A l i nguagem é a mor ada do ser . Nel a habi t a o homem. Seus vi gi as são os pensador es e poet as.
Mart in Heidegger
Após a l eit ura da apresent ação do cont ador crioul o e da breve descrição dos escrit ores ant il hanos cont emporâneos, é possível t er a impressão que a passagem da oral idade para a escrit a f oi f eit a de f orma harmônica e l inear, mas isso não corresponde à real idade. Para desf azer est a imagem, t raçaremos um breve panorama da l it erat ura e do surgiment o da l íngua crioul a nas Ant il has.
A primeira manif est ação de escrit a nas Ant il has (ou ant e i l um, il has diant e
do cont inent e) ocorre com a chegada dos europeus, mas não possuía ainda um carát er l it erário. Trat a-se das crônicas dos primeiros viaj ant es que desembarcavam nas il has e que t inham como f im único regist rar de que f orma ocorria a col onização.
Di zem que quando os col oni zador es eur opeus chegavam às novas t er r as conqui st adas, não t i nham el es t odos os mesmos pr ocedi ment os: os i ngl eses const r uíam em pr i mei r o l ugar um est abel eci ment o comer ci al ; os i bér i cos, uma i gr ej a; os f ranceses, uma escola. (DAMATO, 1996, p. 192. Grif os nossos)
Um dos aspect os a ser considerado na af irmação acima é o f at o de a França t er desenvol vido t ardiament e o seu processo de col onização. Enquant o os países da Penínsul a Ibérica iniciaram a empreit ada das navegações no f inal do sécul o XV, a França demorou quase dois sécul os para f azer o mesmo. No caso específ ico das Ant il has, a col onização f rancesa inicia em 1635 em decorrência de uma disput a com a Espanha pel o domínio das il has. Os f ranceses se uniram aos índios caribes cont ra os espanhóis para, em seguida, dominar os nat ivos. Pat rick Chamoiseau e Raphaël Conf iant iniciam o l ivro “ Let t res Créol es” narrando que:
Já abal ados pel as doenças i mpor t adas e pel o abuso de ál cool eur opeu, esses guer r ei r os per der i am uma par t e de sua aut or i dade i nt er i or . El es não saber i am mai s como se posi ci onar , ent r e as of er t as de ami zade dos f r anceses, as pr omessas i ngl esas e suas t r ai ções si st emát i cas à pal avr a dada (1994, p. 25).
Est e processo t ardio expl ica a iniciat iva de ut il izar a l íngua como inst rument o de col onização, pois condiz mais com a ment al idade do homem do sécul o XVIII do que com a do homem renascent ist a. A própria idéia de um idioma comum a t odos os cidadãos coincide com a f undação dos Est ados Nacionais.
Após a Revol ução Francesa surge a preocupação com a ident idade nacional das nações européias em f ormação e a l íngua f unciona como o principal símbol o de unidade. Assim como a bandeira, a l íngua deveria ser única e dat a dest a época a repressão às l ínguas nacionais. Est e ideal unif icador inexist ia na monarquia, e podemos el eger como exempl o o caso da Espanha, onde a l íngua of icial e as regionais coexist em at é os dias de hoj e.
Lembremos que quando os primeiros col onos desembarcaram nas il has a l íngua f rancesa ainda não era unif icada. E quem eram esses pioneiros? Conf iant e Chamoiseau apont am que os at uais descendent es propagam a l enda de serem oriundos de f amíl ias nobres, embora a Hist ória não concorde com essa versão:
Tr at ava-se mui t as vezes de caçul as da f amíl i a obr i gados a i mi gr ar par a as i l has pel o r i gor da l ei de pr i mogeni t ur a. Tr at ava-se t ambém, e na mai or par t e dos casos, de mar i nhei r os com ol har f i xo, agr i mensor es expul sos da cadei a, avent ur ei r os di ver sos t r azi dos por sua pouca sor t e ou por seu dest i no ar r ui nado. Todos t r azi am consi go esse quê de desesper o que l eva à avent ur a em di r eção das Índi as i l usór i as. Também é sabi do que Col ber t mandar á vi r as mul her es da vi da par a povoar essas t er r as di st ant es onde os pi onei r os r ecl amavam a f al t a de mul her es (op. ci t . , p. 27).
Esses col onos não conseguiam habit uar-se ao cal or t ropical e por isso adoeciam sem conseguir produzir. Para remediar essa sit uação, os negros passaram
a ser t razidos da Áf rica, pois j á est avam acost umados ao cl ima e ao t rabal ho nas pl ant ações (CONFIANT; CHAMOISEAU, 1994, p. 37).
Os escravos desembarcavam em um t erreno l ingüíst ico inst ável , suj eit o a modif icações. Al ém do cont at o com espanhóis e port ugueses nos meses ant es de embarcar, el es eram cat equizados por padres missionários em f rancês. Em seus rel at os somos inf ormados que el es eram proibidos por seus senhores de f al arem suas l ínguas mat ernas (DAMATO, 1996, p. 88).
Al ém da imposição do idioma por part e dos col onizadores, o f rancês t ornou- se uma necessidade para a comunicação desses af ricanos. Segundo os missionários, os af ricanos aprendiam o f rancês muit o rápido, pois era a única f orma de se comunicarem, não soment e com os europeus, mas t ambém ent re el es. Como eram originários de et nias diversas, dezenas de l ínguas co-exist iam numa mesma senzal a. Essa mist ura era f eit a de propósit o pel os senhores, a f im de evit ar possíveis revol t as.
No ent ant o, não eram apenas os negros que precisavam de uma l íngua comum nest e primeiro cont at o. Chamoiseau e Conf iant not am que os col onos t ambém provinham de diversas províncias da França, em uma época em que a l íngua f rancesa ainda não era unif icada. Cada província f al ava o seu dial et o, que eram mant idos por seus habit ant es ao serem desl ocados para as col ônias. El es est imam que, “ mesmo na ausência dos af ricanos, o f rancês insul ar t eria derivado de seu t ronco europeu” (i bi d. , p. 68). Régis Ant oine concorda ao af irmar que “ nas
Ant il has, o crioul o era ao mesmo t empo a l íngua dos escravos e a dos mest res” (apud: i bi d. , p. 69).
Como evidência de que as l ínguas regionais do nort e da França eram bem marcadas no período col onial , podemos apont ar os t raços dest as encont rados no
crioul o ant il hano. Por muit o t empo at ribuiu-se a ausência do ‘ r’ nos crioul os a uma pronúncia incorret a dos negros, como se el es não conseguissem emit ir esse f onema. Tendo como base o Gl ossai r e des pat oi s et par l er s de l ’ Anj ou22, Conf iant e Chamoiseau observam que esse t raço f onét i co pert ence aos col onos normandos, j á que diversas l ínguas af ricanas pronunciam o ‘ r’ . Essa t eoria t ambém expl ica o ‘ s’ inicial que recebe a prót ese de um ‘ e’ (espi r i t uel ao invés de spi r i t uel ), assim
como a modif icação de al gumas t erminações (quessi on ao invés de quest i on) e a
af érese de al gumas pal avras (pl at i r ao invés de apl at i r ). Segundo os aut ores,
“ oit ent a por cent o das dit as anomal ias do crioul o em rel ação à raiz f rancesa não se devem aos negros, mas simpl esment e aos f al ares dial et ais dos primeiros col onos brancos. Na verdade, o crioul o derivou desses dial et os e não do f r anci en, que
originou o f rancês moderno” (CONFIANT; CHAMOISEAU, 1994, p. 70)23.
Est e é o nasciment o do que será int it ul ado post eriorment e de crioul o ant il hano. Trat a-se de um amál gama do f rancês, do subst rat o do idioma dos caribes (que j á se comunicavam com os f ranceses com um pi dgi n int it ul ado baragouin) e de
vest ígios de várias l ínguas af ricanas. Post eriorment e, o l éxico t ambém seria inf l uenciado pel os indianos e árabes que aport ariam nas il has.
Nest e cont ext o inst aura-se a escrit a do regist ro que, minuciosa e vazia, na maioria das vezes era el aborada por cl érigos. Segundo Chamoiseau e Conf iant , a escrit a do regist ro “ é predadora e cega. Redut ora, el a precipit a o diverso na f orma de pensar de um. A escrit ura do regist ro espanhol ou f rancês ignora a crioul ização e t est emunha apenas uma avent ura sol it ária e al t iva” (i bi d. , p. 33). Como exemplo,
22
Publ icado em 1908 pel o dial et ol ógo Verrier-Onil lon. Anj ou é o nome de uma ant iga província no Nort e da França. Nos dias de hoj e, int it ul a-se Maine-et -Loire.
23
Convém observar que est es met apl asmos t ambém são recorrent es na hist ória da l íngua port uguesa, o que ref ut aria a t eoria de que os negros det urparam a l íngua f rancesa.
cit emos o missionário do sécul o XVI César de Rochef ort , ref erindo-se às l ínguas caribenhas:
A l i nguagem del es é ext r emament e doce e se pr onunci a quase sempr e nos l ábi os, um pouco nos dent es e quase nada na gar gant a. Por mai s que suas pal avr as par eçam r udes no papel , ao ser em pr onunci adas, el es f azem el i sões de al gumas l et r as e a denot am um cer t o t om que t or na seu di scur so bem agr adável . (Apud: CHAMOISEAU ; CONFIANT, 1999, p. 66)
Como se sabe, o crioul o resul t a de um cont at o l ingüíst ico f orçado, muit as vezes ocorrido durant e ou em conseqüência de um processo de col onização. O vocabul ário se deriva da l íngua de maior prest ígio social ou pol ít ico na sit uação de cont at o inicial , geral ment e uma l íngua européia (APPEL; MUYNSKEL, 1996, p. 260). Já as est rut uras f onol ógica e sint át ica são t omadas das l ínguas de base. Chamoiseau e Conf iant comparam o nasciment o de uma l íngua com a de uma criança. A part icul aridade é que, al ém da gest ação ocorrer em segredo, a condição para o nasciment o é “ o decl ínio e em seguida, a mort e de um de seus genit ores” (1999, p. 66).
O crioul o se dif erencia dos pi dgi ns na medida em que est es são considerados
l ínguas de cont at o e j amais uma l íngua mat erna. Com o passar do t empo e o surgiment o de gerações de f al ant es do crioul o, est e perde o est at ut o de pi dgi n e
passa a ser considerado uma l íngua nat ural nat iva. Podemos dizer que a passagem
do pi dgi n para o crioul o é como a t ransf ormação de uma l íngua individual em
col et iva, deixando de ser duas l ínguas dist int as e t ornando-se uma t erceira.
Recol hemos aqui al guns exempl os, ret irados da l ist a de Swadesh24, para most rar como al gumas caract eríst icas da l íngua f rancesa geraram os t ermos no crioul o da Mart inica:
24
Est a f oi criada pel o l ingüist a Morris Swadesh na década de 40 e consist e em uma l ist a cont endo 100 pal avras e suas t raduções em diversas l ínguas. Seu obj et ivo era buscar cognat os e comparar as l ínguas.
•
O t ermo f rancês mai n (mão) se diz em crioul o l amen. Da mesma f orma, l une(l ua) é t raduzido por l al i n. Temos ent ão que o det erminant e (no caso, o
art igo def inido – l a) e o t ermo (mai n, l une) se f undem em uma pal avra só.
•
A pal avra oi seau (pássaro) t em como correspondent e crioul o zwézo, assimcomo or ei l l e (orel ha) vira zor èy. O que ocorre aqui é o f enômeno f onét ico
da el isão do som de um det erminant e pl ural (l es ou des) com os t ermos
iniciados por vogal .
•
Por vezes, dois t ermos se f undem em um só. É o caso da t radução de cour t(curt o) que em crioul o diz-se t oupt i (t out pet i t , bem pequeno) ou f or êt
(f l orest a), que é gr anbwa (gr and boi s, grande bosque).
•
Os t ermos incont áveis em f rancês sempre vem acompanhadas de um art igo part it ivo. No crioul o, a pal avra água (em f rancês, escreve-se eau epronuncia-se “ o” ) é dl o (de l ’ eau) e f ogo; di f é (du f eu).
O l ingüist a Al ain Kihm, especial ist a em l ínguas crioul as, observa um carát er int eressant e sobre est as. Ao compararmos l ínguas crioul as de base l exical de dif erent es idiomas, é possível det ect ar diversas semel hanças est rut urais ent re el as, mesmo t endo sido originadas em l ocais ou cont ext os hist óricos dist int os. A dif erença t ipol ógica dos crioul os em rel ação às l ínguas originais (mat riz f rancesa, ingl esa, port uguesa et c. ), possui t raços comuns em diversos casos, o que f oment a a discussão da rel evância do crioul o no est udo da origem da l inguagem (KIHM, 2000, p. 60).
Anal isemos como o processo de crioul ização é descrit o pel o l ingüist a Derek Bickert on, que ut il iza a seguint e parábol a:
Um desast r e nat ur al dest r ói a casa de uma f amíl i a. Devem abandoná-l a, mas podem apr ovei t ar uma par t e dos escombr os par a const r ui r uma casa nova. A est r ut ur a r esul t ant e é bast ant e di f er ent e da casa or i gi nal , e, devi do à f al t a de mat er i al , pr ovavel ment e é bem di f er ent e do que el es mesmos havi am i magi nado. Os f i l hos dest a f amíl i a cr escem nest a casa, que é a úni ca que conhecem. Anos depoi s, chega um ‘ senhor i l ust r e’ que af i r ma que a casa não est á como dever i a ser e most r a os pl anos que dever i am ser ut i l i zados par a a r econst r ução da casa. (…) Quando o i mpor t ant e vi si t ant e par t e, i ni ci a-se uma gr ande di scussão sobr e se a r emodel ação é conveni ent e e como l evá-l a a cabo. Fi nal ment e, cada um f az uma coi sa di f er ent e: há casas compl et as que per manecem em seu est ado or i gi nal e out r as, por out r o l ado, que sof r em di vi sões dr ást i cas. (In: APPEL; MUYNSKEL, 1996, p. 261, t radução nossa)
Ao subst it uirmos “ casa” por “ l íngua” , t emos a descrição do processo de f undação das l ínguas crioul as. O “ senhor” represent a o europeu, o dono da l íngua e cuj os ouvidos começam a doer com essa variant e que insist e em perdurar.
Com o passar do t empo, a rel ação ent re essas duas l ínguas — a adot ada pel a popul ação l ocal (oral ) e o f rancês of icial (escrit o) — se t orna cada vez mais pol êmica, causando uma dist ância social e pol ít ica, como veremos adiant e.
Com o desenvol viment o da economia do açúcar, o rel acionament o ent re os escravos e seus senhores, os békés, se compl ica e a dist ância ent re el es aument a,
sobret udo devido à sit uação de digl ossia. Os békés ut il izam o crioul o no seu meio
social e para est abel ecerem cont at o com seus escravos. Apesar de ser uma l íngua comum, não era considerada como uma cul t ura, e sim um inst rument o da agricul t ura.
Os békés eram os únicos que t inham direit o à inst rução, l ogo, podiam opt ar
ent re o crioul o e o f rancês. É j ust ament e nesse moment o que o crioul o f icará caract erizado como símbol o de inf erioridade, pois será associado aos escravos. Segundo Diva Damat o: “ Ent re essas duas l ínguas est abel eceu-se uma rel ação hierárquica: a oposição ent re f rancês e crioul o será a oposição civil ização ver sus
O principal f at or de dist inção ent re a civil ização e a barbárie será a barreira ent re oral idade e escrit a. O crioul o, por ser uma l íngua ágraf a, sempre possuirá um est at ut o inf erior ao f rancês, l íngua da cul t ura e dos document os of iciais das il has. Esse abismo ent re o oral e o escrit o será um t ema recorrent e na l it erat ura, pois para capt urar o universo ant il hano at ravés da pal avra escrit a é preciso imbuir do ol har reif icant e do est rangeiro. As primeiras produções l it erárias resumem-se a imit ações de t ext os europeus.
Como é de se imaginar, a única expressão l it erária que chega às col ônias é a f rancesa, mesmo que sej a com al gum at raso. No caso do Parnasianismo (que ecl ode na França em 1850) não é dif erent e, e o correspondent e crioul o surge em 1911. Est e moviment o se int it ul ava “ regional ismo” , mas f icou conhecido pel os crít icos como o Doudouísmo. Est e t ermo deriva do t ermo crioul o doudou, que é um
vocat ivo para designar a pessoa amada. Os discípul os de Théophil e Gaut ier caribenhos versam sobre t emas crioul os, mas com um discurso exót ico e superf icial . Seu principal expoent e, Daniel Thal y, t rat a em sua obra abundant e da f auna e da f l ora l ocal e das bel as mul at as, as doudous. Est es escrit ores são um
ref l exo do avanço econômico dos mul at os, que começam a buscar um enriqueciment o cul t ural e, aos poucos, desenvol vem a consciência pol ít ica. Por isso Chamoiseau e Conf iant af irmam que “ quando esse moviment o f or dot ado de audácia, el e denunciará o racismo na sociedade col onial e condenará as desigual dades sociais” (1999, p. 119).
Eurídice Figueiredo est abel ece um paral el o ent re o crioul o dest e período e o f rancês do sécul o XVI. Nest a época, o f rancês era a l íngua adot ada pel o povo e sof ria o mesmo desprest ígio que o crioul o. Segundo a aut ora: “ a sit uação l ingüíst ica das Ant il has t em semel hanças com a sit uação da França na época de Rabel ais,
quando havia duas l ínguas com est at ut os dif erent es: o l at im, l íngua cul t a e escrit a, e o f rancês, l íngua popul ar e não escrit a, ainda em f ormação” (FIGUEIREDO, 2000, p. 80).
Durant e o regime escravist a, a l íngua de cul t ura erudit a é o f rancês e sua aprendizagem é um at o de emancipação, aquil o que dif erencia os homens l ivres dos escravos. Port ant o, após a abol ição da escravat ura, o crioul o, que ant es era a l íngua ut il izada no meio social , cai em descrédit o. Como descreve Pat rick Chamoiseau:
Nasci dos na escr avi dão, est a cul t ur a, est a l íngua, est a or al i dade r emet i a à condi ção que não f asci nava ni nguém. Ai nda, os r ar os mei os de pr omoção soci al encont r avam-se condi ci onados essenci al ment e à aqui si ção da l íngua e da cul t ur a f r ancesa, ou mel hor : do af r ancesament o. (1994a, p. 151, t radução nossa)
As gerações seguint es se caract erizaram por negarem a herança dos ant epassados e assimil arem t udo o que vinha da met rópol e. Est a at it ude passa a ser incent ivada nas próprias inst it uições de ensino, onde era proibido f al ar crioul o. Os prof essores diagnost icavam que o bil ingüismo era a principal causa de f racasso escol ar no aprendizado do f rancês e, port ant o, o abol iram do ambient e escol ar com a imposição de cast igos aos al unos que desobedecessem.
Est e cont at o das l ínguas ágraf as com as escrit as é def inida por Paul Zumt hor no l ivro La l et t r e et l a voi x25 como oral idades primárias, mist as e secundárias. A oral idade primária se caract eriza por não apresent ar nenhum cont at o com a escrit a. A oral idade mist a ocorre quando “ a inf l uência da escrit a permanece ext erna, parcial , at rasada” . Já a oral idade secundária “ se recompõe a part ir da escrit a em um meio onde est a t ende a ext enuar os val ores da voz no uso e no imaginário. Invert endo o pont o de vist a, pode-se dizer que a oral idade mist a
25
Est a pesquisa t em como base a lit erat ura medieval, no ent ant o a rel ação ent re oralidade e escrit a