4.2 Ressurser knyttet til skolen
4.2.3 Eksternt samarbeid
a) Teoria cognitivista
J.P. Guilford (apud Kneller, 1978: 53) foi um dos psicólogos pioneiros que avaliam a criatividade. De acordo com Guilford, a mente humana envolve 120 fatores ou capacidades diferentes, que formam duas classes principais; capacidades de memória (menor) e capacidade de pensamento (maior). As capacidades de pensamento se subdividem em:
• cognitivas: reconhecem informações; • produtivas: geram novas informações;
• avaliativas: julgam informações que são produzidas. As capacidades produtivas se subdividem em:
• convergente: formulação de respostas lógicas para o problema;
• divergente: formulação de alternativas variadas à procura de várias soluções para o problema;
Como podemos observar, o pensamento divergente é aquele que favorece a criatividade, uma vez que oferece várias alternativas para a solução de problemas. Para Guilford (apud Wechsler, 1993: 13), a criatividade estaria na operação do tipo divergente. O psicólogo relacionou o pensamento criativo com a resolução de problemas. Dessa forma, o pensamento criativo envolveria a elaboração de respostas diferentes.
Guilford (apud Wechsler, 1993: 15) apresenta alguns fatores que arrolam o pensamento divergente:
a) Fluência vocabular: capacidade de gerar várias idéias. Pode ser ideativa, associativa e expressiva:
• Fluência associativa: capacidade de fornecer palavras para uma área restrita de significados;
• Fluência ideativa: competência de trazer à tona várias idéias em uma situação problema;
b) Flexibilidade: capacidade de interpretar algo de forma diferente.
c) Originalidade: capacidade de produzir respostas diferentes ou incomuns.
d) Elaboração: capacidade de tecer detalhes para a obtenção de um determinado produto.
Os traços de personalidades também são importantes para o desempenho criativo. As características mais importantes da pessoa criativa são: estar aberto às novas experiências, ser tolerante às ambigüidades e ser sensível a novas informações.
Para Kneller (1978: 55), a educação ao invés de priorizar o pensamento divergente está presa no pensamento convergente, pois ensina o estudante a achar respostas que a sociedade julga certa. Lipman (2001: 213) corrobora tal afirmativa. Para o autor, o ensino é o responsável por tornar os alunos submissos no modo de pensar e no comportamento: “A
escola é um local onde aprendemosas coisas certas nas quais devemos acreditar e onde aprendemosaagir adequadamente”. De acordo com o autor, o educador deve levar o aluno a pensar criticamente. Para ele, o pensar crítico irá ajudá-lo a evitar a pensar acriticamente e a agir de forma irrefletida.
Assim como os autores acima citados, acreditamos que quando os educadores oferecem aos alunos oportunidades que favoreçam o pensamento divergente, fornecem também subsídios para o desenvolvimento da criatividade.
b) Teoria educacional
Paul Torrance (apud Wechsler, 1993: 16) foi um dos grandes estudiosos na área da educação. Segundo a teoria de Torrance, nas fases da produção criativa há uma mistura do pensamento convergente com o divergente. O pensamento divergente deve aparecer na fase de formulação de hipóteses. Nessa fase, idéias precisam ser soltas, fluentes, flexíveis, sem julgamentos ou críticas, deixando fluir a fantasia e a imaginação. O ambiente deve ser estimulador e não punitivo para propiciar as melhores idéias. De acordo com essa teoria, o pensamento divergente favorece o processo de testar as hipóteses. As idéias originais que surgiram na fase anterior serão julgadas e avaliadas em diferentes aspectos.
Raths (1997: 31) corrobora as afirmações acima. O autor afirma que é fundamental ensinar o educando a trabalhar com hipóteses, pois considera que quando o indivíduo faz
levantamento de hipóteses para solucionar um problema, está utilizando operações de pensamento. Para o filósofo,
uma hipótese é uma proposição apresentada como possível solução para um problema. Sugere uma forma de fazer alguma coisa. Muito freqüentemente, também representa um esforço para explicar como algo atua, e é um guia para tentar a solução de um problema. É uma proposição provisória e representa um palpite.
Diante do exposto, verificamos que um bom educador precisa sempre apresentar à classe um problema e pedir para que os alunos sugiram várias hipóteses de resolvê-lo. Com isso, favorecerá o pensamento divergente.
Uma das mais importantes etapas do processo criativo, apontadas por Torrance, é a fase de comunicação de resultados. É só por meio da divulgação de seu produto que o artista avalia o impacto de sua obra. As falhas de seu produto que não foram percebidas antes são, nessa fase, percebidas por ele.
A criatividade, na visão de Torrance, pode ser estudada por meio de fatores cognitivos e características emocionais. Os fatores da criatividade envolvidos na área cognitiva são: fluência (quantidade de idéias expressas), flexibilidade (mudança de categoria de idéias incomuns) e elaboração (embelezamento das idéias). (cf. Wechsler, 1993: 16)
As palavras e os desenhos também podem revelar características das pessoas criativas. Nas palavras, as características da pessoa criativa são: emoção, fantasia, analogia e perspectivas incomuns. Nos desenhos, as características são: emoção, movimento, perspectiva incomum, perspectiva interna, fantasia, combinação, riqueza e colorido da imagem, humor, resistência ao fechamento de idéia e extensão de limites. (Wechsler, 1993: 18)
Observamos, em nossa prática pedagógica, que os educadores priorizam e reforçam o pensamento convergente, uma vez que os estudantes devem encontrar uma única resposta para os problemas. Há uma punição para melhorar a aprendizagem e isso só dificulta o surgimento da criatividade. Para reverter tal situação, é necessário que o educador aplique
atividades, que partam do interesse do aluno e de sua motivação interna, pois essa possui um efeito duradouro.
Torrance investigou e constatou que as crianças norte-americanas da quarta série estavam diminuindo a criatividade, uma vez que estas são punidas na sala de aula. Os professores valorizam a criança obediente e passiva ao invés da criança questionadora. (cf. Wechsler, 1993: 18)
Quando as crianças são reprimidas na sala de aula, o ensino torna-se desmotivador e sem nenhum aproveitamento. Para Lipman (2001: 97),
obrigar crianças a memorizar meros conteúdos é privá-las das oportunidades de discernir relações e formar julgamentos; é fazer com que sua experiência escolar seja sem sentido. Por outro lado, fornecer tais oportunidades é estimulá-las a pensar por si mesmas, a fazer julgamentos e a envolverem-se no pensar de ordem superior.
Kneller (1978: 38) acrescenta que a criança sempre tem uma paixão enorme pela descoberta. A educação deve oferecer oportunidades para alimentar esse desejo. Para o autor, a criança “em lugar de simplesmente receber o conhecimento de seus mestres e
manuais, ela deve recombinar por seus próprios meios aquilo que aprende”. Se os
educadores aceitarem o conhecimento como coisa dada, ele permanecerá “inerte” e abafará a imaginação natural.
Torna-se necessário que os educadores se conscientizem desse problema e tentem resolvê-lo, utilizando estratégias adequadas para obter alunos críticos e criativos. Dessa forma, contribuirão para o ímpeto natural da criatividade. Para Kneller (1993: 96),
o mestre deve receber bem as idéias originais de seus estudantes - mais do que isso, deve espiaçá-los para esse fim - sempre e em todos os assuntos. Em primeiro lugar, podemos estimular os estudantes a ter idéias originais - idéias que, pelo menos, sejam originais para eles.
Os educadores podem obter melhores resultados em relação à aprendizagem se trabalharem de forma criativa. Os alunos que aprendem pouco de forma autoritária poderiam aprender muito mais de uma forma criativa. O que temos observado, em nossa
prática pedagógica, é que a escola insiste em priorizar a memorização dos conteúdos, fazendo pouco uso do pensamento divergente. Salientamos que não basta que os educadores “encham a cabeça” dos alunos com conhecimento, é preciso exercitá-los no uso desses conhecimentos. Para tanto, é necessário que os educadores ensinem os educandos a pensar por meio de atividades que envolvam comparação, interpretação, resumos, levantamento de hipóteses e inferências.