6 KUNSTNERISKE INNTEKTER OG ANDRE INNTEKTER
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Gostaríamos de enfatizar, neste ponto, as concepções de Koch; Bentes; Cavalcante (2008), pois as autoras teceram amplos pressupostos teóricos sobre o fenômeno da intergenericidade. As autoras atribuem o fenômeno da intertextualidade a um processo pelo qual um texto ou gênero textual pode se inserir em outro, se transformar em outro, ou imitar outro texto, ocorrendo entre eles uma relação de forma e de conteúdo (KOCH; BENTES; CAVALCANTE, 2008). Este fenômeno foi estudado a partir de uma concepção restrita, ou seja, aquela capaz de apresentar as marcas de co-presença de partes de textos em outro; ou de derivação de um texto para outro. Reconhecemos que as diversas caracterizações do processo intertextual por autores distintos decorrem da heterogeneidade de critérios utilizados pelos teóricos para a abordagem dos tipos intertextuais.
De acordo com as autoras Koch; Bentes; Cavalcante (2008), o fenômeno da intertextualidade resulta do uso de elementos intertextuais, que são identificados e/ou reconhecidos intuitivamente pelos leitores. Para alguns estudiosos, o fenômeno tem
autonomia ao ser usado pelo produtor, independe do reconhecimento pelo receptor/leitor da informação (CAVALCANTE, 2004).
A concepção de intertextualidade enquanto processo autônomo é relevante para a compreensão dos modos pelos quais a intertextualidade se estabelece em textos. As autoras, Koch, Bentes; Cavalcante (2008), apresentam a caracterização dos modos de constituição da intertextualidade, sob duas vertentes: no sentido estrito (stricto sensu), atestada pela presença necessária de um intertexto, nas palavras das autoras. Quando um texto está inserido em outro texto, numa relação intertextual, classificada em intertextualidade temática, estilística, explícita e implícita, esta última pode ocorrer por captação ou subversão. E intertextualidade no sentido amplo (lato sensu), que é constitutiva de todo e qualquer discurso, e pode ser: intertextualidade intergenérica e tipológica, além da classificação de intertextualidade restrita, paratextual, arquitextualidade, metatextualidade, hipertextualidade e as relações de derivação. As autoras mencionam, ainda, a autotextualidade ou intratextualidade, que ocorre quando um autor ou compositor usa em seu texto trechos de outras obras suas.
As autoras mostram que, através do uso de outro gênero, uma relação de superposição ou cruzamento caracteriza a intertextualidade intergenérica. Ao usar a intergenericidade como um recurso para estabelecer comunicação, o gênero promocional cria um espaço novo para formas genéricas, mesmo aquelas cristalizadas, como a poesia, o conto, a notícia, o bilhete, a piada, a carta e outros, ao manter os sentidos desses gêneros (estratégia denominada de captação) ou do desvio (denominada de subversão) da forma composicional, conteúdo ou estilo do gênero-base (KOCH; BENTES; CAVALCANTE, 2008).
Porém, para que esses sentidos sejam “captados” pelo leitor, é necessário “mobilizar
um vasto conjunto de saberes e sua reconstrução no interior do evento comunicativo”, conforme analisa Koch (2009), proporcionando a decodificação da mensagem pelo leitor, uma
vez que “o sentido do texto é construído na interação texto-sujeitos”, (KOCH, 2009, p. 17).
Daí nossa preocupação em compreender o modo como os elementos do contexto sócio- cognitivo se organizam na superfície textual, inclusive ao utilizar outros gêneros textuais, como contos, poemas, canções, provérbios, quadrinhos, charges, piadas, fábulas, anúncios publicitários, etc, para construir o sentido desejado.
Koch; Bentes; Cavalcante (2008) trabalham ainda as tipificações da intertextualidade, a saber: temática, estilística, explícita e implícita. Dessas formas15 de
15 Não temos a pretensão de detalhar essas classificações, apenas mencioná-las como parte das tipologias que se tem em vistas ao tema, assim como não mencionaremos o détournement, pois não temos a pretensão de entrar no
materialização da intertextualidade no texto, as autoras mostram que há duas formas de intertextualidade no sentido amplo que não se realizam por meio da presença de outros textos, mas que perpassam o domínio dos gêneros do discurso, que são: a intertextualidade
intergenérica, que faz uso de gêneros textuais, e a intertextualidade tipológica, que engloba as sequências e os tipos textuais, quando estes se manifestam com determinadas características linguísticas, como classe gramatical preponderante, predomínio de determinados tempos e modos verbais, relações lógicas, estrutura sintática etc., em um mesmo texto.
A apropriação de um gênero para compor outro atende ainda às necessidades do produtor e de suas intenções interpessoais para alcançar o leitor. Koch; Elias (2006, p. 116)
mostram que “[...] a mescla de gênero é um recurso de que dispõe o produtor do texto para
alcançar o seu propósito comunicacional e a que deve estar atento o leitor para a construção
de sentido”. Por sua vez, o reconhecimento desse recurso pelo leitor depende da “[...]
competência metagenérica [...]”, oriunda das experiências sociocomunicativas (KOCH; ELIAS, 2006, p. 11).
Koch; Bentes e Cavalcante (2008, p. 88) apresentam ainda o recurso de “[...]
formatação genérica que auxilia no estabelecimento tanto da referência, como na construção
da progressão referencial”. A partir das relações intertextuais, as autoras propõem a análise da
forma composicional, da temática e do estilo, além da paráfrase de sentido, pois o cruzamento e a superposição de um gênero em relação a outro constitui estratégias de manipulação de sentidos dessa forma intertextual.
Acreditamos, igualmente, que a intertextualidade no gênero é vista como estratégia
que produz dinamismo e criatividade para atrair o leitor ao “partilhar conhecimentos prévios”
(KOCH, 2003b, p. 60). Ela se apresenta em diversas tipificações e pode ser utilizada de diversas formas para criar determinados sentidos, seja com finalidade informativa, poética, humorística, persuasiva, argumentativa ou qualquer outra. Para Vigner (2002, p. 32-33), a intertextualidade está relacionada aos sentidos que um texto constrói a partir de outro, e isso que pretendemos demonstrar na análise dos anúncios do corpus.
Deste modo, as concepções teóricas de Koch; Bentes e Cavalcante (2008), sobre o conceito e as tipificações de intertextualidade, cuja abordagem centra-se na Linguística de Texto, têm sido bastante estudadas na abordagem do fenômeno intergenérico. E embora, não constitua a base teórico-metodológica do nosso trabalho, acreditamos que, juntamente com a proposta teórico-metodológica de Bazerman (2006), ambas as perspectivas podem se unir
mérito do caráter intertextual desta categoria, no entanto, para maior compreensão ver Grésillion e Maingueneau (1984), Koch, Bentes; Cavalcante (2008), Koch (2011) entre outros.
para propor terminologias para melhor designar as manifestações da intergenericidade, pois ainda são limitadas.
No item seguinte, apresentamos a proposta de Bazerman (2006), que tomamos por base para sustentar nossas análises sobre o fenômeno da intergenericidade.