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Effects of novel heat and high pressure processing on Listeria inactivation (I, III)

6 MAIN RESULTS AND DISCUSSION

6.1 Effects of novel heat and high pressure processing on Listeria inactivation (I, III)

A percepção é que a estrutura do ambiente organizacional do livro é competitivo e altamente profissionalizado. No meio editorial, não é muito comum a formação de estruturas de parcerias, como caminho para ampliarem-se as relações das editoras, distribuidoras e livrarias. As editoras são sempre vistas como concorrentes e, portanto, as parcerias são quase inexistentes na indústria do livro (SALGADO, 2008).

A implementação de uma editora de literatura geral (ou TRADE) é bastante simplificada. Criam-se algumas parcerias comerciais com distribuidoras/atacadistas locais ou nacionais e algumas redes de livrarias de varejo. Porém, não há qualquer tipo de troca de conhecimento, estratégica ou ainda societária. Contudo, existem altos riscos envolvendo este segmento visto que as vendas que basicamente trazem os retornos estão relacionadas com a descoberta de “best sellers” ou são provenientes das vendas institucionais aos poderes públicos (SALGADO, 2008)

No Brasil os grupos editoriais são formados em sua maioria por empresas familiares ou de origem familiar. As estrangeiras normalmente pertencem a grandes grupos de comunicação comparando-se às maiores editoras nacionais. Uma exceção aqui no país é o grupo Abril, detentor das marcas editoriais Ática e Scipione além de possuir outros investimentos em mídias como revistas, televisão, portais de conteúdo da Internet.

Ressalte-se que mesmo aqui, os braços desses grandes grupos multimídias estrangeiros atuam com a atividade de editora de livros, normalmente de forma isolada, como é o caso da editora Moderna, que pertence ao grupo espanhol Santillana ou mesmo do grupo editorial Planeta.

Algo parecido pode-se dizer das redes de varejo. Nenhum modelo de franquia no meio livreiro está consolidado. Neste formato existe uma grande rede denominada Nobel. Entretanto, já é difundido no ambiente organizacional o fracasso operacional deste modelo com o encerramento de diversos pontos por falência. Porém, mesmo assim, novas franquias22 continuam a ser abertas.

Em um breve resumo, pode-se dizer, sem no entanto afirmar em sua totalidade, que o conceito mais amplo de parcerias, ou até alianças estratégicas dentro do ambiente editorial brasileiro, ainda é muito precário e carece de maior desenvolvimento em todos os segmentos: editorial, distribuidor e varejo.

De acordo com Gorini e Branco (2000), as editoras no Brasil financiam, normalmente com recursos próprios, todo o processo produtivo até que cheguem às livrarias. Diferentemente do que ocorre nos Estados Unidos onde existem as funções do editor (seleciona as obras) e do publisher (financiador da publicação). Esta concentração de atividades realizadas por um único ator no campo organizacional do livro no Brasil pode estar relacionada com o fato do país se situar em uma região periférica ou semiperiférica, onde a superposição de funções costuma existir em maior grau do que nas sociedades mais desenvolvidas (MARIZ, 2009).

Diante do que foi explicitado na Figura 3, em cada etapa da cadeia de valor, serão exploradas as relações dentro do mercado editorial do livro, restrito às editoras, distribuidoras e livrarias. Diga-se antecipadamente que estas relações sempre aconteceram de forma tensa, uma vez que nestes três elos não ocorrem uma definição clara das atividades de nenhuma organização, criando-se interposições sobre as atividades do outro. Ou seja, um livreiro pode ser considerado distribuidor. Algumas editoras são construídas a partir de livrarias por questões de oportunidades locais, etc. Ressalte-se ainda que a estrutura de uma distribuição especializada no país é deficitária, havendo um número pequeno destas organizações. Na verdade, o normal é existirem atacadistas, empresas que trabalham apenas com os livros mais vendidos (best sellers), onde as chances de encalhe são reduzidas (SAAB, GIMENEZ, & RIBEIRO, 1999).

22 No mercado existe um consenso de que o grande negócio da Nobel é a venda de franquias e não a operação comercial que estas venham a dar.

Alguns anos atrás as editoras, principalmente aquelas que não atuavam no segmento escolar, adotaram um sistema mais flexível de comercialização de seus produtos: passaram a atuar com o regime de consignação23. Com isto as editoras foram praticamente obrigadas a criarem departamentos comerciais dentro de suas estruturas, muitas vezes frágeis (SAAB, GIMENEZ e RIBEIRO, 1999). Isto muitas vezes ocorre por não se delegar uma área de exclusividade ao distribuidor ou outro agentes, e por passar a eleger diversos atacadistas para atuarem sobre um mesmo território. Afora isto as próprias editoras passaram a atuar com a venda direta às livrarias, principalmente as grandes redes de livrarias, inclusive com as empresas que comercializam na internet e que tradicionalmente não possuem local físico de venda. Elos, ainda que frágeis da cadeia, foram rompidos.

Criou-se então uma guerra comercial entre os atores editora, distribuidores/atacadistas e livrarias. Nesta disputa o maior prejudicado foram as pequenas livrarias de “rua” que, sem a força política e comercial das grandes redes varejistas, começaram a passar dificuldades, tendo muitas inclusive encerrado suas atividades. As grandes redes de varejo e os canais alternativos da categoria supermercados passaram a exigir taxas para exposição dos produtos das editoras em seus espaços. Por outro lado, as editoras, necessitando de ampliar o acesso dos consumidores aos seus produtos, aceitaram tais imposições dessas organizações. Contudo, a fragmentação da rede de distribuição das editoras impediu um maior avanço neste segmento, uma vez que este tipo de organização exige atendimentos em volumes e quantidades significativas (SAAB, GIMENEZ e RIBEIRO, 1999).

O comércio tradicional de livros vem sofrendo com a concorrência cada vez mais acirrada e a chegada de novos concorrentes e atores tais como papelarias, bazares e escolas (SAAB, GIMENEZ, & RIBEIRO, 1999). A venda diretamente as escolas foi uma das formas encontradas pelas editoras didáticas escolares para garantir que seus distribuidores e elas próprias se mantivessem em funcionamento.

Outra dificuldade que se apresenta às redes de comércio são os prazos de comercialização do produto, principalmente para as PMEs do setor. Normalmente, as grandes redes de varejo estipulam prazos superiores a 120 dias médio. Porém, ocorre que as margens oferecidas com a estipulação de preços inviabiliza as operações de venda a crédito mais elásticas, pois as margens são definidas a partir da definição dos “preços de capa”

23 Ver nota de rodapé nº 8

estabelecidos pelas editoras. Em contrapartida as grandes redes oferecem descontos financeiros excessivos, numa estratégia clara para estabelecer a mortalidade das demais concorrentes (motivo pelo qual existe um projeto de lei no congresso para limitar os descontos oferecidos aos livros em 10% para os lançamentos e 20% para os demais, como forma de tentar promover a competitividade e concorrência entre todos os atores pertencentes ao mesmo elo da cadeia). Diante deste fato de forte concorrência e acirramento, o mercado tende a concentrar-se em poucos agentes.

Normalmente o frete, predominantemente rodoviário – considerado caro comparando- se com outros meios (SAAB, GIMENEZ, & RIBEIRO, 1999)- nas operações é de responsabilidade das livrarias e distribuidores. Este é mais um custo incoerente visto que o “preço de capa” é fixado com base no Rio-São Paulo. Este custo deveria ser considerado para as demais regiões, gerando diferenciações entre a possibilidade de uma concorrência justa e leal. Sobre estes conflitos é que Saab, Gimenez e Ribeiro (1999) alertam para o fato de que “a distribuição e a comercialização do livro têm sido apontados como o maior problema da cadeia editorial brasileira, constituindo-se o seu ponto crítico”.

Percebe-se que o principal modelo utilizado como ferramenta da expansão e crescimento acaba por ser a aquisição e/ou fusões através de um forte acirramento (SALGADO, 2008). Diversos movimentos de centralização através de aquisições estão ocorrendo, como é o caso do grupo GEN (Grupo Editorial Nacional), que detém pelo menos oito grandes marcas editoriais em diversas áreas técnicas. Assim, permanecem atuando apenas as pequenas editoras atendendo a um público restrito e altamente especializado (SALGADO, 2008).