4.3 Skole-hjem-samarbeid
4.3.2 Eksternt samarbeid i praksis
Durante muito tempo, as palavras “imaginação” e “fantasia” pertenceram unicamente à história da filosofia. A psicologia se preocupou com esses vocábulos somente há algumas décadas atrás. É por esse motivo que a fantasia e a imaginação estão sempre em desvantagem em relação à memorização dos fatos, no ambiente escolar. Para Rodari (1982: 137), ouvir com paciência e recordar são as características do modelo escolar mais cômodo. Hegel (apud Rodari, 1982: 137) nos legou a distinção entre “imaginação e fantasia”. Para o autor, ambas são indicativas da inteligência. Entretanto, a inteligência como imaginação é vista como puramente reprodução e a fantasia como um ato criativo. Como podemos observar, havia uma certa diferença entre fantasia e imaginação, mas atualmente nem a filosofia, nem a psicologia diferenciam esses vocábulos. Para Rodari (1982: 137), não há problema algum em utilizá-los como sinônimos.
Todos os autores abordados nesta pesquisa ressaltam a importância da fantasia no pensamento criativo. Wechsler (1993: 58) postula que, desde o início da infância, a fantasia pode ser vista como uma maneira de resolução de problemas. Por meio de jogos imaginários, são trabalhadas diversas situações como o medo, a necessidade de ter amigos e também a identificação com os papéis feminino e masculino. Segundo a autora, brincar e fantasiar faz parte da infância, pois assim que as crianças adquirem o controle da linguagem, a fantasia passa a ser internalizada por meio de pensamentos e idéias. Para Piaget (apud Wechsler, 1993: 58), quando o adulto imagina algo é como se fosse uma brincadeira interiorizada. Dessa forma, a fantasia no adulto é o brincar da criança.
imaginar é ter algum tipo de idéia sobre alguma coisa que não está presente; é perceber, mentalmente, o que não foi totalmente percebido. É uma forma de criatividade. Ficamos libertos do mundo dos fatos e da realidade e podemos chegar a locais onde talvez nunca alguém tenha estado, onde nunca estará outra pessoa. Mas viajamos apenas em fantasia. Criamos imagens mentais. Em outras palavras, imaginamos.
Raths (op. cit.: 30) questiona se às vezes não descrevemos o pensamento como imaginação e se temos a pretensão de dizer a mesma coisa quando falamos em pensar criativamente. Para o autor, a imaginação exige que deixemos de lado o que é comum, requer invenção e originalidade, liberdade para pensar no que é novo e diferente.
Para Ostrower (2001: 20) o que fornece amplitude à imaginação é a capacidade de associar objetos e eventos, é poder manipulá-los mentalmente, sem necessitar de sua presença física. Para a autora, as pessoas são levadas ao mundo da fantasia por meio de associações e isso não pode ser considerado como devaneios.
A nossa sociedade não valoriza a fantasia. Podemos observar que pais, professores, familiares não aceitam que a criança use a imaginação. Alguns pais reprimem alguns mitos, bem como: o Papai Noel e o Coelhinho da Páscoa. No entanto, esses mitos são de suma importância para o desenvolvimento criativo da criança. O psicanalista Bruno Betlelheim (apud Wechsler, 1993: 59) demonstrou que proibir a criança de acreditar nesses personagens é torná-la despreparada para a vida adulta. O estudioso cita como exemplo o caso de um garoto cujo pai se vestiu de Papai Noel e no meio da festa retirou a fantasia para que o menino soubesse a “verdade”. A criança teve uma reação inesperada por todos da festa: começou a gritar desesperadamente “Por que o verdadeiro Papai Noel não aparece para mim?”. Os pais da criança ficaram perplexos, pois não entendiam que o filho, para enfrentar a vida, não conseguia acreditar em explicações racionais.
Muitos estudiosos têm encontrado obstáculos para desenvolver a fantasia. Wechsler (1993: 59) encontrou inúmeras barreiras quando tentou trabalhar o desenvolvimento dessa habilidade nas crianças. Em um de seus trabalhos, ofereceu leituras sobre marcianos, discos voadores, etc. A autora ficou decepcionada com o resultado, pois alguns pais tiraram seus filhos do programa com receio de que estes perdessem o contato com a realidade e dessem asas à fantasia.
Assim como a autora, acreditamos que os pais confundem fantasia com loucura. Observamos que os pais bloqueiam demais a fantasia da criança. Quando uma criança diz que não vai ao banheiro porque lá tem bruxa, a atitude da mãe é sempre dizer para a criança que ela não deve inventar modas. Ou se a criança diz ter um amigo imaginário é logo punida. Na verdade, os problemas acontecem porque os pais desconhecem que existem muitas diferenças entre o pensamento infantil e o pensamento adulto.
Virgolin (1994: 49) também ressalta a importância da fantasia. Para a autora, a saúde mental passa pelo jogo de ir e vir, sem que ocorra perda da realidade, possibilitando a elaboração de conflitos, anseios e fantasias:
É o poder ir e vir da fantasia para a realidade (e vice-versa) que faz a pessoa saudável, no exercício pleno de sua liberdade. Os indivíduos que vivem só na fantasia, incapazes de “pôr os pés no chão”, assim como aqueles que só vivem a realidade, incapazes de sonhar, de ousar sair da rigidez de seus hábitos, são aqueles que estão mais comprometidos em termos de sanidade mental.
Muitos estudiosos da área desenvolveram estudos que permitiam às pessoas fazerem uso de sua imaginação no pensamento criativo. De Mille (apud Alencar, 1993: 47) elabora vários jogos infantis, para que as crianças aprendam que há ocasiões para a fantasia e ocasiões para a realidade e que ambas devem ser valorizadas.
Virgolin & Alencar (1994: 120) propõem exercícios que estimulam o uso da imaginação. Vejamos alguns: “o que aconteceria se... (eu me tornasse invisível, fosse capaz de ler o pensamento dos outros, desaparecessem todos os livros da terra, se os cachorros tivessem asas, se tivéssemos quatro braços ao invés de dois...etc.)” , “se eu pudesse ...”, “se eu fosse...”, “se você tivesse uma varinha de condão, o que tornaria maior, menor, mais colorido, mais quente, mais engraçado...?”, “imagine e desenhe o mundo no ano 3000” e outros.
Quando o objetivo é liberar a imaginação, os educadores não devem pedir fatos confirmadores, pois a fantasia ultrapassa os dados. O educador pode, por exemplo, por meio até de desenhos, solicitar ao aluno que represente uma enxaqueca, ou a vida no espaço. No Japão, por meio de jogos, peças teatrais, dança e farta literatura infantil, a
fantasia da criança é cultivada. Há materiais escolares de altíssima qualidade que são utilizados tanto pelos pais como por professores para estimular a criatividade. (cf. Alencar, 1993: 85)
As lendas folclóricas, histórias de assombração e contos de fadas também são importantes para favorecer o pensamento criativo. Existem depoimentos de escritores que foram influenciados por essas histórias, como também relatos de cientistas famosos que declararam ter utilizado a fantasia para esquecer a solidão. Para ressaltar a importância da fantasia no processo criativo Torrance (apud Wechsler, 1993: 61) define:
• Criatividade é fazer castelos de areia – e torná-los reais ou até mais fantásticos. • Criatividade é sonhar sonhos impossíveis – e depois alcançá-los.
• Criatividade é imaginar como é estar na lua – e depois ir até lá e explorá-la.
• Criatividade é ler as “20.000 mil léguas submarinas’ de Júlio Verne – e depois construir uma cidade debaixo d’água.”
• Criatividade é tecer contos nas nuvens – e depois colonizar os espaços. • Criatividade é sentir o potencial da criança – e ajudá-la a desenvolvê-lo.
Por meio desses exemplos, demonstramos a importância da fantasia e da imaginação para o pensamento criador. Existem inúmeros exercícios que os educadores podem aplicar para desenvolver essas habilidades. Infelizmente, em nossa sociedade, observamos que os pais não têm o hábito de contar histórias para seus filhos, não cultivam mais a fantasia e a televisão, com suas idéias prontas, funciona como uma babá eletrônica que transforma a criança num ser passivo.
2. 1. 5 Inconformismo
A pessoa criativa é inconformista, possui idéias originais e é aberto à experiência. Esse indivíduo conta com a habilidade de enxergar sob diferentes pontos de vista. Crutchfield (apud Wechsler, 1993: 62) faz considerações importantes a respeito de inconformismo e da crença que o indivíduo precisa ter em suas próprias idéias:
O conformismo acarreta falta de confiança em si próprio e enfraquece o poder criativo da pessoa ao lhe retirar a fé nos pensamentos e poder da imaginação. O conformismo inibe a habilidade de sentir e pensar sobre a realidade e a falta de contato com o real arruína totalmente o pensamento criativo.
Diante do exposto, nos certificamos o quão importante é para a criatividade a característica do inconformismo, pois um indivíduo conformista jamais será capaz de querer criar algo de novo. A pessoa criativa precisa ser inconformista e lutar contra as pressões da sociedade para realizar suas descobertas. É interessante ressaltar que o indivíduo criativo não pode ser confundido com o rebelde. Wechsler (op.cit.: 62) estabelece uma diferença entre o indivíduo inconformista e o rebelde. Para a autora, a pessoa rebelde defende sua identidade de forma agressiva, ao passo que o sujeito inconformista aceita as regras sociais desde que estas não interfiram em seus planos.
Eiduson (apud Wechsler, 1993: 63) realizou estudos para avaliar as características da personalidade de diversos cientistas e constatou que estes possuíam idéias incomuns e apresentavam uma enorme necessidade de fugir de padrões habituais de pensar. As biografias de gênios na área de ciências também foram analisadas e houve a constatação de que Lavoisier e Galton eram pessoas independentes nos julgamentos e não se incomodavam pelo modo que eram vistos pela sociedade.
Para Freire (1996: 63), é preciso reforçar a capacidade crítica do educando e sua insubmissão, dentro de uma rigorosidade metódica, para que ele não se torne um simples “memorizador”. O educador pode trabalhar a percepção crítica de seus educandos, por meio de atividades adequadas. Citaremos dois exercícios propostos por Lipman (2001: 207) para desenvolver essa habilidade:
a) Conscientemente levantando questões como: O que sabemos...? Como sabemos...? Qual é a prova para...?
b) Fazer inferências a partir de provas e reconhecer quando as inferências sólidas não podem ser realizadas.
Propiciando o desenvolvimento de atividades como essas, o educador fará com que seus alunos reflitam sobre a realidade que os cerca e os estimulará a não se conformarem em receber tudo pronto.