2.3 Skolen som inkluderingsarena
2.3.3 Elementer i en inkluderende undervisning
Denominamos como práticas corporais não esportivas este segmento de análise por considerarmos haver uma diferença significativa entre os termos; estes guardam ora relação de semelhança ora vínculo de distinção. Na escola, por exemplo, a Educação Física pode estar relacionada ou não com os esportes, naturalmente competitivos. Segundo Novaes (2006), a história da Educação Física está marcada pela divisão sexual das atividades culturais. Esta nos diz que
A educação física, indicada à mulher, buscava não somente confina-la ao lar, mas também não estimular o desenvolvimento de características consideradas eminentemente masculinas, dentre as quais a ambição, a competitividade, a auto-suficiência, a agressividade e o espírito de liderança.(NOVAES, 2006,p. 127)
Apesar de observarmos uma consagração do ideal do esportista, identificado com a competitividade e focado na superação de seus adversários no âmbito do mercado, tal como pudemos descrever até o momento, o atleta como modelo de sucesso não congrega apenas práticas esportivas, mas também práticas corporais, por meio das quais é simulada a prática esportiva ou se prepara para ela em exercícios físicos capazes de ensejar força, resistência, velocidade, agilidade e habilidade para superar os adversários. Estas práticas corporais, no entanto, também visam a produzir músculos,
eliminar gorduras, reduzir peso e medidas, “tonificar”, “malhar”, ”bombar” o corpo, enfim, produzir um corpo idealizado segundo os modelos exibidos em capas de revista, como a Women’s Health.
Assim, a academia se tornou o ambiente onde as pessoas buscam otimizar a movimentação dos corpos fazendo uso dos aparelhos ergonomicamente elaborados com objetivo de preparar o indivíduo para o esporte ou substituir o esporte para obter o corpo atlético desejado e consumível. Podemos, ainda, pensar que tal finalidade estética no esporte pode ser secundária em relação a finalidade recreativa, social, lúdica e competitiva. Nas práticas corporais, entretanto, segundo pensamos, a mudança do corpo ou seja, sua finalidade estética é preponderante. Estas práticas corporais começaram, segundo Novaes (2006, p. 124), na virada do século XIX, época em que se concebeu a ideia de constituição do corpo, ou bodybuilding,
[...] termo que passou a determinar a construção de massa muscular desligada da ideia de força e saúde (o belo pelo belo, simplesmente reduzido a sua condição visual), pelo uso de pesos e exercícios com máquinas – aquilo que se desenvolveria na prática da musculação, tão presente nas academias de ginástica, mais comumente frequentada nos últimos 20 anos.
Desta maneira, notamos que, inicialmente, o desejo de aprimorar o desempenho dos atletas nas competições estimulou o desenvolvimento de técnicas de treinamento como meio, voltado à prática esportiva. Posteriormente, a eficiência experimentada com os treinamentos tornou-se um fim em si. Assim, podemos pensar o desenvolvimento das práticas corporais, a exemplo da ginástica e da musculação, como identificadas com a razão instrumental, na medida em que o procedimento atualmente em vigor nas academias: o exercício repetitivo, sistematizado e ergonomicamente pensado para a disciplina dos corpos busca o controle sobre a transformação do corpo de forma científica. Esta disciplina é planejada e executada de acordo com os parâmetros e metas para atingir um modelo e medidas de acordo com altura, peso, idade, percentual de gordura corporal, índice de massa corporal etc., objetivando um corpo atlético. Tais atividades corporais são elaboradas de acordo com a transformação desejada, de sorte que, muitas vezes, estas são hierarquizadas de acordo com o número de calorias queimadas por minuto, grupo muscular a ser trabalhado etc. Em suma, constata-se a presença do cálculo por toda parte e, assim, a submissão do corpo ao “tratamento ou metodologia” necessário para torná-lo, aos moldes da mídia, belo, magro e atlético, ou
seja, para adequá-lo – to fit ou fit in, expressão comum da língua inglesa que significa se incluir socialmente, pertencer a um grupo. Desta forma, o signo atlético é o que aproxima a prática esportiva do exercício simplesmente corporal. A este respeito, consideramos valiosa a opinião de Sibilia (2006, p.98) acerca das práticas corporais e suas relações com a subjetividade e o mercado:
A recente moralização das práticas corporais que se desenvolve na sociedade contemporâneapossui metas prosaicas:vencer no mercado das aparências, obter sucesso ou ganhar eficiência, efetuar uma boa performance física, efetuar uma boa performance física e sobretudo visual – enfim: valores mercadológicos, itens bem cotados no mercado contemporâneo. O termo fitness delata, assim, sua origem etimológica em língua inglesa, e se mostra como uma palavra de ordem que incita a se adequar ao modelo hegemônico. Tanto de forma literal como simbólica, trata-se de incorporar seus valores.
A prática da musculação para transformar o corpo é muitas vezes chamada de treino. Temos treino aeróbico, anaeróbico, hipertrófico etc., mas, nos questionamos qual o propósito do treino, analisando literalmente seu significado. Isto porque, compreendemos a relação entre treino e jogo como particular das práticas esportivas, onde os jogadores simulam as situações de jogo no treino para aprimorarem os fundamentos, objetivando sagrarem-se vencedores no âmbito competitivo. Desta forma, somos levado a pensar que os treinos diários de musculação e ginástica mais se aproximam de ensaios, nos quais os corpos se preparam como se fossem protagonistas de um espetáculo ou performance (aqui utilizado no sentido de apresentação artística), a serem contemplados pelos olhares. E, assim, o desejo de portar um corpo pronto para a visibilidade relaciona-se com a natureza performática de sua exibição, diariamente ensaiada nas academias.
Na peça adiante, expõe-se à mulher, uma prescrição identitária de alta
performance: quanto maior a potência e eficiência em gerar contemplação, adoração e sedução para o olhar do outro, mais performático. Vejamos a publicidade do que é denominado como “mais que uma academia para mulheres, um centro de bem-estar, saúde e beleza”.
Figura 55. Fonte: Você S A Mulher, ed. Abril, Edição especial n.13,Junho de 2011.il. color. p.72.
Neste espaço, são oferecidos à mulher, além das práticas corporais, comuns às academias de ginástica, serviços associados ao bem-estar, definido pela peça publicitária como “manter o corpo, a mente e a autoestima em harmonia”. O dia a dia das mulheres é descrito pela publicidade como “cheio de compromissos que demandam muito tempo e energia” e adverte sobre os perigos de deixar “os cuidados com o corpo e a mente em segundo plano”. Em seguida, a existência deste centro é justificada para que isto não aconteça e, portanto, que estes cuidados sejam prioridade. Finalizando, este centro é identificado como “ideal para cuidar da boa forma e perfeito para elevar seu bem estar”. De modo sutil, pretensamente com foco no bem-estar da mulher, acreditamos ser possível evidenciar neste discurso a relação entre bem-estar e beleza, experimentados essencialmente como a “boa forma”. Para denunciar a ideologia que prescreve a primazia do corpo belo como ideal de performance, muitas vezes em detrimento da própria saúde, nos respaldamos no pensamento de Vigarello, (2006, p.184) ao exprimir que “o bem-estar se tornou o princípio do embelezamento”. Daí, em nome do bem estar da mente, as mulheres são remetidas às práticas do corpo.
Contribuindo para o entendimento da relação entre a disseminação do ideal de esportismo e as práticas corporais empreendidas pelas mulheres, como parte do culto da
A difusão dos esportes carrega a imposição do modelo de corpo esguio e esbelto, capaz de responder aos ideais de leveza e dinamismo presentes no contexto, caracterizado pela urbanização crescente pela proliferação de espaços públicos, como locais de consumo e lazer, que levam as pessoas – principalmente mulheres – a cuidarem mais da apresentação.