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Vedlegg 2: Ekskluderte studier
A primeira referência encontrada sobre as Lições de coisas na documentação do Colégio foi na publicação Echos, na seção “Proclamação dos prêmios obtidos pelos alumnos do Collegio Archidiocesano durante o anno lectivo de 1925”. Esta seção era recorrente na publicação e era uma das formas de valorizar os alunos que tinham se saído bem durante o ano letivo. Além da atribuição dos prêmios, as notas também eram divulgadas. Nos “Premios nas diversas disciplinas”, no 3º ano primário, há prêmios para: Catecismo, Leitura, Recitação, Portuguez, Arithmetica, Geographia, História do Brasil, Lição de cousas, Desenho, Calligraphia, Procedimento e Assiduidade (Echos, 1926, p. 47). Para o 2º ano primário A aparece: Catecismo, Leitura, Recitação, Portuguez, Arithmetica, Geographia, Lições de cousas e Desenho (Echos, 1926, p. 49). Essa referência aparecerá ainda em outros anos.
Quadro 3.1
Prêmios obtidos pelos alunos do Colégio Arquidiocesano
Ano Ano do ensino
primário
Disciplinas escolares
1925 3º ano Catecismo, Leitura, Recitação, Português, Aritmética, Geografia,
História do Brasil, Lição de coisas, Desenho, Caligrafia, Procedimentos e Assiduidade
1925 2º ano A Catecismo, Leitura, Recitação, Português, Aritmética, Geografia,
Lições de coisas e Desenho
1927 3º ano Catecismo, Leitura, Português, Aritmética, Geografia, História do
Brasil, Caligrafia, Desenho, Lições de coisas e Recitação
1927 2º ano Catecismo, Leitura, Português, Aritmética, Geografia, Desenho,
Lições de coisas e Caligrafia
1933 3º ano Religião, Caligrafia, Leitura, Aritmética, Desenho, Recitação,
Português, Geografia, Historia pátria, Lições de coisas, Trabalho manual e Ginástica
1933 2º ano Religião, Leitura, Cálculo, Geografia, Caligrafia, Português, Recitação,
Desenho, Lição de Coisas, Trabalhos manuais e Ginástica Fonte: Colégio Arquidiocesano. Echos. 1926-1934.
Na premiação e nos quadros de notas, as Lições de coisas estão lado a lado das disciplinas que configuram o curso preliminar, dando a impressão de que eram vistas
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dessa mesma maneira. Isto remonta à discussão do final do século XIX entre Leôncio de Carvalho e Rui Barbosa sobre a maneira pela qual entendiam as Lições de coisas nos programas de ensino. No decreto de 19/04/1879, Carvalho incluiu as “noções de coisas” como disciplina que deveria ser ministrada nas escolas primárias de 1º grau no município da Corte, proposta que foi criticada por Rui Barbosa nos pareceres que escreveu em 1882. Segundo ele, não deveriam ser consideradas uma disciplina e sim, enquanto método de estudo, fazer parte de todo o programa de ensino:
A lição de coisas não é um assunto especial no plano de estudos: é um método de estudo; não se circunscreve a uma secção de programa, abrange o programa inteiro; não ocupa, na classe, um lugar separado, como a leitura, a geografia, o cálculo, ou as ciências naturais: é o processo geral, a que se devem subordinar todas as disciplinas professadas na instrução elementar. No pensamento do substitutivo, pois, a lição de coisas não se inscreve no programa; porque constitui o espírito dele; não tem lugar exclusivo ao horário: preceitua-se para o ensino de todas as matérias, como o método comum, adaptável e necessário a todas (Barbosa, 1947, p. 215 apud Schelbauer, 2005, pp. 137-138)
De acordo com Schelbauer (2005, p. 138), Leôncio de Carvalho responderia às afirmações de Rui Barbosa justificando a opção pelas lições de coisa como disciplina “para não incorrer nos equívocos dos partidários exclusivistas dessas lições que chegam a banir as teorias em gramáticas e em aritmética sob o fundamento de que o ensino simples e positivo vale muito mais”. Segundo a autora, tal discordância sobre a maneira como deveriam ser implementadas as lições de coisas também foi problematizada por Buisson, que identificava dois sistemas: como um exercício à parte ou inserido em todo o programa de ensino:
O autor fala da importância de que as lições de coisas fossem inseridas em todo o programa de ensino, seguindo a forma como os americanos empregavam as suas
object lessons, de que elas fossem trabalhadas como ‘uma língua viva, uma lição falada ou pensada’, a exemplo dos trabalhos desenvolvidos por Mme. Pape- Carpentier (Schelbauer, 2005, p. 135).
Souza (2005), em texto sobre currículo e método intuitivo nas escolas primárias dos Estados Unidos (1860 a 1880), pontua que o termo object teaching também foi usado em vários sentidos:
(...) de forma mais ampla para referir-se aos princípios gerais para a educação formulada por Pestalozzi e outros, isto é, um método geral para o ensino e, em sentido mais restrito, como um conteúdo particular do programa de ensino do ensino primário incluído na rubrica instrução oral ou lição de coisas (2005, p. 22).
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Apesar de parecem uma disciplina no documento mencionado, não é possível precisar se eram consideradas dessa forma no ensino. As lições de coisas ainda aparecem em outros números da revista. Na “Proclamação dos premios obtidos pelos alumnos do Collegio Archidiocesano durante o anno lectivo de 1927” na parte em que são premiados os alunos dos cursos preliminares nas diversas disciplinas, consta que no 3º ano foram premiados os alunos em Catecismo, Leitura, Portuguez, Arithmetica, Geographia, Historia do Brasil, Calligraphia, Desenho, Lições de cousas e Recitação. Os prêmios de “aplicação e procedimento” e “constância” não estão presentes na seção destinada às disciplinas, mas na seção de “prêmios de honra”, diferente do que apareceu em 1925. A Lições de cousas também aparece nos prêmios atribuídos aos alunos do 2º ano preliminar, juntamente com Catecismo, Leitura, Portuguez, Arithmetica, Geographia, Desenho e Calligraphia.
Após alguns anos sem constar no quadro de premiação, em 1933 voltam a fazer parte dessa seção. No terceiro ano primário aparece no “posto de honra” os alunos que se destacaram em Religião, Caligrafia, Leitura, Aritmetica, Desenho, Recitação, Português, Geografia, Historia patria, Lições de coisas, Trabalho manual e Ginastica. No segundo ano primário os alunos foram premiados em Religião, Leitura, Calculo, Geografia, Caligrafia, Português, Recitação, Desenho, Lição de Cousas, Trabalhos manuais e Ginastica.
Pela descrição feita fica evidente a falta de regularidade das lições de coisas na premiação divulgada pelo Echos, aparecendo nos quadros dos 2os e 3os anos primários nos anos de 1925, 1927 e 1933.
Outro material consultado foi o Livro de exames finais do ensino primário em que aparecem os nomes dos alunos e as notas que obtiveram nos exames finais dos anos letivos de 1928 a 1937. Foram montados três quadros que indicam as disciplinas que aparecem no Livro de exames do 1º ao 3º ano, no período indicado.
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Observados os quadros, percebe-se que no 1º ano do ensino primário as disciplinas escolares que se mantiveram ao longo dos anos foram Catecismo, Leitura, Caligrafia, Contas – depois aparecendo como Cálculo e Aritmética – e Desenho, a partir de 1930. De 1933 em diante há as disciplinas de História Pátria e Geografia e chama a atenção a falta de espaço no currículo para as disciplinas ligadas às ciências. Somente em 1934 aparecem as Noções de ciências e, no ano seguinte, ela é excluída e aparecem as Lições de coisas, presentes nos anos de 1934 e 1935.
No quadro 3.3, vemos que as disciplinas escolares que são constantes são as mesmas às do quadro 3.2. As lições de coisas, neste caso, aparecem somente no ano de 1933, juntamente com o Trabalho manual e ambas serão excluídas já no ano seguinte da grade do 2º ano. No quadro 3.4, vemos que é também em 1933 que as
lições de coisas aparecem como disciplina escolar e será mantida por mais um ano. A
disciplina de Ciências depois é incluída em 1937.
Se compararmos com os dados encontrados na revista Echos, vemos que as
lições de coisas foram mencionadas nas grades do ensino primário além dos anos de
1925, 1927, 1933 e 1935, também em 1934 e 1936, sendo presente na proposta educacional do Arquidiocesano nas décadas de 20 e 30.
Apesar de não termos referências sobre os motivos dessas alterações, sabemos que as lições de coisas faziam parte do programa estabelecido no Guia das escolas para os colégios maristas. Uma das partes desse documento intitula-se “Metodologia especial das aulas elementares”; “sob o nome de metodologia especial designa-se a maneira de que se vale o mestre para ensinar as diversas matérias do ensino: leitura, escrita, aritmética e outras” (Furet, 2009, p. 201). Dentre as matérias abordadas estão leitura, escrita, língua materna, aritmética, história, geografia, lições de coisas e ginástica, canto e desenho. No documento, há a ressalva de que o Guia não poderia abordar todas as matérias, pois parte seria de competência de “mestres de certa experiência”, enquanto outras seriam específicas de determinados países.
O Programa de Lições de coisas estava voltado à iniciação dos alunos menores nas ciências e deveria ocorrer através do estudo de coisas familiares. Nesta proposta, o conhecimento rudimentar das ciências físicas e naturais seria transmitido por procedimentos intuitivos (Furet, 2009, p. 243).
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Compreende uma multidão de noções tomadas de empréstimo da botânica, da zoologia e da mineralogia. A física e a química contribuem com a sua parte. A higiene e a agricultura se prestam a múltiplas lições e a indústria oferece outras muito interessantes. O essencial está menos na extensão do programa do que na maneira de tratar cada um dos pontos por meio de métodos apropriados ao espírito da criança (Furet, 2009, p. 243).
Também estava prescrita a utilização de materiais escolares, que deveriam compreender “objetos in natura, ou amostras e gravuras para tudo o que não se pode conservar ou acondicionar por causa das suas dimensões” (Furet, 2009, p. 244). O acervo do Colégio incluía inúmeros objetos que se enquadram na breve descrição acima. Mesmo não sendo possível identificarmos quais eram usados, sabemos que o Arquidiocesano possuía material suficiente para colocar em prática tal proposta.
Um exemplo de uma lição sobre o pão é dado, demonstrando a necessidade de diversos materiais. Além do pão, fácil de ser obtido, seria necessário “um pouco de farinha, farelo e algumas espigas de trigo” e, ainda, “gravuras que representem um moinho, ou uma moagem, as sementes, a ceifa, a gadanha ou foicinha etc.” (Furet, 2009, p. 244). Tais objetos constituiriam o museu escolar, que não deveria ser organizado conforme o museu científico.
Tratando-se de vegetais, é inútil armazenar aí exemplares de plantas raras classificadas por famílias ou acompanhadas por nomes latinos. É preciso limitar-se a recolher plantas da região e separá-las em plantas úteis, plantas nocivas, plantas de pomares e jardins, plantas do campo ou outras classificações que estão ao alcance dos alunos. O mesmo ocorre com insetos, minerais, objetos usuais. No momento da lição, o mestre encontra, no seu museu, as amostras necessárias para as suas explicações e próprias a provocar o espírito de observação dos alunos (Furet, 2009, p. 244).
O museu poderia ser mantido ou organizado por qualquer pessoa. Mais do que apresentar aparelhos complicados, seria importante que os alunos verificassem alguns fenômenos que lhes chamasse a atenção ao mesmo tempo em que se instruíam.
O documento apresenta, ainda, o andamento de uma lição:
1º. O mestre indica o assunto da lição e põe sob o olhar dos alunos o objeto que será o ponto de partida das suas questões intuitivas.
2º. Convida os alunos a nomeá-lo e faz com que digam o que sabem das suas qualidades, emprego, propriedades etc.
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3º. O mestre faz a exposição das noções novas, segundo o plano que escolheu; por meio de perguntas, retoma os parágrafos que acaba de desenvolver, antes de passar aos seguintes.
4º. Quando o mestre tiver detalhado todos os pontos de seu ensino, faz um resumo da lição, servindo-se do quadro negro (Furet, 2009, pp. 244-245).
Nota-se que o objeto a ser abordado na lição deve ser colocado “sob o olhar dos alunos”. É por meio da observação que os alunos chegam às noções de ciência e é o sentido da visão que acaba sendo mais valorizado durante as aulas.
As perguntas feitas pelo mestre são da mesma forma muito importantes e, segundo o Guia, essa forma de ensino pode ser nomeada como inventiva22:
Forma criativa. Quando o mestre se vale da forma inventiva, consegue-se uma sequência de perguntas e respostas, uma atraindo a outra, e cuja essência muito animada convém perfeitamente aos meninos. Inicialmente, essas perguntas têm por finalidade recordar fatos conhecidos e, em seguida, servir de ponto de partida para descobrir verdades novas ou consequências ainda despercebidas (...) Esta forma de ensino deve prevalecer nas aulas elementares e geralmente ser aí empregada (Furet, 2009, pp. 146-147).
Apesar de serem somente orientações metodológicas, acreditamos que há chance de terem sido seguidas no Colégio Arquidiocesano, já que o guia era um documento oficial dos Irmãos Maristas que descrevia o pensamento pedagógico e educativo a ser seguido nas escolas nas diferentes partes do mundo.
É preciso considerar, além disso, que essa organização da aula de lição de coisa era similar a outras orientações pedagógicas que circulavam nesse mesmo período. A
Revista Escolar, publicada pela Diretoria Geral de Instrução Pública de São Paulo,
dedicava um de seus capítulos às lições de coisas e trazia exemplos de aulas. A partir de um tema central, era descrito o diálogo entre o professor e os alunos, como um modelo de uma boa aula a ser seguida. Normalmente, o objeto ou algo que o representava era apresentado aos alunos, mas outras aulas eram simplesmente iniciadas pelo professor a partir de um comentário sobre o objeto, sem necessariamente tê-lo consigo. Mesmo não havendo orientações metodológicas aos professores leitores da publicação, percebe-se que, a partir das perguntas e respostas, o professor conduzia os alunos a pensarem sobre o objeto que estava sendo apresentado, as suas funções e utilidade para o ser humano, procurando ampliar o
22 Segundo o Guia, há duas formas de ensino, a expositiva e a inventiva. Na forma expositiva, o mestre enuncia a verdade, sem que o aluno precise procurá-la por si (Furet, 2009, p. 145).
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conhecimento já obtido por eles. Esta organização é possível de ser observada no trecho de uma aula cujo tema era o amendoim:
O AMENDOIM
Alumno – Porque estão esses amendoins ahi, em cima de sua mesa?
Professor – Estão amendoins vieram até aqui, para a nossa lição de hoje.
A. – Eu sei para que serve o amendoim, depois de torrado, para fazer pés de
moleque.
P. – Si fôsse só essa a utilidade do amendoim, não valia a pena tratarmos delle. A. – Eu já vi uma enorme plantação de amendoins, mas achei muito exquisito o modo de crescerem as vagens dessa planta.
P. – Porque?
A. – Porque as vagens crescem enterradas no sólo. P. - Assim é, com effeito.
É preciso capinar varias vezes a plantação e trazer a terra sempre fôfa, para obter uma boa colheita.
A. – É uma plantação que deve render muito.
P. – As colheitas dependem do tempo, do modo de tratar as plantas, do terreno e não raro das sementes. Geralmente 10.000 metros quadrados de terreno plantado pódem dar até 8.000 kilos de amendoim.
A. – Qual a utilidade dessa planta, si não é só para a gente comer amendoim torrado, fazer as gostosas passócas e os pés de moleque?
P. – Destas sementes se extrae um oleo de optima qualidade, quasi tão bom como o da azeitona.
A. – Que pena não termos bastante desse óleo para dispensar a gordura e a banha que estão por preços fabulosos!
P. – Infelizmente ha falta de cultura de tão util planta. A. – Donde veiu o amendoim?
P. – É uma planta nossa, e com grande facilidade poderia ser bôa fonte de riqueza. A. – Não precisa de muito adubo?
P. – O amendoim dispensa as terras muito ferteis. As farinhas de ossos queimados, na proporção de 800 a 1.000 kilos por alqueire de terra, e a potassa, constitúem esplendida adubação. Quando se dispuzer de cal, espalhe-se essa substancia durante a ultima lavra preparatoria do sólo... (Diretoria..., 1925, pp. 34-35).
Diálogos semelhantes a esse também ilustraram diversos livros didáticos de
lições de coisas e, apesar das semelhanças, é importante lembrar que as propostas não
eram todas iguais, havendo, inclusive, discordância sobre os livros que eram considerados bons.
Como é sabido, a adoção do método intuitivo fez com que muitas escolas adquirissem certos objetos e passassem a ter museus escolares. Alguns eram doados por museus ou instituições de ensino ou pesquisa, ou coletados pelos próprios alunos e professores, mas muitos eram comprados de empresas especializadas nesse segmento. A compra de determinados objetos pelas instituições escolares trouxe uma nova relação entre as escolas e o mercado, que viu nessas instituições um potencial
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consumidor. Concomitantemente, a consolidação de um mercado de materiais escolares também possibilitou que mais escolas comprassem seus produtos, divulgados amplamente num ambiente que se mostrou bastante lucrativo.
No Arquidiocesano, foram se configurando novos espaços que atendiam prioritariamente às demandas do ensino secundário. O Gabinete de Física e museu foram ampliados, tanto em relação ao espaço, quanto em relação aos materiais de ensino. O que antes era chamado de museu foi ganhando contornos mais específicos, sendo desdobrado nos acervos de Química e História Natural, além dos instrumentos que já pertenciam ao gabinete de Física.
Mesmo reconhecendo que o Colégio possuía diversos objetos que poderiam ter sido usados no ensino primário de acordo com o método intuitivo, percebemos que a organização desses objetos priorizou critérios que levavam em conta as especificidades das disciplinas científicas do ensino secundário.
Na condição de Colégio que oferecia tanto o ensino primário quanto o secundário, é preciso considerar as peculiaridades da instituição que, como vimos, procurava seguir as orientações governamentais em relação a este último segmento, tendo criado, com o passar dos anos, os laboratórios e gabinetes de ensino. Estes espaços, apesar de não serem configurados para o ensino primário, tinham diversos materiais que poderiam ser usados para as lições de coisas, especialmente o que se refere ao acervo do Museu de História Natural, que incluía animais taxidermizados, inúmeros quadros parietais, modelos de corpo humano, herbário, exemplares de minérios, entre outros.
Apesar das poucas fontes encontradas sobre o ensino primário no Colégio, sabemos que as orientações dos Irmãos Maristas previam o ensino das lições de coisas, que o Colégio incluía essa proposta em seu ensino - inclusive premiando os alunos que se destacavam - e, por fim, que possuía material abundante para desenvolver a proposta. O ensino por meio dos objetos tinha como objetivo educar os sentidos e, mesmo sendo reduzidas as informações que encontramos sobre o assunto, a nossa hipótese é de que o Colégio procurava fazê-lo na educação dos menores e, posteriormente, dava continuidade a essa proposta no ensino secundário, já não com a mesma perspectiva do ensino concreto, central no método intuitivo, mas buscando
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educar os sentidos por meio de atividades práticas e experimentais, sobretudo no ensino das disciplinas de Física, Química e História Natural.