3. Ulike språksyn
3.1 Eit ikkje-mentalistisk språksyn
Apresentaremos a seguir um resumo da vida e obra dos três grandes tragediógrafos da literatura grega, levando em conta as ressalvas de Thiercy:
Os biógrafos antigos dos autores gregos tiram geralmente suas informações de escólios duvidosos ou glosam o próprio texto, às vezes, de maneira muito fantasiosa. Inúmeras fábulas ligam-se, assim, à vida desses autores (...). (...) sem esquecer a distorção proveniente de caricaturas e paródias que deles fizeram os autores cômicos, especialmente Aristófanes em relação a Ésquilo e Eurípides. 212
Ésquilo (525-456 a.C.), filho de Eufórion, pertence a uma família nobre e nasce no povoado ático de Elêusis, no último ano da 63ª Olimpíada, ou seja, trinta anos antes de Péricles e de Sófocles, 45 anos antes de Eurípides. Segundo as lendas estimadas pelos gregos, Dioniso teria aparecido a Ésquilo em um sonho durante sua infância e teria revelado a ele sua vocação poética. Parece que estreou nos concursos trágicos aos 25 anos, e vive as principais
210 Jean-Pierre VERNANT, Entre Mito e Política, p. 361.
211 Jean-Pierre VERNANT e Pierre VIDAL-NAQUET, Mito e tragédia na Grécia antiga, p. 10. 212 Pascal THIERCY, Tragédias gregas, p. 17.
etapas da mutação que levou Atenas à democracia. Já era adolescente quando, no final do século VI, os atenienses expulsaram Hípias, após o assassinato de seu irmão Hiparco – filho do tirano Pisístrato, responsável pelo estabelecimento do primeiro concurso trágico, em 534 –, cujo governo provoca forte reação de ódio à tirania, antes da Constituição democrática de Clístenes.
De espírito guerreiro, Ésquilo combate nas duas Guerras Médicas, por ocasião da invasão persa em Atenas: em Maratona (490), quando perde, em combate, seu irmão Cinegiro; e na batalha naval de Salamina (480), já com 45 anos, quando Atenas, evacuada, é ocupada e incendiada pelo exército de Xerxes. Em Os persas (472), oito anos mais tarde, ele representará essa vitoriosa batalha por meio de duas tragédias de assunto mítico: Fineu e
Glauco de Pontnies. Obtém seu primeiro prêmio só em 484, mas, a seguir, acumula muitas vitórias, treze, a última delas com A Orésteia (458), única trilogia completa que chega até nós, composta por Agamêmnon, As coéforas e As eumênides, mais um drama satírico Proteu, que foi perdido. Prometeu acorrentado faz parte de uma trilogia cujo desfecho foi, certamente, a libertação do Titã, mas não se conhece sua data, e desde a Antiguidade há dúvidas de que tenha sido escrita por Ésquilo. Além de numerosos fragmentos, chegaram até nós sete tragédias de sua autoria.
Ésquilo, ateniense, morre em 456, e é enterrado em Gela, na Sícilia, onde havia se fixado dois anos antes. Muitas interpretações são dadas para seu exílio voluntário: afastamento de Atenas pela acusação de impiedade, ou abandono de sua ingrata pátria por despeito de ter sido vencido por Sófocles. Teve direito a um funeral grandioso e seu túmulo se transformou em lugar de peregrinação 213.
Dois filhos de Ésquilo também se tornam tragediógrafos: Evaion (ou Bíon) e Eufórion, que conquista quatro vitórias com peças do pai e obtém, por autoria própria, um primeiro prêmio, em 431, enfrentando Sófocles e Eurípides. Filocles, sobrinho de Ésquilo, por sua vez, é o vencedor do concurso em que Sófocles apresentou Édipo-rei.
Sófocles (497-405 a.C.) nasce em Colono, a cerca de vinte quilômetros de Atenas, num território de seu pai, Sofilos, um rico fabricante de armas. Dançarino talentoso e de rara beleza, dirige o coro dos efebos na celebração da vitória de Salamina, em 480.
Sua carreira é marcada pelo sucesso: já por volta de 469/468, com 28 anos, diz a tradição, ele faz representar suas primeiras peças, entre as quais Triptólemo, conquistando sua primeira vitória num concurso trágico ao vencer Ésquilo, concorrente daquele ano. Escreve
entre 115 e 130 peças e alcança 23 ou 24 vitórias com elas, e em nenhuma é classificado em terceiro lugar, o que é considerado um fracasso. Aos 87 anos ainda conquista o primeiro lugar, com Filoctetes.Durante doze anos compete com Ésquilo e, posteriormente, se torna rival de Eurípides, doze anos mais jovem.
Restam apenas sete tragédias completas de Sófocles: Ájax, a mais antiga, Antígona (442), As traquinianas, Édipo-rei (427), Electra (427), Filoctetes (409) e Édipo em Colono, com representação póstuma em 401.
Paralelamente a sua carreira teatral, Sófocles participa intensamente da vida política de sua sociedade. Em 443/442 foi helenotamias – tesoureiro-geral entre os dez administradores das finanças de Atenas –, e em 440 recebe dos atenienses, como recompensa por sua
Antígona, a função de estrategista, ou seja, de comandante do exército, participando com Péricles da expedição à ilha de Samos; em 431, com a Guerra do Peloponeso, é novamente estrategista e, em 413/412, proboulos – um dos dez membros da comissão especial, criada em Atenas após o desastre da expedição na Sicília e encarregada de promover a recuperação da cidade. Exerce, também, funções religiosas, como sacerdote do herói Halon e introdutor, em Atenas, do culto a Asclépio – o deus da medicina.
Da união com sua esposa Nicóstrata, nasce Iofon, que se torna um renomado poeta trágico; com sua concubina Teóris, teve outro filho, Aríston, pai de Sófocles, o Jovem, seu neto preferido e também poeta trágico. No final de sua longa vida, Sófocles sofre uma ação na justiça movida por Iofon, que exige a tutela dos bens de seu pai, talvez sob o pretexto de demência senil. No tribunal, contam, Sófocles contenta-se em recitar trechos da peça que estava compondo, Édipo em Colono, e é absolvido com aplausos.
Sófocles morre em 405, pouco antes da derrota final de Atenas. São prestadas honras fúnebres ao poeta e construídos uma estátua e um heroôn – monumento reservado aos heróis –, no qual é homenageado com o título de Dexion, ou seja, o Hospitaleiro.
Segundo Thiercy:
Os sofrimentos que Sófocles exprime em sua obra não parecem ser o reflexo de dores pessoais, mas talvez os de sua cidade querida, pois ele viveu todos os acontecimentos do século V: a hegemonia de Atenas, os anos de ouro do século de Péricles, a ascensão do imperialismo ateniense, e toda a guerra do Peloponeso, de 431 a 404, que resultou na derrota
de Atenas e numa crise terrível que abalou os valores morais, cívicos e religiosos tradicionais.
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E, por fim, Eurípides (480?-406/405 a.C.). Grande parte de informações sobre sua vida é oriunda dos gracejos dos poetas cômicos, especialmente Aristófanes. A tradição diz que Eurípides nasceu em Salamina, em 480, no dia da conhecida batalha de mesmo nome, num meio modesto, filho de uma vendedora ambulante. Na realidade, ele teria nascido quatro anos mais tarde, no seio de uma família bem estabelecida e culta, tornando-se um dos primeiros atenienses a possuir uma biblioteca. Acusado de misógino e misantropo; são atribuídos a ele dois casamentos infelizes e, diferentemente de Sófocles, manteve-se sempre afastado da vida pública 215.
Desafortunado em vida, a obra de Eurípides só obtém reconhecimento após sua morte. Já se passavam treze anos de participação nos concursos trágicos quando finalmente ocupa o primeiro lugar. No final da Guerra do Peloponeso, em 408, retira-se para Pela, na Macedônia, onde falece em 406. Um de seus filhos, Eurípides, o Jovem, faz representar, em Atenas, no ano seguinte, as peças que ele compusera na Macedônia: Ifigênia em Áulis, Alcméon em
Corinto, perdida, e As bacantes.