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5 INTRODUCTION

5.2 Background

5.2.1 Novel mild technologies for microbial inactivation in foods

5.2.1.1 Agitated heat processing

5.2.1.1.2 Bacterial heat resistance

De acordo com Vieira e Carvalho (2003) um dos maiores problemas nos estudos de campos organizacionais está em definir os limites de cada um. E complementa:

Os campos só existem no momento em que são institucionalmente definidos e não apenas construtos agregativos dos pesquisadores...Entretanto, salienta-se para efeito de uma pesquisa empírica, é possível que o campo seja demarcado pela limitações do pesquisador, sem contudo ferir sua natureza conceitual. (VIEIRA e CARVALHO, 2003)

Como o próprio Thomson (2005) alerta: “os limites entre os campos são muito pequenos e não rígidos”, o que permite que organizações possam atuar em diversos campos

ao mesmo tempo, concorrendo com diversas outras organizações, ou mesmo que o produto destinado a um determinada característica de campo seja utilizada em outra.

De forma que iremos diferenciar o campo organizacional do livro dividindo-o em três outros campos de acordo com as características dos conteúdos dos livros ofertados a sociedade:

a) Educacional Escolar

b) Científicos, Técnicos e Profissionais

c) Literatura Geral (ou Trade5)

O fato de os campos estarem separados por categoria de produtos não implica que as organizações não atuem em mais de um campo de forma constante ou não e até mesmo que um determinado produto seja utilizado pelos elementos do outro campo. Exemplificando esta operação é muito comum os livros infantis serem adotados nas escolas por conveniência por dos professores, pouco considerando-se as características pedagógicas ou didáticas do mesmo. As pequenas organizações editoriais frequentemente apresentam comportamento semelhante, oferecendo produtos dos seus catálogos que não possuem características didáticas, como forma de ser manterem competitivas no mercado.

Quanto às inovações, trazem consigo mudanças nos hábitos e novos modelos institucionais, rompendo-se com antigos modelos. Os eventos geradores das mudanças por parte das organizações objetivam proporcionar às organizações empreendedoras a conquista da liderança. Não é estranho ocorrerem turbulências em mercados tradicionalmente estáveis com a chegada de atores totalmente alheios ao campo, como no caso da fotografia digital – empresas ligadas à tecnologia da informação (MUNIR, 2005).

As mudanças de posicionamento das organizações e configurações do campo da fotografia são afetadas pela entrada de empresas ligadas a campos organizacionais paralelos, até então ignorados pelos principais atores do campo organizacional da fotografia, que

5 Para este campo ainda ocorreria mais uma subdivisão para os livros religiosos. Contundo adotaremos para efeito de estudo a divisão de Thompson, nestes três campos

encontrava-se estável, dominado pela Kodak (MUNIR, 2005). Comparando-se o campo da fotografia com o campo do livro, pode-se diversas perceber semelhanças. Uma das principais é o fato de a indústria da imagem digital estar envolvida com a presença de uma cultura digital, onde mudanças principalmente ocorridas no meio dos canais distribuição permitiram a significativa perda por parte da Kodak do domínio de poder dentro do campo (MUNIR, 2005).

Munir (2005) explica que a dinâmica do surgimento de um novo campo organizacional depende de efeitos de trabalho em rede e a convergência tecnológica. Partindo- se da premissa de Bourdieu (apud DARBILLY e VIEIRA, 2008) a respeito dos campos culturais que “são caracterizados pelas diversas lutas ocorridas especialmente entre agentes como produtores, instituições e novos entrantes, são reestruturados e recriados por estes últimos”.

Os campos que formam o principal campo organizacional do livro compõem-se como uma “estrutura de distribuição de capital de propriedades específicas que governam o sucesso no campo e o ganho de lucros externos ou específicos (como o sucesso literário) que estão em jogo no campo” (BOURDIEU apud DARBILLY e VIEIRA, 2008).

3 Metodologia

Para Merriam (1998) a pesquisa qualitativa procura entender como as partes trabalham para formar um todo. A autora classifica algumas características da pesquisa qualitativa:

a) Os pesquisadores buscam compreender o sentido em que o indivíduo está inserido; b) O pesquisador é o principal elemento de coleta e análise dos dados;

c) Envolvimento do pesquisador com o campo de estudo; d) Emprega-se a estratégia de pesquisa indutiva;

e) O produto final da pesquisa qualitativa é uma descrição rica;

Ressalte-se que o delineamento de uma pesquisa qualitativa é flexível e ligada diretamente às condições do progresso do estudo em desenvolvimento (MERRIAM, 1998)

Deve-se atentar para as restrições impostas pelos métodos qualitativos, como descreve Godói et al (2002). Apesar das críticas e questionamentos sobre as questões qualitativas, estas estão sendo cada vez mais utilizadas dentro das ciências sociais como instrumento de verificação dos problemas que estão sendo estudados.

De acordo com Lazarsfel (apud Godói et al, 2002) existem três situações para o destaque da atenção aos indicadores qualitativos:

a) Situações em que a evidência qualitativa substitui a simples estatística;

b) Situações nas quais a evidência qualitativa é usada para captar dados psicológicos que são reprimidos ou não facilmente articulados;

c) Situações nas quais observações qualitativas são usadas como indicadores dos funcionamentos complexos das estruturas .

Godói et al (2002) ainda alerta para o fato de que em estudos qualitativos tanto a formulação do problema quanto a sua delimitação possui características próprias e impõe ao pesquisador uma profunda imersão no contexto do objeto de pesquisa. Entretanto, de acordo com Barreira (apud GODOI, BANDEIRA-DE-MELO, SILVA, & et, 2006) “não depende apenas da revisão de literatura e da fundamentação teórica da pesquisa, mas também da experiência e da trajetória prévias do pesquisador naquele campo de investigação”.

Yin (2005) descreve que as estratégias podem ser definidas de acordo com o tipo de questão de pesquisa; a extensão do controle que o pesquisador possuí; o grau de enfoque em acontecimentos contemporâneos em oposição a acontecimentos históricos.

Para ilustrar as situações acima a Tabela 1 demonstra como podem ser utilizadas as estratégias mais comuns em ciências sociais:

Tabela 1 Estratégias mais comuns em ciências sociais

Estratégia Forma de Questão de Pesquisa Exige controle sobre

eventos comportamentais Focaliza acontecimentos contemporâneos

Experimento Como, por que Sim Sim

Levantamento Quem, o que, onde, quantos e

quanto Não Sim

Análise de arquivos Quem, o que, onde, quantos,

quanto Não Sim/não

Pesquisa Histórica Como, por que Não Não

Estudo de caso Como, por que Não Sim

Fonte COSMOS Corporation (apud Yin, 2005, p. 24)

3.1 Delineamento

Neste momento serão apresentados a estratégia, os métodos de coleta e a análise dos dados que servirão para a conclusão do relatório com base nos resultados obtidos.

Este estudo teve um perfil qualitativo quanto às abordagens aplicadas diretamente sobre os campo organizacional do livro no Brasil seccionado nos seguintes atores: editores, distribuidores e livreiros. Na pesquisa foi feita uma consulta de como as mudanças

introduzidas através da implementação de novas tecnologias de leitura vem promovendo alterações nos hábitos da sociedade quanto à formação de novas relações sociais entre os agentes do campo organizacional do livro.

A opção por utilizar um método qualitativo está ligada diretamente ao fenômeno social investigado. Ferramentas quantitativas seriam limitadas para explicar a complexidade do objeto de estudo. Segundo SALGADO (2008) “a análise dos dados resulta em uma forte influência sobre os resultados do trabalho...a pesquisa qualitativa é fundamentalmente interpretativa, o pesquisador faz interpretações e conclusões de acordo com as lições aprendidas (CRESWELL apud SALGADO, 2008)”

A pesquisa qualitativa, básica ou genérica,é assim definida por Merriam (apud GODOI, BANDEIRA-DE-MELO, SILVA, & et, 2006) “se caracteriza como uma pesquisa que contém algumas características da metodologia qualitativa mas não possui todos os requisitos para ser tratada por uma”. Nesse modelo de trabalho o pesquisador busca compreender um fenômeno, processo ou ainda as perspectivas das pessoas envolvidas no objeto da pesquisa.

Com o intuito de atender às necessidades técnicas das informações, utilizou-se a associação entre o estudo de caso qualitativo com elementos da pesquisa qualitativa básica. Visto que o caso em destaque trata-se da reordenação ou criação de novos campos organizacionais a partir da entrada de novos atores com a chegada dos suportes eletrônicos. Porém alguns elementos para se classificar como uma pesquisa qualitativa de fato, como as entrevistas, foram reduzidas significativamente. Contudo, não se pode desprezar o conteúdo científico da pesquisa qualitativa básica que busca tipicamente desenhar conceitos, modelos, etc a partir da coleta de dados através de observações, análise de documentos ou entrevistas (MERRIAM, 1998).

A opção pelo caso justifica-se pelas características dos acontecimentos do momento atual que permitem aprofundamento do tema abordado, explorando as flexibilidades deste método. Um dos motivos para a escolha por este tipo de busca está na definição dos autores Cooper e Schindler (2003): “embora os estudos de caso tenham sido taxado de ´cientificamente sem valor´ pois não atendem às exigências mínimas do planejamento para comparação, eles têm um papel científico importante”. E ainda complementam: “... um único

estudo de caso bem planejado pode representar um desafio importante para a teoria e uma fonte de novas hipóteses e constructos”.

Visto isto, pode-se reportar ao texto de Roesch (apud KORTH, 2005), no qual o autor afirma que o estudo de caso pode ser único ou múltiplo, e que a unidade de análise pode ser composta de um ou mais indivíduos, grupos, organizações, eventos, países ou regiões. Assim constrói-se o modelo que servirá de base para a validação desta ferramenta de pesquisa.

Este estudo tem o propósito de avaliar diversas situações do universo das etapas das relações da cadeia produtiva do livro, através de seu seccionamento em editoras, distribuidoras e livreiros. Tem também como objetivo a análise aprofundada de uma população (GIL apud KORTH, 2002). População esta composta por diversos atores responsáveis por significativa relevância dentro do mercado nacional do livro.

[...] o indivíduo nas organizações, a dinâmica organizacional e as relações interorganizacionais não podem ser compreendidos se não forem pensados a partir de sua própria relação dialética com o contexto sócio-histórico local, regional, nacional e global (JAIME JÚNIOR apud GODOI, BANDEIRA-DE-MELO, SILVA, & et, 2006, p. 157)

A opção por este tipo de pesquisa é para se fazer um aprofundamento das informações visando não somente uma explicação mas sobretudo uma compreensão dos fatos que envolvem a mudança da cadeia produtiva do livro e seu campo organizacional (LAVILLE e DIONNE, 1999).

Contudo, deve-se considerar que, apesar de envolver muitos agentes, os resultados obtidos não poderão ser estendidos a toda uma população (MARCONI e LAKATOS apud OLIVEIRA).