4. Problems with and alternatives to narrative identity in Kierkegaard
4.2. Wietzke: Either/Or and narrativity
4.2.2. Effective aestheticism
Após a análise do discurso dos professores, das observações das aulas e do planejamento de P1, constatamos algumas divergências na entrevista. Quando perguntamos a ela se no início do ano letivo tinha sido elaborado um planejamento anual do curso, ela respondeu positivamente e disse que tinha sido feito um planejamento geral e em relação às matérias cada um tinha feito o seu. No entanto, ela não nos mostrou este planejamento anual, declarou que apenas lista o conteúdo a ser visto a cada bimestre.
Esses fatos, na verdade, confirmam o que Barbirato (2008) declara a respeito do planejamento. Para a autora, por muitas vezes o planejamento tem sido constantemente confundido com uma lista de estruturas gramaticais a serem ensinadas. Dentro dessa concepção, planejar é listar estruturas lingüísticas que devem ser ensinadas pelo professor, aprendidas pelos alunos e novamente cobradas pelo professor nas avaliações.
Esse tipo de planejamento, segundo Ur (1991) é denominado léxico-gramatical. Sabemos, no entanto, que planejamentos deste tipo não levam em consideração nem as necessidades e os desejos dos alunos e nem o contexto de ensino-aprendizagem.
Isso nos leva a outra discordância. P1 afirma que utiliza como parâmetros para planejar suas aulas, o nível da turma, interesse ou necessidade. Nenhuma dessas características foi observada.
O planejamento para P1 não parece ser algo essencial ao processo de ensino- aprendizagem como ela mesma declarou, até porque ele foi elaborado só por conta da pesquisa. E mesmo elaborado após as aulas, o planejamento não foi materializado. Quase nada foi feito em relação ao desenvolvimento da expressão oral. Os alunos apenas desenharam, escreveram as partes de uma casa e alguns móveis e eletrodomésticos que comumente decoram uma casa. Nada mais nem a lista foi criada com a turma.
As únicas informações que se confirmam referem-se à liberdade para trabalhar os aspectos da língua inglesa e às mudanças no planejamento que podem ocorrer se for detectado que não está de acordo com o nível da turma ou se os objetivos não foram alcançados.
Com relação a P2, antes de observarmos as aulas, já tínhamos percebido algumas contradições desse professor, algumas delas confirmadas durante a materialização do seu planejamento como, por exemplo, que o livro não atende às necessidades do curso e dos alunos, mas utiliza quase que completamente em sala de aula, pois segundo ele, os alunos apenas têm contato com esse material didático na escola e durante as aulas de inglês.
Um professor que afirma que no 9º ano abordará temas como os verbos auxiliares (do, did, does), o tempo passado, o passado particípio, tempos verbais e significado de palavras, não poderia planejar de outra forma. Após as observações, pudemos constatar que P2, apesar de considerar que o planejamento é tão indispensável, ele não possui esse documento escrito, somente o tem registrado mentalmente. Quando pedimos ao professor o planejamento, ele só nos mostrou os seus registros feitos no diário de classe da turma.
Enfim, é impossível realizar um processo de ensino e aprendizagem com qualidade sem planejar, como afirma Vasconcellos (2009). Para o autor, “o
planejamento é uma coisa inerente ao ser humano. Então, sempre temos algum plano, mesmo que não esteja escrito”. De fato, os planejamentos são apenas feitos por muitos professores no início do ano e entregues à coordenação e muitas vezes, nem cumpridos são.
P3 afirma em seu discurso, que o planejamento permite trabalhar de acordo com as necessidades dos alunos. Mas não foi isso que constatamos. A professora, principalmente na AULA 3 parece correr desesperadamente contra o relógio, obrigada a cumprir uma série de itens, pois há um plano em comum que todos os professores de inglês devem trabalhar, apesar de declarar que planeja diariamente e tem total autonomia.
É possível que ela tenha mudado o plano em comum, para atingir os objetivos ainda não alcançados com relação às outras turmas, pois entre a AULA 2 e a 3 eles tiveram poucas aulas. Aconteceram reuniões pedagógicas, paralisação dos professores, recesso das escolas públicas, além da prova escrita do 3º bimestre, que teve toda uma aula reservada a ela.
Ter menos alunos em sala, mais tempo de aula, um bom material didático, salas ambiente, bons professores e um bom planejamento coletivo não significa que os resultados serão positivos. Apesar de afirmar que planeja diariamente, P3 não nos mostrou seu planejamento. Como respondera no questionário o livro traz a seqüência ou estabelece a ordem de todo o conteúdo que dever ser passado aos alunos para trabalhar as habilidades que eles precisam para aprender a língua e se comunicar, isto quer dizer que o seu planejamento está no livro.
O planejamento não deve ser rígido, mas modificado quando necessário. O conteúdo a ser cumprido na ordem e seqüência que um bom livro didático tem não significa que é exatamente o que aquele grupo de alunos daquela turma precisa. O plano em comum, como foi denominado pela professora, precisa ser cumprido, mas há outros meios para que isso aconteça. Dificilmente adolescentes vão se interessar ou se sentirem motivados por aulas de línguas em que não entendam e vejam a sua utilidade e não consigam acompanhar o ritmo acelerado do professor que precisa cumprir o que foi
estabelecido para fazer em várias aulas e tenta fazer em poucas para que todo o conteúdo da prova unificada seja trabalhado em sala.
O planejamento é um processo que leva ao estabelecimento de um conjunto coordenado de ações visando à consecução de determinados objetivos. Não é imutável, pelo contrário, sempre que houver mudanças que justifiquem, ele deve ser revisto, para que os objetivos programados sejam atingidos, pois são eles, os objetivos, a prioridade e não a sua manutenção rígida.
Enfim, o planejamento é um processo reflexivo, permanente, flexível e essencial ao processo de ensino-aprendizagem, uma ferramenta que possibilita melhores resultados quando adequado aos alunos para os quais foi elaborado. Para nós, essa adequação está relacionada não só aos interesses dos alunos, mas também ao que as diretrizes curriculares de LE e as políticas lingüísticas consideram relevantes.