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EIT TRESKIPA HUS FRÅ YNGRE BRONSEALDER (C53249)

Essa primeira sessão concebe os trabalhos selecionados que vislumbram a formação cultural voltada em alguma medida a uma emancipação que se aproxima do campo das teorias críticas. Os primeiros três trabalhos se relacionam ao abordarem a fragilidade da formação cultural apresentada em seus resultados e a conceberem-na como uma semiformação.

Eliete Martins Cardoso de Carvalho (2010) defende a ideia de que a política de formação de professores no Brasil oferece possibilidades para a formação cultural porque prevalece na legislação que a ampara, a liberdade acadêmica das instituições, mas os resultados apresentados em sua tese intitulada “A formação do professor da educação básica e a semicultura” indicam que os pontos frágeis e contradições observadas podem comprometer a qualidade dessa formação oferecida pelas instituições de ensino superior.

Ana Cristina da Silva Amado (2015), em sua tese intitulada “A instrumentalização na formação de professores e o elipse da formação cultural: a pseudoformação na licenciatura”, aborda a questão referente à preocupação que ronda a formação de professores por esta ser uma profissão formadora de outros e estar em semiformação, como concluiu o estudo, ao apontar que “as condições objetivas não permitem a experiência e a formação cultural quanto pela própria interferência institucional” favorecendo assim a precarização, salientando que os alunos que tem possibilidades de experiência tem dificuldade de refletir sobre elas e, os que não têm se quer acesso a isso tem condições de formação reduzidas e precarizadas.

Daniela Olorruama (2013), em sua dissertação “Estudo sobre a formação cultural: a semiformação do professor do ensino estadual da região central da cidade de São Paulo”, investigou os elementos presentes no processo de profissionalização

e atuação docente ligado a formação cultural e a semiformação de professores do ensino fundamental e médio da rede estadual na área central paulista e obteve como resultados que, predominantemente, se destacam aspectos da semiformação no processo formativo docente. A pesquisa revelou ainda que os professores costumam desenvolver as mesmas atividades nos mais variados aspectos de suas vidas sociais, confirmando a hipótese da autora de que os mesmos apresentam posicionamento similar ao que tange participação política e concepção análoga em relação à função atribuída à educação. Olorruama finda a pesquisa salientando o engajamento político dos docentes na escola e sugere que isso “pode se constituir como indícios de resistência e consciência crítica, nos quais ainda persiste o anseio por melhorias na educação” (OLORRUAMA, 2013, p. 9).

Por abordarem essa fragilidade que seus trabalhos evidenciam, as autoras abrem uma discussão que problematiza as formas como a formação cultural é tratada nos âmbitos universitários e além de apontarem para os perigos e prejuízos de estarmos diante de uma semiformação ainda salientam a relevância que ela pode assumir em uma perspectiva emancipatória dos sujeitos em formação.

Abarcando outros pontos, os próximos três trabalhos também balizados pelo viés da emancipação apontam em seus resultados uma expectativa da formação cultural como sendo capaz de produzir nos sujeitos, por esferas variadas, uma superação inclusive dessa semiformação que vem sendo tensionada.

Lívia Lara da Cruz estudou em sua dissertação as relações entre “Magistério e cultura: a formação cultural dos professores e sua percepção das potencialidades educativas dos museus de arte”. A pesquisa realizada com dois grupos de professores com motivações diferentes para frequentarem um museu apontou aproximações entre os grupos ao que tange suas origens sociais e distanciamentos em relação à instituição de formação e a relação mantida com os bens culturais. Nessa perspectiva, o estudo reforça a relevância que as instituições formadoras têm na constituição de um habito e frequência a espaços culturais, mas também mostrou que os hábitos culturais constituídos desde a infância possibilitaram a um grupo de docentes acessarem esses bens culturais quando mais velhos.

Elaine Maria Dias de Oliveira (2014) estuda a posição da formação cultural nos cursos de pedagogia em sua tese intitulada “Espelhamento e/ou estranhamento? A formação cultural (Bildung) como o outro da pedagogia” e conclui que o aparato legal que sustenta os cursos estudados abre espaços para que a

formação cultural se apresente tanto como espelhamento, quanto como estranhamento na formação docente, no sentido de que pela experiência hermenêutica se dá o caminho da experiência formativa e, ao mesmo tempo, aponta essa formação cultural “como potencial critico criativo, como o diferente que nos permite respeitar a alteridade, estabelecer o diálogo, construir elemento emancipatório com vistas à superação da semicultura na formação docente” (OLIVEIRA, 2014, p. 8).

Os trabalhos de Monique Nogueira (2008a, 2009 e 2010) que englobam a temática da formação cultural voltam-se para à cultura entendendo-a como algo mais amplo atentando sempre ao fato de ela sofrer modificações ao longo dos tempos. Seus estudos permitem fazer pensar sobre a importância de conhecermos as culturas e tentarmos expandir nossos conhecimentos referentes a ela(s). A autora (2010, p. 11) diz que “o homem anseia por absorver o mundo e, ao mesmo tempo, integra-lo a si mesmo”. Diz ainda que a arte tem um potencial transgressor e que vê a formação cultural dos professores como fundamental e urgente, pois, “como formador de futuros cidadãos, o professor antes de tudo, precisa estar conectado com o mundo da cultura, cultura essa entendida como patrimônio de todos” (NOGUEIRA, 2010, p. 11). Nessa perspectiva Nogueira enxerga essa formação como um esteio emancipador uma vez que ela pode subsidiar a muitos, algo que lhes é de direito.

Estas autoras aproximam seus trabalhos da ideia de emancipação ao vislumbrarem a formação cultural como elemento potencializador de superações especialmente daquilo que é tido como dado e legitimado.