1. INTRODUCCIÓN
1.2. El surgimiento de la dimensión “Sluggish Cognitive Tempo”
O Estado do Pará14 é segundo maior estado do país em extensão territorial, e possui, segundo o Censo do IBGE de 2010, 7.581.051 habitantes, totalizando 143 municípios.
A capital do Estado é a cidade de Belém localizada às margens da Baia do Guajará. A cidade foi fundada em 12 de janeiro de 1616, por Francisco Caldeira Castelo Branco. A localidade era habitada por índios Tupinambás. No local foi erguido um forte no intuito de conquistar terras e eliminar a presença de holandeses que se posicionavam na foz do Amazonas, em Gurupá.
O primeiro sistema de governo adotado no Brasil foi o de Capitanias Hereditárias, no Pará a administração foi feita por capitães-mores subordinados ao Governador Geral do Brasil. Belém era a sede da Capitania do Pará, que era uma das sete capitanias que compunham o território que hoje compreende o Estado do Pará.
O fim da era colonial se deu no governo de Souza Coutinho. Em sua gestão que foi criado o Círio de Nossa Senhora de Nazaré15, considerada hoje a maior festa religiosa do Brasil. Em 1815 as capitanias gerais foram transformadas em províncias, sendo que a Província do Pará continuou com a capital em Belém.
A transição do sistema colonial para o imperial culminou com o fim do pacto colonial.
13 Metodologia desenvolvida para a elaboração do Atlas Geossociolinguístico do Pará.
14 Os dados histótico-sociais do estado do Pará e dos 12 pontos de inquérito apresentados nessa seção e no
Anexo B foram coletados no site do IBGE <www.ibge.gov.br> e em obras diversas, como “O Pará e seus municípios”, disponíveis na Biblioteca Artur Vianna (CENTUR).
15 Atividade religiosa que atrai anualmente, no período da festa, aproximadamente 2.000.000 de pessoas para
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Um dos fatos mais importantes da história paraense e brasileira foi a adesão do Pará à independência, em função de ter sido a última província a aderir ao movimento emancipacionista brasileiro. Por isso a representação do Estado do Pará na bandeira nacional como a estrela em destaque acima da frase positivista “ordem e progresso”.
Com a morte de Dom João VI, assumiu a coroa portuguesa o Imperador Dom Pedro I, e ao trono brasileiro foi indicado o príncipe Dom Pedro de Alcântara de apenas 7 anos, permitindo que uma regência administrasse o Brasil em sua menoridade. Nesse momento estourou na Província do Grão-Pará o movimento revolucionário denominado Cabanagem. A Cabanagem foi a mais radical e violenta revolta do período das regências no Brasil, com caráter eminentemente popular, envolvendo facções da elite e a massa popular, formada por índios, negros e mestiços, tendo por resultado a tomada do poder no Estado pelas classes populares, o que configura a singularidade desde levante. O movimento começou em 7 de janeiro de 1835 e terminou em 1840.
Um dos fatores de maior importância para a colonização da imensa extensão geográfica do Estado foi a construção da estrada de ferro Belém-Bragança, iniciada no governo do Visconde de Maracaju. No ano de 1896 foi publicada uma lei que autorizava o governador Lauro Sodré a proceder um programa de colonização com estímulo à imigração. No período de 1896 a 1900, verificou-se a entrada de 13.299 imigrantes de Portugal e da Espanha. O fator imigratório e a atração que a própria ferrovia exerceu sobre diversas camadas da população permitiram a fixação de grande fluxo de famílias nas proximidades dos trilhos de ferro, assim como propiciou o aumento de núcleos agrícolas. A inauguração da ferrovia aconteceu em 03 de maio de 1908. Graças à ferrovia, que favoreceu a agricultura, a colonização às suas margens sofreu menos com o declínio da produção da borracha. A ferrovia constituía importante papel na economia estadual, também porque era via de intermédio com o Estado do Maranhão.
Ao chegarem à Amazônia os espanhóis se depararam com a borracha-latex, extraída da seringueira – a Hevea brasiliensis. O produto era usado por nativos para brincar de bola e para untar suas vestes para se proteger da chuva. Não demorou para que se percebesse as propriedades do produto, que logo despertou interesse na Europa. Em 1839, o americano Charles Goodyer descobriu a vulcanização, processo que aumenta a resistência e a elasticidade da borracha, tornando-a insensível ao calor e ai frio. Países como Estados Unidos, Bélgica, Inglaterra, Espanha e Rússia se adiantaram e iniciaram o processo de industrialização do látex, produzindo luvas, mangueiras, pneus e outros materiais. Surgiu uma verdadeira corrida pelo produto o que ocasionou diversos fluxos migratórios para a Amazônia. A mão de
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obra de trabalho nos seringais, que era composta de caboclos e índios, recebeu entre os anos de 1877 e 1889 o reforço de pelo menos vinte mil nordestinos fugidos de uma avassaladora seca, após a abolição da escravatura milhares de negros livres se incorporaram às fileiras seringalistas.
A borracha determinou um período muito fausto na Amazônia. A Belém dos tempos áureos da borracha era a cidade dos palacetes neo-clássicos inspirados nos modelos europeus, em especial os franceses e portugueses. A rede urbana crescera tanto que Belém era a quarta cidade brasileira em população. A esse período fausto da economia do setor gomífero, que permaneceu até o final da primeira década do século XX, se deu o nome de Belle Époque
Paraense. O desenvolvimento do setor foi interrompido a partir do advento da Primeira Guerra Mundial.
Em 1891 tomou posse como primeiro governador constitucional do Estado do Pará, o engenheiro militar Lauro Sodré. Em seu governo ocorreu a invasão do Amapá por tropas francesas, mas a invasão foi repelida.
Com a revolução de 1964, assim como no Rio de Janeiro, tomou posse do governo uma junta militar, que dissolveu o congresso estadual. Assumiu o governo do Estado, como interventor José América de Almeida Barata que seria reeleito mais tarde após grandes conflitos políticos. O governo militar impulsionou a ocupação da Amazônia com a construção da rodovia transamazônica, uma obra “faraônica” que possui 4.977 km de comprimento, ligando Cabedelo, na Paraíba, a Benjamin Constant, no Amazonas, cortando sete Estados brasileiros: Paraíba, Ceará, Piauí, Maranhão, Tocantins, Pará e Amazonas. As obras da rodovia, bem como a implementação de diversos outros projetos nas áreas da agricultura, pecuária e mineração, propiciaram a migração de milhares de pessoas para as regiões sudoeste e sudeste do Estado, advindas de outras regiões do Brasil, especialmente da nordeste e centro- oeste.