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In document Statens eierrapport (sider 148-152)

O Método Etnográfico permite um contato direto e prolongado da pesquisadora com a colaboradora da pesquisa e sua situação. Na coleta de dados há uma grande quantidade de dados descritivos, como fatos, ações, relações, formas de linguagem etc. Neste método, existe um esquema aberto que permite transitar entre observação e análise, entre teoria e empirismo, além de permitir a utilização de diferentes técnicas de coleta e de fontes de dados (cf. Marconi & Lakatos, 2004).

A partir dos anos 70, observou-se um considerável crescimento e interesse na chamada pesquisa qualitativa ou interpretativa. Esta pesquisa é baseada em métodos associados às ciências sociais (cf. Teixeira, 2005).

Por ter um caráter qualitativo, a pesquisa é operacionalizada com base no Estudo de Caso. Fez-se também necessário um estudo Exploratório, que aplicado à investigação qualitativa, permitiu à pesquisadora aumentar sua experiência em torno de certo tópico-problema (cf. Trivinõs, 1987), ou seja, a surdocegueira.

Desse ponto de vista, a pesquisa qualitativa (Richardson, 1999) é caracterizada como a tentativa de uma compreensão detalhada dos significados e características situacionais apresentadas pela colaboradora da pesquisa, J., e neste

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A Metodologia engloba métodos de abordagens e de procedimento e técnicas. Entendemos o método como uma forma de proceder ao longo de um caminho. Dessa forma, os métodos aqui empregados constituem os instrumentos básicos que ordenam de início o pensamento do pesquisador em sistemas, e vão traçar de modo ordenado a sua forma de proceder ao longo de um percurso para alcançar um objetivo (cf. Trujillo, 1974).

Os métodos, em geral, englobam dois momentos distintos: a Pesquisa, ou coleta de dados, e a Análise e Interpretação, quando se procura desvendar o significado dos mesmos (cf. Marconi & Lakatos, 2004).

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Para R. Tesch (1990), “a etnografia, a fenomenologia e o interacionismo simbólico fazem referência a tradições e perspectivas que os investigadores qualitativos adotam, embora a análise de casos refira-se a formas ou métodos de investigação e as histórias de vida e/ou a observação participante a formas de coletas de dados” (cf.Marconi & Lakatos,2004).

estudo também pela entrevista de sua mãe, bem como de sua irmã gêmea e seu irmão caçula. No entanto, o bom resultado da pesquisa depende da sensibilidade e intuição do pesquisador, que deve ser imparcial, procurando não interferir nas respostas dos entrevistados.

Para Minayo (2002), a pesquisa qualitativa responde a questões particulares, e corresponde a um espaço mais profundo das relações, dos processos e dos fenômenos que não podem ser reduzidos à operacionalização de variáveis, como ocorre na pesquisa quantitativa.

Na pesquisa qualitativa o pesquisador procura reduzir a distância entre a teoria e os dados, entre o contexto e a ação, usando a lógica da análise fenomenológica, isto é, da compreensão dos fenômenos pela sua descrição e interpretação. As experiências pessoais do pesquisador são elementos importantes na análise e compreensão dos fenômenos estudados. Para Teixeira (2005), a pesquisa qualitativa tem as seguintes características:

x O pesquisador observa os fatos sob a óptica de alguém interno à organização. x A pesquisa busca uma profunda compreensão do contexto da situação.

x A pesquisa enfatiza o processo dos acontecimentos, isto é, a seqüência dos fatos ao longo do tempo.

x Não há hipóteses fortes no início da pesquisa. Isso confere à pesquisa bastante flexibilidade.

x A pesquisa geralmente emprega mais de uma fonte de dados.

Para Borgan (In: Triviños, 1987) as características da pesquisa qualitativa são as seguintes:

x Ter ambiente natural como fonte direta dos dados; x Ser descritiva;

x Analisar intuitivamente os dados;

x Preocupar-se com o processo e não só com os resultados e o produto; x Enfatizar o significado.

Para Marconi & Lakatos (2004) à medida que os dados são coletados, são também interpretados, e isto pode levar à necessidade de novos direcionamentos.

As dificuldades encontradas quando da opção pela pesquisa qualitativa ficam por conta do trabalho exaustivo necessário à coleta de dados; da grande quantidade de dados que podem ser coletados e, principalmente, pela falta de métodos estabelecidos para a análise dos dados coletados. Apesar disso, o enfoque qualitativo tem obtido crescente popularidade pelo seu caráter rico e holístico.

A complexidade situa-se num ponto de partida para uma ação mais rica. Com base nessas reflexões, o estudo tem um caráter descritivo, que para Martins (1989) constitui “importância significativa no desenvolvimento da pesquisa qualitativa”, e tem o ambiente natural como fonte direta dos dados. Assim, a vida cotidiana da colaboradora da pesquisa, nas suas mais variadas manifestações, é o cenário de nossas indagações. Outrossim, cada fato, acontecimento ou fragmento das relações sociais reflete a realidade no seu todo. Nosso desafio é descobrir a articulação entre o significado objetivo dos fatos e a riqueza com que eles completam e, ao mesmo tempo, refletem uma compreensão nas interações de J. em seu meio familiar, escolar e social.

Além disso, os métodos quantitativos podem dar respostas satisfatórias para uma série de questões, mas não esgotam nossa compreensão a respeito dos eventuais problemas sobre os quais nos debruçamos em nosso estudo.

A base do conhecimento, qualquer tipo de conhecimento, é construída a partir da relação ontológica que se estabelece entre um Sujeito (O Cognoscente) e um Objeto (Objeto de conhecimento ou o Cognoscível). A relação Sujeito-Objeto se constitui como o problema fundamental da epistemologia (cf. Japiassu, 1992). Com base em seu estudo, temos acesso às fontes básicas do conhecimento científico e podemos nos situar dentro das várias vertentes filosóficas. Em síntese, a relação Sujeito-Objeto estabelece a base do ato de construir conhecimento e de acordo com o tipo de relação que se estabelece se tem uma determinada postura teórico- filosófica, que irá então nortear cada enfoque presente na pesquisa. Dessa forma, é nossa preocupação analisar a aplicabilidade de princípios, conceitos, e teorias pertinentes à aquisição da linguagem no contexto da surdocegueira, como objeto de

nosso estudo. Para Santos (1989), todo conhecimento irá traduzir o real, pensar sobre as condições de possibilidades e de pluralidade.

Ainda segundo Santos, todo conhecimento científico visa constituir-se em senso comum, ou seja, o conhecimento deve dialogar com outras formas de conhecimento deixando-se penetrar por elas. Portanto, a ciência se esvai num

continuum de uma racionalidade ordenada, previsível, quantificável e testável para

uma outra, que acatam o acaso e a desordem, é imprevisível, interpenetrável e interpretável, devendo, ao invés de se afastar, aproximar-se do senso comum e do local, sem perder de vista o discurso científico e o global.

Ainda seguindo pela linha de raciocínio de Santos (1989), estaremos construindo nesta pesquisa um Paradigma de complexidade, que se propõe superar as dicotomias do Reducionismo (o Uno) e do Holismo (o Múltiplo). O que se pretende é considerar as oposições, como por exemplo, a aquisição dentro dos padrões de normalidade e em situações adversas, como no caso de crianças surdocegas. Dessa forma, temos de considerar o fenômeno da surdocegueira em toda a sua complexidade e em contexto natural.

No prosseguimento de nossa argumentação, e nos situando com Bogdan & Biklen (1994), vamos pressupor que o estudo da aquisição da linguagem por uma surdocega consiste na observação da informante em diferentes contextos. A área de trabalho é delimitada, isto é, a delimitação é a aquisição da linguagem de J., como surdocega. A coleta de dados é feita de forma longitudinal, ou seja, os dados vão do nascimento ao desenvolvimento atual da colaboradora da pesquisa. As duas primeiras fases do desenvolvimento de J. são compostas pelos depoimentos da família. Na última fase, com encontros periódicos, mas não marcados com antecedência, estando na dependência de tempo disponível da pesquisadora, devido à função de professora da Secretaria de Educação do DF, entre outros afazeres e a interrupção se dá quando se acredita que atingiu o ponto de saturação, ou seja, não há mais novas informações sendo reveladas. No enfoque quantitativo, os fatos serão observados sob uma determinada perspectiva para fornecer indicadores e/ou níveis, testar determinadas hipóteses teóricas ou práticas, determinar causas e correlações entre diferentes observações e respostas.

Para Menga (1986) o estudo qualitativo é o que se desenvolve numa situação natural; é rico em dados descritivos, tem um plano aberto e flexível e focaliza a realidade de forma complexa e contextualizada, e isto está em conformidade com nossas necessidades no decorrer desse estudo, conforme ficará demonstrado.

Ainda segundo esse autor, os investigadores qualitativos interessam-se mais pelo processo do que simplesmente pelos resultados ou produtos. As estratégias identificam como o fenômeno acontece, como se manifesta, como é percebido, como é representado pelos atores etc. O antes, o durante e o depois são considerados, os passos, a trajetória, o percurso etc. Entre a observação da “consciência subjetiva da pesquisadora” e o conhecimento científico não há ruptura (....) mas sim relação dialética, isto é, oposições e superações (cf. Haguette,2003).

Na pesquisa qualitativa há um mínimo de estruturação prévia. Não se admitem regras precisas, como problemas, hipóteses e variáveis antecipadas, e as teorias aplicáveis deverão ser empregadas no decorrer da investigação (cf. Marconi & Lakatos, 2004).

Em outras palavras, mas com o mesmo ponto de vista, Alves e Mazzotti (1999) sugerem que a adoção prévia de um quadro teórico, a priori, turva a visão do pesquisador, levando-o a desconsiderar aspectos importantes, que não se encaixam na teoria e a fazer interpretações distorcidas dos fenômenos estudados.

Já foi dito que os investigadores qualitativos tendem a analisar seus dados de forma indutiva. Além disso, a pesquisa qualitativa pode empregar vários métodos e técnicas. Assim, utilizaremos na pesquisa, que se caracteriza em um estudo de caso ou Método Monográfico, a técnica da observação participante.

O Estudo de Caso é considerado por Triviños (1987), como uma categoria de pesquisa cujo objeto é uma unidade que se analisa profundamente, não podendo ser generalizado. Os dados não podem ser quantificados, mas sim descritos e interpretados. No entanto, é mais limitado, pois muitas observações se restringem ao caso estudado.

No Estudo de Caso qualitativo, a pesquisadora reuniu o maior número de informações detalhadas sobre a colaboradora da pesquisa, valendo-se de diferentes

técnicas de pesquisa, visando apreender a aquisição de sua linguagem no contexto da surdocegueira e descrever a complexidade deste fato.

Para Ludke e André (1986), no Estudo de Caso, algumas características são fundamentais, como por exemplo:

x Enfatizar a interpretação do contexto;

x Valer-se de fontes diversas de informações; x Permitir substituições;

x Representar diferentes pontos de vista em dada situação.

(cf. Marconi & Lakatos, 2004).

Os dados qualitativos da pesquisa descrevem detalhadamente a colaboradora da pesquisa em sua própria terminologia, procurando entender o significado do seu sistema próprio. Dessa forma, não se podem antecipar os aspectos do sistema significativo, nem o contexto do funcionamento da totalidade que só é possível conhecer posteriormente.

Assim, o método descreve a complexidade do comportamento humano, mas na perspectiva do estudo de uma criança surdocega. Fornece análise mais detalhada sobre as investigações, hábitos, atitudes e tendências de comportamento dessa criança. No tocante a estes fatos, vamos partir do princípio de que qualquer estudo de caso que se estude em profundidade pode ser considerado representativo de muitos outros casos semelhantes (cf. Marconi & Lakatos, 2004).

A observação é uma técnica de coleta de dados para conseguir informações de determinados aspectos da realidade, e também em examinar fatos ou fenômenos que se deseja estudar. Portanto, é um elemento básico da investigação científica, utilizado na pesquisa de campo e se constitui na técnica fundamental da Antropologia.

Assim, seguiram-se as sugestões de Ander Egg (1978), e adotou-se a observação participante. Isto implica a interação entre a pesquisadora e os colaboradores. Ressalta-se, porém, que neste estudo fez-se a opção pela observação de apenas um indivíduo.

A Observação ajuda o pesquisador na identificação e obtenção de provas a respeito de objetivos sobre os quais os indivíduos não têm consciência, mas que orientam seu comportamento. Assim, possibilita um contato pessoal e estreito do investigador com o fenômeno pesquisado (cf. Marconi & Lakatos, 2004).

A Observação torna-se científica à medida que tem um plano de pesquisa; é registrada metodicamente e está sujeita às verificações e controles sobre a sua validade (cf. Selltiz, 1967).

Além disso, a Observação tem como vantagem o estudo de uma ampla variedade de fenômenos. Mas tem como limitações uma duração variável, pode ser demorada, pois os aspectos da vida cotidiana nem sempre são acessíveis e pode ter restrições no campo temporal e espacial. No campo temporal, encontramos dificuldades para obter relatos da mãe de J., pois muitas questões ou fatos aconteceram há muito tempo e não eram lembrados de forma fidedigna por ela. Assim, também, muitos fatos importantes para um lingüista e que ocorreram com J., não puderam ser recuperados. Outra dificuldade é a distância que separa J. da pesquisadora, que por trabalhar e estudar, não tem possibilidade de manter um contato mais estreito com a colaboradora de sua pesquisa, por isso, os encontros eram realizados periodicamente.

Os dados foram coletados diretamente do contexto vivenciado por J. e a pesquisadora trabalha dentro do sistema de referência dela. Dessa forma, a comunicação era efetuada em LIBRAS e da datilologia, formas de comunicação usada por J., que é surdocega. Quando não havia compreensão por parte de J. ou da pesquisadora, alguém da família, a irmã gêmea de J. ou sua mãe, é quem esclarecia as dúvidas de ambas as partes.

A Observação Participante não utiliza instrumentos como questionários ou formulário; a responsabilidade do sucesso da investigação depende exclusivamente do investigador, como habilidade, flexibilidade, aspecto emocional, profissional e ideológico (cf. Marconi & Lakatos, 2004).

Além dessas técnicas utilizou-se também como instrumento para a pesquisa a entrevista, para recuperar os dados das fases iniciais do desenvolvimento de J. As entrevistas foram realizadas principalmente com sua mãe.

Na entrevista, conversa oral entre duas pessoas, o objetivo da pesquisadora era a obtenção de informações importante sobre a vida de J. através dos depoimentos de sua mãe, para compreender as perspectivas e experiências dela desde o início de sua vida, e que não poderiam ser coletadas de outra forma, uma vez que os acontecimentos ocorreram há tempos atrás.

Trata-se, portanto, de uma conversação realizada face a face, de formas muito pouco estruturadas, que pode proporcionar resultados satisfatórios e informações necessárias.

Por ser a entrevista um intercâmbio de comunicação, é importante ter presente toda uma série de aspectos que tornam eficaz a inter-relação, a fim de obter um testemunho de maior qualidade. Assim, é que a pesquisadora informou à mãe de J. que seu objetivo era o de fazer uma pesquisa com sua filha, e as condições em que essa pesquisa seria feita.

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