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Electrostatic forces in cementitious suspensions

A substituição do sistema de rodízio de cultura em dois campos pelo sistema em três campos foi a ruptura tecnológica mais importante na Idade Média. Com o novo sistema, a terra arável passou a ser dividida em três áreas com as mesmas dimensões. A cada ano processava-se um rodízio na utilização dos três campos, alternando-se as fases: uma cultura no outono, no ano seguinte uma cultura de primavera, no terceiro ano, repouso. Esse sistema, aparentemente simplório, propiciou o aumento de cerca de 50% do rendimento das culturas praticadas, na mesma extensão de terra arável. (HUBBERMAN, 1986)

O aperfeiçoamento da tecnologia agrícola e dos meios de transporte ocasionou duas grandes mudanças. A primeira acelerou o crescimento populacional (ver figura 1.3) e decorrente dessa explosão demográfica o florescimento dos centros urbanos e conseqüente ampliação de trabalhadores que emigraram para as cidades, fazendo crescer a produção manufatureira e contribuindo para o desenvolvimento do comércio inter-regional e de longa distância. Por outro lado, a separação peculiar entre o comércio de curta e longa distância foi, na verdade, o cerne de uma exclusão crescente. O capital móvel ganho com o comércio exterior levou a um inchaço dos centros urbanos e conseqüente aumento da exclusão por meio de uma concentração de população periférica inteiramente incompatível com a domesticidade predominante no campo (POLANYI, 2000)

A necessidade de ampliar a produção e regularizar o abastecimento de bens manufaturados, imposta pela expansão do comércio, levou os mercadores a assumirem um controle cada vez maior sobre o processo produtivo. Assim, a industria artesanal no qual o artesão era ao mesmo tempo o fabricante e o empresário, vai cedendo lugar, no século XVI, para ramos industriais voltados à exportação, por exemplo, já no século XV a Inglaterra conquistou a hegemonia do mercado mundial de produtos têxteis. Desde o inicio, esse capitalismo debutante inglês, procurou assegurar posições monopolistas a partir das quais pudessem explorar, com exclusividade, o mercado para seus produtos. À medida que se fortaleciam privilégios, por

meio de taxas e diferenciação dos regimes de aprendizagem, as associações de mercadores capitalistas que empregavam trabalho assalariado, levam aos primeiros anos do século XVI, um divisor de águas na história da humanidade, onde sai a decadente ordem feudal, e, entra o sistema capitalista emergente. Entre 1700 e 1770, o rápido crescimento das exportações de produtos manufaturados ingleses foi o agente propulsor de outra transformação tecnológica que mudou a organização econômica da sociedade agrícola: a revolução industrial (HUBBERMAN, 1986).

Para Mantoux (2006) a associação da máquina à força do vapor, invento notável que ocorreu em 11 de março de 1776, foi o nascimento do sistema fabril em grande escala. O projeto de James Watt aproveitava o impulso retilíneo obtido da expansão dos gases d’água e convertia tal energia em movimento rotativo. A partir de uma associação com um fabricante inglês sediado em Birmingham, chamado Boulton, Watt viabilizou no final do século XVIII profundas mudanças sociais e econômicas.

A máquina a vapor, como previsto na teoria econômica das inovações, trás os seus efeitos colaterais, que são fundamentais na nossa discussão sobre as normas gerenciais socioambientais. Mantoux (2006) denuncia o verdadeiro caráter das relações de trabalho nos primeiros tempos do capitalismo. Eram relações servis. Na Grã-Bretanha, os patrões se referiam a seus empregados como "servos" (servants). Além disso, se recusavam a participar de comissões de arbitragem (estabelecidas pela lei) porque para "senhores" (masters) era inaceitável sentar-se na mesma mesa de negociação com servos. Ademais, com a grande oferta de empregos, muitos trabalhadores eram contratados de regiões bastante distantes e pobres, de modo que o trabalho de apenas uma pessoa não era suficiente para suprir as necessidades de uma família. Assim, de acordo com Chang (2002) o número de crianças trabalhando nas fábricas no final do século XVIII foi crescente já que os avanços tecnológicos também permitiram a substituição da mão-de-obra adulta pela infantil, principalmente pela menor força necessária e por uma certa automação, que não exigia muito conhecimento dos empregados. A criança era uma parte intrínseca da economia industrial e agrícola antes de 1780 . O ápice da exploração do trabalho infantil está compreendido entre 1780 e 1830, neste período o crescimento da mão-de-obra infantil aumentou ano a ano, e o emprego infantil era defendido para que as crianças não ficassem desocupadas.

Ambientalmente falando, o salto tecnológico da máquina a vapor significou o câmbio de uma economia baseado em fortes orgânicas e renováveis, para um sistema industrial alicerçada em energia não renovável. Boada e Saurí (2002) explicam que quanto às fontes de energia, a revolução industrial permeia três grandes ciclos com usos crescentes de recursos ambientais conforme ilustra a figura 2.27.

A

B

C

1850

1900

1970

carvão, navegação à vapor, química inorgânica.

eletricidade,automóveis

aviação, química orgânica Energia nuclear, conquista do espaço, Informática, engenharia genética

Normas de especificação produtos Série 9000 Série 14000

Séries Sociais

Us

Fonte: Adaptação nossa a partir de Boada e Saurí (2002, p.18) Figura 2.27 – Os três ciclos energéticos da revolução industrial

Os três ciclos energéticos da revolução industrial também estão associados às necessidades normativas, incluindo-se o desenvolvimento de MSSs. Na figura 2.26 percebe-se que as especificações de produto características da primeira fase da revolução industrial vão dando lugar as normas da qualidade, que coincidem com o ciclo do automóvel e culminam com as normas ambientais durante a era da energia nuclear. Também, o tipo de protecionismo associado às normas variou desde a sociedade agrícola até a sociedade industrial conforme está sumarizado no quadro 2.17.

O desenvolvimento das comunicações, a globalização, o grau de educação crescente das pessoas na sociedade ocidental, os novos hábitos de compra e, principalmente, o aparecimento da Internet permitiu no começo do século XXI a outro salto de escala tecnológica, em que a

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Séries Sociais

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humanidade, as organizações e os países vislumbram novos horizontes. Surge a Sociedade do Conhecimento que trás modificações inequívocas na vida social e econômica.

Quadro 2.17 – As Sociedade Econômicas e uso de normas como proteção aos interesses dominantes.

Período econômica Sociedade Característica da normalização e seu uso como proteção aos interesses dominantes.

5000 a.C. – 1700 d.C. Agrícola

Unidades de medida e regras bem definidas para seu uso. A normalização legitima o poder real por meio de medidas como a polegada, o pé cúbito e a braça. As unidades de tempo são baseadas na lógica da Terra como o centro do Universo, tornando a medida de tempo uma referência ao poder religioso. 1800 – 1950 Industrial com base energética baseada em carvão

As normas de produto padronizam a capacidade de troca do comércio de larga escala. Os ideais burgueses são estendidos para o sistema métrico baseado no cientificismo triunfante. Um metro é o décimo milionésimo do quadrante do meridiano que passa por Paris, um quilograma corresponde a um decímetro cúbico de água pura à temperatura de máxima densidade. 1950 - 1980 Industrial com base energética no petróleo, ciclo do automóvel.

As normas da qualidade traduzem o modelo cartesiano ocidental e o seu uso viabiliza o liberalismo e a globalização. A série 9000 é vista como uma barreira ao comércio não explícita, porém capaz de criar uma elite industrial, reduzir os custos de transação e manter hegemônicas as certificações de qualidade com base em padrões anglo-saxônicos.

1980 - 2000

Industrial com base energética

de petróleo e nuclear.

A crescente preocupação ambiental da humanidade viabiliza a barreira técnica verde. As normas 14000 de sistemas e selos são a expressão do controle para acesso aos mercados internacionais. Os custos ambientais são homogeneizados com os requisitos ambientais previsto nas normas e selos ambientais.

Fonte: Construção nossa com base em Polanyi (2000); Souza e Losada (2005) e Boada e