lá na frente. Ele não sai, ele não sai de lá pra ir lá no mercado. O turista vem pra pousada, da pousada de carro pra lancha, da lancha pra praia, da praia de novo volta pro carro e do carro pra pousada. Então o turista não conhece a cidade, não conhece a cidade e aí onde está o desfeito, aí onde está uma desconsideração, viu (Entrevista 02)103.
O poder público passa a realizar algumas intervenções em relação à infraestrutura, destacando-se a reforma da Beira Rio, local onde se concentram bares, restaurantes e parte dos serviços de transporte fluvial responsáveis por levar turistas às praias e demais comunidades do município. Além disso, são realizadas intervenções relacionadas à sinalização turística e a pavimentação de ruas. Tais intervenções, entretanto, quando se confronta com o depoimento apresentado, têm produzido ilhas,
simulacros, que produzem uma paisagem atraente ao turista e segregadora, subsumindo
a sociabilidade com os residentes à padronização dos roteiros, processo encontrado em muitas comunidades litorâneas em que o turismo tem sido desenvolvido nas últimas décadas.
atividade do turismo, cujas informações encontram-se disponíveis em: http://www.cadastur.turismo.gov.br.
102 A obra História de Barreirinhas, de autoria de Baial Ramos, publicada em 2008, lista 51 hotéis e
pousadas no município, incluindo aquelas situadas em Atins e Caburé (RAMOS, 2008, p. 302-322).
103 Entrevista realizada com JCPA, agricultor, 46 anos de idade, no dia 18 de fevereiro de 2014 no centro