6. METODE
6.5 R EGRESJONSANALYSE
Como alerta Michel de Certeau, para captar as diversas configurações desses lugares é preciso abdicar da perspectiva da cidade-panorama, da cidade-conceito, com seus simulacros teóricos. É ao nível do chão, junto aos "praticantes ordinários da cidade" (CERTEAU, 1998, 171) que os traços ganham nitidez e as cores mais vivas. Pedestres e caminhantes escrevem a forma elementar dessa experiência, num texto que ao mesmo tempo não se dá à leitura direta, pois seus corpos jogam com os espaços e os alteram, formam fragmentos de trajetórias e colocam as representações cotidianamente em estado indefinido, suspenso.
O poder do olhar inserido na experiência urbana assume assim contornos políticos, uma vez que a gestão cultural e patrimonial pode impor estratégias de expressão, moldando a
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A parte inferior do viaduto de Santa Tereza é historicamente ponto de tensionamento entre a população e as políticas urbanas, cujas proposições parecem desconhecer e desconsiderar a relação do lugar com movimentos da cultura de rua. Reunindo grupos de hip hop e grafiteiros, os Duelos de MCs passaram a ocorrer semanalmente desde 2007. Num primeiro momento o movimento contou com o desestímulo do poder municipal (com a exigência semanal de alvarás para os eventos e falta de apoio estrutural, como banheiros químicos), assumindo porém, ao longo dos anos, uma integração ao calendário cultural da cidade. No entanto, como aponta Jeudy (2005), mesmo ações tidas como subversivas às políticas urbanas também estão sujeitas a estetizações, podendo estimular indiretamente a ideia falseada de alteração das relações de poder no espaço público.
percepção e apreensão da vida cotidiana. Para Jeudy (2005, p. 144-145), esse jogo pode ser definido como uma "reflexividade", na qual a gestão patrimonial traça antecipadamente as possibilidades de sentido, passando a falsa ideia de liberdade, uma vez que baseia-se na ocultação implícita das sensações visuais e sonoras, da curiosidade e da disponibilidade. O controle imposto por essa reflexividade é o que impede, segundo o autor, "a irrupção acidental do real na cidade", a potencialidade da experiência urbana.
Para além de representações fixas e imutáveis, para ir ao encontro dessas irrupções mostra-se necessário entender a cidade como um discurso comunicativo atravessado por fluxos e redes, com o espaço público como lugar de disputas de representações, identidades, sentidos, e não apenas como espaço de deslocamento e consumo. Nesse sentido, Silva (2008) propõe uma "cartografia urbana", na qual os mapas contemporâneos para entender a cidade são instáveis, atravessados por diferentes temporalidades, assumindo territórios preexistentes que asseguram os caminhos possíveis, mas que se abrem a apreensão de movimentos, ruídos, mensagens em muros e postes, assim como interpretações, também dialogando com meios como a internet, a literatura e a mídia, que conduzem a um encontro de subjetividade de infinitas e simultâneas formas de habitar e viver a cidade.
Temos então uma interação entre a topologia do espaço, os trajetos desenhados pelo percurso dos usuários da cidade e os signos que vão sendo inscritos nos suportes urbanos. Pensamos assim em uma escrita da cidade enquanto um conjunto de textos que atuam na vida dos cidadãos e participa da constituição de um “diálogo público” onde o espaço físico é significado a partir da ação de sujeitos de diferentes “lugares” e de variadas práticas. (SILVA, 2008, p. 3).
"Subir Bahia", como se costuma falar cotidianamente em Belo Horizonte, transcende o mero deslocamento, como passagem para outras áreas da cidade ou para uso de determinado espaço situado na via. Percorrer seus quarteirões é antes uma forma de perpassar a condição urbana de constante conflito, da constituição de lugares sociais efêmeros e transitórios que se sobrepõem e denotam fronteiras e limiares (ARANTES, 1994, p. 191) onde aparamente se vê uma enganosa unidade. Os passos, que adquirem ritmos compartilhados pelos citadinos nas calçadas de forma diferenciada ao longo da rua, permitem entrever relações e contra-usos com o espaço público em formação de novas centralidades e temporalidades, o controle social e o patrimônio, assim como o entrelaçamento de memórias, evocações e registros de signos fragmentados que engendram uma Rua da Bahia em constante mutação e construção.
Como relembra Pedro Nava, a Rua da Bahia se inicia nos "limites confusos com Januária" (NAVA, 2013, p. 42), vias separadas apenas pela Avenida do Contorno e pelo Ribeirão Arrudas, hoje tamponado. Seu primeiro quarteirão em nada transmite uma ideia
glamourizada ou mesmo de intensa sociabilidade. Os edifícios históricos fechados das antigas escola de Engenharia e Instituto de Química da UFMG passam a ideia de podemos estar em trechos de qualquer outro centro histórico de cidades do Brasil, nos quais a imponência de patrimônios abandonados e de portas cerradas causam a sensação de estranho respeito, como se fossemos chamados a velar por vida urbana que ali foi suspensa. No entanto, mesmo esvaziada na maior parte do dia, a ocupação e circulação por parte de mendigos, carretos de transporte e demais pessoas com grandes sacolas ou pastas e roupa social inscrevem um mapa de atividades polarizadas no entorno, como centros de assistência social, serviços do estado, como a Previdência Social, shoppings populares e zona de baixo meretrício. E se em alguns momentos aparenta-se esvaziado, o trecho também revela outros olhares e vozes incrustrados em inscrições nos muros (FIGURA 29).
Figura 29 - Inscrições em muros na Rua da Bahia em 10 jan. 2015.
Fonte: Arquivo da pesquisa. Foto: João Marcos Veiga.
Se todos os caminhos levavam à Rua da Bahia, como frisava a prosa de Nava, as modificações constantes no trânsito da capital mineira estabeleceram dois desvios logo em seus dois primeiros quarteirões, levando o tráfego para a rua Guaicurus ou, para quem se encontra mais à frente, para a Avenida Amazonas. Seja durante as obras que se estenderam por anos ou ao cabo das intervenções, as interrupções de prosseguimento não modificam apenas o fluxo dos automóveis, mas também a percepção dos pedestres, que se veem diante de uma rua que tarda a ganhar ritmo e unidade, pairando em cruzamentos de intensos ruídos e
dúvidas onde todos parecem querer escapar rapidamente. E é exatamente nesse entre-lugar da Rua da Bahia que se ergue a Praça da Estação, espaço de tamanha profusão de signos, memórias e usos que chega a causar uma vertigem no olhar que tenta em vão captar tal ambiente de forma homogênea.
Área polarizadora da vida social nos primeiros anos da capital mineira no final do século XIX em função da Estação Ferroviária Central, a Praça da Estação ainda mantém um alto grau de importância na articulação espacial dos fluxos na cidade e de interação social. Se por um lado a praça deixou de ser a porta de entrada principal de Belo Horizonte, trazendo pessoas das mais distantes regiões do país pela linha férrea, hoje é ponto de chegada ou de conexão para a população de praticamente todas as partes da cidade, pela estação Central do metrô, das linhas de ônibus, incluindo as intermunicipais, tráfego de carros, sobretudo advindo da região norte, e mesmo com uma linha de trem diária ligando Belo Horizonte a Vitória (ES), com uso turístico e de transporte, por passar em cidades mineiras como João Monlevade e Ipatinga. Esse grande afluxo populacional de rápida permanência impacta diretamente nas formas de uso da praça e na imagem que esta constrói junto à cidade.
Apesar de constituírem uma mesma praça, é impossível não ver suas duas partes, cortadas pela Avenida dos Andradas, como unidades distintas, com características paisagísticas e usos antagônicos. Com jardins, bancos e fontes, a metade junto à Rua da Bahia permite um respiro urbano em meio ao trânsito intenso, este destoando do cochilo de pessoas em horário de almoço, ou das conversas cadenciadas entre namorados e amigos em intervalo de trabalho (FIGURA 30) ou em conexão de transporte público na Praça da Estação, com direito a som ambiente oriundos de seus celulares, num espaço compartilhado com grupos de moradores de rua, catadores, garis e comerciantes ambulantes em menor número — pipoqueiros, artesãos. Já a esplanada à frente, com uma imensa área sem qualquer tipo de cobertura e com escassa arborização é o território da aridez, onde a incidência do sol e a falta de bancos desenha um espaço vazio na maior parte do dia, hostil ao uso espontâneo.
Figura 30 - Sociabilidade na Praça Rui Barbosa em 10 out. 2014.
Fonte: Arquivo da pesquisa. Foto: João Marcos Veiga.
No entanto, mesmo em locais mais hostis, a conformação espacial não pode ser vista como determinante único para as formas de uso (MAGNANI, 2002). A população parece estar sempre jogando com a ordem espacializada, ora as incorporando, ora as subvertendo. Num local com menor densidade de usuários, as "ordens próxima e distante" das quais fala Lefebvre (2001) ficam mais perceptíveis, entre as regulações e códigos que se dão em nível institucional, do Estado, e aquelas compartilhadas e negociadas ao nível social, dos grupos que interagem cotidianamente.
É possível numa manhã de segunda-feira observar o treinamento de policiais e bombeiros, em fileiras simétricas e movimentos calculados que destoam das rotas tortuosas e olhares desconfiados dos passantes ao redor. O efetivo da polícia militar sempre posicionado entre a entrada da antiga Estação Central e a escada de acesso ao metrô reafirma o controle de um território sempre em vigilância, tendo como amparo os olhares invisíveis das câmeras de segurança. Mas outros ordenamentos mais fluidos vão se estabelecendo na ampla esplanada, como as longas filas indianas e simétricas à espera dos ônibus intermunicipais, que a certo momento se duplicam igualmente simétricas numa lógica silenciosa e respeitada pelos que se aproximam. Esses desenhos que vão se dando no espaço da praça também adquirem traços expressionistas pelas sombras das linhas retas das enormes estruturas de iluminação e dos postes, que apesar de estreitas servem de refúgio único ao sol inclemente (FIGURA 31).
Figura 31 - Homem procura sombra na Praça da Estação em 21 jan. 2015.
Fonte: Arquivo da pesquisa. Foto: João Marcos Veiga.
Cartão postal da capital mineira, a cena do eloquente Monumento à Terra Mineira apontando aos céus à frente do prédio neoclássico, nesse ambiente monitorado e esvaziado em seu núcleo central, de certa forma desvia a atenção para a intrincada rede de relações que se organizam sobretudo em sua parte lateral, estas com alguns bancos e escassas árvores, mas também com trajetos que cruzam a esplanada a todo momento. Na extremidade junto à rua Guaicurus estão posicionados caminhões de carretos e moradores de rua que constroem pequenos barracões de moradia com teto feito de banners de publicidade, tendo como parede de fundo o muro do Centro de Referência da Juventude que se ergue ali. Essas moradias improvisadas, rotineiramente desfeitas por órgãos da Prefeitura, tornam-se vizinhas de casas que escondem-se aos olhos dos que ali passam. Construídas nas primeiras décadas do século XX para altos funcionários da Estação Ferroviária Central, algumas delas são habitadas por herdeiros e outras, fechadas por processos judiciais, permitem entrever pelos muros ocupações ilegais por alguns cômodos e quintas repletos de mangueiras.
Por sua vez, a lateral da esplanada junto à rua Caetés apresenta maior efervescência pelo entra e sai da estação de metrô e pelo Edifício Central ali localizado, com seus quatro andares e longos corredores onde em pequenas salas trabalham chaveiros, tatuadores, cabeleireiras, tipógrafos e diversos outros serviços, incluindo superintendências do Estado. Na parte inferior estão concentrados bares populares, cujos sistemas de som com ritmos diversos, sobretudo arrocha, sertanejo e pagode, parecem estar competindo em volume. Com um
território de fronteiras que se sobrepõem de forma fluida, por onde passam garis seguindo linhas imaginárias para orientar a limpeza e vendedores ambulantes à espreita dos usuários de metrô e nos pontos de ônibus, a permanência ali sempre se dá de maneira efêmera e de difícil apreensão. Para Magnani, no entanto, a visão fragmentada dos grandes centros urbanos leva a discursos onde os sujeitos geralmente aparecem de forma atomizada, desconhecendo " [...] a existência de grupos, redes, sistemas de troca, pontos de encontro, instituições, arranjos, trajetos e muitas outras mediações por meio das quais aquela entidade abstrata do indivíduo participa efetivamente, em seu cotidiano, da cidade" (MAGNANI, 2002, p. 17). Para o autor, ao acompanhar esses indivíduos vem à tona mapas de deslocamentos e contatos significativos que evidenciam experiências variadas, como de lazer e trabalho.
Além dos ambulantes e aposentados da redondeza, a permanência por períodos mais longos do dia se dá nas duas partes da praça por parte de moradores de rua, desempregados oriundos de outras partes da cidade e moradores de abrigos e albergues localizados nas imediações59, dentre outros. Indistintos a um olhar desatento, esses grupos fazem usos diferentes do espaço público60. Enquanto alguns ocupantes que se deslocam para ficar na praça estão sempre em grupos, em conversas em torno de uma bebida ou comida compartilhada e em conversas cifradas, envolvendo "bicos" e trocas, os moradores de rua ocupam-se de afazeres tal qual em um ambiente doméstico inserido no espaço público, com seus modos de morar, secando roupas e cobertores sobre arbustos do jardim (FIGURA 32), organizando pertences em carrinhos de supermercado, lavando vestes e mesmo se banhando na fonte.
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Albergue Tia Branca, localizado na rua Conselheiro Rocha, nas imediações da Praça da Estação. 60
A pesquisa de campo realizada na Praça da Estação acompanhou e conversou com pessoas de diferentes grupos de forma periódica a fim de entender a diferença entre eles e alguns modos de usar a praça.
Figura 32 - Usos de moradia na Praça Rui Barbosa em 10 maio 2015.
Fonte: Arquivo da pesquisa. Foto: João Marcos Veiga.
Já os moradores de abrigos parecem ter preferência pela esplanada e o entorno da Estação Central, principalmente em atividades de lazer, tomando sol e jogando cartas. Grupos de até vinte pessoas costumam se reunir em torno do Monumento à Terra Mineira. Além de ponto de encontro, a obra proporciona uma fugidia sombra e serve, em sua base, como mesa para um carteado (FIGURA 33). O monumento, reapropriado em seu significado e uso por essas pessoas, torna-se um suporte físico e base de apoio particular para o grupo — em caixas de energia ao chão, com uma grade de fácil retirada, eles chegam a guardar pertences como mochilas, garrafas de bebidas alcoólicas e documentos.
Figura 33 - Moradores de rua jogam cartas sob Monumento à Terra Mineira em 15 out. 2014.
A praça vai se conformando assim em lugares sociais de significações compartilhadas, com usos que se distinguem e também se misturam em relações nem sempre conflituosas, sendo rara as brigas entre grupos e assaltos, mas hierarquizadas entre eles e principalmente em relação à polícia, que se equilibra entre a aceitação de relações tramadas naquele espaço e a imposição de condutas, com repressões e apreensões.
Figura 34 - Efetivo policial na Praça da Estação em 15 out. 2014.
Fonte: Arquivo da pesquisa. Foto: João Marcos Veiga.
O caráter espacial das duas metades da Praça Rui Barbosa também leva a usos e proteções opostas por parte do poder municipal nos eventos dos mais diferentes gêneros sediados ali. Exatamente por seu vazio estrutural, a esplanada recebe constantes shows, concertos, festivais e feiras culturais com proponentes os mais diversos, de empresas privadas (operadoras de celular, de produtos cosméticos e de bebidas, dentre outras) a entidades religiosas e atividades do próprio calendário cultural da cidade, a exemplo do desfile de blocos caricatos no carnaval, o Arraial de Belô e o réveillon. A perspectiva moldável desse espaço, sempre apta a receber enormes estruturas de palco e público de até 100 mil pessoas61 se contrapõe ao jardim separado pela Avenida dos Andradas, que nesses momentos tem restrição de acesso a sua área central. A metade junto da Rua da Bahia, com o patrimônio de esculturas e jardins protegido por estruturas de metal, reflete a dicotomia do espaço público que encontra seu duplo inverso à frente, um território em sintonia com o entretenimento e
61 Em 2011 o tenor Andrea Bocelli se apresentou para um público estimado em 90 mil pessoas na Praça
consumo cultural das grandes cidades, que por sua vez adquire uma estética própria ao consumo cultural urbano ao ter como cenário de fundo a antiga Estação Central.
No entanto, a Praça da Estação passa a ser proibida de receber "eventos de qualquer natureza" a partir de decreto municipal de 2010, tendo como justificativa a dificuldade de controle do número máximo de público e de danos ao patrimônio do Museu de Artes e Ofícios. Como forma de protesto, no mesmo ano tem início a "Praia da Estação", evento de tom irreverente convocado por redes sociais no qual a população passa a comparecer com trajes de banho62. Mesmo com o decreto revogado posteriormente, a atividade ocorre deste então periodicamente na esplanada não só como forma de criticar o cerceamento a manifestações no espaço público, mas também de se reivindicar maior participação popular nas políticas culturais de uso destes lugares e mesmo de reafirmar o caráter lúdico e de diferentes imaginários e ocupações no ambiente urbano.
A disputa pelo espaço e suas representações também se mostra presente na tentativa de estabelecer um circuito cultural na Praça da Estação, a partir da reivindicada vocação cultural por parte dos projetos municipais de intervenção e do funcionamento dos três espaços do gênero situados ali: Centro Cultural da UFMG, Museu de Artes e Ofícios e Espaço CentoeQuatro. Dispostos em torno da praça, cada qual apresenta uma proposta distinta, que se aproxima ou se distancia das conceituações de gentrificação e gestão cultural do patrimônio, mas que, sobretudo, permite observar como estes espaços configuram novos lugares sociais, como interagem com o espaço público, usuários, estabelecem novos usos e proporcionam contra-usos.
Na esquina de Rua da Bahia com Avenida Santos Dumont, o edifício em estilo eclético e predominância de elementos neoclássicos, exemplar das construções de médio porte do início do século XX (RODRIGUES, 2009, p. 25), remete a uma arquitetura de viés nobre, com suas fachadas restauradas e tratamento paisagístico63 à frente, no início da via que leva à rodoviária. Incialmente destinado a ser o Hotel Antunes, o edifício inaugurado em 1906 abrigou o Quartel do Segundo Batalhão da Brigada Policial, dando lugar em 1911 à Escola Livre de Engenharia. Desde o final da década de 1980 como sede do Centro Cultural da UFMG, o local acompanhou as diferentes transformações do Praça Rui Barbosa, da percepção
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Uma análise da articulação do movimento pode ser encontrada em ALBUQUERQUE (2013). 63
Em 2014 foram concluídas obras de restauro da fachada da edificação, assim como as obras de implantação do MOVE - sistema de transporte por ônibus em vias exclusivas -, que também trafega pela Avenida Santos Dumont. A esquina com a Rua da Bahia, na qual o veículo especial faz a manobra para circulação na avenida, recebeu tratamento paisagístico e proibição de fluxo de demais automóveis.
de degradação às primeiras ações de tombamento, assim como as inúmeras intervenções e interrupções para obras.
Pela Rua da Bahia não se tem a percepção exata de tratar-se de um centro cultural, possivelmente pela trânsito pesado de carros e veículos, cujos olhares parecem querer fugir daquela paisagem, e pelo fato da entrada se dar pela Avenida Santos Dumont. Com atividades diversas promovidas em diálogo com a UFMG, como exposições de artes plásticas em suas galerias, oficinas, apresentações musicais e artísticas, o espaço, como é descrito em seu site, propõem-se a promover a formação e o diálogo contínuo entre universidade, artistas e público "pelo viés da memória e visualidade, com as mais diversas formas de expressão artística e cultural" (CENTRO..., 2015). Antes da recente intervenção na esquina, as portas sempre abertas da edificação centenária, tombada pelo patrimônio municipal e estadual, formava um visual conflituoso, mas de interação "híbrida" (LEITE, 2004, p. 293), não restritiva, em diálogo com um centro de aspecto caleidoscópico, em profusão de propagandas das lojas de