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Effekter blant bedrifter med mulighet for overskuddsflytting

7 Kvasi-eksperimentell variasjon

7.1 Effekter blant bedrifter med mulighet for overskuddsflytting

O mistério da vida e da morte permanece como um mito para o ser humano moderno. O homem busca, por meio do pensamento científico e religioso, o entendimento do sofrimento contrapondo, muitas vezes, a razão e a fé. Assim, observam-se, ao longo da existência do homem, mudanças destes significados. A exaltação do sofrer, por exemplo, era fonte inspiradora do movimento romântico no séc. XIX.

Atualmente, ao considerar a enfermidade um fracasso que impossibilita a produção das atividades do indivíduo, a doença sinaliza a impotência da pessoa diante de seu próprio corpo que, até então, estava acostumada a ordenar. Mesmo que a morte concreta não ocorra, a vivência dela está bastante presente neste momento da instalação da enfermidade, por desvelar o lado considerado sombrio da vida, isto é, a enfermidade que pode levar à morte (KOVÁCS, 1996; BOTEGA, 2002).

A doença desperta um significado pessoal e subjetivo próprio, que aparenta ser o fator fundamental no tratamento do paciente, ao ser modulado por características de personalidade, circunstâncias sociais e pela própria natureza da patologia e de seu tratamento (BOTEGA, idem). Por isso, a percepção da gravidade e da incapacidade envolverá múltiplos fatores, que variam de acordo com a história

32 pessoal, o momento do ciclo vital e da personalidade, crenças, apoio social, tempo e estado emocional de cada indivíduo.

As repercurssões do processo de adoecimento, além das sequelas e dores físicas, envolvem a violação da integridade da pessoa. O AVC, um episódio agudo, provoca uma mobilização mais rápida dos familiares do que uma doença gradual como, por exemplo, a doença de Parkinson. O evento súbito, entretanto, pode deixar sequelas crônicas e debilitantes e, com isso, rompe a sequência e ritmo do ciclo vital. A pessoa defronta-se com uma mudança semipermanente e estável, durante um tempo considerável. Rolland (1995) aponta para a importância do vínculo entre os mundos biológico e psicossocial, considerando aspectos como o confronto com a enfermidade, reajustamento das funções familiares executivas e emocionais, o estigma social e a aceitação da doença.

Ao provocar uma ruptura do quadro de vida, ocasiona a interrupção das atividades cotidianas e acarreta ao enfermo níveis de dependência, dor e outros sintomas (PAIXÃO, 2000). Devido a essas mudanças, a doença provoca uma desorganização interna e desencadeia mecanismos de defesa, tais como negação, regressão e deslocamento, e uma dificuldade de suportar a carga emocional advinda da situação de moléstia. Strain (1978, apud Botega, 2002), aponta oito categorias de estresse psicológico, às quais está sujeito o paciente hospitalizado por uma doença aguda:

1. Ameaça básica à integridade narcísica - podem emergir fantasias onipotentes de imortalidade, de controle sobre o próprio destino e de um corpo indestrutível, além de fantasias catastróficas, com sensação de pânico, aniquilamento e impotência;

33 2. Ansiedade de separação - tanto de pessoas significativas, como também de objetos, de ambiente e de estilo de vida;

3. Medo de estranhos - no hospital, a vida e o corpo do paciente são colocados em mãos de pessoas estranhas, cuja intenção e competência são desconhecidas;

4. Culpa e retaliação - fantasia de que a enfermidade ocorreu devido a um castigo por pecados e omissões, além de fantasias de destruição por parte do corpo enfermo, traidor;

5. Medo da perda do controle das funções adquiridas durante o desenvolvimento – temor em perder a fala, marcha, controle de esfíncteres, etc.;

6. Perda de amor e de aprovação – sentimentos de desvalorização provocados pela dependência, pela sobrecarga financeira, etc.;

7. Medo da perda ou dano do corpo - mutilações e disfunções de membros e órgãos, que alteram o esquema corporal e equivalem à perda de uma pessoa muito querida;

8. Medo da morte e da dor.

Segundo Botega (2002), o deslocamento muitas vezes acontece por conta do impacto da notícia do diagnóstico, enquanto a regressão emocional também pode ser observada como uma consequência do estado de enfermidade. A regressão não é necessariamente vista como um ponto negativo, já que, numa situação grave e aguda, o paciente deve se colocar em determinados momentos nas mãos da equipe de saúde e permitir ser cuidado. No entanto, quando o paciente adota esta postura

34 regredida com condutas infantilizadas, há a preocupação de tornar-se dependente além do necessário, exigindo atenção em excesso.

Taylor (2008), neuroanatomista americana acometida por um AVC no hemisfério esquerdo, relata a sua experiência entre duas realidades distintas, a ausência de limites e a sensação de nirvana gerados pelo hemisfério direito, e o comprometimento do julgamento racional e lógico de responsabilidade do hemisfério esquerdo. Na impossibilidade de estabelecer conexões entre os dois hemisférios, a autora aponta as dificuldades dos profissionais de saúde em compreender, comunicar e avaliar as pessoas acometidas pela doença. Neste contexto, diferencia as relações estabelecidas entre um atendimento considerado positivo, com cuidado apropriado e gentileza, e o contato profissional negativo, que tenta enquadrar o paciente em tempo e ritmo pré-determinados, não se adaptando às necessidades individuais de cada enfermo.

Minha fuga para essa glória era uma magnifica alternativa ao terrível sentimento de luto e devastação que eu experimentava cada vez que era trazida de volta em algum tipo de interação com o erfevescente mundo a minha volta. Eu existia em algum espaço remoto que parecia estar muito longe do meu processamento de informação normal, e era claro que o “eu” que havia me tornado não tinha sobrevivido àquela catástrofe neurológica (TAYLOR, 2008, p.58).

Botega (2002) complementa que, passado o impacto da hospitalização, observa-se um processo de luto no paciente pós-alta, pois o impacto da pessoa acometida por um AVC obviamente não termina com sua alta hospitalar mas, pelo contrário, muitas vezes apenas inicia-se com a alta, como veremos nos próximos capítulos.

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