8. ANALYSE AV DATA
8.3 D ESKRIPTIV STATISTIKK ETTER HÅNDTERING AV EKSTREMOBSERVASJONER
No mundo contemporâneo, a queda das barreiras comerciais e não comerciais no intercâmbio internacional, traduzido como um “mundo econômico sem fronteiras”, é tida para muitos autores como emblemática do desenvolvimento, do crescimento ou do progresso da época atual. Para outros, entretanto, essa mudança traz em seu movimento um misto de modernidade e conservadorismo, apresentando-se como uma época histórica de modernismo conservador, dadas as contradições e a desproporcionalidade desse “desenvolvimento”, o qual continua centrando nos e para os países centrais, acentuando as perdas sociais nos países periféricos. Assim nos alerta Mattoso (1995:65):
“ ... o caráter restrito e concentrado das mudanças tecnológicas e a distribuição desigual dos custos, pagos pela crise financeira dos Estados, pelos trabalhadores e pelos países periféricos, e dos benefícios, restritos a determinados países, empresas e indivíduos, configuraria uma nova modernização conservadora que gerou uma transformação produtiva e tecnológica acompanhada de maior heterogeneidade, fragmentação, insegurança e desigualdades sociais” (grifo nosso).
Uma das características do capitalismo contemporâneo é a produção integrada por meio de parcerias e também de um sistema internacional de filiais
industriais, comerciais e bancárias. Essa dinâmica da transnacionalização dos espaços econômicos configura macromercados que se desenham e se configuram nos cinco continentes, movimento que passa a ser denominado de globalização.
Nesse sentido, a globalização da economia, numa perspectiva histórica, sempre esteve presente nas economias orientadas pelo sistema produtivo capitalista. Singer (1998:19-24) mostra que a livre movimentação de mercadorias e de capitais para além das fronteiras nacionais teve o seu auge por volta da segunda metade do século XIX, quando o ouro se tornou a moeda padrão e criaram-se instituições para garantir a conversão e o livre câmbio. Para esse autor a globalização, entre os interstícios de
fontes de energia e a área espacial-militar, como comprobatórias dessa Terceira
Revolução Industrial. A inovação incremental diz respeito s melhorias sucessivas nos processos e nos produtos: “Este tipo de mudança permite um incremento de
produtividade e uma gradual modificação dos coeficientes da matriz insumo-produto” (Perez, 1986, p. 45. In: Vargas, 1998: 277). Já as inovações radicais rompem com o rumo tecnológico a partir da introdução de um processo ou produto verdadeiramente novo. A exemplo do que ocorreu com a configuração do “complexo micoreletrônico”, que, segundo Perez, introduziu mais colunas e mais linhas na matriz insumo-produto. A automação integrada flexível torna-se o padrão dominante, com resultados
significativos, ao revolucionar os métodos de produção e de gestão da mão-de-obra (cf. capítulo 2, seção 2.2.1).
expansão, teve duas etapas de retomada mais significativas: a primeira, após a Segunda Guerra Mundial; a segunda, após a crise dos anos 70.
Os antecedentes da primeira retomada da globalização foram os
acontecimentos históricos que envolveram os países centrais e, mais tarde, o Japão: a Primeira Guerra Mundial, a crise dos anos 30 e, por último a Segunda Grande Guerra. Nesse período os países buscaram proteger suas indústrias e orientar a norma de acumulação para dentro de seus territórios.
Após a Segunda Guerra Mundial, os vencedores, sob o comando dos EUA, voltaram suas forças para o movimento da globalização. O acordo de Bretton Woods deu claras diretrizes nesta direção para os países centrais: “Os países europeus e o Japão reconstituíram seus parques industriais e ativamente incorporaram tecnologia e padrões de consumo dos EUA” (Singer, 1998: 20.)
Em decorrência dessa fase,
iniciou-se uma
homogeneização econômica
entre esses países, formando o
que hoje se denomina de
“Primeiro Mundo”, época
reconhecida como de franca
expansão econômica e de
grande geração de empregos:
os “anos dourados”. Esse
processo foi viabilizado pela
conversibilidade monetária (o
dólar passa a ser a moeda
internacional) e pela queda das
barreiras alfandegárias.
De 1970 em diante, aqui caracterizada como o segundo grande impulso da
globalização econômica, as economias capitalistas desenvolvidas abriram seus
mercados para os produtos do Terceiro Mundo.
Países semi-industrializados apresentavam vantagens ao capital global:
disponibilidade de mão-de-obra já treinada e condicionada ao trabalho industrial, a
custos bem inferiores aos dos países desenvolvidos. Acrescentem-se a isto as
manifestações dos trabalhadores dos países industrializados. Os aumentos salariais
concedidos pelas empresas em respostas a essas reivindicações acabaram por reduzir os
ganhos de produtividade, pressionando a margem de lucros. Portanto, a transferência
em grande escala de linhas de produção industrial para os países em desenvolvimento
foi a resposta das grandes empresas.
Paralelamente, ocorreu a crise
do dólar, que desencadeou a
flutuação das taxas de câmbio
e a constituição de um grande
mercado financeiro
internacional – segundo
Singer (1998:2), um mercado
de eurodivisas –, o qual não
estava submetido a qualquer
tipo de controle público. O
resultado dessas mudanças foi
um salto adiante do comércio
internacional e do
investimento no estrangeiro,
com repercussões imediatas
nos países em
desenvolvimento:
“O grande capital passou a implantar, sobretudo em países em processo de industrialização, todo um novo parque industrial destinado a abastecer os mercados dos países do Primeiro Mundo. O Brasil foi um dos mais importantes protagonistas da globalização nos anos 70, quando tivemos o ‘Milagre Econômico’.”
Os anos 80 foram marcados pela crise do endividamento externo. Com isso, o investimento internacional desloca-se para os países da Ásia Oriental, encabeçados por Hong Kong, Coréia do Sul, Taiwan e Cingapura.
É ainda no texto de Singer
(1998: 21) que temos a
demarcação do processo da
globalização:
“ A globalização em curso apresenta duas etapas: a primeira, do fim da guerra ao fim dos anos 60, quando ela abarcava sobretudo países hoje considerados desenvolvidos; a segunda, que já dura cerca de um quarto de século e que inclui uma boa parte do Terceiro Mundo.”
A noção de “globalização econômica” apresenta uma conotação fortemente ideológica. Segundo Chesnais (apud Vargas, 1998:267), o termo teve sua origem nos EUA, na década de 80, tendo em sua divulgação o objetivo de reduzir os obstáculos à expansão das atividades dos grandes grupos econômicos transnacionais, o que foi viabilizado pela liberalização e desregulamentação dos mercados, inclusive pela retração do papel de regulação do Estado na economia. Os recursos da telemática (informática associada às telecomunicações, aqui compreendidas como TIs), enquanto poderosos instrumentos de comunicação e de controle no âmbito social e produtivo, apoiaram e viabilizaram os processos de reorganização dos grandes grupos
internacionais.
Chesnais (apud Vargas, 1998: 268) propõe o termo correlato mundialização
do capital em substituição ao termo “mundialização”. Segundo o autor, o termo
mundialização está menos permeado de conotações ideológicas por permitir, “introduzir com muito mais força do que o termo ‘global’, a idéia de que, se a economia se
mundializou, seria importante construir depressa instituições políticas mundiais capazes de dominar o movimento” .
Em oposição ao que o conceito de globalização quer deixar de evidenciar, apresentando como inevitáveis a política de liberalização dos mercados, a
desregulamentação da força de trabalho e a privatização do patrimônio social-estatal, o conceito de “mundialização do capital” traz à tona o eixo central desse movimento enquanto novo ciclo de desenvolvimento do capital.