Forcing factors:
8 Evaluation of the decline criterion .1 Introduction
8.3 EcoQOs for threatened and declining fish species
De modo a dar continuidade ao capítulo anterior, que enfatiza o agente educativo como reflexivo e observador tanto no que diz respeito à sua prática como no que concerne seus alunos, considero pertinente realçar alguns aspetos da metodologia de Investigação-Ação. Todavia, quero clarificar que o objetivo desta metodologia não é descobrir problemas, mas sim combater aspetos que condicionam todo o processo de aprendizagem, podendo levar a criança ao insucesso escolar.
Nos dias de hoje, a investigação em educação é cada vez mais importante e imprescindível. Por assim ser, no decorrer deste capítulo será apresentada uma definição de investigação-ação seguida das fases que a compõe e das técnicas e instrumentos de recolha de dados. Com a abordagem a estes parâmetros, tenciono estabelecer uma ligação entre esta metodologia e a prática educativa, salientando que se encontrarmos e adaptarmos diversas estratégias aos diversos contextos, o professor (observador participante) não só terá a capacidade de melhorar a sua ação como também garantir uma melhor aprendizagem dos seus alunos. Assim, torna-se essencial que o docente esteja ciente da importância de conhecer os seus alunos e a comunidade escolar na qual está inserido.
2.1- Investigação Ação e respetivas fases
Antes de passar ao conteúdo pretendido considero fundamental apresentar uma introdução com uma pequena definição sobre o que é a investigação e sobre o que é a ação. Assim, partindo deste ponto a investigação é um processo de reflexão devidamente sistematizado, ordenado e crítico que tem como objetivo analisar um aspeto da realidade com o intuito de ação prática (Baldissera, 2001).
Ação, por sua vez, é uma fonte de conhecimento caraterizada por um modo de intervenção cujo objetivo da pesquisa está dirigido para a ação.
Segundo Ezequiel AnderEgg (1990), citado por Baldissera (2001), existem várias caraterísticas que definem a Investigação-Ação, como por exemplo a sua finalidade (provocar mudanças na realidade que atinge as pessoas envolvidas), a simbiose entre a investigação e a prática e entre o processo de investigação e da ação interativa, ambas guiadas pela teoria, a proximidade entre o pesquisador e as pessoas envolvidas, exigindo formas de comunicação, entre outros. Assim, para este autor, para que a investigação-ação seja participativa e bem sucedida é fundamental que os participantes sejam capacitados.
De acordo com João Bosco Pinto (1989), citado por Baldissera (2001) a metodologia da Investigação-Ação é designada como sequência lógica e sistemática de passos intencionados, isto é, passos com finalidades que são colocados em prática através de técnicas e instrumentos. Esses passos, por sua vez, dividem-se em três momentos: momento de investigação (seleção de uma área de trabalho e suas caraterísticas, realização e resultados), momento de tematização (reflexão sobre a pesquisa e consequente elaboração) e o momento de programação/ação (ação organizada). Cada passo é composto por uma série de atividades com objetivos a atingir.
Segundo Coutinho et al (2009) a Investigação-Ação afirma-se como metodologia mais apropriada a favorecer as mudanças nos profissionais ou nas instituições educativas.
São inúmeros os conceitos atribuídos a este termo complexo e ambíguo, todavia, através da consulta realizada num vasto leque bibliográfico, irei destacar aqueles que considero mais completos e simultaneamente mais simplificados, facilitando uma posterior consulta. Porém, tal como afirma Gomézet al (1996) e McTaggart (1997) citado por Coutinho (2009) é um tanto ou quanto impossível chegar a uma definição exata.
Em “La investigación-acción” Latorre (2003) refere alguns autores que apresentaram variadas definições para este termo. Elliot (1993) citado por Coutinho et al (2009), por exemplo, carateriza este termo como um estudo de uma situação social que tem como intuito o aperfeiçoamento da qualidade da ação dentro da mesma.
Kemmis (1984) citado por Coutinho, Sousa, Dias, Bessa, Ferreira e Vieira (2009) não só define a Investigação-Ação como uma ciência prática e moral mas também como uma ciência crítica.
Para Lomax (1990) citado por Coutinho, Sousa, Dias, Bessa, Ferreira e Vieira (2009) a Investigação-Ação consiste numa intervenção na prática profissional com a intenção de proporcionar uma melhoria.
“A Investigação-Ação como um processo reflexivo que vincula dinamicamente a investigação, a ação e a formação, realizada por profissionais das ciências sociais acerca da sua própria prática” é a definição apresentada por Bartalomé (1986) citado por Coutinho, Sousa, Dias, Bessa, Ferreira e Vieira (2009).
Desta forma, partindo das definições elaboradas por estes autores conceituados a Investigação-Ação engloba simultaneamente várias ações, visando a mudança, e a investigação, que enquadra a ação e a reflexão crítica. Assim, esta metodologia trabalha para uma mudança de atitude da postura académica do investigador em ciências humanas (René Barbier, 1996; citado por Coutinho, Sousa, Dias, Bessa, Ferreira & Vieira (2009).
Para melhor entender todo este processo, considero o esquema abaixo apresentado bastante explícito.
Figura 1: Ciclo básico da Investigação-Ação
Fonte: David Tripp (2005)
Segundo Tripp (2005) os passos são da Investigação-Ação são os seguintes: identificação de um problema, procura de soluções/estratégias de modo a eliminá-lo, efetuar essas mesmas soluções/estratégias, supervisionamento e avaliação dos resultados, se foram ou não eficazes.
2.1.1- Técnicas e instrumentos de recolha de dados
Ao realizar uma investigação não é necessário apenas elaborar uma questão problema e debruçar-se no desenrolar de todo o processo. A investigação-ação vai além de tudo isso, sendo fulcral refletirmos sobre a recolha de informação à medida que nos é facultada. Neste caso em específico a informação chega-nos através da observação e de toda a nossa prática/intervenção. Assim sendo, a observação deve ser feita de forma intencional e sistemática, focando-se naquilo que queremos estudar e analisar. Deste modo, a fase de reflexão é simplificada (Latorre, 2003, citado por Coutinho, Sousa, Dias, Bessa, Ferreira & Vieira 2009).
Ainda assim, Latorre divide as técnicas e instrumentos de recolha de dados em três categorias: Técnicas baseadas na observação (foca-se na visão do investigador), técnicas baseadas na conversação (foca-se na visão dos participantes e em momentos de interação) e técnicas baseadas na análise de documentos (foca-se na visão do investigador e inclui uma pesquisa de documentos escritos que servem como fonte).
A tabela que se segue mostra-nos a classificação das técnicas e instrumentos:
Quadro 1: Técnicas e instrumentos de Investigação-Ação Instrumentos (lápis e papel) Estratégias (interativas) Meios Audio-visuais Testes Escalas Questionários Observação sistemática Entrevista Observação participante Análise documental Vídeo Fotografia Gravação áudio Diapositivos Fonte: Investigação-Ação: Metodologia preferencial nas práticas educativas (2009)
Quanto à minha investigação centrar-me-ei não só na observação direta aos participantes, mais concretamente num menino em específico, como também na interação quer com o grupo em geral quer com a criança que transparece maiores dificuldades na comunicação. Com este método tenciono compreender de modo mais profundo a problemática encontrada, podendo realizar estratégias de maneira a melhorá-la e até mesmo, com o tempo, fazê-la dissipar-se por completo.
Além destes dois recursos realizarei também algumas notas de campo onde registarei aspetos pertinentes/significativos para uma futura adoção de estratégias (Bogdan e Biklen, 1994).
Através da análise de documentos, mais propriamente da ficha da criança e de um teste diagnóstico realizado pela mesma, tenho como principal intuito verificar o meio onde a criança está inserida, a sua situação socioeconómica (baixa), o contexto familiar onde se encontra e se é possível verificar alguma evolução. Saliento que na realização do teste diagnóstico já se torna possível verificar o problema em questão. Quando solicitamos que a criança diga o seu nome ela apenas acena compulsivamente com a cabeça, inclusive quando mencionamos o nome correto.
Todas estas técnicas e instrumentos serão fundamentais para a realização de estratégias de modo a atenuar esta problemática.