• No results found

Ejector efficiency calculation from Coolselector

3.4 Coolselector R 2 calculation and selection software from Danfoss

3.4.3 Ejector efficiency calculation from Coolselector

Para iniciar esta discussão a respeito das inter-relações entre a Física moderna e a Estética Relativista do Impreciso e do Paradoxal, primeiramente, é necessário estabelecer com maior exatidão o que será comparado ou relacionado entre estes dois campos: ciência e arte, ou seja, qual ou quais parâmetros irão compor este quadro relacional. Basicamente, as questões analisadas se referem principalmente à Filosofia da Física Moderna (Filosofia da Ciência), em sua influência ao pensamento da sociedade desde o início do século XX, com as revoluções científicas da Mecânica Quântica e da Teoria da Relatividade, e, consequentemente, às reflexões sobre a arte e a música – em sua teoria, estética e composição. Para desenvolver este paralelo, busquei elencar – a partir da produção literária de Koellreutter – alguns conceitos em comum que sintetizavam as teorias e visões de diversos físicos, assim como as propostas de alguns compositores. Isto é, foram selecionados alguns conceitos-chave que, através de um quadro comparativo, pudessem evidenciar tanto

transformações paradigmáticas na ciência quanto na música, de forma geral.61 Esta terminologia selecionada corresponde principalmente a seis noções-chave: Relatividade; Paradoxalidade (Dualidade); Acausalidade; Imprevisibilidade (Incerteza); Entrelaçamento e Complementaridade. Considerei mais sensato partir dos referenciais filosóficos e epistemológicos da física, em razão de, em minha formação não possuir especialidade na área (física), sendo assim, seria mais acessível discutir esta proximidade entre as áreas a partir da Filosofia da Ciência. Além disso, de acordo com a abordagem utilizada nos textos e aulas de Koellreutter, que também não possuía uma formação nesta área, é possível notar que o músico também se baseou nesta perspectiva para desenvolver o seu pensamento – sendo as referências bibliográficas citadas em seus livros/artigos, condizentes com esta afirmação. Certamente, estou ciente de que este é apenas um fragmento de toda a complexidade destas teorias físicas, porém, justifico o não aprofundamento nesta pesquisa em cálculos e equações desta área, pelo fato de que seria desnecessário tal adensamento no trabalho, já que, as relações discutidas estariam mais relacionadas a um âmbito filosófico e seus desdobramentos estéticos.

Ao discutir questões referentes à Estética Relativista do Impreciso e do Paradoxal, de Hans-Joachim Koellreutter, primeiramente, é necessário alertar que este tema não esta presente em um documento definitivo, completo e publicado, mas sim, que se trata de uma visão desenvolvida pelo compositor alemão apresentada em diversos textos, artigos, seminários e apostilas de sua autoria – além de dissertações, teses, artigos e documentários de outros autores que abordam esta estética. Sendo assim, para compreender a perspectiva do autor, foi preciso reunir diversas obras como A procura de um mundo sem “Vis-à-vis” – Reflexões estéticas em torno das artes oriental e ocidental (1984); Introdução à estética e à composição musical contemporânea (1987); Introdução a uma Estética Relativista do Impreciso e do Paradoxal (1987-1990); Por uma nova Teoria da Música, por um novo ensino da teoria musical (1988); Terminologia de uma Nova Estética da Música (1990); Sobre o valor e o desvalor da obra musical (1997); A música na Era Tecnológica (1997); A Imagem do Mundo na Estética de Nosso Século (1997), entre outras, para que pudesse compreender com mais profundidade a perspectiva do autor. Além de seus próprios escritos, também utilizei como referência as dissertações de mestrado: A linguagem sonora como meio de

61

É importante frisar que, apenas no capítulo 3 – após estas discussões e equiparações conceituais entre a física e a música – é que estas noções serão relacionadas à obra de Tom Zé. Neste momento, restrinjo a minha análise a uma síntese mais geral destas mudanças de paradigma, descrevendo pontos de vista da física moderna e da estética de Koellreutter. Sendo assim, não necessariamente, todos os conceitos elencados aqui estão presentes nas músicas do compositor baiano – como é possível observar nas análises de seus álbuns.

comunicação: o processo construtivo da Estética de H. J. Koellreutter, de Maria Amélia Décourt (2002); Koellreutter: Um caminho rumo à Estética Relativista do Impreciso e do Paradoxal, de Ligia Amadio (1999); Criar e comunicar um novo mundo: As idéias de música de H. J. Koellreutter, de Maria Teresa Alencar Brito (Teca Brito) (2004), além de dissertações que envolviam indiretamente esta temática.

As pesquisas do compositor e teórico Eufrásio Prates também foram de grande relevância para esta pesquisa, já que o autor também buscou delinear esta aproximação conceitual entre a física e a música62, entre estas, podemos citar sua dissertação Música

quântica – de um novo paradigma estético-físico-musical: transversalidade e dimensão

comunicacional (1997), e a tese Música holofractal em cena: experimentos de transdução semiótica de noções da física holonômica, da teoria do caos e dos fractais no campo da improvisação performática (2012). Além disso, Prates também foi aluno de Koellreutter e manteve uma grande proximidade com o maestro entre as décadas de 1980 e 1990, desta forma, acredito que esta busca em aproximar estas áreas seja uma espécie de retomada das propostas estéticas do maestro alemão.

No entanto, penso que o material a possuir um maior número de referências do próprio autor (Koellreutter) sobre esta Estética Relativista – ou talvez, que mais interesse aos propósitos desta pesquisa - está presente na apostila do curso que o maestro ministrou no Instituto de Estudos Avançados – IEA da Universidade de São Paulo - USP. A apostila do curso Introdução a uma Estética Relativista do Impreciso e do Paradoxal, ministrado pelo educador alemão neste instituto, na segunda metade da década de 1980, apresenta um vasto panorama de definições conceituais utilizadas pelo próprio autor.63 As apostilas, ainda não publicadas, correspondem à “transcrição datilografada das aulas a partir de gravação em cassete. Este trabalho foi realizado pela Dra. Lilian Assaf, musicista e aluna de Koellreutter, sob a supervisão do próprio autor” (DÉCOURT, 2002, p. 8).

Fundamentalmente, a Estética Relativista do Impreciso e do Paradoxal, dialoga com ramos bastante distintos, entre eles a filosofia, a composição e a educação. No âmbito

62 Prates utiliza, basicamente, os conceitos de Relatividade; Paradoxalidade; Atemporalidade; Acausalidade;

Imprevisibilidade; Multidimensionalidade e Omnijetividade para estabelecer estas relações analógicas. No entanto, nesta pesquisa, utilizo apenas alguns destes conceitos como Relatividade; Paradoxalidade e Imprevisibilidade, porém com algumas divergências semânticas. A noção de Acausalidade é utilizada com outro significado e são acrescentados mais dois termos: Entrelaçamento e Complementaridade. Além disso, para esta aproximação, Prates se baseia em conceitos dos sistemas de significação (Semiótica) de Charles S. Peirce, divergindo da proposta deste trabalho.

63 Obtive um exemplar desta apostila com a Profa. Dra. Maria Teresa (Teca) Alencar de Brito, do departamento

de Música da USP, que também foi discente de Koellreutter e manteve, por anos, um grande contato com o compositor alemão.

relacionado à educação musical, o educador buscava ampliar a visão dos alunos que participaram deste curso – estendendo a abrangência de seus proferimentos através de apostilas e artigos –, de forma a transformar esta visão mecanicista, presente no pensamento europeu do século XVII, XVIII e XIX, que englobava a música tonal do Classicismo e Romantismo. O teórico defendia a noção de que deveríamos nos atualizar, nos aproximar de um conhecimento que abrangesse mais disciplinas e ciências, excedendo ao racionalismo e não nos atendo apenas à música em si. Desta forma, o maestro alemão afirmava que o músico e o compositor faziam parte de um novo paradigma que as novas descobertas científicas estavam estabelecendo. Ou seja, Koellreutter buscava integrar a arte e ciência, afirmando que estes dois universos realizavam intercâmbios e compartilhavam diversas noções em comum. “O corpo teórico da Estética Relativista apresentado no curso relacionava a música ocidental à oriental, assim como à filosofia da física quântica e a diversas teorias ocidentais” (DÉCOURT, 2002, p. 7).

O autor estabelece uma distinção a partir de dois momentos sócio-histórico-culturais distintos, sendo estes, a música tonal e a música “contemporânea”. De acordo com os comentários da educadora musical Margarete Arroyo, sobre o texto Por uma nova Teoria da Música, Por um novo ensino da Teoria Musical (1988), o foco que o teórico desenvolve sobre o “fato de que essas duas músicas são construções resultantes de determinadas visões de mundo, explicita a interpretação que a Etnomusicologia e Sociomusicologia oferecem para a questão de como a organização sonora é estabelecida” (KOELLREUTTER, 1997, p. 51).

Desta forma, é possível considerar o pensamento do compositor alemão condizente com a atual corrente etnomusicológica, em que a música é vista como produto de uma cultura, ou seja, tanto a produção musical quanto o compositor são observados conjuntamente ao seu momento histórico-político-científico, sua comunidade, localização geográfica, posição social, vivência etc.64 Sendo assim, estas características “internas” da música e da arte, antes analisadas apenas por questões estéticas, estruturais ou mais estritas, não são desvinculadas de seu contexto histórico-político ou sociocultural.

Deste modo, o maestro propunha uma reformulação no pensamento musical, de forma que este incorporasse tanto questões composicionais e estéticas, quanto educacionais, sociais e culturais. Em um de seus escritos, Koellreutter afirma que a primeira metade do século XX, em função das novas descobertas científicas, transformou radicalmente a forma de ver o mundo:

64

Lembrando ainda da possibilidade de coexistência de estilos musicais pertinentes e contraditórios ao período histórico-social em que estão inseridos.

As descobertas em quase todos os domínios da ciência, na primeira metade deste século, esfacelaram os principais conceitos da visão newtoniana do mundo: as noções de tempo e espaço – os constituintes mais importantes de nossa vida sócio- cultural –, perderam seu valor absoluto, o princípio da causalidade, aparentemente persuasivo, assim como o ideal de uma descrição objetiva da natureza tiveram que ser revisadas. Essas revisões, naturalmente, não podiam deixar de refletir nas linguagens artísticas e na linguagem musical, em particular. Tão pouco, na sintaxe dessas linguagens, ou seja, no estabelecimento dos princípios de ordem, nos princípios de composição, improvisação e análise (KOELLREUTTER, 1997, p. 47).

Koellreutter buscava, através de um pensamento científico mais integrador, questionar esta visão cartesiana e racionalista de divisões, categorizações e medições, através de sua Estética Relativista, em que os opostos ou paradoxos eram vistos como complementares.

De acordo com o músico, esta grande transformação na teoria da música não ocorreu de uma forma abrupta, mas sim, foi naturalmente motivada pelas obras de grandes compositores como Franz Liszt (Bagatela sem tonalidade), Richard Wagner, Claude Debussy, Arnold Schoenberg, Anton Webern e Igor Stravinsky (KOELLREUTTER, 1997, p. 49).

De acordo com a definição de Koellreutter, a Estética Relativista é o “estudo que parte da premissa de que os componentes da composição musical não podem ser considerados independentemente um do outro. Baseia-se no conceito da física de que tempo e espaço são grandezas interrelativas” (KOELLREUTTER, 1987-1990, p. 2).

No campo da Física Clássica, as teorias de Isaac Newton (1643-1727) determinaram leis que a fundamentaram por muitos anos após a publicação de seu trabalho Philosophiae Naturalis Principia Mathematica, em 1687. As suas deduções são ainda muito úteis para a compreensão de diversos fenômenos naturais e até os dias atuais são ensinadas nas escolas de Ensino Médio em grande parte do mundo, sendo essenciais para o desenvolvimento da Mecânica Clássica. No entanto, no início do século XX, algumas descobertas causaram grandes transformações no cenário científico e Albert Einstein foi um dos grandes responsáveis pelo estabelecimento da Física Moderna.

2.3. Conceitos-chave: