A publicação de teses e dissertações é um indicador da investigação científica de qualidade. O investigador, a partir de uma idéia, constrói o seu projeto de pesquisa que, além de ser apreciado em seu sentido bioético, é também analisado por uma comissão de especialistas e, finalmente, seus resultados são publicados para posterior compartilhamento pela comunidade científica e pelos profissionais da área. Dessa forma, entende-se que seja de suma relevância expor, nesta investigação, os dados referentes a essas titulações.
No presente estudo foram identificadas 43 dissertações de mestrado: 73% delas foram apresentadas por pessoas do sexo feminino e 17 estavam relacionadas à epidemiologia e controle do vetor.
Dentre os 28 estudos do tipo biomédico, 15 foram de natureza básica. Sessenta e cinco por cento dos títulos de Mestre foram provenientes da região Sudeste, com maior número no Rio de Janeiro (todos do Instituto Osvaldo Cruz – IOC, Fiocruz/RJ), seguido de São Paulo (Universidade de São Paulo – USP e Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP) e Minas Gerais (todos do Centro de Pesquisa René Rachou – CPqRR, Fiocruz/MG). Do total das dissertações apresentadas, 29% foram do NE, com maior número na Bahia (todas do Centro de Pesquisa Gonçalo Muniz – CPqGM, Fiocruz/BA), seguida de Pernambuco (todas do Centro de Pesquisa Ageu Magalhães – CPqAM, Fiocruz/PE). Na região Norte foram identificadas duas dissertações, uma delas em 2006 e a outra em 2007, ambas provenientes do Centro de Pesquisa Evandro Chagas – CPqEC, Fiocruz/PA. Não foram identificadas dissertações defendidas nesse período nas regiões Sul e Centro-Oeste. O maior número de mestres em Leishmanioses formou-se no ano de 2006, seguido de 2008. O tema predominante nas dissertações foi a LT, correspondendo a 51% delas.
O perfil predominante na obtenção do título de doutor, em termos de gênero, corresponde ao sexo feminino (82%). Das 44 teses defendidas, 36 foram apresentadas por autor do sexo feminino.
41
Quanto ao tipo de estudo, a maior freqüência (26 pesquisas) foi do tipo biomédico, sendo 11 de natureza aplicada à imunologia. O segundo tipo com maior número (11 estudos) estava relacionado à epidemiologia e ao controle do vetor.
A distribuição das teses por região foi semelhante à das dissertações de mestrado: 80% dos títulos de doutor eram provenientes da região Sudeste, com maior número no estado do Rio de Janeiro, cuja maior concentração se deu no IOC/Fiocruz, seguido de São Paulo, na USP e UNIFESP, e no estado de Minas Gerais, com o maior número no CPqRR/Fiocruz; 18% do total das teses apresentadas foram do Nordeste, a maior parte delas no estado da Bahia e concentradas no Centro de Pesquisa Gonçalo Muniz/Fiocruz. Não foram identificadas teses provenientes das regiões Norte e Sul, abordando o tema das Leishmanioses.
O maior número de teses foi apresentado no ano de 2008, seguido das defendidas em 2004 e 2006 com o mesmo número, 10 teses (Gráfico 3).Enfocaram predominantemente a LT, totalizando 57% delas.
Gráfico 3 - Distribuição do número de dissertações de mestrado e teses de doutorado que abordaram o tema das Leishmanioses, por ano. Brasil, 2004 a 2008.
42
Três trabalhos foram identificados nesse período como requisito para titulação de Livre Docência: dois deles no ano de 2004 e um em 2008. A distribuição por sexo foi de 2:1 para o sexo feminino. Os três títulos foram obtidos na USP, na Faculdade de Medicina. Dois trabalhos foram do tipo biomédico aplicado à imunologia e um sobre epidemiologia do vetor. Não foi analisada a relação da instituição do autor com o local de campo onde a pesquisa se desenvolveu. Estima-se que muitos estudos cujo autor é vinculado a instituições do Sudeste e Nordeste foram executadas no Norte e Centro Oeste do país, considerando-se as co-autorias dos artigos publicados nesse período.
Os relatos de caso localizados por esse estudo estão relacionados a estudos clínicos de tratamento, que abordaram desde caso comum, casos raros, desfecho fatal, associação com linfoma e febre crônica, até evolução do tratamento em paciente com número de lesões diferenciadas. O maior número de relatos de caso estava relacionado à LT. Apenas dois deles eram sobre LV. O maior número de relatos aconteceu no ano de 2007, cinco publicações, nenhuma publicação em 2005.
Publicações Institucionais são subsídios de maior relevância, especialmente quando se tratam de doenças endêmicas, apesar de serem consideradas como literatura cinza. Nesse sentido, foram identificados os manuais técnicos abaixo relacionados, durante a elaboração do presente estudo:
Manual de recomendações para diagnóstico, tratamento e acompanhamento da co- infecção Leishmania/ Human Imunodeficiency Virus (HIV) – MS/2004;
Guia de Vigilância Epidemiológica . – MS/2005
Manual de vigilância e controle da Leishmaniose Visceral Americana do Estado de São Paulo – SES-SP/2006;
Leishmaniose Visceral grave: normas e condutas – MS/2006;
Manual de vigilância da Leishmaniose Tegumentar Americana – MS/2007;
Atlas de Leishmaniose Tegumentar Americana: diagnóstico clínico e diferencial –MS/2006;
Leishmaniose Visceral grave: normas e condutas – MS/2007;
43
Os manuais e guias acima descritos se destinam às atividades de vigilância e ao controle das Leishmaniose Visceral e Tegumentar e incorporaram conhecimento obtido a partir de revisões das atividades desenvolvidas. A divulgação dos manuais tem o objetivo de contribuir para uma melhor orientação aos profissionais do setor saúde, e também para o desenvolvimento das atividades de vigilância, controle e tratamento dessas doenças. As publicações do MS são elaboradas por instituições acadêmicas e sociedades de especialistas. Nessas publicações são observados os níveis de evidências científicas para todas as recomendações nelas contidas.
O cenário de produção científica sobre as Leishmanioses está apresentado no gráfico.4 nota-se uma significativa inversão com relação às regiões Sul e Nordeste, nas quais foi observada a proporção de artigos produzidos de, aproximadamente, 8% (Sul) e 23% (Nordeste). Tal inversão contraria a produção nacional na área das ciências da saúde, que aponta percentuais de 17% para a região Sul e 13% para a região Nordeste, nesse mesmo período (Guimarães, 2006).
Gráfico 4 - Distribuição do número de artigos científicos publicados por região, segundo tipo de doença. Brasil, 2004 – 2008.
44
Duas hipóteses podem ser aventadas para explicar o fato. Em primeiro lugar a prevalência da Leishmaniose nessa região o que favoreceu essa priorização localizada. Uma segunda hipótese é que o incremento de recursos advindos de cooperações internacionais com os grupos nordestinos, identificados nos artigos publicados, tenha favorecido o fortalecimento e o considerável aumento da produção científica advinda dessa região, ultrapassando a produção das regiões Sul, Norte e Centro-Oeste. A região Sudeste, como esperado, foi a mais produtiva, totalizando 52% dos artigos publicados (Gráfico 4).
Quanto à autoria dos artigos, verificou-se que, em alguns casos, o estudo foi executado em outra região que não a do primeiro autor. A maioria desses casos ocorreu na região Norte, especialmente no estado do Amazonas, correspondendo ao baixo número de artigos produzidos em primeira autoria naquela região.
Entre os grupos de pesquisa cadastrados na Plataforma Lattes não foram localizados grupos estudando sobre LV nas regiões Sul e Norte, confirmando o pequeno número de publicações no período estudado. A região Sudeste, com o maior volume de artigos, correspondendo a 51,6% da produção, apresentou a maior frequência de estudos biomédicos básicos.
As pesquisas Biomédicas (45%) e Epidemiológicas (44%) no geral corresponderam a 89% da produção desse período. Estudos voltados para o desenvolvimento tecnológico (1%) foram os mais raros. (Tabela 2).
Artigos sobre pesquisa clínica, escassos nesse período, predominaram na região Sudeste, mais especificamente nos estados de Minas Gerais e São Paulo.
Resposta-imune foi a modalidade preponderante dentre os estudos pré-clínicos, seguida de estudos sobre diagnóstico e tratamento.
45 SE S CO NE N TOTAL % Pré-Clínico 9 0 0 4 0 13 3% Clínico 12 0 2 7 0 21 5% Biomédico 107 11 10 45 12 185 45% Epidemiológico 78 19 34 39 14 184 44% Desenvolvimento Tecnológico 3 1 0 0 0 4 1% Revisão 5 0 1 2 0 8 2% TOTAL 214 31 47 97 26 415 100% % 51.6% 7.5% 11.3% 23.4% 6.2% 100%
Tabela 2 - Distribuição dos artigos científicos sobre Leishmanioses, segundo modalidade de estudo. Brasil, 2004 – 2008.
Fonte: Elaboração própria, a partir das bases de dados consultadas para fins desse estudo
Na área da educação, apenas 11 artigos foram publicados em todo período, o que é considerado um dado preocupante em termos de saúde púbica, uma vez que esse tipo de publicação poderia ser um dos principais veículos para a promoção da saúde no tocante às Leishmanioses.
Estudos sobre vigilância e controle do vetor apareceram em todas as regiões do país, com várias temáticas, que permearam desde os hábitos alimentares e o potencial biológico do feromônio do mosquito-vetor, até a distribuição das espécies por áreas geográficas. Dentre os artigos de estudos biomédicos, 19 apresentaram interação com outra espécie ou patologia no mesmo estudo. Foram eles: T. cruzi, Mycobacterium lepae, Escherichia coli, HIV, Schistossoma mansoni, Staphylococcus epidermidis, secreção de anfíbios, linfoma de Hodgkin, nutrição e fitoterápicos. Alguns estudos epidemiológicos também apresentaram interação: dengue com leishmania, relacionados ao controle e vigilância.
46
Em relação à variável sexo, 53% da produção apresentou seu primeiro autor do sexo feminino, uma sutil vantagem com relação ao masculino, contemplado com apenas sete indivíduos de desvantagem.
Do total de artigos publicados, 72% deles mencionaram o patrocínio de órgãos públicos nacionais. O MS, por meio da SCTIE/Decit, SVS, Fiocruz e Fundação Nacional de Saúde (Funasa); o MCT, por meio do CNPq e da FINEP; o Ministério da Educação e Cultura (MEC), por meio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES); as FAPs e as Universidades.
Constatou-se que em cerca de 30% dos artigos não consta a fonte financiadora do trabalho. Estima-se que a maioria deles recebeu esse recurso de fonte pública. Exemplo disso são as universidades, que apareceram como as co-financiadoras de menor proporção. Considerando que, atrelados à atividade de pesquisa, deverão ser calculados os gastos com salários da equipe que participa diretamente da execução do projeto, a infra-estrutura oferecida, os gastos com seminários e estágios, dentre outros insumos, é imprescindível que as universidades sejam citadas como uma das principais co-financiadoras das publicações.
O fomentador que constou em maior número de artigos publicados foi o CNPq, seguido da Fiocruz (RJ, MG, BA, PE e PA) e das FAP nos estados. Entre essas, a Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (FAPESP) foi mais freqüente, seguida da Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (FAPEMIG) e Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro (FAPERJ).
Poucas Universidades aparecem com freqüência. Aquelas que apareceram com maior número de citações foram, respectivamente, a Universidade de São Paulo (USP), a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Universidade Federal da Bahia (UFBA).
Na maioria dos artigos são citados vários co-financiadores para o mesmo trabalho. O MS aparece em posição de destaque, se forem consideradas, além da SCTIE, do Decit e da SVS, as suas instituições de vínculo: Fiocruz, Instituto Nacional do Câncer (Inca) e Fundação Nacional de Saúde (Funasa).
47
Dentre os artigos analisados, foram identificados 79 projetos de cooperação internacional. As principais colaborações se deram em conjugação com o NIH, TDR, Wellcome Trust, Word Bank, Kellogg Fundation, European Comission, Howard Hughes Medical Institute e Sustainable Science Institute (SSI).
A instituição com maior número de cooperações com grupos brasileiros foi o National Institute of Health – NIH (aproximadamente 58%). Algumas colaborações se deram exclusivamente com recursos da parceira internacional, sendo que, no tocante à equivalência brasileira, foram usadas amostras biológicas de pacientes, tais como biópsias de pele, soro, sangue, vetores e cepas. Em outros casos, a cooperação se estabeleceu a partir das técnicas moleculares/formação de recursos humanos, oferecidas em contrapartida. Esses estudos colaborativos mencionaram a aprovação de comitês de ética em pesquisa com seres humanos, e alguns citaram a Comissão Nacional de Ética em Pesquisa com Seres Humanos (CONEP).
Ainda sobre os grupos de pesquisa, um fator altamente positivo, identificado tanto pela indicação dos próprios grupos quanto pela análise dos artigos publicados, foi a colaboração estabelecida entre pesquisadores de diferentes grupos. Isso tem favorecido a execução de estudos em redes e multicêntricos. Tal fato potencializa as cooperações técnico-científicas, possibilitando o fortalecimento dos grupos e, conseqüentemente, a adesão de novos pesquisadores nessa linha, além do aumento da produção científica e tecnológica.
O número de cooperações identificadas reitera a hipótese de que estudos colaborativos e em rede começam a ser fortalecidos, sendo essa uma modalidade em expansão, tanto de demandas induzidas pelos fomentadores, quanto por grupos de pesquisas já estabelecidos.
Algumas sub-redes colaborativas podem ser identificadas a partir da análise da Figura 8, cujos dados foram obtidos por meio de estudo sobre os autores que publicaram em co-autoria. A maior das redes encontra-se destacada: é formada por 19 pesquisadores que executaram pelo menos três colaborações científicas, dentro da mesma sub-rede, nesse período.
48
Figura 8 - Rede de co-autoria entre pesquisadores brasileiros em Leishmanioses. Brasil, 2004 – 2008.
Fonte: Elaboração própria a partir de GoPubMed. Disponível <http://www.gopubmed.com/web/gopubmed/>. Acessado em 12/2008.
……… --- ______________________
49
A Figura 9 mostra a localização dos centros de pesquisas sobre Leishmanioses no mundo que mantêm colaboração com grupos brasileiros. Sugere-se que o papel desenvolvido em prol das doenças negligenciadas, executado pelo TDR, DNDi, Melinda & Bill Gates Foundation e One World for Health, venha criando uma nova cultura científica nos países de primeiro mundo, onde essas doenças nunca foram problema de saúde pública local.
Os dados da figura 9 induzem a que seja reportada a citação de Morel (2005): “A iniquidade da carga de doença entre países desenvolvidos e em desenvolvimento é agora objeto de atenção internacional i ntensa”.
Figura 9 - Distribuição geográfica dos centros de pesquisa sobre Leishmanioses no mundo que publicam em parceria com grupos brasileiros. 2004 - 2008.
Fonte: Elaboração própria a partir de GoPubMed. Disponível <http://www.gopubmed.com/web/gopubmed/>. Acessado em 12/2008.
50
Patrocinadores públicos e privados têm destinado recursos e criado estruturas organizacionais para acelerar o desenvolvimento de novos produtos de saúde, como também para adquirir e distribuir medicamentos e vacinas para os pobres.
A maior parte das publicações desse período (2004 – 2008) foi veiculada em revistas brasileiras (59% do total da produção).
Foram identificadas 117 revistas que publicaram a produção brasileira nesse período, dessas, 56% publicaram apenas um artigo. No quadro 1 podem-se verificar as revistas que apresentaram o maior volume dos artigos publicados referentes às Leishmanioses.
Quadro 1 - Distribuição dos artigos sobre Leishmaniose por revistas científicas periódicas. Brasil, 2004 - 2008.
Classificação Revista Nº
1º Rev. Soc. Bras. Med. Trop. 57
2º Cad. Saúde Pública 41
3º Mem. Inst. Oswaldo Cruz 36
4º Acta Tropica 21
5º Actas Dermosifiliogr. 13
5º Exp. Dermatol. 13
5º Rev. Saúde Pública 13
6º An. Bras. Dermatol. 11
7º Am. J. Trop. Med. Hyg. 10
8º Rev. Inst. Med. Trop. 9
8º Trans. R. Soc. Trop. Med. Hyg. 9
9º J. Infect. Dis. 8
10º Neotrop. Entomol. 7
Fonte: Elaboração própria, a partir das bases de dados consultadas para fins desse estudo
No entanto, quando se trata da diversidade de revistas que publicaram sobre a doença no período, as revistas internacionais aparecem em maior percentual (61%). Isso se
51
explica pelo fato de que, conforme citado, 56% das 117 revistas que divulgaram artigos sobre as Leishmanioses publicaram apenas um artigo, no período 2004-2008. Tal fato correlaciona-se ao perfil das revistas internacionais, as quais publicaram número reduzido de artigos (a maioria publicou apenas um artigo), ao contrario das revistas nacionais. Assim as revistas que publicaram o maior volume da produção brasileira nesse período foram nacionais: a Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, os Cadernos de Saúde Pública e as Memórias do Instituto Osvaldo Cruz. As duas primeiras revistas apresentaram perfis muito semelhantes quanto às linhas temáticas de suas publicações: Saúde Coletiva voltada para vigilância (71%) e estudos de vetores (86%). O perfil da terceira revista também é semelhante, uma vez que apresentou o maior número de seus artigos em Saúde Coletiva (50% do total), no entanto, apresentou 42% em estudos biomédicos (Quadro 1)
A quarta revista que mais publicou, a Acta Tropica, teve sua produção voltada para as pesquisas biomédicas aplicadas ao diagnóstico da LT.
53
CONCLUSÕES
Pela metodologia apresentada foi possível descrever a capacidade científica brasileira sobre as Leishmanioses, identificar suas vocações e fragilidades.
No período de 2004 a 2008 foram publicados 415 artigos científicos por pesquisadores brasileiros em revistas indexadas nacionais e internacionais. Estavam cadastrados no diretório dos grupos de pesquisa da Plataforma Lattes 214 grupos dedicados a este tema. Receberam títulos nessa linha de pesquisa 43 mestres e 44 doutores. Esses dados são considerados altamente relevantes, por se tratar de uma doença negligenciada, de ocorrência exclusivamente em países pobres e em desenvolvimento, para as quais não existem incentivos por parte da indústria farmacêutica e demais iniciativas privadas. Isso se comprova quando é verificado que 28% dos artigos não mencionam o financiador do estudo, e que os demais (72%) receberam recurso público. Não foi referenciada, em nenhum dos artigos, qualquer parceria público-privada.
Verificaram-se cooperações técnico-científicas de caráter nacional e internacional, refletindo uma razoável colaboração dos países desenvolvidos, mesmo considerando que eles não são afetados pela doença.
Estudos referentes ao desenvolvimento tecnológico, pré-clínicos e clínicos foram os mais escassos, representando 9% do total de artigos, em consonância com a ausência de novos insumos para o diagnóstico rápido e novas drogas para o tratamento. Por outro lado os estudos epidemiológicos apareceram na proporção de 45% do total, demonstrando ansiedade pelo controle e vigilância dessas doenças que afetam praticamente todo o país. As regiões Sudeste e Nordeste, com o maior número de grupos de pesquisa, produziram o maior volume de artigos.
A produção sobre Leishmaniose Tegumentar correspondeu a 53% dos artigos, 30% versaram sobre Leishmaniose Visceral e 17% abordaram a espécie Leishmania, reiterando o que se identificou sobre a morbi-mortalidade que ocorre no Brasil.
54
A partir dos dados apresentados pode-se concluir que existe capacidade de médio porte e em expansão instalada no país, posto que o Brasil detém número significativo de centros de pesquisa sobre Leishmanioses em comparação com os demais existentes ao redor do mundo. Os estudos em rede e multicêntricos já identificados podem favorecer a expansão e fortalecimento dos grupos de pesquisa científica que se dedicam a essa área no país. Ações para fomentar estudos clínicos de fases I, II e III e sobre desenvolvimento tecnológico necessitam ser induzidas pelos órgãos públicos de fomento a pesquisas, com o intuito de preencher essa lacuna do conhecimento, possibilitando incrementos no diagnóstico e tratamento das Leishmanioses no país.
56
6 REFERÊNCIAS
Ampuero J, Urdaneta M, Macêdo VO. Factores de riesgo para la transmisión de leishmaniasis cutánea en niños de 0 a 5 años en un área endémica de Leishmania (Viannia) braziliensis. Cad Saúde Pública. 2005 Jan-Feb;21(1):161-70.
Biblioteca Virtual em Saúde – BVS. Literatura científica e técnica. Ciências da Saúde em geral. [Acessado em 18 fev 2010] Disponível em: <http://www.bireme.br>.
Blank D, Rosa LO, Gurgel RQ, Goldani MZ. Produção brasileira de conhecimento no campo da saúde da criança e do adolescente. J. Pediatr. 2006;82(2):97-102.
Brasil. Ministério da Ciência e Tecnologia. Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Disponível em: <http://dgp.cnpq.br/buscagrupo/>.[Acessado em 11 novembro de 2009]
Brasil. Ministério da Educação. Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior Portal Periódicos CAPES. [Acessado em 31 agosto de 2010] Disponível em: <http://www.periodicos.capes.gov.br>.
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Ciência Tecnologia e Insumos Estratégicos. Departamento de Ciência e Tecnologia. Política Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde. 2ª ed. rev. Brasília: Ministério da Saúde; 2008-a. 44 p.
57
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Ciência Tecnologia e Insumos Estratégicos. Departamento de Ciência e Tecnologia. Agenda Nacional de Prioridades de Pesquisa em Saúde. 2ª ed. rev. Brasília: Ministério da Saúde; 2008-b. 68 p.
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos. Departamento de Ciência e Tecnologia. Pesquisa em saúde no Brasil. Rev. Saúde Pública. 2008-c; 42(4):773-75.
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Doenças Infecciosas e Parasitárias. 6ª ed. rev. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2005. 320 p.
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância Epidemiológica. Guia de Vigilância Epidemiológica. – 6ª. ed. – Brasília : Ministério da Saúde, 2005. 816 p. – (Série A. Normas e Manuais Técnicos).
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Manual de Vigilância da Leishmaniose Tegumentar Americana. 2ª ed. atual. Brasília: Ministério da Saúde; 2007.