Chapter 3: Results and Discussion
5. Results
5.6 Foam-oil interactions analyzed by static foam tests
5.6.1 Effect of oil on AOS foamability and stability
próxima do resto da redação? Isso faz diferença no trabalho? Quem são os profissionais e quais as formações deles?
Há um núcleo de dados no G1, que fica geograficamente ao lado da equipe de arte (que, por sua vez, conta com dois programadores). Além de mim, há quatro repórteres, todos
xl jornalistas, três em SP (sendo que um está praticamente focado em fact-checking) e um no RJ. Parte também tem conhecimento de programação.
4. Como são definidas as pautas das “data stories”? Descreva as fases do fluxo de trabalho na produção de uma “data story”.
São definidas de várias formas. Em reuniões da equipe, em propostas individuais dos repórteres… Ela pode surgir a partir de um pedido via LAI, de uma análise em planilhas abertas ou mesmo de uma boa sacada. Muitas vezes pautas especiais de dados surgem do mero acompanhamento do noticiário, do chamado hardnews. Sobre o processo de produção, o primeiro passo é obter a base. Ela pode estar disponível em algum site (em formato de planilha ou de outro modo que necessite uma raspagem dos dados), pode ser requisitada por e-mail para a assessoria de imprensa de algum órgão ou mesmo solicitada via LAI. Com ela em mãos, dá-se início ao processo que talvez seja o mais importante de todos: a limpeza. Há ferramentas para isso. Mas às vezes é preciso colocar a mão na massa mesmo. Com a planilha pronta, é preciso fazer análises e entrevistá-la, como uma fonte qualquer. A partir das conclusões dessas análises, é que se começa a pensar na visualização e nas histórias que podem ser contadas a partir dela. Fontes são entrevistadas e personagens são procurados. No G1, é possível contar com a ajuda das afiliadas, espalhadas pelo país, para fazer cases verificados durante esse processo. Um exemplo: https://g1.globo.com/economia/noticia/nordeste-em-emergencia-historias-de-uma-seca- sem-fim.ghtml
5. Existe uma periodicidade definida para a publicação de “data stories”? Se sim, qual e por quê?
Não. Especialmente porque a decisão editorial hoje no G1 para a área é trabalhar em projetos de fôlego. Um exemplo é o Monitor da Violência (http://g1.globo.com/monitor- da-violencia/).
6. Quais as ferramentas/softwares utilizados para produzir “data stories”?
A gente trabalha muito com Excel, bloco de notas e as ferramentas do Google, como o Docs e o Spreadsheets. Mais que dados, as reportagens precisam conter histórias, personagens e outros elementos que capturem o leitor. A gente trabalha de diversas maneiras para melhor aproveitar uma base de dados: seja com vídeos ou animações, seja com
xli ferramentas de visualização como o Carto (para mapas) ou o Timeline JS (para linhas do tempo), seja com artes estáticas e recursos textuais que permitam uma leitura clara, direta e concisa. Um exemplo: http://especiais.g1.globo.com/sao-paulo/2017/o-mapa-da- homofobia-em-sp/
7. Existe algum treinamento para a equipe (exemplo: coding para os jornalistas, jornalismo para programadores)?
A maioria dos cursos é feita fora. Há diversos sites hoje (muitos deles grátis) que ensinam a programar, por exemplo. Internamente, há um esforço para que jornalistas de outras áreas tenham maior familiaridade com dados. Já houve intercâmbios com repórteres de outras editorias e um curso foi desenvolvido para as praças espalhadas pelo Brasil.
8. Do ponto de vista da recepção, qual o impacto das “data stories” para o leitor? O jornalismo de dados tem criado mais valor ao produto jornalístico da empresa?
Com certeza. Reportagens guiadas por dados dão credibilidade e agregam valor. Há inúmeros exemplos. O principal deles é o Monitor da Violência. Mas projetos de dados nem sempre se traduzem em audiências astronômicas. Há um desafio diário de aliar relevância a alcance. Existe sempre uma preocupação de que os infográficos interativos, por exemplo, sejam acessíveis e úteis. Em alguns projetos, especialmente os que tratam de questões que afetam diretamente a vida das pessoas, a resposta é maior. Um exemplo: http://especiais.g1.globo.com/rio-de-janeiro/2018/fora-do-ponto/. Os leitores também se interessam bastante por materiais de serviço/utilidade pública. Um dos principais projetos do G1, o Promessas dos políticos, nasceu com a checagem das promessas de apenas quatro prefeitos. No dia da publicação, vários leitores de diferentes partes do Brasil ‘cobraram’ projetos semelhantes em suas cidades. Hoje, além do presidente, há páginas dos 26 governadores e dos 27 prefeitos das capitais
(http://especiais.g1.globo.com/politica/2015/as-promessas-dos-politicos/) 9. Quais os desafios para a prática de jornalismo de dados atualmente?
Bases de dados abertas e registros confiáveis. A falta de transparência ainda é regra. Muitas vezes, mesmo pedidos via LAI não são cumpridos. Formatos não editáveis também são comuns. Poucos órgãos têm repositórios e bases de dados históricos disponíveis e/ou facilmente acessíveis, o que dificulta muito o trabalho.
xlii 10. Qual a disponibilidade da empresa para investir mais em JD?
Até o início de 2017, eram apenas dois repórteres dedicados a dados no G1. A equipe dobrou de tamanho em um ano. Dentro da Globo, no geral, também há um investimento e uma integração maior entre os profissionais que mexem com dados. Cursos já foram feitos e reuniões sistemáticas entre equipes têm sido realizadas desde o final do ano passado.
V. ENTREVISTA COM RODOLFO ALMEIDA – NEXO
1. Nome, idade, cargo e breve descrição da carreira até chegar ao jornalismo de dados.
Rodolfo Almeida, 25 anos, jornalista infografista do Jornal Nexo. Sou jornalista de formação, e durante a faculdade eu sempre me envolvi de alguma maneira com design gráfico, seja estudando por conta própria, seja fazendo projetos impressos, em quadrinhos… Durante a faculdade, fui estagiar no Estadão, durante 2 anos, e fiquei basicamente na TV Estadão, que é a editoria de vídeo que produz vídeo para toda a redação e também produz pautas próprias. Ali tive contato com a arte do jornal, que era uma editoria bastante próxima fisicamente, e lá tive muito contato com o modo de trabalho deles, os softwares usados. Assim que eu me formei, através de contatos em comum, surgiu a vaga no nexo. Meu cargo é de infografista, e em abril de 2017 eu faço dois anos no cargo. Lá que eu comecei a me envolver mais com dados, aplica a parte de design para dados. Tive que aprender um pouco de estatística e de outros conceitos de data science.
2. Breve histórico do JD no veículo. Iniciativa de quem?
O Nexo surgiu em novembro de 2015. Não fui o primeiro infografista. Fui o segundo. Tinha um designer antes de mim, ele saiu e o Simon Ducroquet, que é o antigo editor de arte, me convidou para trabalhar lá. O Jornalismo de Dados sempre existiu no Nexo, faz parte do modelo de negócios e do modelo editorial do jornal.
xliii Temos uma editoria chamada “gráfico”, uma sessão em que o leitor vai encontrar só os conteúdos que são explicações visuais de alguma coisa. Antigamente, o Nexo replicava uma estrutura de jornal impresso, com editorias de política, etc. Com o tempo, a diretoria e todo mundo percebeu que na verdade seria melhor mudar essa estrutura para combinar mais com o modelo digital. Então, em vez de editorias criamos núcleos. Tem o núcleo de gráficos e infografia, o de política e economia, o de especiais e interativos… Como infografista, o meu trabalho que antes era na editoria de arte, passou para uma área só de gráficos. Pode perceber que na sessão gráficos, só assinamos eu, que sou infografista, e o Gabriel Zanlorenssi, que é cientista de dados. E a equipe somos nos dois e agora temos um estagiário. Na parte de especiais e interativos, também há alguns trabalhos feitos pela área de dados.
4. Qual o tamanho da equipe? Quem são os profissionais e quais as formações deles?