A Vila Nambi é um bairro situado no setor Leste do município que, de acordo com a Prefeitura, (SECRETARIA MUNICIPAL DE PLANEJAMENTO E MEIO AMBIENTE DE JUNDIAÍ, 2004a), surgiu como um núcleo de habitação subnormal implantado sobre loteamentos regularizados, ocupados predominantemente entre as décadas de 1970 e 1980. Após uma fase de adensamento populacional, a comunidade desta região se mobilizou para demandar melhorias das autoridades municipais, que até o ano de 2004 haviam implantado neste bairro saneamento básico, infraestrutura viária, duas creches, uma escola de ensino fundamental e uma unidade básica de saúde. No mesmo período a região foi reurbanizada, com a gradativa substituição dos barracos por residências de alvenaria.
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FIGURA 1.16 – Município de Jundiaí e os principais bairros do Setor Sudeste da Orla Ferroviária.
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FIGURA 1.17 – Bairros do setor sudeste da Orla Ferroviária de Jundiaí – Principais Vias e Edifícios.
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FIGURA 1.18 – Bairros do setor sudeste da Orla Ferroviária de Jundiaí – Zoneamento.
Fonte: Elaborado por Luciana Siguemoto a partir do Anexo I de JUNDIAÍ, Lei 7858/2012 e do Mapa de Abairramento do Município de Jundiaí, il. Disponível em: < http://cidade.jundiai.sp.gov.br/pmjsite/portal.nsf/V03.02/smpm_mapas_abairramento?OpenDocument >. Acesso em: agosto de 2014.
53 Como podemos verificar na imagem anterior, este bairro é delimitado nos sentidos Oeste e Sul pelo eixo da linha férrea, e no sentido Leste por uma grande área desocupada na divisa entre os municípios de Jundiaí e Várzea Paulista. No Norte seu perímetro é restringido pelas ruas João Victor Attisani, Joaquim Nabuco e pela Avenida e dos Imigrantes Italianos, que servem de divisa entre a Vila Nambi e os bairros Ponte São João, Jardim Pacaembu e Tamoio. A Ponte São João é um bairro tradicional do município, fundado no final do século XIX e que conta com um uso de solo diversificado, com forte atividade no setor de comércio e serviços e algumas industrias remanescentes do primeiro ciclo industrial de Jundiaí (SECRETARIA MUNICIPAL DE PLANEJAMENTO E MEIO AMBIENTE DE JUNDIAÍ, 2004b). Os bairros Jardim Pacaembu e Tamoio, entretanto, são predominantemente residenciais e ocupados por populações com perfil socioeconômico bastante variado, embora os últimos dados disponíveis indiquem que faixa de renda familiar predominante nestes bairros seja de 3 a 10 salários mínimos (SECRETARIA MUNICIPAL DE PLANEJAMENTO E MEIO AMBIENTE DE JUNDIAÍ, 2004c; 2004d). A população do Jardim Nambi sofreu uma redução de 1,7% entre o período de 2000 e 2010, totalizando 8323 habitantes no levantamento mais recente (IBGE, 2010). Contrariando o perfil do município, este bairro conta com uma proporção maior de jovens, que correspondem a 21,4% da população (até 14 anos) contra 6,5% de habitantes com 65 anos ou mais (IBGE, 2010). A densidade populacional é de 2881,12 hab/km², ou 28,8 hab/ha, superior à média municipal, que é de 858,42 hab./km² ou 8,58 hab./ha.
Os últimos levantamentos disponíveis indicam que embora a maior parte das famílias deste bairro conte com uma renda superior a 3 salários mínimos, cerca de 42% da população residente na Vila Nambi tem rendimentos inferiores a este valor, destacando que 12,84% das famílias sobrevivem com 1 salário mínimo ou menos (SECRETARIA MUNICIPAL DE PLANEJAMENTO E MEIO AMBIENTE DE JUNDIAÍ, 2004a). Certamente este é um dos fatores que contribuiu para o prevalecimento de habitações subnormais no limite Norte deste bairro, junto ao Jardim Tamoio, que também apresenta índices de renda familiar abaixo da média do município, com quase 15,30% de suas famílias sobrevivendo com até 1 salário mínimo (SECRETARIA MUNICIPAL DE PLANEJAMENTO E MEIO AMBIENTE DE JUNDIAÍ,
54 2004c). No último zoneamento a Prefeitura de Jundiaí delimitou Zonas Especiais de Interesse Social ao redor de praticamente todas as áreas residenciais da Vila Nambi, evidenciando futuras iniciativas a fim de melhorar as condições de vida desta população.
O último levantamento de uso do solo divulgado pela Prefeitura indicava que 43,10% do território deste bairro é destinado a atividades industriais, que se situam predominantemente junto à ferrovia e à Avenida Antônio Frederico Ozanam, construída às margens do rio Jundiaí (SECRETARIA MUNICIPAL DE PLANEJAMENTO E MEIO AMBIENTE DE JUNDIAÍ, 2004a). Esta é uma das principais vias deste município, compondo o limite Leste do anel viário ao redor do centro e atuando com uma das principais conexões deste município com Várzea Paulista, cidade que apresenta conurbação com Jundiaí. Importante ressaltar que a operação urbana prevista para o entorno da estação Jundiaí da CPTM, se viabilizada, promoverá as maiores transformações justamente na extensa faixa de terrenos vazios entre a via férrea e a referida avenida, que atualmente compreende um depósito de contêineres operado pela MRS Logística e a área da fábrica desativada da Duratex.
FIGURA 1.19 - Fotografia da área originalmente ocupada pela Indústria Duratex, registrada a partir do cruzamento da Avenida Antônio Frederico Ozanam e Viaduto Sperandio Peliciari, que é a continuação da rua José do Patrocínio.
Fonte: Acervo do autor, 2013.
O grupo Duratex implantou sua primeira fábrica em Jundiaí em 1955, voltada para produção de compensados de celulose. Utilizava como matéria prima a
55 madeira de eucaliptos plantada pela Companhia Paulista de Estradas de Ferro, em 1904, originalmente utilizada nas fornalhas das locomotivas a vapor (SCHNEIDER, 2008, p. 118). Em 2009 a empresa anunciou a suspensão das atividades desta indústria em Jundiaí, devido a impossibilidade de expansão da planta e aumento dos custos com logística, transferindo esta linha de produção para a cidade de Agudos, no interior do estado (REVISTA EXAME, 2009).