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4 Empiri- presentasjon av funn

4.1 Elevenes opplevelse av medvirkning i spesialundervisning- kontroll over egen

Inicialmente foi solicitada a autorização da direção da escola para a realização da pesquisa. Em seguida foram enviadas cartas a todos os responsáveis pelas crianças do Ensino Fundamental a fim de selecionar as crianças que se enquadravam nos critérios de inclusão da pesquisa.

Após esta etapa inicial, foram enviadas novas cartas aos responsáveis das crianças que se enquadravam nos critérios necessários, solicitando a participação deles em uma reunião para explicação dos objetivos da pesquisa e dos procedimentos a serem realizados, e ainda obter os dados sociodemográficos e a autorização para participação da criança. Apenas poucos pais compareceram à reunião. Por tal razão, foi enviado o Termo de Consentimento Livre Esclarecido aos responsáveis, com todos os detalhes da pesquisa, bem como o telefone de contato da pesquisadora. Depois dessa última etapa, 30 crianças foram selecionadas a partir da presença na escola e da disponibilidade para a pesquisa nos dias das coletas dos dados.

Ao chegar à escola, observou-se inicialmente a presença e a disponibilidade das crianças em participar da pesquisa naquele determinado dia. Como estas precisavam se ausentar da sala de aula por um tempo, em torno de trinta a cinqüenta minutos, sempre se tinha que passar pelas turmas perguntando às professoras quais as que poderiam sair sem comprometer o seu desempenho escolar, sendo geralmente, liberadas aquelas que já tinham terminado as suas atividades.

A escola disponibilizou uma sala de reuniões para o desenvolvimento da pesquisa. Assim, as crianças liberadas pelas professoras eram levadas individualmente à sala reservada e submetidas aos dois instrumentos de coleta de dados na presença apenas da pesquisadora.

Antes da aplicação dos instrumentos, foi realizado um rapport com a criança, a fim de conquistar a sua confiança e segurança e estabelecer um vínculo com ela. Durante essa conversa, a pesquisadora se apresentava, explicava a sua profissão, a preocupação com o atendimento odontológico dela, bem como os objetivos e as justificativas do estudo. Quando sentia que a criança já se encontrava mais à vontade e expansiva, perguntava se ela gostaria de colaborar e solicitava a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, informando também que ia ser utilizado um gravador, para facilitar o registro das entrevistas.

Só se iniciava a aplicação dos instrumentos quando se percebia que a criança estava bem familiarizada tanto com a tarefa a desenvolver como com a utilização do gravador, isso porque se buscava diminuir qualquer inibição que pudesse ocorrer. A escolha pelo gravador

foi por este ser um equipamento que permite registrar as falas de forma integral e, ainda, por permitir ao pesquisador observar o comportamento das crianças durante os seus relatos.

A entrevista em profundidade foi realizada individualmente com cada criança. Apresentava uma primeira parte constituída por itens referentes à identificação sociodemográfica dos sujeitos, definindo o seu perfil, e uma segunda parte composta por uma única questão norteadora: o que você sabe sobre o tratamento odontológico?(Anexo D)

A técnica do desenho-estória com tema foi administrada de forma individual, utilizando-se uma folha de papel em branco, sem pauta, de tamanho ofício, lápis preto (ponta de grafite) e caixa de lápis de cor. A aplicação consistiu em solicitar que a criança realizasse um desenho sobre “o tratamento odontológico” e em seguida contasse uma história sobre o desenho. Concluída a fase de contar a história, passou-se então ao “inquérito”, em que se buscou o esclarecimento necessário à compreensão e à interpretação do material produzido, tanto no desenho quanto na história, seguido da solicitação do título para esta.

Durante as entrevistas, as principais dificuldades encontradas foram a timidez de algumas crianças e a pouca familiaridade que elas apresentavam com o tema. Porém, foi observado que na execução dos desenhos elas se sentiam mais à vontade, agindo de forma mais espontânea, mesmo quando relatavam suas histórias.

3.8 TRATAMENTO E ANÁLISE DOS DADOS

Com a finalidade de manter a conexão entre os pressupostos teórico/metodológicos e a maneira mais apropriada para analisar o conteúdo do material coletado, foi escolhida a técnica de análise de conteúdo temática proposta por Bardin (2002)12 e o modelo utilizado por Coutinho (2001)38.

Os resultados brutos foram submetidos a operações estatísticas simples (percentagens) e às inferências e interpretações previstas no seu quadro teórico.

Segundo Bardin (2002) 12, a análise de conteúdo é definida por:

Um conjunto de técnicas de análise das comunicações visando obter, por procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens, indicadores (quantitativos ou não) que permitam a inferência de

conhecimentos relativos às condições de produção/recepção (variáveis inferidas) destas mensagens (p.42).

Essa modalidade de análise foi utilizada com o objetivo de conseguir uma aproximação mais precisa com o material coletado, tentando-se identificar o que está por trás das mensagens emitidas pelas crianças e visando a ultrapassar as incertezas, enriquecer a leitura e aumentar a validade 12.

Assim, tomando como base os objetivos propostos neste estudo subsidiados na Teoria das Representações Sociais, esta técnica de análise seguiu as seguintes etapas operacionais:

LEITURA FLUTUANTE

Corresponde ao estabelecimento do contato com os documentos a analisar e ao conhecimento do texto, deixando-se invadir por impressões e orientações 12.

Foi feito um contato exaustivo com o material coletado, deixando-se impregnar pelo seu conteúdo. Inicialmente tal ligação ocorreu de forma livre, seguida por uma leitura progressivamente mais orientada e sugestiva.

CONSTITUIÇÃO DO CORPUS

Esta etapa consiste na organização do material coletado para ser submetido aos procedimentos analíticos, de tal forma que possa responder a algumas regras, quais sejam: exaustividade (contemplar todos os elementos), representatividade (representar o universo inicial), homogeneidade (obedecer aos critérios de escolha em termos de temas, técnicas e interlocutores) e pertinência (ser adequado e corresponder aos objetivos do trabalho)12.

O corpus da presente pesquisa foi constituído por 30 entrevistas e 30 desenhos-estórias com tema aplicados nas crianças que foram submetidas ao tratamento odontológico há pelo menos um ano.

Embora o corpus de texto esteja aberto a uma multidão de possíveis questões, a análise de conteúdo interpreta o texto apenas à luz do referencial de codificação, a qual constitui uma seleção teórica que incorpora o objetivo da pesquisa 15.

Para Holsti citado por Bardin (2002)12, a codificação é o processo pelo qual os dados brutos são transformados sistematicamente e agregados em unidades que permitem uma descrição exata das características pertinentes do conteúdo.

Dessa forma, após a leitura flutuante do corpus, foram estabelecidas as unidades de análise, separando-se o conteúdo em frases que fornecessem significados possíveis de serem analisados, sistematizados e situados no conteúdo do corpus em relação aos questionamentos e objetivos propostos neste estudo.

CATEGORIZAÇÃO

A categorização surge como uma operação cuja finalidade é a classificação de elementos constitutivos de um conjunto, por diferenciação e reagrupamento, segundo a analogia com os critérios previamente definidos12.

Os desenhos-estórias com temas foram submetidos, além da análise de conteúdo já mencionada, à análise do modelo preconizado por Coutinho (2001)38. Esse modelo é

constituído dos seguintes procedimentos: observação sistemática dos desenhos; seleção dos desenhos por semelhanças gráficas e/ou aproximação dos temas; leitura flutuante das unidades temáticas das histórias; recorte e categorização dos desenhos com suas respectivas histórias; análise e interpretação dos desenhos através dos grafismos e análise e interpretação das unidades temáticas.

Nesse estudo, depois da decomposição do corpus e da codificação das unidades temáticas, o material coletado foi dimensionado nas seguintes categorias e subcategorias:

Quadro 1. Distribuição das categorias e subcategorias das Representações

Sociais do tratamento odontológico em crianças apreendidas por meio da entrevista e do desenho-estória com tema.

ENTREVISTA DESENHO-ESTÓRIA COM TEMA CONCEPÇÃO DO MODELO DE TRATAMENTO ODONTOLÓGICO (técnico-curativo/preventivo) DESCRIÇÃO DO AMBIENTE ODONTOLÓGICO (espaço físico/material-instrumental) CONCEPÇÃO DO MODELO DE TRATAMENTO ODONTOLÓGICO (técnico-curativo/preventivo) PERCEPÇÃO DA IMAGEM DO DENTISTA

(humanizada/tecnicista-mecanicista) PERCEPÇÃO DA IMAGEM DO

DENTISTA

(humanizada/tecnicista-mecanicista) MANIFESTAÇÕES INFANTIS FRENTE

AO TRATAMENTO ODONTOLÓGICO (psicológica/comportamental)

MANIFESTAÇÕES INFANTIS FRENTE AO TRATAMENTO ODONTOLÓGICO

4. RESULTADOS E DISCUSSÃO

4.1

CARACTERÍSTICAS DOS PARTICIPANTES

Para visualização das variáveis sociodemográficas dos participantes deste estudo, seguem-se as figuras com as características coletadas.

Pode–se observar, em relação ao sexo, que 73% são meninas e 27%, meninos. A Figura 1 apresenta a distribuição do sexo.

73% 27%

F M

Figura 1. Distribuição percentual das crianças segundo o sexo.

Quanto à idade, constata-se que o maior percentual dos participantes se encontra na faixa etária entre 9 e 10 anos de idade, correspondendo a 56,7% dos indivíduos. Os meninos se encontram em igual proporção que as meninas aos 07 anos e se distribuem uniformemente nas idades de 08 a 10 anos de idade. A Figura 2 ilustra a relação idade-sexo.

0 2 4 6 8 6 7 8 9 10 Idade (anos) F M

Figura 2. Distribuição percentual da relação idade-sexo dos sujeitos.

Com relação à escolaridade das crianças, percebe-se que 33% se encontravam na 4a série, seguida por 30% na 2asérie, 20% na 3asérie e 16,7% na 1asérie. Também na 4asérie foi encontrada a maior porcentagem das meninas do estudo, correspondendo a 40,9%. Já os meninos se encontraram em maior proporção na 3asérie, com 37,5%. A Figura 3 ilustra a relação entre escolaridade e sexo.

0 2 4 6 8 10

1a série 2a série 3a série 4a série

Escolaridade

F M

Figura 3. Distribuição percentual da relação

escolaridade-sexo dos sujeitos.

Comparando a relação entre escolaridade e idade, constatou-se que 77,8% das crianças da 4asérie apresentam 10 anos de idade, 66,7% da 3asérie, 9 anos de idade, 44,5% da 2asérie, 8 anos de idade e 60% da 1asérie, 6 anos de idade. A Figura 4 ilustra essa relação.

0 2 4 6 8 6 7 8 9 10 Idade (anos) 1a série 2a série 3a série 4a série

Figura 4. Distribuição percentual da relação

escolaridade-idade dos sujeitos.

4.2 A ELABORAÇÃO DAS REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DAS

CRIANÇAS SOBRE O TRATAMENTO ODONTOLÓGICO

O conhecimento elaborado acerca da Representação Social do tratamento odontológico pelas crianças com base no material coletado pelas entrevistas foi dimensionado em três categorias e seis subcategorias, como discrimina o Quadro 2.

Quadro 2. Distribuição das categorias e subcategorias das Representações

Sociais do tratamento odontológico em crianças elaboradas por meio das entrevistas.

CATEGORIAS SUBCATEGORIAS

Técnico-curativo Concepção do modelo de tratamento

odontológico

Preventivo Humanizada Percepção da imagem do dentista

Tecnicista/mecanicista Psicológica Manifestações infantis frente ao

CATEGORIA 1 - CONCEPÇÃO DO MODELO DE TRATAMENTO ODONTOLÓGICO

A concepção do modelo de tratamento odontológico infantil encontra-se vinculado às esferas técnico-curativo e preventivo, mostrando as diferentes maneiras pelas quais as crianças percebem o tratamento, baseado em suas experiências.

Quadro 3. Distribuição das freqüências e percentuais das

subcategorias de concepção do modelo de tratamento odontológico.

CONCEPÇÃO DO MODELO DE TRATAMENTO ODONTOLÓGICO

SUBCATEGORIAS f %

Técnico-curativo 232 68,04

Preventivo 109 31,96

TOTAL 341 100

No Quadro 3 encontram-se as freqüências e percentuais referentes à categoria “concepção do modelo de tratamento odontológico” e as suas respectivas subcategorias, nas quais se observa uma freqüência mais elevada na subcategoria “técnico-curativo” (68,04%), em detrimento da subcategoria “preventivo” (31,96%).

Este resultado repercute o modelo hegemônico da prática odontológica presente no Brasil, que, segundo Santi (2003)92, se encontra caracterizado por alta complexidade e destaque nos procedimentos curativos, ancorada no biologicismo, na sofisticação da técnica e dos instrumentos. Basicamente, esse modelo cuida das doenças bucais instaladas no organismo do paciente, em vez de incentivar a educação-prevenção através de procedimentos de menor complexidade e custo.

Dessa forma, o que se tem observado é que esse tipo de prática centrada no modelo técnico-curativo pouco tem contribuído para a melhoria das condições de saúde bucal da população, demonstrando a necessidade de um reordenamento da prática odontológica, com mudanças sensíveis na abordagem do processo saúde-doença, ou seja, a compreensão de que a saúde e a doença decorrem da interação de fatores biológicos, psicológicos e sociais.

Subcategoria 1.1 - Modelo técnico-curativo

Na subcategoria “modelo técnico-curativo”, a representação do tratamento odontológico infantil emerge associada aos procedimentos clínicos técnico-curativos, com ênfase na doença instalada, desconsiderando os fatores que interferem no processo da doença e as condições que promovem a saúde, conforme relatos das crianças:

“dá anestesia (31) arrancar o dente (115) botar motor (9) pegar alicate (7) fazer obturação (41) colocar curativo (4) fazer canal (2) colocar prótese ( ) tirar a cárie do dente (5) cirurgia do dente ( ) tirar tártaro ( ) usar aparelho ( ) botava um anel ( ) passa uma pasta pra ficar dormente (9) consertar os dentes (2) saiu sangue ( ) pegar ponto ( )”

Observa-se, por meio das falas dos nossos participantes, bem como por meio dos desenhos 4 e 5 (p.72) que o atendimento odontológico infantil ainda se encontra ancorado no tratamento tradicional, embora se reconheçam atualmente as suas limitações e ineficácia no controle das doenças bucais. Esse tipo de tratamento reducionista gera um círculo vicioso que não promove saúde, somente trata dos sintomas da doença.

Procedimentos mais complexos como canal, prótese, cirurgia e aparelho, que não fazem parte da atenção básica à saúde, surgem também de forma considerável e curiosa nos relatos das crianças. Em tempos ainda recentes, esses procedimentos representavam um avanço técnico da Odontologia, hoje representa o resquício de uma prática que sabemos ser ineficaz. Isso reforça a idéia de círculo vicioso que ostenta essa filosofia de atendimento, que não proporciona solução e nem eleva o nível de saúde da população, refletindo apenas a imensa fragilidade desse modelo que culmina quase sempre na necessidade de procedimentos cada vez mais complexos e caros.

Percebe-se também que a maior freqüência dentro dessa subcategoria se relaciona às técnicas mais invasivas desenvolvidas durante o tratamento odontológico, exemplificadas por

“dá anestesia” e “arrancar o dente”. Desta forma, acredita-se que por estarem objetivadas as sensações de desconforto e dor, esses elementos adquirem maior destaque no mundo infantil, ou seja, quanto mais penosa a situação, maior o registro no imaginário do pequeno paciente.

Conforme destacado por Moraes e Ongaro (1998)71, o tratamento odontológico representa, para grande parcela da população, uma ameaça ao seu bem-estar psicológico, considerando os estímulos aversivos presentes na situação e a ruptura que produz no cotidiano de vida do paciente. Nesse sentido, ele não pode ser apenas técnico, mas interativo, com o objetivo de apreciar, juntamente com o doente, a extensão das implicações da doença na sua história de vida.

Acredita-se que esses achados podem estar associados à precariedade de programas educativo-preventivos em nosso país, ao contexto social menos favorecido no qual essas crianças estão inseridas e que provavelmente dificultam a acessibilidade aos serviços de saúde ou ao pouco esclarecimento dos seus responsáveis, que podem trazer como resultado a procura pelo atendimento apenas quando a doença já se encontra instalada.

Porém, todas essas possibilidades são apenas conseqüências do modelo vigente e perverso de organização da assistência em saúde bucal no Brasil, que de acordo com Oliveira e colaboradores (1999)77 é iatrogênico-mutilador, biologicista, individualista, centrado na

técnica e pouco resolutivo.

Mesmo após quase 10 anos de implantação do PSF (Programa de Saúde da Família), que surgiu com a finalidade de modificar essa prática histórica da Odontologia, constata-se que infelizmente apesar da sua proposta de reformulação do processo de trabalho e reestruturação da atenção primária, ainda hoje se encontra a imagem da Odontologia relacionada ao trabalho centrado na recuperação da saúde.

Configura-se, desse modo, que a Representação Social do tratamento odontológico para este grupo de crianças está vinculada a uma prática curativista, afastando-se o bastante da prática odontológica que se busca atualmente, ou seja, embasada em ações educativo- preventivas, considerando o contexto social do paciente.

Subcategoria 1.2 – Modelo preventivo

Esta subcategoria encontra-se relacionada ao modelo preventivo de saúde bucal e caracteriza-se por elementos associados às noções de higiene e cuidados com os dentes, conforme se pode observar nas falas dos sujeitos:

“fazer limpeza nos dentes (28) cuidar dos dentes (14) escovar os dentes (17) escovar pra não estragar os dentes (6) escovo meu dente pra ficar bem bonito (3) passar fio dental (2) coloca flúor (20) faz tratamento pra não deixar os nossos dentes ficar podre (5) não deixar os dentes sujos ( )”

As ações preventivas em saúde têm por objetivo levar as pessoas a modificar seus padrões de comportamento, substituindo-os por estilos de vida mais saudáveis, compreendendo a relação saúde-doença na perspectiva da melhoria da qualidade de vida53.

Para o controle da cárie, principal problema de saúde bucal no Brasil, reporta-se a necessidade da conscientização e colaboração do paciente como recursos importantes à manutenção da saúde. Percebe-se na presente pesquisa o enfoque dado pelas crianças à escovação diária e após as refeições e do controle da dieta, conforme exemplo:

“ escovar os dentes todos os dias (4) sempre quando comer alguma coisa escovar os dentes (7) não pode ficar sem escovar os dentes ( ) não comer coisa doce ( )”

Algumas crianças relacionam as atividades preventivas a práticas propiciadoras de “saúde dentária”, exemplificadas por “faz tratamento pra não deixar os nossos dentes ficar podre”, “escovar pra não estragar os dentes” e “escovo meu dente pra ficar bem bonito”.

Ressalva também deve ser dada ao grande destaque que o flúor apresenta nos relatos e também no desenho 6 (p.74) como medida preventiva aplicada na clínica odontológica.

Observa-se, então, que as falas das crianças direcionam-se em torno dos procedimentos odontológicos clínico-preventivos como limpeza e flúor, bem como no seguimento de instruções sobre normas de higiene, como escovar os dentes. Porém, há de se conscientizar que esse modelo de prevenção só considera os fatores biológicos, não incluindo as condições de vida, como fator predisponente e essencial no processo saúde-doença. Isso porque se constata uma postura limitada de prevenção, como um tratamento fechado, o indivíduo cuida do dente sem relacioná-lo com a boca e com o corpo, culminando numa atividade puramente técnica e pouco abrangente.

Segundo Martins (1998)66, as atividades preventivas deveriam enfocar o indivíduo, o

seu corpo, seus desejos, sua inserção na sociedade, considerando a sua realidade, utilizando o diálogo como ponto de partida e com enfoque voltado para o cuidado e a valorização do corpo enquanto ser social e fonte de prazer.

Pode-se observar que as crianças conhecem as medidas preventivas existentes, e diante desse quadro, parece fundamental o envolvimento e a valorização destas no desenvolvimento do tratamento odontológico.

CATEGORIA 2 - PERCEPÇÃO DA IMAGEM DO DENTISTA

A segunda categoria diz respeito à percepção da imagem do dentista. Os dados revelam que as crianças associam a imagem do profissional dentista à forma como este aborda e se comunica durante o desenrolar da execução das ações odontológicas, fazendo emergir duas subcategorias: tecnicista/mecanicista e humanizada, conforme quadro abaixo.

Quadro 4. Distribuição das freqüências e percentuais das

subcategorias da percepção da imagem do dentista.

PERCEPÇÃO DA IMAGEM DO DENTISTA SUBCATEGORIAS f %

Tecnicista/mecanicista 24 18,05

Humanizada 109 81,95

TOTAL 133 100

No Quadro 4, encontram-se as freqüências e percentuais referentes à categoria “percepção da imagem do dentista” e as suas respectivas subcategorias, mostrando que houve

um maior registro da imagem que enfatiza o aspecto humano do dentista (81,95%), do que a que enfatiza a atividade profissional propriamente dita (18,05%).

Os métodos que o dentista utiliza nas aproximações e procedimentos com a criança apresentam fundamental importância nas atitudes e reações do paciente infantil diante do tratamento odontológico5. Assim, percebe-se que esses achados são de grande relevância no contexto do atendimento odontológico infantil, pois ao considerar a imagem humanizada predominante acredita-se que o atendimento tem se apresentado mais agradável e descontraído.

Subcategoria 2.1 - Imagem tecnicista/mecanicista

Na subcategoria “tecnicista/mecanicista”, a imagem do dentista se encontra relacionada a atitudes de interesse meramente profissional, desconsiderando o paciente na sua totalidade como um ser biopsicossocial contextualizado, conforme falas dos entrevistados:

“bota a gente numa cadeira (4) abre a boca da pessoa (3) puxou meu irmão ( ) muito avexada (2) manda deitar (4) manda ficar queto (2) manda cuspir (2) disse que tinha que engolir o sangue ( ) não falava muito bem com as pessoas ( )”

Na realidade, o que podemos observar através das entrevistas e também dos desenhos 7, 8 e 9 (p.76-7) é a imagem de um profissional que não interage com seu paciente e conseqüentemente não consegue estabelecer um clima cordial durante o atendimento. Essa maneira “seca” do cirurgião-dentista tratar o paciente produz o distanciamento entre ambos e desfavorece a co-participação, podendo desencadear inclusive comportamentos defensivos no paciente, conforme exemplo:

“não gosto dele porque ele não faz brincadeira ( ) achei a dentista esquisita ( ) achei ele chato (2)”

De acordo com Moraes e Ongaro (1998)71, o paciente não pode ser visto

exclusivamente como um problema de saúde bucal, ou como um conjunto de dentes a restaurar, pois isso intensificará a impotência do paciente e certamente a aversividade ao tratamento. Dessa forma, parece fundamental o envolvimento e a valorização do paciente durante todo o percurso do tratamento.

Percebe-se, então, que o profissional não pode simplesmente agir como um prestador