Behov for videre forskning
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Elemento do grupo amador Associação Filarmónica Milagrense (Monção). Excertos de entrevista realizada no dia 10 de Dezembro de 2013, no Cine Teatro João Verde (duração total: 35 minutos)
(o grupo Filarmónica Milagrense) É um grupo de Monção mas tem sede num pequeno lugar
do concelho, numa freguesia rural, Milagres. Tem tradição sobretudo na música, aquilo é uma
terra que tem duzentas pessoas e sobretudo tem músicos… É interessante perceber que aquela
gente está virada para as artes. Nunca tinham ouvido falar de teatro e, de repente, criaram uma disponibilidade e vontade e algum génio naquilo que fazem. No Carnaval costumavam juntar-se e faziam qualquer coisa… Quando vim há vinte anos (trabalhei profissionalmente numa companhia de teatro em Braga) fui desafiado pelas pessoas e comecei a fazer algumas coisas. Aproveitei o que sabia e, como havia esse potencial, fomos trabalhando algumas coisas (isto em 94), esporadicamente, muito levemente e, entretanto, eis que aparece uma estrutura profissional (CdM) que se preocupa com os grupos amadores e que quer dinamizar e impulsionar e isso para nós foi ouro sobre azul, isso permitiu-nos crescer.
(o início da colaboração com as CdM) As Comédias fizeram aqui um curso de iniciação
teatral, na biblioteca (Monção), logo no ano em que surgiram e, como é óbvio, não perdemos oportunidade. Vieram uma série de associações de outros concelhos. Nós já estávamos organizados e despertos para isso e assim nos mantivemos. Trabalhamos com as Comedias já lá vão dez anos, uma vezes mais, outras menos mas mais agora com a chegada do João Pedro.
(como se operacionaliza a colaboração das CdM) Desde que trabalho com as Comédias que
eles fazem um trabalho muito próximo. Todas as semanas vem um actor, este ano trabalhámos com o Rui Mendonça, no passado trabalhámos com o Luís (Filipe Silva). Começámos por trabalhar com as Comédias uma vez por semana, vinha cá um elemento mas desde a chegada do João Pedro essa intervenção alargou-se porque eles abriram-se e criaram espaço onde nós naturalmente podemos entrar. Essa penetração torna-nos quase elementos das Comédias. Eu sinto-me quase elemento das Comédias, eu sinto-me Comédias, e isso é que eu acho que veio mudar, eles conseguirem chegar até nós. Já nem sabemos se somos uma associação local, se somos Comédias (…). De repente penetramos em tudo, temos as nossas limitações, não somos profissionais, temos outras profissões mas é interessante fazer espectáculos no meio dos profissionais (…). Com a chegada das Comédias, a nossa actividade limitou-se praticamente ao teatro porque é tão absorvente que já não temos tempo para tudo o resto. Ao todo somos uns 30
mas regularmente somos 14 a 16, temos desde os miúdos de 8, 9 anos até 65, 68 anos (…).
(o que mudou com colaboração das CdM) Depois da chegada das Comédias a nossa
actividade começou a ser mais regular. Antes era muito mais esporádico, tínhamos um ou dois espectáculos de dois em dois ou de três em três anos, agora temos o FITAVALE todos os anos. Também colaboramos em produções das Comédias e há uma série de outras coisas que fazemos. Por vezes aparece um grupo que quer trabalhar connosco. A semana passada fizemos um espectáculo nosso, as Comédias não participaram mas estavam por detrás disto, se não fossem elas nós não tínhamos conseguido. As Comédias do Minho são muito importantes para nós mas não podemos ficar completamente dependentes das Comédias. Queremos fazer espectáculos nossos, queremos fazer coisas nossas, é evidente que vamos ter com eles quando precisamos(…).
(a vida artística enquanto opção profissional) Ainda não há ninguém que tenha enveredado
pelo caminho artístico, alguns falam que gostavam mas ainda não há ninguém. Há uma coisa importante, eles encaram isto não como uma saída profissional mas como uma actividade amadora.
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(colaboração CdM e Filarmónica Milagrense) Colaboramos de várias formas, participamos
em espectáculos (…) Tivemos a Casa Grande, eramos para aí sete ou oito ou dez elementos, os mais novos têm entrado sempre, todos os anos… As Comédias avisam-nos previamente que vão precisar de alguns de nós (…).
(colaboração com os outros grupos amadores) Nós não sabíamos da existência dos outros
nem eles sabiam da nossa. A partir da chegada das Comédias criou-se uma rede…
Pontualmente talvez aconteça uma colaboração, se o elo de ligação for as Comédias. As Comédias são o elemento agregador. Através das Comédias é diferente, estão presentes em todos os lados e da mesma maneira. Nós dizemos que temos uma relação privilegiada com as Comédias, não temos, todos têm uma relação privilegiada.
(o contributo das CdM para a comunidade) Claramente, começámos a ver teatro. Para mim
é inconcebível as Comédias deixarem de existir, eu tenho mesmo necessidade de ver espectáculos, é mais agradável ver aqui e dá-me muito prazer ver aqui espectáculos que não se diferenciam em termos de qualidade com o resto do País. Eu não concebo que uma estrutura como esta, de proximidade, algum dia possa desaparecer. É um risco que corremos, às vezes depende de quem está no poder. As pessoas gostam das Comédias, identificam-nos, conhecem- nos, não os estranham nem os sentem como exteriores, mas isso percebo, são pessoas que vieram dar algo de novo que não sabíamos que nos fazia falta mas se nos tirarem sabemos que nos vai fazer falta. Agora faz falta. O teatro faz falta. Mesmo os miúdos, eu vejo os miúdos lá da terra, eles sabem quem são e falam… Há vontade e já está entranhado.
(a postura das CdM) As Comédias chamam a comunidade a participar e isto é fundamental.
Eles perceberam que isto é um território distante mas não quer dizer que não tenha pessoas boas e inteligentes e com necessidades, e perceberam que não podiam pôr-se lá em cima, tinham de ser como nós. Há coisas engraçadas, andava aí um movimento de motards de 50 cm3 a fazer aqueles passeios deles e o João Pedro viu-os passar e disse-me “Quero-os na Deu-la- Deu”. Fomos ter com eles, eles ficaram completamente loucos e ainda hoje dizem que querem
voltar a participar. Ele foi muito próximo, metia-se no meio deles, brincava com eles(…).
(considerações finais) Tenho duas filhas que participaram em situações das Comédias e
começaram muito novas, na escola e aqui na associação. Na escola, o meu sobrinho há dias
queria escrever sobre as Comédias e ligou-me… Para o meu sobrinho eu sou Comédias. Se
formos falar com as pessoas, sabem que somos Milagres mas temos qualquer coisa a ver com as Comédias. Não distanciam. Isso é bom. Nós continuamos sempre a fazer coisas nossas e isso é crescimento, eu acho que é importante (…) e dá-me prazer dizer “Fizemos mais um espectáculo sem vocês”.
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