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a) Questionário sociodemográfico - com vista a caracterizar a amostra através das variáveis idade, sexo, escolaridade, atividade/profissão, estado civil e religião (Apêndice).

b) Questionário de Práticas e Acesso em Saúde - questionário em que se aborda o estilo de vida, as práticas de cuidado com a saúde e o acesso aos serviços de saúde construído a partir dos estudos de Ribeiro (2013), Saldanha (2011), Saldanha, Carvalho, Diniz, Freitas, Félix e Silva (2008) e Saldanha, Silva, Tenório, Lima, Galvão e Amorim (2012) (Apêndice).

c) Observação e Diário de Campo - utilização da observação e registro no diário de campo como método de coleta de dados em pesquisas, que consiste em um instrumento para o registro de informações que emergem do trabalho de campo e que posteriormente são utilizadas na análise dos dados. Foi realizada de forma assistemática (registro dos fatos da realidade sem que o pesquisador utilize meios técnicos especiais ou precise fazer perguntas diretas), não participante (embora tenha contato com a comunidade, não se integra a ela) e naturalista (no local onde o evento ocorre), com o objetivo de captar e descrever a realidade observada.

Assim, as observações foram registradas em diário de campo de forma descritiva, ou seja, o texto buscou revelar e transmitir por meio das palavras as impressões, as percepções e as qualidades apreendidas sobre o objeto de estudo, de forma a representar o cenário e as personagens que dela participam. De forma geral, o diário de campo versa sobre as características particulares das práticas, como: data, local de realização, início e término da coleta, público da prática; e também foram descritos as facilidades e os desafios revelados para realização da coleta de dados, dentre outras observações sobre o cotidiano das práticas. As fotografias utilizadas foram meramente ilustrativas sem pretensões analíticas.

d) Entrevistas semiestruturadas - baseadas no método das cenas conforme Paiva e Zuchi (2012), originalmente, utilizado para explorar aspectos da vida sexual cotidiana, foi adaptado pela pesquisadora para a identificação de situações de experiências relacionadas ao cuidado, práticas de saúde e acesso aos serviços de saúde de homens e mulheres, conforme é descrito a seguir:

A realização de entrevistas através da Técnica das Cenas permite considerar as três dimensões da vulnerabilidade ao adoecimento, visto serem impregnadas de sentidos construídos historicamente, que se atualizam em contextos intersubjetivos, cenas e cenários locais. Ao decodificá-las, se pode observar a violação e a negligência de direitos que aumentam a vulnerabilidade ao adoecer, assim como compreender os sentidos que as pessoas atribuem para as diversas dimensões da sua vida cotidiana (Paiva & Zuchi, 2012).

Nesse sentido, a produção de uma cena deve ser construída pela pessoa que fez parte dela, seguindo os seguintes passos (Paiva & Zuchi, 2012, p. 190-191):

1 – Produção da cena: A produção da cena é iniciada pelo pesquisador, que estimula a imaginação ativa do participante com perguntas que garantam a construção de uma narrativa dramatúrgica, recuperando a espontaneidade do vivido em um exercício mental e interno. O

pesquisador incita a atividade imaginativa, buscando o detalhamento do espaço da cena, a especificidade do horário, do tempo e do ritmo da ação, a descrição sobre como são e quem são os personagens relatados pelo participante. Estimula-se, então, a descrição do movimento que cada personagem presente na cena faz, fala ou sente, e a investigação sobre os sentidos da ação. No caso desse estudo, foi utilizada a seguinte instrução: Gostaria que você fechasse os olhos e lembrasse da última vez em que você ficou doente, pode ser aquela em que você considera que foi mais grave, ou a mais difícil. Lembrou? Diga onde você está? Que dia da semana e que horas são? Com quem você está? Fazendo o que? O que aconteceu? O que você sentiu? Você tinha tudo o que precisava? O que poderia ser diferente? Se você fosse homem, seria diferente? (Ao longo da narrativa, se fez perguntas de forma a se explorar a situação que estava sendo narrada pelo participante, possibilitando uma maior riqueza possível de detalhes). Ao final da narrativa, pediu-se que os participantes abrissem os olhos e imaginassem o personagem que viveu na cena narrada, à sua frente e se deu a seguinte instrução: Fale o que quiser para essa pessoa. Agora você é um profissional da saúde, atue como tal, o que você diria? Com a finalização da cena produzida pelo sujeito se iniciou a codificação.

2) – Codificação: Esse momento é o de compartilhamento da narrativa feita, de sua codificação para posterior decodificação. Pediu-se, então, que o(a) participante desse um título à cena mobilizada, a partir do qual se manteve uma conversa procurando não perder a sua dinâmica mais próxima de sua realidade experenciada na situação narrada. Dessa forma, organizou-se a memória por meio de uma cena, resumindo-a em um título, assim, se produz uma “chamada” que evoca a sinergia de elementos da experiência.

3) – Decodificação: O pesquisador, então, explorou e ampliou os detalhes da narrativa compartilhada (título). Buscou-se que o entrevistado falasse de outras dimensões, tais como os desejos, sentimentos, conflitos, valores em ação e antecedentes da cena. A decodificação

ampliou-se, até o cenário social e programático: o grau de acesso aos serviços de saúde e educação, orientação e saúde, ou quaisquer outros fatores relevantes naquele cenário e interação subjetiva, permitindo definir a quem responsabilizar ou entender porque a ação em saúde não se realiza, ou ainda, sugerir soluções para o problema. É importante ter em mente que a cena é única e nunca será a mesma depois de sua descrição; decodificá-la aumentará a probabilidade de modificá-la.

Além de coletar os dados, essa técnica pretende ampliar a compreensão sobre como a vulnerabilidade pessoal é produzida socialmente. Procura-se ampliar sua percepção e entendimento da experiência vivida e que foi narrada, indicando que o sujeito é detentor de sua vida cotidiana e sua capacidade de lidar com o que aprende sobre ela. A partir da conscientização, as pessoas podem reinventar as situações cotidianas e lidar com estas dimensões pessoais da experiência, conscientes das barreiras estruturais e da necessidade de mobilização social.

3.2.4 Procedimentos de Coleta de Dados

As seguintes providências foram tomadas para desenvolvimento do projeto:

a) apreciação do projeto pelo Comitê de Ética recebendo parecer favorável - Parecer 316.559 - CEP, Unipê – (Anexo II);

b) treinamento preliminar para a coleta;

c) escolha aleatória dos municípios - obedecendo ao plano amostral anteriormente explicitado; d) viagem em equipe para as cidades selecionadas;

e) construção do banco de dados (SPSS); e) transcrição e análise das entrevistas.

Os questionários quantitativos foram aplicados em lugares públicos como praças e logradouros ou nas residências dos participantes, de acordo com a disponibilidade dos

mesmos. A aplicação se deu de forma individual, sendo as respostas marcadas, pela pesquisadora ou por alguém da equipe de trabalho.

As entrevistas também foram realizadas nos domicílios, em lugares públicos como praças e logradouros com os homens e com as mulheres que se prontificaram a participar, em horário de sua disponibilidade. Cada entrevista foi conduzida e gravada pela pesquisadora com a devida autorização escrita dos componentes e, em seguida, transcrita na íntegra para possibilitar a análise dos dados.

Anterior à aplicação dos instrumentos, tanto dos questionários quanto das entrevistas, foram fornecidos os esclarecimentos éticos, assim como dos objetivos da pesquisa, garantindo aos participantes o anonimato e o sigilo das informações, respeitando a Resolução 466/2012 que envolve a pesquisa com seres humanos (Brasil, 2012). Também foram informados do caráter voluntário da participação, e solicitada a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido – TCLE, recebendo cada participante uma via do mesmo (Anexo I).

Os registros no diário de campo foram feitos ao final de cada dia de coleta de dados pela pesquisadora, sempre datados, sinalizando o local, a situação observada e as condições que podem estar interferindo no fato.

3.2.5. Procedimentos de Apresentação dos Resultados e Análise dos Dados

Para análise do questionário sociodemográfico e questionário de práticas e acesso em saúde foram utilizadas estatísticas descritivas, com a utilização de medidas de posição (Média), de variabilidade (Desvio Padrão) e distribuição de frequências, além de medidas de associação (qui-quadrado e test t).

O conteúdo do diário de campo é analisado como complemento e contraponto dos dados recolhidos através da mobilização dos outros recursos técnicos selecionados. A utilização da observação permitiu captar relevantes impressões que estão além dos dados ou

que exemplificam esses subsídios levantados pelo uso do questionário e da entrevista. Revelou-se assim, como um privilegiado modo de contato com o real e de interação com os sujeitos, partilhando o espaço social da pesquisa. Sendo assim, as observações expressas no diário de campo se mostrou útil em associação aos outros métodos empregados, uma vez que permitiu captar a realidade concreta do campo e as especificidades dos participantes e locais dos estudos permitindo evidenciar seus desafios.

A análise dos conteúdos das entrevistas foi realizada com base em Categorias determinadas a partir dos temas suscitados e processados em uma série de etapas, de acordo com a proposta de Figueiredo (1993) em que, o material integral dos depoimentos, é sistematizado com base no destaque e identificação de categorias temáticas a posteriori, a partir de sínteses sucessivas, realizadas em duas fases: (a) Primeira Junção: realizada a partir das transcrições das entrevistas, a síntese se efetuou partindo de conteúdos comuns dentro de uma mesma entrevista; (b) Segunda Junção: realizada sobre os conteúdos identificados na primeira junção, uma segunda síntese foi realizada sobre os conteúdos comuns às diversas entrevistas. Esta sistematização é descrita conforme o esquema a seguir:

- Primeira Fase:

As transcrições foram analisadas individualmente e a junção concentrou conteúdos comuns dentro de um mesmo depoimento, ou seja, de uma mesma entrevista, seguindo as seguintes fases:

A. Leitura Inicial: Nessa primeira leitura, que foi efetivada diversas vezes e em profundidade, identificou-se alguns pontos preliminares, ligados às Categorias Temáticas, realizando anotações a respeito de aspectos relacionados à situação (rapport, dificuldades de interação, disponibilidade e estado afetivo) e aos conteúdos propostos na entrevista.

B. Marcação: Foram selecionados trechos de conteúdos que corresponderem às Categorias emergentes, além de outros conteúdos também considerados relevantes.

C. Corte: Os trechos selecionados foram retirados do texto.

D. Junção: Os trechos selecionados foram agrupados por pessoa; ou seja, todas as anotações de uma mesma sessão foram dispostas em protocolos de análise.

E. Notação: Realizadas observações marginais sobre os trechos, comentando-os com o objetivo de localizá-los na literatura e no contexto das entrevistas.

F. Organização - Discussão: as observações marginais serviram como referencial para proceder à organização dos dados em uma segunda junção, em que foram agrupados os trechos de todos os participantes em relação a uma mesma Categoria Temática.

- Segunda Fase

Nesta etapa, as sessões não são consideradas individualmente e a junção se referiu aos conteúdos comuns a todas entrevistas. Assim, as junções realizadas na etapa anterior foram agrupadas e estudadas em função da equivalência de conteúdo, referindo-se às questões comuns, dentro de cada categoria em que se seguiu as seguintes fases, similares às primeiras:

G. Leitura Inicial: Realizou-se uma leitura para identificar os trechos cujos conteúdos são comuns, dentro de cada Categoria Temática.

H. Organização: Esses trechos foram então agrupados e classificados em subcategorias com base em protocolos especiais, ou seja, em função de conteúdo específico de uma das Categorias Temáticas, em particular.

I. Notação: Quando necessário, ampliou-se as observações marginais relacionando-as às subcategorias, as primeiras notações foram ampliadas e relacionadas, entre si, dentro de uma mesma Categoria Temática.

J. Discussão Final e Redação: Realizada a redação definitiva, baseada nos resultados obtidos através da análise de conteúdo, relativo às categorias que surgiram. As etapas realizadas para a análise dos dados podem ser observadas na tabela 6:

Tabela 7 - Etapas do Procedimento de Análise de Conteúdo sobre o material transcrito nas entrevistas: Primeira fase * (Participantes) A. Leitura Inicial B. Marcação C. Corte D. Primeira Junção E. Notação F. Organização – Discussão Segunda Junção – (Primeira Síntese)

Segunda Fase ** (Conteúdos)

G. Leitura Inicial H. Organização I. Notação

J. Discussão Final e Redação *Conteúdos relacionados a várias categorias em um mesmo participante. ** Conteúdos de vários participantes em uma mesma categoria.

Após a análise e a apresentação dos resultados de cada instrumento utilizado nessa pesquisa, se realizou a Análise por Triangulação de Método, ou seja, se faz uso de três pontos de referência para adequar e articular as diferentes unidades, variáveis e indicadores diante da complexidade do contexto investigado, contribuindo para que os resultados obtidos possam ser examinados a partir de várias perspectivas (Minayo, Assis & Souza, 2005).

A análise das informações coletadas através da triangulação beneficia uma percepção de totalidade e, de particularidades, acerca do objeto de estudo apreendendo o significado que os sujeitos constroem sobre uma determinada realidade, favorecendo a integração entre os aspectos teóricos e empíricos, sendo essa articulação a responsável por imprimir o caráter de cientificidade ao estudo. Segundo Minayo (2010), esse processo de análise envolve duas etapas principais:

Primeira etapa: Refere-se à preparação e a reunião do material coletado, ou seja, das informações obtidas a partir dos dados empíricos e das narrativas dos entrevistados. Sendo

assim, foram realizadas as análises, a apresentação e descrição dos resultados: a) dos questionários Sociodemográfico e de Práticas e Acesso em Saúde; b) a organização e elaboração do Diário de Campo por macrorregião de saúde; e c) a análise e categorização das Entrevistas Semiestruturadas.

Segunda etapa: Compreende notadamente ao processo de análise em si. Com base nos objetivos do estudo proposto se efetivou a articulação de três aspectos fundamentais, sendo que o primeiro se refere às informações concretas levantadas com a pesquisa; o segundo compreende o diálogo com os autores que estudam a temática em questão; e o terceiro abrange à análise de conjuntura, que deve ser compreendida como o contexto mais amplo e mais abstrato da realidade estudada, ou seja, deve-se buscar para além das informações colhidas, identificar ideias e significados abrigados nas entrelinhas das transcrições e dos dados descritos, analisando-se não somente os subsídios que se obteve, mas também o contexto no qual as informações foram suscitadas, isto é, efetivar uma interpretação das interpretações (Marcondes & Brisola, 2014; Minayo, 2010; Minayo, Assis & Souza, 2005). A figura 4 ilustra a articulação dos três aspectos mencionados:

Figura 4 - Análise por Triangulação de Métodos Adaptado de Marcondes & Brisola, 2014

Dados Empíricos Análise de Conjuntura Diálogo com os Autores

Portanto, a Análise por Triangulação de Método destaca o diálogo entre os dados empíricos, os autores que tratam da temática e a análise de conjuntura, num contínuo movimento dialético.