Para que se cumprissem os objetivos desta dissertação não exploramos exaustivamente a implementação do REDD em um contexto global. Tampouco caberiam no trabalho as citações de todos os documentos com caráter informativo e normativo que têm sido produzidos a partir de 2005 sobre o tema uma vez que a produção científica, acadêmica e jornalística em torno do REDD tem se dado de forma rápida, a despeito de se tratar de uma questão recente, mas que, pelas complexidades e interesses diversos que envolve, suscita debates calorosos.
Muitos textos que tratam do tema são interpretações de outros textos, uma vez que não se têm definições claras sobre REDD, e os textos que saem da Convenção são normalmente “encriptados”. Muitas organizações produzem esses textos tentando adivinhar o que os negociadores tentaram dizer. Até o momento de conclusão desta dissertação não percebemos um nivelamento de um entendimento comum acerca de REDD.
Limitamos a àrea de pesquisa deste trabalho ao Brasil, lembrando que, por ter surgido e se desenvolvido no contexto das discussões internacionais do clima, o REDD pode ser discutido por diversas óticas e analisado em qualquer país que faça parte da Convenção do Clima. E, uma vez que as tendências apontam para a
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implementação de uma estratégia nacional de REDD no Brasil, conforme exposto no capítulo 4, escolhemos dar este enfoque no roteiro de entrevistas, o que não fez com que a discussão sobre REDD em nível de projetos fosse anulada.
Pelo mapeamento das instituições diretamente ligadas ao tema no Brasil, no contexto governamental, não-governamental, empresarial, multilateral e acadêmico, captamos os contatos de seus atores relevantes. Nossa participação em seminários, congressos e workshops sobre REDD, que ocorreram sobretudo em Brasília – DF, foi também importante para o mapeamento destes atores. Por meio de entrevistas semi-estruturadas, procuramos aferir as opiniões destes atores, não arbitrando sobre estas, uma vez que estamos tratando de um tema em constante construção e ascensão nos debates, os quais extrapolam o cenário nacional. Consideramos que as entrevistas aos atores ligados direta ou indiretamente ao REDD poderiam acrescentar aspectos relevantes ao tema, neste trabalho.
Geralmente, os métodos qualitativos são empregados nas pesquisas quando se tem pouco conhecimento sobre um fenômeno, ou se pretende descrevê-lo de acordo com o ponto de vista do sujeito. A coleta de dados é um dos procedimentos da pesquisa qualitativa e a entrevista se configura como uma técnica de coleta de dados.
Neste sentido, a pesquisa qualitativa para este trabalho foi realizada sob a forma de entrevistas semi-estruturadas. Foi traçado um roteiro (apêndice A) para direcionar a entrevista, e as questões elaboradas consideraram o embasamento teórico da pequisa. Como foi utilizada a entrevista semi-estruturada, o roteiro de perguntas permitiu que os entrevistados discorressem sobre outros aspectos importantes do tema.
O enfoque das entrevistas nos desafios e oportunidades para o REDD no Brasil pôde assegurar que conseguiríamos extrair as opiniões destes atores de uma forma mais detalhada, e permití-los discorrer mais livremente acerca de outras questões que julgassem pertinentes ao REDD. Este enfoque, posteriormente, nos daria os insumos para construirmos uma matriz SWOT (quadro 4.2), conforme será visto adiante.
As entrevistas complementam o objetivo deste trabalho, que é a identificação das diferentes posições dos informantes-chave, para o mapeamento de consensos e discensos em torno do tema no Brasil. O quadro (4.1) a seguir relaciona os atores entrevistados e seus respectivos cargos e instituições:
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Entrevistado Data da entrevista Cargo/ Instituição
Setor Governamental
Ronaldo Serôa da Motta 08/06/11 Coordenador de Estudos Ambientais - IPEA
Mauro Pires 17/06/11 Diretor do Departamento de Políticas de Combate ao Desmatamento - MMA
Thelma Krug 21/06/11 Representante do governo brasileiro nas negociações internacionais de mudanças climáticas e pesquisadora do INPE
Aloísio Lopes Pereira de Melo 22/06/11 Coordenador geral de Meio Ambiente e Mudancas Climáticas da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda
Natalie Unterstell 28/06/11 Gerente de Clima e Florestas no MMA Tasso Azevedo48 28/06/11
Consultor do MMA em questões de clima e florestas
Setor Não-Governamental
Paulo Moutinho 07/06/11 Diretor Executivo – IPAM
Márcio Santilli 21/06/11 Coordenador do Programa Política e Direito Socioambiental – ISA
Mariano Cenamo 14/06/11 Secretário Executivo – IDESAM
Fernanda Carvalho 22/06/11 Coordenadora Política - Mudanças Climáticas-TNC
Organismo Multilateral
Thaís Linhares Juvenal 15/08/11 Diretora Sênior - UN-REDD
Setor Acadêmico
Peter May 21/06/11 Docente UFRRJ e UFF
Mercedes Bustamante49 28/07/11 Departamento de Ecologia – UnB e Coordenadora-geral
de Gestão e Ecossistemas do MCT
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Tasso Azevedo figura na categoria Setor Governamental devido sua importante atuação nesse setor, como diretor geral do Serviço Florestal Brasileiro até o ano de 2009, apesar de estar vinculado atualmente ao governo como consultor do MMA.
49 Mercedes Bustamante se enquadra no setor acadêmico, como docente da Universidade de Brasília – UnB, e recentemente no setor governamental, como coordenadora-geral de Gestão e Ecossistemas do MCT.
128 Setor Empresarial
Marco Antônio Fujihara 14/06/11 Membro do conselho do FIP, consultor do Banco Mundial no Brasil para investimentos em sustentabilidade, diretor do Instituto Totum e diretor da Key Associados (Carbon Finance e Sustentabilidade Empresarial), membro da Associação Brasileira das Empresas de Mercado de Carbono (ABEMC)
Fabiana Philipi 17/06/11 Coordenadora de Sustentabilidade – Natura
Luís Alberto Saporta 19/09/11 Coordenador na área de Mudanças Climáticas e carbono da Fundação Brasileira para o Desenvolvimento
Sustentável – FBDS – organizadora da Coalizão das Empresas pelo Clima
Quadro 4.1: Atores entrevistados e seus respectivos cargos e instituições. Fonte: Elaborada pela autora.